À "extrema-esquerda radical"
| Ivan, to put the record straight: estou-me completamente nas tintas para a tua lista de links. Mas talvez haja aqui alguma contextualização a fazer: nós conhecemo-nos. Não direi que somos amigos, mas temos diversos amigos comuns e já falámos o número de vezes suficiente (e sempre de forma completamente urbana) para termos alguma ligação. Há na blogosfera um problema a que provavelmente nunca me conseguirei habituar, e que é o registo simultaneamente público e privado do seu conteúdo. Já tive, de resto, diversos dissabores por causa disso. Eu tenho a mania, talvez um bocado palerma, de (independentemente de divergências políticas ou ideológicas) cultivar um certo princípio de cortesia individual com as pessoas com que discuto na blogosfera. Quebro-a apenas quando sinto ou pressinto do outro lado que ele não está a ser respeitado. Ainda mais cultivo esse princípio quando conheço (passe a redundância) pessoalmente as pessoas com quem discuto. Há na blogosfera outras pessoas que funcionam, nos seus links e opiniões sobre outros, da mesma forma caprichosa que tu. Não lhes ligo pevide. Não me sinto obrigado, por razões de preservação de uma certa relação pessoal, a dar-lhes qualquer troco. Querem mandar o seu veneno cifrado? Façam-no à vontade e sejam felizes. A história é outra quando as conheço e por elas tenho alguma estima. Nesses casos fico, efectivamente, um pouco aborrecido. Ainda para mais (e acho que não estou a revelar nada de mais) porque já me disseste que as coisas políticas que eu digo são inomináveis e que por isso não linkavas para o que eu escrevia (só de música, não é?).
É aqui que passo do privado para o público. Para te dizer que há aí uma base de intolerância um bocado preocupante. Ainda para mais vindo de alguém ligado a movimentos “radicais de extrema-esquerda”, cujas credenciais em matéria de princípios de liberdade e democracia deixam um pouco a desejar. Achar o BE um partido aceitável para discutir ao mesmo tempo que se coloca o CDS no index é, desculpa lá, no mínimo caricato. Ver pessoas do BE ou comunistas ou ex-comunistas (não arrependidos) invocarem não sei que superioridade moral para achincalharem o CDS dá-me uma certa vontade de rir. Acho que já estaria na altura de acabar com essa comédia. O CDS é um partido do “arco democrático” desde 1974. O mesmo não se pode dizer dos partidos à esquerda do PS. Portanto, essa graça da “extrema-direita radical” parece-me dispensável. Já agora, aviso: não sou do CDS e nunca votei no CDS (não quer dizer que um dia não o faça) e, portanto, não estou aqui pago para fazer este número. Acresce que este blog não é do CDS. Quanto ao mais, diverte-te. E pode ser que um dia, apara te alegrar, volte a escrever sobre música. [Luciano Amaral] |


Comments on "À "extrema-esquerda radical""
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Anónimo said ... (5:36 da tarde) :
post a commentEs um Salazarista!