As minhas incursões transmontanas (I)
| Foi cerca de 1670. Três irmãos, Genebra de Alvim, Ana de Sousa e Baltazar Drago Portugal, decidiram instituir uma capela em Vilar de Maçada, julgo que de invocação a N.ª Sr.ª da Assunção. Como a idade já pesava, e o fim da obra pia era, afinal, o acrescentamento da família, a capela foi deixada a uma sobrinha, Francisca Sousa Ataíde, e ao respectivo marido, Gregório de Castelo Branco. Note-se que a instituição de uma capela não implicava a sua existência física, pelo que a erecção respectiva coube a estes sobrinhos. A atestá-lo, as armas de Castelo Branco que se encontram na parede exterior principal, por cima da porta da entrada, e a data inscrita: 1674.
O homem contemporâneo é um homem da cidade, que pensa o campo e a própria interioridade a partir da cidade. Constato isto, apesar da sua irrelevância para o caso. Relevante, isso sim, é o facto daquela capela ser hoje inacessível a um contemporâneo. Não sei porque linhas, negócios ou acasos, a referida capela acabou por vir parar às mãos do pai do Eng.º Sócrates. Mas a vexatio questio é esta: acabou transformada numa agência dos CTT. A linha arquitectónica é hoje um exemplar da «cantaria postal», raro paradigma de construção. Convém deixar claro, portanto, que aquela capela não é um posto dos correios de 1674, e que as armas dos Castelo Branco não são o logótipo mais antigo que se conhece. Mas continuando: desmantelada a capela, o que fazer aos despojos? Apenas apanhei o rasto dos pináculos e do muro do telhado, que se encontram, hoje, a delimitar uma campa rasa no cemitério de Vilar de Maçada. Disseram-me uns locais que a campa era da família do Eng.º Sócrates. Ignoro se assim é. Já o mesmo não posso dizer o destino da capela. A não perder: leitura atenta do programa eleitoral do PS para o património cultural, cemitérios e comunicações postais. [Jacinto Bettencourt] P.S. Sonhei que ontem houve, pela primeira vez, eleições livres no Bloco de Esquerda e que Saddam Hussein era candidato do BE pelo círculo de fora da Europa. Interpretem lá isto… |


Comments on "As minhas incursões transmontanas (I)"
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Anónimo said ... (3:06 da tarde) :
post a commentDemência...