A vida dele dava um filme soviético
| Bem, como isto não é só o Daniel que tem direito a ser a voz do dono, também eu venho defender aqui o meu patrão. Opinou o patrão (depois de ver o Ricardo Araújo Pereira num jantar do Bloco, pá) que, assim como ele próprio não deveria ter aspirações a humorista, também o RAP não deveria ter aspirações a político. O RAP saltou-lhe em cima. Talvez a formulação do meu patrão não fosse muito feliz, mas a ideia estava certa. Estou convicto disto depois de ontem ter lido uma entrevista do RAP a esse jornal de enorme estatura chamado 24 Horas (não tem site).
Entendamo-nos: eu acho que o RAP se arrisca a ficar como o melhor cómico português do último meio século (para trás não falo porque não conheço), o que inclui Vasco Santana, António Silva, Solnado ou Herman. A primeira vez que vi o RAP foi nuns excelentes sketches, que fazia juntamente com o Zé Diogo Quintela, num não-tão-excelente programa chamado O Perfeito Anormal. Desde aí que acompanho a sua carreira. Agora, quando chegamos à política, o RAP deveria mesmo ser proibido de emitir qualquer opinião. Como é que um humorista da estatura dele tem opiniões políticas daquela estatura? Lá diz ele nessa entrevista que se inscreveu no PCP aos 24 anos, em 1998. Em 1998! Aos 24 anos!! Acho que não se pode alegar nem imaturidade adolescente nem desconhecimento do que é o comunismo. Seis anos depois saiu do PCP porque “aquilo que se fez ao João Amaral, e ao Carlos Brito e ao Edgar Correia foi uma coisa que me deixou bastante indignado”. O RAP não deve saber, mas aquilo que fizeram ao Edgar Correia e ao Carlos Brito é uma brincadeira de crianças comparado com aquilo que o PCP e os outros partidos comunistas por esse mundo fora fizeram a milhões e milhões de pessoas. Saiu também porque “o facto de o líder da bancada parlamentar ter dito que não tinha a certeza se a Coreia do Norte era uma democracia ou não” o deixou “desgostoso”. Desgostoso, RAP? Já ele ter dúvidas é muito bom. Até há pouco tempo ele teria a certeza de que era uma democracia. A Coreia, Cuba, a China, o Vietname, a URSS, Angola, sei lá… E depois disto, não é que ao RAP lhe dá para apoiar o Bloco, pá. Cruzes Credo! Como se dizia antigamente, é mesmo de Mao a piau. Só que o RAP é tão bom humorista que merece benevolência. E eu tenho uma hipótese para as suas ideias políticas: na realidade, é tudo uma piada. Visto assim, um tipo realmente ri: - Sabias que o RAP entrou no PCP em 1998 e agora apoia o Bloco, pá. - Nãããooo… Não acredito…. O Bloco, pá? Afinal, com RAP a piada é garantida. Como se diz na política portuguesa, dentro e fora das quatro linhas. [Luciano Amaral] |


Comments on "A vida dele dava um filme soviético"
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JMGB said ... (9:55 da tarde) :
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Kromgar said ... (2:35 da tarde) :
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Sand0kan said ... (10:39 da tarde) :
post a commentAcho uma piada desgraçada: vocês são os "Onde é que esteve no 25 de Abril", um símbolo claro de liberdade de expressão; agora vêem dizer que o RAP pode escolhar qualquer partido, desde que não seja o BE. Eu não estava em lado nenhum no 25 de Abril, mas claramente vocês estavam nas nuves, porque aqui, neste pequeno país a que chamam Portugal, há liberdade de escolha e expressão.
Realmente, é condenável ver ao que vocês conseguem reduzir o perfil de uma personalidade como é Ricardo Araújo Pereira.
O que o homem faz não interfere em NADA com a posição política e não é, nem de perto, nem de longe, da vossa conta inferir sobre a posição certa que o o senhor em questão deve ou não assumir.
Cada um é livre de apoiar, e foi só isso que o RAP fez, quem quiser... afinal, ninguém impediu alguém do prestígio e competência que tem, como é o sr Freitas do Amaral, de apoiar e exercer funções num governo de um partido que não o seu.
Eternamente grato pela vossa inadvertida lição de democracia.Porque vocês não reconheceriam essa dama nem que ela vos caísse em cima.Não sei se vocês estão a brincar ou não porque nem me certifiquei se isto era um blog de humor.Mas acabaram por conseguir definir Democracia através da técnica do absurdo e isso merece ser congratulado!