Os homens a quem parece que vai acontecer não-sei-quê
| Continuando na senda humorística, de fartar de rir era a edição de ontem (imagine-se…) do Diário Económico. Um dia depois da apresentação do projecto eleitoral do PS, onde até se prevêem umas quantas medidas de controle de gastos públicos e tal, lá vinham duas intervenções de futuros ministeriáveis do PS: o próprio primo-ministeriável Sócrates e o ministeriável para a cultura ou educação Augusto Santos Silva. Depois das tais promessas de racionalização de gastos, o que é que lhes ocorre propor? Proposta de Sócrates: que o já famoso “choque tecnológico” não conte para o défice. Proposta de Silva: que os gastos em educação não contem para o défice. Porquê? Porque são demasiado importantes para o desenvolvimento nacional para serem espartilhados por contas certas. Sim senhor. E que mais a seguir? As despesas com saúde? Com pensionistas? Porque não os próprios salários de Sócrates e Silva, já que eles são tão importantes agentes de mudança? E porque não, numa medida verdadeiramente radical, acabar com a chatice do orçamento? Essa coisa de ser obrigado a pagar as despesas que se fazem sempre me pareceu um preconceito pequeno-burguês, ou (porque não dizê-lo?) mesmo uma prática “neofascista”.
[Luciano Amaral] |


Comments on "Os homens a quem parece que vai acontecer não-sei-quê"
post a comment