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Terça-feira, Dezembro 28, 2004

Aviso à navegação (só uma vez mais)

Por causa de mais um email disparatado, vejo-me obrigado a repetir que O Acidental não é um blogue do CDS/PP.
O Acidental é o meu blogue.
É verdade que eu sou do CDS, e com muito orgulho.
Mas sou também muitas outras coisas, entre as quais ex-jornalista, casado há dez anos, pai há quase seis, licenciado em Relações Internacionais, benfiquista desde que me conheço, interessado em assuntos de Defesa e Negócios Estrangeiros, português nascido em Lisboa, filho de beirões de Viseu, católico muito pouco praticante, irmão assíduo e preocupado, amigo dos meus amigos, adversário dos inimigos dos meus amigos, etc. e tal.
O Acidental reúne um grupo de vozes diferentes e, enquanto existir, será sempre um blogue plural e pluralista onde tudo - mas mesmo tudo - se pode discutir. Em plena liberdade, como é habitual para quem, como eu, é do CDS.

[Paulo Pinto Mascarenhas]

Quem o disse?

"Polícia algum é universalmente popular, particularmente quando usa o bastão para restaurar a ordem e a lei na sua área".

Quem o disse: George W. Bush?
Não: John Fitzerald Kennedy, o autor original das novas fronteiras.

[PPM]

Saído da alma

O Pedro e a Cecília ganham os dois juntos cerca de 500 contos por mês. Por uma razão ou por outra, esse rendimento nunca foi suficiente para os encargos mensais. O que lhes valia eram umas quintas que a Cecília tinha herdado e que foram sendo vendidas ao longo dos anos. As quintas foram todas vendidas e o respectivo rendimento extraordinário acabou. Ora, apesar das muitas promessas feitas a eles próprios, nunca conseguiram reduzir os seus encargos para os limites dos actuais proveitos e as dívidas foram crescendo...
Agora o crédito acabou...
E de quem foi a culpa? Do Pedro? Da Cecília?
É tarde... agora é tarde.

Estas historietas serão necessárias para explicarmos aos nossos filhos as brutais dificuldades que vamos atravessar nos próximos anos.
Nessa altura não vai valer a pena lembrar os fundos europeus “torrados” sem qualquer planificação, a falta de ideias para o país do Prof. Cavaco; as centenas de milhares de empregos artificialmente criados na Função Pública (e pelas milhares de empresas públicas e municipais e mais gabinetes) pelos Soares, Cavacos e Guterres; a incompetência de “projectos de políticos” que a única coisa que sabem fazer é intrigar e colar cartazes; o estado a que a nossa justiça chegou que deu origem a que as dívidas são umas “coisas” que se podem pagar ou não; o nosso fantástico sistema público de saúde que basta ter o “público” no nome para já sabermos que não funciona; os nossos autarcas que parecem ter um plano secreto de destruição do ordenamento territorial; os ministros que saem de empresas privadas para o Governo e depois voltam para as mesmas empresas com quem negociaram como membros do Executivo; os detentores de cargos públicos que estranhamente enriquecem; os organismos públicos que têm como função primordial travar o funcionamento das empresas...

Alguém tinha de pagar esta factura...
E vamos ser nós e os nossos filhos.

[Pedro Marques Lopes]

Os alegados protestos desmentidos

Como já é do conhecimento público, foi totalmente desmentida pelo Governo a manchete de hoje do "Diário Económico" sobre a alegada suspensão dos pagamentos dos subsídios de doença e desemprego nos últimos dias do ano, que serviria para controlar o défice orçamental de 2004.

O mais engraçado é ver a sequência de réplicas à notícia em causa na Lusa, a culminar na última informação disponível: "Subsídios: Suspensão desmentida pelo Governo gera onda de protestos (SÍNTESE)".

Sim, leram bem: a suspensão claramente desmentida gerou uma onda de protestos - mas não é o desmentido à suspensão que está em causa, calculo eu, deve ter sido a alegada suspensão que foi geradora de protestos ainda que seja só alegada e, de facto, não exista. Do Bloco de Esquerda ao PS, passando pelos sindicatos de serviço à causa protestativa, tudo protestou mas sem razão. Alegada ou não.

Pergunta inocente: Será que os protestos também vão ser agora desmentidos?

[PPM]

Informação útil

Para quem quiser obter qualquer informação ou procurar contactos destinados aos cidadãos portugueses que se encontrem na região asiática afectada pelos maremotos, vá à página do Ministério dos Negócios Estrangeiros português e clique no linque chamado "Tragédia na Ásia". As últimas notícias também estão ali.

[PPM]

Onde se lê Casa em Construção deverá passar a ler-se Procuro T0 com cozinha em Braga

Mas também podia ler-se Retratos da Vida de Um Médico ou Viagens na Minha Terra ou Peregrinações Médicas. Quem assina é o João Moreira Pinto, um médico que esteve em Timor e agora foi colocado em Braga. E ele - que só conheço de o ler na blogosfera - que se livre de não manter a escrita em dia.

[PPM]

Prémio para a maior chaga do ano

Vai para... aquele rectângulo de patrocínio que aparece sempre que saímos de alguns blogues portugueses. Ainda por cima só vende produtos brasileiros que não interessam a ninguém e que não quereremos jamais comprar. Espero, ao menos, que o tal patrocinador brasileiro patrocine mesmo. Ou seja, vocês os patrocinados ganham alguma coisa por subscreverem aquela porcaria e obrigarem-nos a levar com aquilo sempre que saímos dos vossos blogues?
Agradeço confirmação.

[PPM]

Eles divertem-se

Texto do Barnabé:
Comunicação de Natal de Santana Lopes: «Oxalá tivesse uma varinha mágica» para acabar com os desempregados.

Título do Barnabé:
"E se os matasses à fome?"

Realmente, eles divertem-se. Muito. Seja lá como ou com quem for. O mau gosto desta esquerda salsifré não tem limites.

[PPM]

Coisas simples, intendência ou ar puro

Apesar de não ter nada a ver com isso, concordo inteiramente com o Paulo em não "linkar" o blogue de José Pacheco Pereira, o Abrupto, aqui n'O Acidental. Se o fizesse, parece-me a mim, o Paulo estaria a recomendar aos seus leitores que visitassem o dito Abrupto. Não sei porque não o faz, mas parece-me bem pela simples razão de que o Abrupto é uma enorme seca. É um blogue entediante, chato e arrogante. Entre postes de quadros, poemas em várias línguas e textos exaustivos de filósofos, José Pacheco Pereira preenche o seu blogue recorrendo ao facilitismo do "copy/ paste", como quem diz: "Eu já li isto, vejam lá se conseguem…".
Sempre que vou ao Abrupto recordo-me de uma frase dita por um velho professor de Direito para descrever outro: "Tem ideias boas e ideias próprias, só é pena que as próprias não sejam boas e as boas não sejam próprias".

[Inês Teotónio Pereira]

Personalidades e personagens

Com alguma graça e ironia qb, o Luís Rodrigues do Random Precision comenta o meu comentário sobre a escolha de George W. Bush como personalidade do ano pela revista "Time".

Recorda o Luís que Hitler, Estaline ou Khomeini também foram nomeados para o efeito. E remata: "Pois é. Se no «Acidental» não perceberam isto, de facto não perceberam nada...".

O que parece é que foi o Luís quem tresleu aquilo que escrevi e interpretou à luz dos próprios preconceitos. Dito de outra forma e explicado por miúdos: George W. Bush foi de facto a personalidade que mais importância teve no ano de 2004 - para o bem ou para o mal. E este é um facto incontestável.

Ainda assim, não resisto a lembrar que nem sempre a "Time" escolheu figuras maléficas como Hitler, Estaline ou Khomeini para personalidade do ano. Para não ir mais longe, deixo aqui alguns exemplares, certamente mais ao gosto do Luís Rodrigues.

Como Mikhail Gorbachev, em 1987:



Ou Lech Walesa, em 1981:



Ou até, para irmos à década em que Estaline também foi nomeado, esta capa:



Sim, é Gandhi, o líder espiritual, escolhido pela "Time" como personalidade do ano em 1930.

[PPM]

E os nossos leitores vêm de...*

Portugal - 621
Estados Unidos - 7
França - 6
Espanha - 5
Brasil - 4
Reino Unido - 3
Dinamarca - 2
Alemanha - 1
Itália - 1
Suiça - 1
Argentina - 1
Singapura - 1
Macau - 1
Bulgária - 1
Koweit - 1

* Dados da Geoloc desde ontem às duas da tarde. E que sejam todos muito bem-vindos, venham do Koweit ou do Brasil.

[PPM]

Sectarismo Histórico

Aqui há tempos, numa reunião que outrora fora clandestina, uma ilustre desconhecida bradava aos céus, do alto do púlpito do certame: "Viva o Marxismo-Leninismo!!".
De punho cerrado - o mesmo símbolo que o PS ainda hoje utiliza, curiosamente - a militante citava palavras do timoneiro Álvaro enquanto os "camaradas" entravam em êxtase. Entretanto, e revendo as imagens várias vezes para me certificar que não estava a ver o Canal Memória, pensei cá para mim: "Oh diabo! atão não é que estamos em 2004, rés-vés 2005!!"
E concluí: A história do século XX foi mesmo branqueada. Apesar dos milhões de mortos que essa profecia assassina provocou, continua a não fazer parte do mesmo esgoto que o nazismo ou o fascismo. Será que alguém ainda teria coragem para bradar aos céus num congresso partidário "Viva o Nazismo!!"? Provavelmente sou eu que estou doido, mas não vi muita gente no último mês pôr os "pontos nos is" nesta matéria.

[Bernardo Pires de Lima]

Segunda-feira, Dezembro 27, 2004

Peter Pan

Não sabia, mas fiquei a saber através do DN, num atempado artigo de Eurico de Barros: faz hoje 100 anos que a peça Peter Pan, de J.M. Barrie, estreou em Londres. Muito ocupado a ler o último amontoado de letras assinado por um qualquer escritor em moda (da lésbica nigeriana ao comunista português), o intelectual ocidental não tem tempo para livros infantis. E, no entanto, as melhores histórias infantis deveriam contar-se entre a leitura obrigatória de qualquer adulto civilizado: para mencionar só algumas, Alice no País das Maravilhas, os Contos de Hans Christian Andersen, Pinóquio, Cuore ou, claro, Peter Pan. Lidos com 30 ou 40 anos de idade e não apenas com 3 ou 4. A boa literatura infantil é a única que na época contemporânea mantém características que o resto dos géneros (excepção feita a alguns escritores) foi perdendo: a dimensão trágica, no sentido grego (antigo) do termo. Sobre a tragédia, dizia Nietzsche que ela era a única tradição intelectual assente numa moral vital que o Ocidente teria criado, por oposição ao idealismo e racionalismo socráticos e platónicos (e, logo, cristãos), inevitavelmente decadentistas e suicidários. Só a tragédia assentaria numa moral que estaria para além do Bem e do Mal. Nietzsche nunca disse que não existiam Bem e Mal. Sempre disse que existiam, faziam parte da vida, mas que esta só era possível incluindo-os aos dois e superando-os.
Toda a gente gosta de Peter Pan: as crianças divertem-se. Os adultos também. Até ao dia em que começam a pensar naquilo. A pensar na tragédia de Peter Pan, encerrado na sua perpétua infantilidade, desconhecedor da felicidade (porque desconhecedor da infelicidade), eternamente (e infrutiferamente) em busca de uma mãe (que nunca teve); na tragédia de Wendy e Jane, encerradas num corpo e numa imaginação que vão envelhecendo, contactando com Peter uma única vez e viajando até à Terra do Nunca, para jamais lá voltarem. Na tragédia resultante da impossibilidade de coexistência comunicante destes dois mundos.
Tragédia não é melodrama. O meodrama é desgraças e choradinho. A tragédia representa antes o carácter irremediável e absoluto da vida. Para além do Bem e do Mal. Exactamente como Peter Pan.
[Luciano Amaral]

Uma visita de Singapura

Algures na blogosfera encontrei uma espécie de "localizador on line" chamado Geoloc, que podem ver ali em baixo, logo a seguir às ligações perigosas. O mais inesperado é que uma das primeiras visitas assinaladas vinha referida como sendo de... Singapura. Mas quem será este leitor que nos visita de tão longe? Alguém que veio ao engano, acidentalmente, ou porque nos queria mesmo ler? E como é que estão as coisas em Singapura, foram atingidos por alguma possível réplica do terramoto asiático? Se, por acaso, aqui voltar, caro amigo ou amiga, faça o favor de deixar mensagem, dê um sinal de vida, conte-nos como está tudo por aí.
Obrigado.

[PPM]

O Acidental à escuta

Natal: Começar bem. Por João Pereira Coutinho. A não perder.

[PPM]

O que nunca deveria ter acontecido em 2004



Mais de vinte e três mil mortos por causa do terramoto na Ásia.

[PPM]


Só para homofóbicos

Um veado é um veado.
Não é um "viado".
Mesmo quando é beijoqueiro.

[PPM]

O meu Natal

Eu acredito.
Temos todos mais coisas que nos unem do que as que nos dividem. Se calhar, é apenas o caminho a seguir que nos divide. Como acredito que o homem tem em si a essência da sua propria salvação, esta é a minha maneira de dizer Bom Natal.

Utopia

Cidade
Sem muros nem ameias
Gente igual por dentro
Gente igual por fora
Onde a folha da palma
afaga a cantaria
Cidade do homem
Não do lobo, mas irmão
Capital da alegria

Braço que dormes
nos braços do rio
Toma o fruto da terra
É teu a ti o deves
lança o teu desafio

Homem que olhas nos olhos
que não negas
o sorriso, a palavra forte e justa
Homem para quem
o nada disto custa
Será que existe
lá para os lados do oriente
Este rio, este rumo, esta gaivota
Que outro fumo deverei seguir
na minha rota?

José Afonso


[Pedro Marques Lopes]

Personalidade de 2004



Concordo com a escolha da "Time". Bush foi a personalidade do ano em 2004. E quem não o percebeu, não percebeu nada.

[PPM]

Quinta-feira, Dezembro 23, 2004

E agora para algo completamente diferente

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UM GRANDE NATAL PARA TODOS
OS LEITORES DO ACIDENTAL
(Volto no próximo dia 27, o mais tardar)

[PPM]

Cartas de Natal

Não vamos falar em coisas tristes, vamos apenas ter fé em dias melhores. É também para isso que serve o Natal, não é?
Antes de fechar a loja, não podia esquecer o meu blogue de referência nos meus votos natalícios. Fiquem, portanto, muito bem, e que o Menino Jesus não se esqueça de vós e, já agora, que também se lembre de mim.
Até 2005!

RMR

NR: Tudo de bom, para si também, estimada leitora. As coisas tristes, como lhes chama, são para ser relativizadas, porque a vida é boa demais para tais sentimentos de alma. Um Grande Natal para si e para os seus. [PPM, em nome de todos os acidentais]

Quarta-feira, Dezembro 22, 2004

É só fazer as contas

Uma e só uma caução de um e só um arguido do caso "Apito Dourado" daria para pagar quatro encartes iguais ao que foram publicados hoje.
É fazer as contas, como diria o outro engenheiro.

[PPM]

Olha quem fala

Sem uma ideia ou um programa alternativo para apresentar ao País, a esquerda e os adversários da actual maioria vão inventando pretensos casos. O último é o estranho caso do encarte sobre o Orçamento que não podia ser publicado porque os senhoritos da esquerda não querem que os portugueses sejam informados sobre o assunto. Como se publicar encartes fosse um pecado. Mas ainda que assim fosse, era caso para reformar o velho e cristão ditado e dizer que quem nunca publicou um encarte que atire a primeira pedra. Olha quem fala.

[PPM]

Agora são os meus prémios 2004

Prémio “Perco horas à tua procura
Maradona in A Causa Foi Modificada

Prémio “Quinteto de letras
Esplanar

Prémio “Devias mas é escrever todos os dias em vez de perder tempo a trabalhar
Eduardo Nogueira Pinto in What do you represent

Prémio “Mesmo quando falam de política
Blog de Esquerda

Prémio “Também quando fala de política”
Crítico Musical

Prémio “Contigo não discuto economia
António in Grande Loja

Prémio “Serviço público pouco virtual
Leonel Vicente in Memória Virtual

Prémio “Contigo não consigo discutir nada
Irreflexões

Prémio “Velho clássico da minha blogosfera
Memória Inventada

Prémio “A objectividade nunca deu jeito a ninguém
Pula Pula Pulga

Prémio “Direi o que for necessário para te irritar
Random Precision

Prémio “Como é que fazes para escrever assim?
Ma-Schamba

Prémio “Dizer que me fazes rir nem sempre é mau
Blogue dos Marretas

Prémio “É uma pena andar perdido
Carlos Abreu Amorim in Blasfémias

Prémio “Haverá alguém que goste menos de mim?
A Loira não gosta de mim

Prémio “Nunca vou conseguir acordar assim
Bomba Inteligente

[Rodrigo Moita de Deus]

O acontecimento de 2004

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(agradeço ao leitor Eduardo Pereira Correia o envio desta fotografia, acompanhada do seguinte comentário: "Para não se esquecer... :)".
Não esqueci.

[PPM]

Falando de coisas sérias

Reparei que, durante esta semana, as ruas de Lisboa encheram-se de crianças de todas as idades. Como as escolas e as creches fecharam, as crianças literalmente saíram à rua. Não devia ser sempre assim?

[Inês Teotónio Pereira]

De repente, tudo é possível

De 1995 a 2002, o Estado esteve sempre na lista dos dez maiores anunciantes do país. Eram institutos, câmaras municipais, ministérios, observatórios e até Fundações de Prevenção Rodoviária. Todos os boys tiveram direito a pelo menos um anúncio para mostrar “à esposa” quando chegavam a casa.

Dois anos e meio depois, vi um senhor socialista (aquele que tem o cabelo igual ao Sócrates), explicar que o suplemento sobre o orçamento era uma “vergonha”. Que eu o diga, compreende-se. Que Francisco Louçã o diga, compreende-se. Que Bernardino Soares, Pacheco Pereira, Daniel Oliveira o digam, compreende-se. Mas José Sócrates? Será memória selectiva? Adaptação da espécie? Ou simplesmente, absoluta e completa falta de pudor?

Depois de o ter visto a defender a venda da Lusomundo acredito que esta segunda vaga de Guterrismo herdou algumas das virtudes que fizeram de Vale e Azevedo um homem famoso.

[Rodrigo Moita de Deus]

Os parvos do ano

Rodrigo, tu que não és parvo nenhum sabes bem que o Governo não caiu por achar que o "povo é parvo". Há muitos parvos nesta história, mas não é certamente o "povo" – que nem votou pela dissolução.
Já agora, que lançaste a escada e para início de conversa, vamos ver quem foram verdadeiramente os parvos do ano e elaborar uma pequena lista de todos aqueles que deviam contar até um milhão e 300 mil antes de falarem.
Mas antes de mais, porque estamos a falar de conceitos, é melhor recorrer ao Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora.
Segundo esta idónea publicação "parvo" significa: "pouco inteligente; insensato; pequeno; indivíduo que revela falta de inteligência e de bom senso; indivíduo cujo comportamento é considerado desagradável e irritante”. Ora, o nobre “povo” não cabe certamente nesta definição.
Revendo o ano de 2004 destacam-se entre muitos outros os seguintes parvos (sem aspas), por ordem alfabética:

Ana Gomes: "indivíduo cujo comportamento é considerado desagradável e irritante"
António Carrapatoso: "pouco inteligente"
Cavaco Silva: "insensato"
Ferro Rodrigues: "pouco inteligente"
Francisco Louçã: "pequeno"
João Salgueiro: "insensato"
José Sócrates: "indivíduo que revela falta de inteligência e de bom senso"
Loureiro dos Santos: "indivíduo que revela falta de inteligência e de bom senso"
Manuel Monteiro: "pouco inteligente; insensato; pequeno; individuo que revela falta de inteligência e de bom senso; individuo cujo comportamento é considerado desagradável e irritante"
Marcelo Rebelo de Sousa: "indivíduo cujo comportamento é considerado desagradável e irritante"
Mário Soares: "indivíduo cujo comportamento é considerado desagradável e irritante"
Miguel Sousa Tavares: "pouco inteligente"

[Inês Teotónio Pereira]

PS: Peço desculpa se me esqueci de algum nome relevante. Obviamente que nesta lista não devem estar incluídos os acólitos das personalidades acima referidas. Da mesma forma que estão automaticamente excluídos todos aqueles que se prestaram ao serviço público. Apesar de tudo. Tal como tu, Rodrigo. Quando não te armas em parvo.

Sobre o encarte de hoje

Não foi Jorge Sampaio, não foi Henrique Chaves, não foi o orçamento, não foi a falta de coordenação política, nem sequer o défice de credibilidade. O governo caiu porque acreditava genuinamente que o “povo” é parvo. Porque se julgavam muito melhores, porque se julgavam mais "espertos" que os outros. Constato hoje que insistem no mesmo erro.

[Rodrigo Moita de Deus]

PS: Temo que no dia 20 de Fevereiro, quando tiverem que arrumar os caixotes, continuem sem perceber esta explicação tão simples.

O Acidental à escuta

Obrigatório: "As notícias que nunca saem na primeira página".

[Rodrigo Moita de Deus]

Brincar com as palavras

O jornal Público não errou, quando estampou um parágrafo inteiro sem uma única referência ao seu dono. Uma imitação não acontece simplesmente. Uma cópia não é um imprevisto. Um plágio nunca é obra do acaso. Se o Público diz que “errou”, o Público mente. Mais valia estar calado.
(via Blasfémias)

[Rodrigo Moita de Deus]

Assim não renovo a assinatura

O McGuffin ameaça sair de circulação. Como dizia o poeta: não pode ser! É muito simples: se o McGuffin sai da blogocoisa (ou lá como é que isto se chama) eu não renovo a assinatura.
[Luciano Amaral]

Terça-feira, Dezembro 21, 2004

O Acidental à escuta

O fantástico reino dos Santos mereceu uma oportuna Bazongada.

[Rodrigo Moita de Deus]

Recebido por e-mail

Assunto: Carta a Júlia Pinheiro!! Mail do Ano!
Hoje no JN: carta de uma leitora à Júlia Pinheiro


Cara senhora Júlia Pinheiro,

Gosto muito de a ver trabalhar. Já o disse à minha vizinha do 3.º esquerdo, que está particularmente admirada com a facilidade com que a senhora consegue dialogar com aquele burro mirandês que, ainda por cima, lhe responde com pronúncia de Lisboa. Gostava de lhe agradecer, em nome de todas as mulheres deste país, pelos excelentes momentos de televisão que nos tem proporcionado. Nunca esperei ver um autarca de cuecas em directo na televisão ou tornar-me numa enoooorme fã de um actor pornográfico brasileiro que, ao que parece, não usa cuecas há sensivelmente dois anos. Já para não falar do senhor Castelo Branco, graças a quem fiquei a saber que havia trelas para cães da marca Dior. O Óscar, o meu caniche, ficava lindamente com uma coleira Armani, a senhora não acha?

Mas não é por isso que lhe escrevo. O seu programa conseguiu fazer mais pelo meu casamento do que 12 sessões num psicólogo de aconselhamento matrimonial. Ou três peças de lingerie muito sensuais que eu comprei em promoção no Jumbo. Foi graças a si que eu recuperei a felicidade. Foi graças a si que o meu marido (que lhe manda um bejinho) finalmente começou a sentar-se ao meu lado no sofá depois do jantar. Que começamos, verdadeiramente, a ter uma vida a dois (em todos os capítulos!). Ontem, imagine a senhora, virou-se para mim e disse:

"Bom dia, flor do dia!". E eu corei de curiosidade, o que já é difícil aos 57 anos. "O que se passa contigo, Ramiro?". E então ele respondeu-me: "Ouvi o Alexandre Frota dizer isto ao Castelo Branco".


[PPM]

Até podia ser, mas acho que não

O Manuel, da Grande Loja, quase me apanhava à esquina. Admito que a minha aversão pelo casal Cadilhe me poderia induzir em erro. Seria bem possível e não teria grandes problemas em o reconhecer.

De facto não conheço a Agência Portuguesa de Investimento ao pormenor e de facto irritei-me com as sucessivas intervenções públicas do Dr. Cadilhe sobre assuntos que raramente se encaixavam no seu âmbito de competências. Por isso, levei a sério a advertência do Manuel, lá passei umas horitas a estudar os relatórios da API e de outros institutos do género para efeitos de comparação.

Comecei por me pasmar com o número de protocolos apresentados no relatório de actividades. Depois fiquei boquiaberto com as perspectivas económicas da Agência. Ao contrário de quase todos os organismos de análise nacionais e internacionais, o Dr. Cadilhe prevê que em 2006 Portugal atinja um “equipment investment” recorde. Nada mau para um país com tantos defeitos como o economista tratou de apontar. Obviamente que o gráfico distingue cuidadosamente o PSC e o PCC (país sem Cadilhe e país com Cadilhe).

A API, em dois anos de existência, anunciou ser responsável por 1.926 milhões de euros em investimento, correspondentes a 4.262 postos de trabalho. Números que impressionam. Até demais se pensarmos que o país se queixa de uma crise económica. Dúvidas no mínimo legítimas, mas que também coloco quando vejo que o ICEP reclama para si o mérito de aumentar 40% as vendas de vinho português no estrangeiro.

Segundo o mesmo relatório, mais de metade deste investimento tem origem em empresas portuguesas. O que me leva a crer (sem certezas) que todos os investimentos superiores a 25 milhões de euros têm sido obrigatoriamente redirigidos para a órbita da API. Tenho ainda outras dúvidas sobre o que são “intenções de investimento estrangeiro” e a forma como são contabilizados, sendo suspeito que mais de metade do relatório de actividades seja dedicado a “intenções” de actividades.

Assim sendo, o que a Agência e os seus relatórios não esclarecem é quanto investimento realizado se deve à pró-actividade da API e curiosamente também não distingue o que são “novos investidores” e empresas que já estavam presentes em Portugal. No fundo, é justo perguntar o que destes 1.926 milhões de euros é trabalho do Dr. Cadilhe?

No fim, até perdoo o facto da API ter um resultado operacional negativo superior a seis milhões de euros, sensivelmente o dobro do prejuízo apresentado pelo ICEP (o “monstro” que a Agência veio substituir).

Concordo com o Manuel e assumo que gosto da ideia da API. Mas também é verdade que uma API só é uma “boa ideia” num país que estruturalmente não funciona.

[Rodrigo Moita de Deus]

As minhas listas de 2004

Os Bloguiadores do Ano:

1. Carla Hilário de Almeida Quevedo
2. João Miranda
3. Carlos do Carmo Carapinha, aliás MacGuffin
4. José Flávio Pimentel Teixeira
5. Ricardo Gross
6. Nuno Guerreiro
7. João Pereira Coutinho
8. João Vacas
9. Fernando Albino
10. PSA

Contratações da Época:

1. Miss Vitriolica Webb (vitriolica webb's ite e Acidental)
2. Luciano Amaral (ex-Comprometido Espectador, actual Acidental)
3. Vasco Rato (directamente da universidade)
4. Inês Teotónio Pereira (directamente da vida real)
5. Rodrigo Moita de Deus (ex-Segundo Sentido e actual Acidental)
6. Eduardo Nogueira Pinto (What Do You Represent e Acidental)
7. Francisco Mendes da Silva (No Quinto dos Impérios e Acidental)
8. Diogo Belford Henriques (No Quinto dos Impérios e Acidental)
9. Vasco Lobo Xavier (Mar Salgado)
10. João Miranda (ex-Liberdade de Expressão, actual Blasfemo)

Prémio Saudade 2004

Ex-aequo: Inês do My Moleskine e João do Valete Frates

(To be continued)

[PPM]

Um ano extraordinário

Os estádios de futebol ficaram acabados a tempo. Arafat morreu, o Porto ficou com a Liga dos Campeões. Bush conseguiu ganhar outra vez e Portugal foi à final do Euro. Barroso foi eleito presidente da Comissão Europeia e, doze anos depois, o Benfica voltou a vencer a Taça de Portugal. Santana Lopes logrou ser importante e até Jorge Sampaio tomou uma decisão. Ano extraordinário, sem dúvida.
Só ainda não percebi se bom ou mau.

[Rodrigo Moita de Deus]

Guia útil para ler "A Capital" de hoje

Primeira página d'"A Capital".

Manchete: "Subsídios de apoio ao teatro congelados por ordem da secretária de Estado", pág. 12 - se quiser realmente ler a notícia vá até à página 39. Na página indicada, a 12, tem à sua disposição o interessante "Diário de quem percorre o mundo só para ajudar".

Segunda chamada de capa: "Governo tem nove dias para arranjar 500 milhões de euros", pág. 12 - para ler a notícia vá até à pág. 9. Na 12 está, como seria de prever, o sempre interessante "Diário de quem percorre o mundo só para ajudar".

Terceira chamada de capa: "Quando se aproxima o julgamento de Saddam, saiba o jogo de cumplicidades que ainda persiste entre os seus fiéis", Págs. 14 e 15 - para procurar a notícia sobre Saddam volte ao início e abra o jornal nas págs. 2 e 3. Nas verdadeiras 14 e 15 poderá ler várias notícias sobre a DECO e sobre Paulo Portas na Bósnia.

Outras chamadas:

Política, pág. 17: CDS admite partir para campanha numa situação de desvantagem devido ao desgaste do Governo - para ler a notícia sobre o CDS regresse à primeira casa e vá até à página 10. Na 17 pode ler que a "Expo 98 é modelo para a China".

Desporto, pág. 32: "China inspira-se na Expo 98 para exposição de Xangai em 2010" - já perceberam que a notícia sobre a inspiração chinesa está na pág.17. Na 32 podemos ler a notícia verdadeiramente relevante sobre o campeonato de xadrez nacional, ficando a saber que "Catarina Leite renova título".

Nacional, pág. 32 [de novo?]: Fernando Nobre põe em livro 25 anos de vida humanitária". Desta vez, já não vai voltar à notícia sobre a sexta vitória consecutiva de Catarina Leite no empolgante campeonato nacional de xadrez. Para ler a notícia sobre Fernando Nobre, pode agora finalmente voltar à pág. 12 e ler o tão interessante "Diário de quem percorre o mundo só para ajudar".

Isto pode parecer embirração, ou mesmo maldade, mas tudo indica que "A Capital" já não é só um diário. É o jogo da glória.

[PPM]

Arnaut. Esse leitor Acidental

"Uma coisa são os banqueiros, outra é o presidente da Associação Portuguesa de Bancos, que é um bancário".
José Luís Arnaut, no Expresso

Os banqueiros eram João Salgueiro, Silva Lopes e Fernando Ulrich. Dois ex-ministros e um ex-editor de economia do Expresso. Banqueiros, não. Bancários."
Eu, no Acidental

[Rodrigo Moita de Deus]

Portugal co-incinerado

Não compreendo alguns dos comentários elogiosos que se fizeram na blogosfera e não só sobre a "intransigência" de José Sócrates na defesa da co-incineração. Houve até quem tenha escrito que esta atitude demonstra a extrema coerência política do engenheiro do Partido Socialista.
Não vou entrar em considerandos sobre a alegada coerência de quem não conseguiu impor o modelo de co-incineração enquanto foi ministro, enredando-se em sucessivos adiamentos e comissões pouco independentes que acabaram, felizmente, em zero. Hoje sabemos - quase todos - que o modelo da co-incineração foi ultrapassado pela ciência e pelas novas tecnologias, mas ainda parece haver quem pretenda importar para Portugal técnicas próprias do Terceiro Mundo, recusadas pela própria União Europeia.
Porém, mais do que esses jogos florais típicos da caça ao voto, escandaliza-me que alguém no uso de todas as suas faculdades mentais possa propor a fantástica Serra da Arrábida como um dos centros de co-incineração. Sim, a Serra da Arrábida, um dos mais fabulosos parques naturais do mundo, com paisagens como esta:



Ou esta:



Eu sei que já lá há uma cimenteira e também uma pedreira que andam a destruir o que deveria ser um bem de todos, mas isso não implica que se insista no erro de pôr em causa aquela que é a maior riqueza de Portugal: a paisagem natural única.
É ela que pode distinguir Portugal, é o seu maior valor acrescentado.
Por isso, quando oiço ou leio alguns dos intelectuais de trazer por casa dizerem que os lisboetas ou os portuenses não vão mudar o seu sentido de voto por causa da promessa da co-incineração - que apenas afecta os habitantes das regiões onde poderia ser instalada - fico a pensar que está tudo doido neste país. Perdeu-se o sentido das prioridades e tudo é possível. E isto não tem nada a ver com política. Ou, se calhar, tem.

[PPM]

O que é que tem o Barnabé?

O que é que se passa com o Barnabé? Que há dias que nada posta?
Estarão a ser visitados pelo Fantasma do Natal Futuro?


[DBH]

Segunda-feira, Dezembro 20, 2004

Retrato da (minha) Semana

retrato da (minha) semana

Isto era a minha semana...e não faço ideia o que aconteceu no mundo... não vi telejornal, não vi notícias, não ouvi nada de nada. Isto é um natal inglês para mim.

[Miss V Webb]

Sócrates inflamado

Ouvi Sócrates, inflamado, em campanha, retomar o tema do tratamento dos resíduos industriais - e não quis acreditar.
Se bem me lembro, Sócrates tem no activo ter feito parte do governo que decidiu deitar fora uma decisão anterior consensualizada (a incineradora de Estarreja) e voltar à estaca zero, para tirar o seu "coelho da cartola".
Melhor ou pior solução, pouco interessa, porque a verdade é que houve muita fanfarra, mas tudo acabou com a montanha a parir um rato.
Sócrates insinuou que o seu PS era diferente do PS de Alegre e apostou em vitimizar-se no processo. Mas, até ver, não há um PS de Sócrates e um PS de Alegre - só há o PS que, no final, lavou as mãos e entregou o assunto - de interesse nacional, como diz agora Sócrates - a uma obscura "Comissão Científica" que nada decidiu, passando ao governo que se seguiu apenas uma herança de hesitações e recuos.

[Zélia Pinheiro]

Certamente uma “moeda boa”

Miguel Cadilhe, ex-ministro de Cavaco, economista respeitado, interveniente político particularmente ouvido. Desde o ano passado, presidente da Agência Portuguesa para o Investimento. E, desde então, alguém sabe quantas empresas trouxe a API para Portugal?

[Rodrigo Moita de Deus]

Eles não são os Incríveis



Aqui há uns dias fiz um erro lamentável ao dar o título Os Incríveis a um poste sobre os líderes de esquerda a que temos direito. Agora que fui ver o filme com a minha filha mais velha - a que tem 5 anos - estou em condições para desmentir com veemência o que escrevi: os incríveis super-heróis nada têm a ver com os tristes dirigentes de esquerda que por cá andam. Eles - os super-heróis - são bons de mais para serem comparados com tais mediocridades.
A minha filha gostou imenso do filme - mas eu ainda gostei mais, confesso.

[PPM]

Ele fala

E ao 20º dia o novo engenheiro do PS falou. E disse: com o PS haverá co-incineração. O país parou. Afinal o novo engenhocas do PS tem ideias. Velhas, desactualizadas, demagógicas, mas não deixam de ser ideias. E o Vitorino, que dirá ele sobre mais esta ideiazinha?

[Inês Teotónio Pereira]

Uma revista com Visão

A "Visão" escolheu o que chamou de "melhores recantos da blogosfera", incluindo neles O Acidental, mais precisamente na short list dos blogues políticos.
A comparação com o Barnabé não nos é particularmente simpática - "O Acidental é uma espécie de negativo do Barnabé", escreve-se na "Visão" - e não deixa de ser sintomático verificar que somos o único blogue de direita a ser citado pela revista, quando haveriam outros que o mereceriam.
Mas, para quem nasceu a 8 de Abril e nem o primeiro ano de vida celebrou, como é o caso d'O Acidental, esta referência só pode ser olhada como uma lança na blogosfera, contra algumas más-línguas e os ódios de estimação a que já estamos habituados e a que desistimos de responder.

Segue a lista completa da "Visão":

«Políticos»: Abrupto, Barnabé, Portugal dos Pequeninos, Causa Nossa, O Acidental.

«Humorísticos»: Gato Fedorento; Marretas.

«Culturais»: Janela Indiscreta (mesmo estando encerrado); A Montanha Mágica; Xupa Cabras.

«Temáticos»: Médico Explica Medicina a Intelectuais; Dias com Árvores; Ponto Media.

A nossa lista, naturalmente diferente, seguirá dentro de momentos.

[PPM]

História de Portugal à marretada

Depois vieram os romanos. Fizeram estradas, ensinaram latim a toda a gente, deram poderes às câmaras municipais sem regionalizar, mataram o viriato – numa intervenção militar que deixou os intelectuais europeus em brasa.”

In Como ficar estupidamente culto em apenas (10) minutos

[Rodrigo Moita de Deus]

Pragmatismo conceptual

A propósito das queixas que se fazem dos hábitos caros, um amigo respondeu: “dizem que há uma vida mais barata, mas é de certeza bastante pior”.

[Rodrigo Moita de Deus]

O católogo da colecção Outono/Inverno

Há uns dias, numa respeitável galeria de arte, um casal ao meu lado discutia a compra de um quadro:

-E este que tem barcos? – dizia ele.
-Fica mal com o sofá – respondia ela.
-E aquele com fundo encarnado?
-O encarnado é muito vivo, procura em tons de bordeaux.

Andei por aqui uma semana a gastar latim discutindo estéticas de direita e de esquerda, quando afinal o país anda obcecado com a estética de classe média.

[Rodrigo Moita de Deus]

Sábado, Dezembro 18, 2004

Só queria dizer uma coisa

Eu gosto muito de ler a Vovó Edith. Está aqui está nas ligações cá da casa.

[PPM]

Sexta-feira, Dezembro 17, 2004

O Acidental à escuta…com fair play

Mais do que ler, acrescentar aos favoritos.

[Rodrigo Moita de Deus]

Breve análise histórica da intelectualidade e as razões que me desqualificam para o lugar de intelectualóide

Aviso: Este poste contém várias generalizações

A esquerda fundamenta a sua existência num ideal de uma sociedade sem classes. Mas como justificar os desvios burgueses da nomenclatura e a defesa de outros direitos que entretanto foram sendo adquiridos pelos campeões do proletariado? Cedo se percebeu que, para além de utópico, o conceito era potencialmente perigoso

Provando grande pragmatismo, os doutores, trataram de diferenciar o todo – pasme-se – em duas partes distintas: os intelectuais e os trabalhadores. Os primeiros seriam os faróis dos segundos, guiando a massa boçal ao glorioso caminho da revolução socialista.

A solução encontrada traz grandes benefícios para todos os envolvidos. Poupa-se a turba a conversas enfadonhas sobre o futuro da humanidade, deixando que se dediquem a necessidades mais imediatas. Os intelectuais também são assim poupados a exercícios físicos inúteis onde a sua participação seria, obviamente, contraproducente. Liberta-se o corpo dos horários rígidos e do despertar matinal para que a mente seja devidamente cultivada.

É desvalorizado o papel da intelectualidade e o inestimável sacrifício que fazem ao serviço da classe operária, ao aceitarem de bom grado a decadência da vida burguesa. Tantas noites em claro, tanta boémia, tanta taça de champanhe.

É a cultura, estúpido! É a cultura que distingue os homens bons dos gentios.

Os verdadeiros intelectuais têm a incumbência de guardar a cultura – representada como “luz” em metáfora carregadinha de ironia – impedindo que volte a cair nas mãos da reacção. Embriagados pela linguagem hieroglífica maçónica, toca a intricar a cultura até que se torne imperceptível aos restantes mortais.

O caminho para a intelectualidade plena é fértil em dificuldades. Os doutores da cultura defendem o estabelecimento com zelo superior a um Conselho Científico de Academia, obrigando o candidato a sucessivas provas (e na nossa blogosfera, pululam os candidatos). O reconhecimento surgirá em forma de breve referência quiçá numa crónica do Prado Coelho. Breve referência, que nesta coisa da cultura, a idade também é estatuto. Depois disso surgem os louvores dos restantes que o acompanhavam na fase de candidatura, aí sim sem aforro nos louvores “brilhante poeta, magnífico erudito, extraordinário homem das letras.”. Assim se faz mais um criador de dogmas.

Termina o prólogo deste escriba, pois na sua génese serve este post para provar a minha óbvia desqualificação para o ofício de intelectualóide. Dizer que não tenho essa ambição, que nunca prestei provas, que nem sequer apresentei candidatura devia ser suficiente. Mas ainda assim, apresento um conjunto de razões objectivas que me arredam desses caminhos:

1. Tenho pouco talento para demonstrações de “cultura”. Não consigo decorar frases, datas e às vezes nem os nomes. Nem sequer entendo uma única palavra do que diz Sampaio. Falta-me por isso matéria para as frequentes citações em jeito de argumento retórico;

2. Não sei o nome de nenhum realizador paquistanês, ignoro os vanguardistas russos e até há pouco tempo nem sabia quem era Kristoll quanto mais a mulher. Ainda entretido em perceber o passado, não consigo divagar sobre o futuro;

3. Gosto mesmo de ouvir os outros, de reflectir sobre as suas opiniões, de considerar os seus argumentos. Este é um óbvio sinal de que no máximo sou inconstante, no mínimo não tenho preparação;

4. Tenho notórias dificuldades de adaptação à estética “pós punk” da esquerda moderna;

5. Sou alto, elegante e desperdiço demasiado tempo com a higiene pessoal.

Posto este longo poste de auto-justificação, dou a questão da minha intelectualidade por encerrada. Caso o caso desperte novamente curiosidades, que procurem nos alfarrabistas este naco de antologia.

[Rodrigo Moita de Deus]

PS: O conceito peregrino de uma elite revolucionária que guia as massas campesinas ao socialismo, infelizmente, não é meu. Foi Lenine quem o defendeu, com bastante sucesso aliás. Mas esta solução cria também um paradoxo teórico. Quando chegarmos à sociedade sem classes, seremos o quê? Elite ou campesinos? Intelectuais ou trabalhadores? Será possível convencer Jerónimo a largar a gravata e abraçar novamente a debulhadora?

Continhas nas Costas do Envelope

Noticiou ontem o DN que a despesa pública deverá crescer este ano à taxa de 6%. Se a isto juntarmos despesas efectuadas mas não contabilizadas em anos anteriores, a taxa sobe a 7%. Isto significa que, ao mesmo ritmo, para ser mantido o actual peso do Estado na economia, esta tem de crescer a taxas anuais de 6% ou 7%. Convém perceber o que são 6% ou 7% ao ano. 6% ou 7% significa algo no limiar do milagre económico. A Irlanda durante muitos anos cresceu entre 8% e 10% e a isso, muito justamente, chamou-se um milagre. Hoje cresce a cerca de 5% e toda a gente a inveja. Os EUA, uma das economias que mais riqueza tem gerado na última década, cresce a um ritmo entre 3,5% e 4,5% ao ano.
Só se ocorresse em Portugal um milagre económico poderia o país diminuir o peso do Estado na economia. Só que é esse mesmo peso do Estado que impede o crescimento da economia. Está criado o círculo vicioso. Ninguém fora d’O Acidental vê solução para o problema. Peço desculpa pela imodéstia, mas O Acidental (por meu intermédio) vê uma: emigrar daqui para fora.
[Luciano Amaral]

Gostava de dizer isto ao Eng. Sócrates

A perspectiva de ter no governo um partido que não acredita na economia de mercado, que defende a saída de Portugal da NATO e da União Europeia é recuar o país no tempo…até ao PREC.

[Rodrigo Moita de Deus]

O dragrão é um mito II

Com perspicácia, alguém me lembrou que já nas últimas autárquicas o Senhor Pinto da Costa foi candidato. Vociferou, apelou e mobilizou as “forças vivas da cidade” contra Rui Rio. Perdeu, mas como não tinha lá o nome não assumiu a derrota. Ele que venha outra vez. Ele e o Senhor Oliveira, o Senhor Vieira e todos os outros presidentes de colectividades que, de palito na boca, insistem em fazer o país passar por parvo.

[Rodrigo Moita de Deus]

O dragão é um mito

Independentemente da questão clubista ou partidária, era bom que Pinto da Costa concretizasse a candidatura à Câmara do Porto. De preferência, como cabeça de lista. Há mais de vinte anos que os presidentes das colectividades fazem chantagem com os políticos e com o país, utilizando para isso um índice de popularidade medido em capas do Record. Há mais de vinte anos que lhes aturamos os excessos. Há mais de vinte anos que os políticos se curvam perante uma influência que até agora não tem sido mais que aparente.
Era tempo de saber quanto valem em votos os nossos clubes. Se os presidentes das colectividades perderem, talvez os outros políticos ganhem a coragem que lhes tem faltado. Acredito que os dragões são mitos, mas se ganharem sempre podemos ma-shambar daqui.

[Rodrigo Moita de Deus]

Quinta-feira, Dezembro 16, 2004

O novo Trivial

Ofereceram-me a nova edição do Trivial Pursuit. Abri o jogo com imensa curiosidade para ler as novas perguntas de História, Desporto, Artes, Ciência, etc.
Desilusão: o jogo está completamente desvirtuado. Os temas são Visão Global, Som e Imagem, Notícias, Mundo Escrito, Inovações e Jogos.
Pareceu-me curioso. E fui ver.
Eis alguns exemplos de perguntas pela respectiva ordem dos temas descritos:
"A Praia das Maçãs fica mais perto de Sintra ou da Comporta?";
"Quem apresentou em Portugal as várias edições do Big Brother?";
"Qual a nacionalidade de Saddam Hussein?";
"Nas bibliotecas costuma haver um prazo para devolver os livros emprestados?";
"Em informática o que quer dizer PC?";
"As bolas de râguebi são redondas?";
E pronto. Eis mais uma geração perdida.

[Inês Teotónio Pereira]

Eu gosto muito

De quase todas as reencarnações matinais da Bomba Inteligente. E desta, particularmente.

[PPM]

Quem cala consente

A seguinte pergunta já foi feita mais do que uma vez, mas ainda ninguém respondeu: Porque é que o Bloco de Esquerda e os seus blogues anexos andam tão calmos e serenos desde há uns tempos para cá? Hipóteses:

a)O BE quer que o PS o convide para formar Governo;
b)O BE quer formar Governo com o PS;
c)O BE quer que o Francisco Anacleto seja ministro de qualquer coisa (em rotatividade com o Miguel Portas e com o Luís Fazenda);
d)O BE quer que o Daniel Oliveira seja presidente da Lusa num Governo do PS;
e)O BE caiu em si, percebeu finalmente que só pronuncia disparates e por isso calou-se.

[Inês Teotónio Pereira]

Cuidado com as sondagens

Quem sabe do assunto, sabe que há sondagens credíveis e sondagens em que não se pode acreditar. As sondagens credíveis fazem-se cirurgicamente, baseiam-se em estudos científicos na área da estatística e da matemática - e, desde que se tornou possível, são auxiliadas pela informática.
Na génese de cada sondagem, está a elaboração do respectivo inquérito, a distribuição geográfica, etária e social da amostra, sendo essencial que a colheita dos inquéritos seja bem feita - isto é, que para cada localidade haja o cuidado técnico suficiente para que essa mesma colheita dos inquéritos reflicta de forma autêntica a realidade etária, social e económica dessa mesma localidade.
Há métodos para tudo isto e as sondagens telefónicas não poderiam ser absolutamente fidedignas ainda que todos os lares tivessem telefone (e em Portugal isso está longe de ser verdade). É que, ainda que assim fosse, o contacto telefónico não permite a regra do "passo", o intervalo que se respeita entre lares (e inquiridos) para que todas as características sociológicas da localidade sejam contempladas.
É esta a principal razão para que as sondagens mais respeitadas tenham sido sempre as realizadas no terreno por centros ligados a universidades cujo trabalho de recolha é feito por alunos. Por isso mesmo, quem sabe da matéria, desconfia obviamente das sondagens telefónicas que por aí aparecem.

[PPM]

O Acidental à escuta

A blogosfera tem importantes reforços. Sejam bem vindos!

[Rodrigo Moita de Deus]

O Acidental à escuta

Fica tudo escrito.

[Rodrigo Moita de Deus]

As más notícias das primeiras palavras do meu filho

- pai?
- sim?
- …dadadadaddapatatatdasdasdapapa (lengalenga imperceptível)

Com um ano e meio o meu filho já revela uma medonha tendência para falar sem ter nada para dizer.

[Rodrigo Moita de Deus]

A excepção

Caro Rui,

O meu post merecia melhor que a leitura na diagonal que fizeste. Se lá voltares vais reparar que, muito embora seja interessante discutir de que forma o ideal de mundo de um artista condiciona a sua obra (e repara como escrevi ideologia e não política), nunca falei sobre arte de direita ou a arte de esquerda. Falei da apropriação que a esquerda faz do termo e falei com precisão cirúrgica da sua utilização como aríete (de mão). De resto, tenho défice de muitas virtudes, para ser “leninista” ou de “nova direita”. Prefiro atribuir os “mimos” com que me brindaste a um esotérico sentimento anti-benfiquista.

[Rodrigo Moita de Deus]

PS: Tenho por regra que a escrita nunca deve ser explicada, porque se perde a razão de ser das palavras. Porque há quem nunca distinga entre o que quer ler e o que está realmente escrito. É por isso que opto por ignorar muitos dos comentários que leio na blogosfera. Mas as regras também servem para ser quebradas.

Quarta-feira, Dezembro 15, 2004

E agora para algo completamente diferente

ATT00037

A minha amiga Zélia enviou-me esta fotografia e eu... publico-a.
Sem mais comentários.

[PPM]

Agora vou escrever sobre uma coisa muito complicada chamada VTS

Já começou o despautério eleitoralista dos socialistas, de que seremos espectadores acidentais mas atentos durante os próximos dois meses. Desta vez, foi a propósito do VTS, um sistema de vigilância costeira que, dada a enorme capacidade de controlo, evita a necessidade de utilização de outros meios marítimos na fiscalização da costa portuguesa - e, por isso, vai poupar milhões de contos ao erário público.

O seu interesse público não se limita porém ao mero registo contabilístico, preferindo eu sobretudo as suas potencialidades na protecção ambiental, uma vez que pode prevenir e alertar contra potenciais atentados ecológicos nos nossos oceanos.

Escrevo sobre este assunto porque acompanhei o processo e não posso deixar de denunciar as mentiras hoje lançadas pelo PS. Disse o deputado José Junqueiro que o sistema "poderia já estar em funcionamento" se o anterior concurso de VTS, também ganho pelo consórcio liderado pela EADS, não tivesse sido anulado pelo actual Governo, classificando ainda todo o processo como uma "negociata".

A verdade é que o ministro Paulo Portas conseguiu ultrapassar um imbróglio jurídico e deu o passo essencial para que o VTS seja uma realidade, depois de ter ficado paralisado pela habitual inacção da governação socialista.

Mais. José Junqueiro deveria estar calado porque o assunto passou-lhe pelas mãos e a suas afirmações de hoje revelam total mas sintomático desconhecimento sobre a matéria: o primeiro concurso do VTS teve de ser anulado em resultado de graves irregularidades, que foram denunciadas pelo Ministério Público.

Acresce que não só se resolveu esta embrulhada criada pelo governo socialista como o consórcio vencedor é o mesmo e, mais importante para os contribuintes, o valor a ser pago pelo Estado português é agora mais baixo.

Foi este tipo de "negociata" que o PS nunca conseguiu fazer - ou não quis - e daí os números astronómicos a que o défice público chegou nos tempos em que o partido do senhor José Junqueiro fazia crer que governava o País.

[Paulo Pinto Mascarenhas]

Golias contra David (II)

Para quem não saiba, o jornalista David Dinis escreve num blogue onde não é mesmo nada meigo com o primeiro-ministro Santana Lopes e com o actual Governo, incluindo o ministro Morais Sarmento. Chama-se O Insubmisso e nele assina também o Luís Rosa, com quem trabalhei durante alguns anos no Independente e que, no blogue citado, chegou a qualificar um poste da minha lavra como sendo de "direita radical".
Não quero retomar essa breve polémica, mas, como escrevi nesse poste - que julgo manter inteira actualidade - há muito boa gente no centro e na direita que pode e deve assumir as suas responsabilidades se o poder vier a cair no regaço da esquerda. Repito-o hoje sem ironias e sem sequer precisar de andar à procura de culpados externos, caro Luís.

[PPM]

Surpresa

Depois de escrever este poste, fiz a minha habitual ronda por alguns blogues e descobri, para minha sincera surpresa que, por uma vez, estou inteiramente de acordo com o Manuel. Depois disto, tudo pode acontecer.

[PPM]

Arte? Pode a esquerda falar de arte?

Em prosa remendada de um manual de subversão vietnamita, responde-me o Jorge Palinhos maquilhando o défice estético da canhota. Fala o Jorge de repetição. Da banalidade do argumento, como se a verdade pudesse sofrer de usura. Como se a sua excessiva utilização lhe retirasse fundamento em talhas.

Fala o Jorge das massas. De taxistas e beatas fedorentas, gente supostamente mais destra. Mas os povos são inconstantes, amarrados a inquietações mais imediatas que o conforto do espírito ou o desassossego ideológico. A senhora da feira que agora afaga o Dr. Santana, ainda ontem acariciava o Dr. Cunhal, e amanhã certamente confortará o Dr. Louçã.

Fala o Jorge da Lurdes Norberto. Mas é problema que não se põe, desde que se pergunte ao homem e nunca ao esteta. A direita reconhece-se na ruína de Camões pelas cativas, de D. Carlos pelas saloias e na minha pelas empregadas russas.

Fala então dos artistas e de arte? Certamente desejava o Jorge pronunciar-se sobre “cultura”. Esse indecoroso conceito de quem a esquerda foi chocadeira e que serve, numa sociedade sem classes, para distinguir os homens bons dos gentios.

Existe um drama lógico na apropriação que a esquerda faz do termo. Arte? Como pode haver arte na esquerda quando o homem se esgota em si mesmo? Quando não existe transcendência? Quando a metafísica se esgota no esoterismo de avental? Será arte essa obsessão pelo retrato do homem pelo homem em exercício intelectual masturbatório? Será notável a expressão angustiada do ser que descobre não existir mais nada para além do seu mundo?

A arte na mão esquerda não é mais que uma ferramenta. Um escopro, e por vezes maço, de intervenção social. De sensibilização, de doutrinação de formação política disfarçada de cívica. Subjugaram o talento à ciência. Deixaram que a psicologia atormentasse o romantismo. Que a sociologia enterrasse a tragédia. Extinguiram louvor à feminilidade a golpes de paridade.

A arte na mão esquerda é o homem. É objecto. É política. É revolução. Porque cabe ao homem transformar o mundo, porque não existe nada para além do sensual. A arte é o homem e o homem é ciência. Porque só na ciência o homem se supera a si próprio. É análise descritiva. É técnica. É mecânica. É a negação de tudo isso, mas mais nada para além disso. Arte? Pode a esquerda falar de arte?

[Rodrigo Moita de Deus]

Uniões de facto e relações secretas

Agora que está esclarecida e bem esclarecida a forma e o modo como CDS e PSD vão a votos - incluindo o acordo pós-eleitoral - seria bom que houvesse o mesmo tipo de seriedade pública por parte do PS e do Bloco de Esquerda.
José Sócrates já desmentiu qualquer compromisso secreto com o BE, mas Francisco Louçã mantém um silêncio muito pouco inocente sobre a relação. É verdade que são precisos dois para dançar o tango, mas, como também sabemos, no que diz respeito a uniões de facto tudo é possível quando se fala da esquerda moderna.

[PPM]

Golias contra David

Vai por aí uma abrupta polémica sobre a entrevista ao ministro Morais Sarmento publicada no "Diário Económico". Tudo porque um dos entrevistadores foi David Dinis, hoje editor de política do jornal e até há pouco tempo assessor do ex-primeiro-ministro Durão Barroso. Como ponto prévio, esclareço que não conheço o David Dinis, ainda que tenha as melhores referências sobre a sua competência enquanto assessor e do seu profissionalismo enquanto jornalista.
Acrescento também que não me agrada constatar alguma da subterrânea promiscuidade entre jornalismo e política, infelizmente um dos preços que temos de pagar por viver numa sociedade profundamente mediatizada.
Eu disse “subterrânea” e utilizei esta palavra propositadamente, porque o que mais me espanta é a hipocrisia dos mais ferozes críticos neste caso, alguns deles useiros e vezeiros na manipulação da informação, sábios indutores dos chamados "factos políticos", nomeadamente através dos blogues em que escrevem.
Se há uma evidência que decorre da entrevista em questão é que se trata de uma excelente entrevista, sem qualquer concessão ao ministro Morais Sarmento. Não é um frete de espécie alguma, vem assinada pelo director Martim Avillez Figueiredo e, mais relevante ainda, pelo próprio David Dinis. Não há cartas escondidas nas mangas, estão todas na mesa, sabemos bem com o que contamos.
Pudessem muitos dizer o mesmo.

[PPM]

Terça-feira, Dezembro 14, 2004

A propósito do poste do Luciano



O melhor é não esperar por um novo dom sebastião.

[PPM]

O Acidental à escuta

Parabéns ao Ma-Shamba...

[Rodrigo Moita de Deus]

...e muitos anos de vida.

[PPM]

Os meus cinco minutos de santanismo

O PCP e «Os Verdes» acusaram, esta segunda-feira, o primeiro-ministro demissionário de violar o estatuto do direito da oposição e de desrespeitar os partidos, depois de Santana Lopes ter recusado ouvir separadamente as duas forças políticas.

Será que os nossos verdes alguma vez plantaram uma árvore, semearam uma alface ou protegeram uma avezinha? Ou o seu grande contributo à sociedade é dar má fama à ecologia?

[Rodrigo Moita de Deus]

Injustiças

Em Canas de Senhorim os populares manifestam-se contra o Presidente da República. A GNR está a tratar do assunto com pinças, contra empurrões e pessoas sentadas no chão. Mas se isto der mesmo para o torto, a culpa vai ser do Governo: é ele que manda na GNR. É injusto. Jorge Sampaio devia ter uma espécie de guarda (nacional) pretoriana para fazer o seu trabalhinho sujo.

[Inês Teotónio Pereira]

O país de tanga que veste calças para o Natal

A caminho do almoço, o taxista perguntou-me se eu tinha moedas e depois explicou-se:

- Em Dezembro, toda a gente paga com notas gordas e ficamos sem trocos. Em Janeiro, quando estoiram com o subsídio, até vêm com sacos de moedas de cêntimos.

A boa análise económica sobre o estado das finanças privadas vem sempre de onde menos se espera.

[Rodrigo Moita de Deus]

Aqui só entre nós

Sem ponta de ironia, concordo inteiramente com o dr. Dias Loureiro: é melhor para o PSD e é melhor para o CDS irem sozinhos a votos, cada um por si, com as respectivas bandeiras e as respectivas convicções. Foi assim que PSD e CDS/PP conseguiram a maioria absoluta nas últimas eleições e será assim que a poderão reeditar no próximo dia 20 de Fevereiro.

[PPM]

O que queria ela dizer com isso?

Num almoço com outros Acidentais, alguém me conheceu o nome por causa do blogue:
- Você é aquele que escreve muito, não é?

Nem brilhante nem imbecil. Nem instruído nem iletrado. Nem bom nem mau. “Aquele que escreve muito” - e mais nada. A apreciação que os outros fazem de mim, tornou-se quantitativa em vez de qualitativa. Inibido, não voltei a abrir a boca durante o almoço.

[Rodrigo Moita de Deus]

A lógica da batata cor de rosa

Diz a lógica da batata que ao PS não interessa minimamente e sempre desmentirá qualquer notícia relacionada com negociações secretas para acordos pós-eleitorais com o Bloco de Esquerda - enquanto o Bloco irá preferir não se pronunciar, não confirmando nem desmentindo, mas deixando no ar a hipótese de o PS poder aceitar um casamento em segundas núpcias. Se tais negócios fossem confirmados, não teria efeito o mais do que esperado apelo de Sócrates ao voto útil de todas as esquerdas contra o "governo de direita". Em termos de resultado final, para o eleitor de esquerda iria dar ao mesmo votar no PS ou no BE. Daí a veemência do desmentido do porta-voz socialista e o silêncio interessado dos bloquistas sobre o assunto.

[PPM]

O sindicato

As notícias pomposamente anunciavam que os banqueiros se indignavam com as declarações de presidente do PP. Estranhei porque não é costume os banqueiros pronunciarem-se sobre política. Vi as imagens e afinal os “banqueiros” eram João Salgueiro, Silva Lopes e Fernando Ulrich. Dois ex-ministros e um ex-editor de economia do Expresso. Banqueiros, não. Bancários. E sindicalizados!

[Rodrigo Moita de Deus]

O Homem que Ri

Ao mesmo tempo que a ópera bufa penosamente se arrasta, há um homem que ri. Ele chama-se Aníbal Cavaco Silva e espera vir a ser eleito Presidente da República em 2006. E espera vir a sê-lo num país incapaz de formar maiorias parlamentares estáveis. Isso sim, seria bonito: um Presidente cheio de vontade de intervir e cheio de motivos para o fazer. Ainda para mais reforçado pela decomposição simbólica do parlamento e do governo, e pela jurisprudência sampaísta.
Sempre me disseram que não há ninguém mais parecido com o General Eanes do que o Prof. Cavaco. O mesmo estilo, o mesmo arqui-inimigo (Mário Soares), os mesmos votantes (os que saíram do PS para o PRD e depois deram duas maiorias absolutas a Cavaco). Um Presidente Cavaco, com o país a implorar estabilidade, seria a grande derrota histórica de Mário Soares. Cavaco faria, afinal, o que ele (o presumível Pai da democracia portuguesa) nunca teria conseguido fazer: governar durante dez anos a partir do governo e, depois, mais dez a partir da Presidência (coisa que Soares nunca conseguiu porque Cavaco - ele mesmo - se apoiava em maiorias absolutas).
Só há uma maneira de evitar esta perversão institucional: uma maioria clara no próximo parlamento. De direita? De esquerda? Já pouco me importa. E de uma vez por todas, uma maioria que se decida a fazer aquilo que há muito tempo já deveria ter sido feito: a criação de um sistema eleitoral maioritário que garanta vitórias claras e decisivas.
[Luciano Amaral]

Comprometer Portugal

Ontem, com o terramoto, também deu à costa o movimento “Compromisso Portugal”, pomposamente anunciados como “empresários neoliberais”. Vi as imagens. Empresário só lá estava um, os restantes eram funcionários de multinacionais.
Gente com imenso tempo livre, que resolveu aderir à “sociedade civil”, defendendo a manutenção dos centros de decisão no país e a liberalização dos despedimentos.
De útil ficou a promessa do senhor Carrapatoso em não ser ministro. A pátria, compungida, agradece.

[Rodrigo Moita de Deus]

Nós já tínhamos percebido

"A manutenção de um alto grau de confronto político é fundamental para a sobrevivência e crescimento político do Bloco [de Esquerda]"
Teses do PSR, partido de Louçã agora transformado em associação política
"Público" de ontem

[PPM]

Ui, ai, ui, ai, ui, ai, ui!

"O fim dos países soviéticos foi doloroso para todos nós"
Major Mário Tomé, ex-deputado da UDP, membro do Bloco de Esquerda
"Público" de segunda-feira

[PPM]

Não estejam ansiosos, pá!

Anda para aí muita ansiedade das esquerdas blogosféricas e dos jornais adjacentes com a eventualidade de uma coligação entre o CDS e o PSD.
Tanta ou tão pouca que o Eng. Sócrates ainda não conseguiu apresentar uma ideia que fosse para o País, tão preocupado anda com as decisões do centro e da direita.
Tanta ou tão pouca que o Eng. Sócrates já inventou um tabu muito próprio para se ir entretendo enquanto espera que António Vitorino escreva o programa de governo para assim conseguir arranjar uma ideia para apresentar ao País.
O tabu do Eng. Sócrates é muito prosaico mas tem sido confirmado pelo silêncio cúmplice do dr. Louçã: houve ou não negociações secretas entre o PS e o BE - nas costas do povo, suprema ironia - para uma partilha do poder depois das eleições?
Será que o BE se vende por um prato de lentilhas?
Isto é que os devia deixar ansiosos, pá!

[PPM]

Segunda-feira, Dezembro 13, 2004

O deficiente funcionamento do vocabulário das instituições

Diz o novel Presidente da Protecção Civil que apresentará um plano para sismos no dia da “comemoração do grande terramoto de Lisboa”. Comemoração? É possível “comemorar” uma hecatombe com milhares de mortos? Haverá um fogo de artifício no Terreiro do Paço ou um banquete solene no palácio do Marquês de Pombal?
Bem sei que é um lapso. Também calculo que só por lapso a senhora da Meteorologia não conseguiu “falar com o Algarve”.
O país esteja sereno que esta gente é de confiança.

[Rodrigo Moita de Deus]

O Acidental à escuta

Agradecemos ao Ricardo Gross do Babugem a honrosa décima posição do Acidental no seu Top Ten dos blogues nacionais em 2004. Um orgulho, vindo de quem vem. Consideramos ainda muito bem aplicado o castigo ao João Pereira Coutinho.
Realmente, chega de saudade, João, sobretudo quando somos obrigados a comprar "O Expresso" para te poder continuar a ler com a mínima regularidade...

[O Acidental]

O deficiente funcionamento das instituições

Na SIC/Notícias a responsável do Instituto Nacional de Meteorologia explicava que “soube do abalo quando vocês começaram a ligar para cá”. “E no Algarve, o abalo atingiu o Algarve?”, perguntou o jornalista. “Não sei. Não consigo falar para lá”, respondeu a senhora. Os portugueses podem estar tranquilos. A Lusa está a acompanhar a situação.

[Rodrigo Moita de Deus]

Humor sismológico

Sampaio aceitou a demissão do governo. A terra tremeu em Lisboa.

[Rodrigo Moita de Deus]

O bode expiatório

A expressão “sociedade civil” é um daqueles conceitos tantas e tantas vezes repetido que deixámos de lhe procurar o significado. Ouvimo-la até à exaustão e no entanto não perde aquele carácter mitológico de coisa que se sabe andar por aí. Afinal o que é “sociedade civil”? Quem são? Onde estão? O que fazem?
Pessoalmente, o que conhecia da “sociedade civil” eram as frequentes palavras dos políticos sobre o assunto, o que só por si corresponde a uma enorme ironia. Ou aquelas associações ditas da “sociedade civil” que preferiam fazer política fingindo que prestam serviço à sociedade.
Num país que adora dizer mal de si próprio, talvez seja bom lembrar que a única coisa que funciona, e que o vai fazendo funcionar, é a dita “sociedade civil”. Em Portugal, cedo fomos confrontados com a triste realidade de que o Estado mal consegue tratar de si próprio quanto mais dos outros. E se o Estado não chega a todo o lado, então fomos aprendendo a resolver os problemas como podíamos, em bom português, a sociedade civil foi-se desenrascando.
No nosso país há milhares de associações em actividade. Milhares! Tratando dos mais diversos assuntos e matérias: da defesa do património das ilhas selvagens, da defesa dos lugares de estacionamento da freguesia da Sé; da protecção da natureza aos apologistas da economia de mercado, do voluntariado para Africa ao simples conforto de doentes nos hospitais civis. Da corporação de bombeiros até à colectividade de bairro.
Se há alguma coisa que trabalha bem em Portugal é a nossa sociedade civil. Uns com mais dinheiro que outros, outros com mais dificuldades que os restantes. Nem sequer acredito que este texto vá encontrar algum leitor que não faça parte de pelo menos um destes “grupos”. E, se assim é, porque raio querem sempre responsabilizar a nossa sociedade civil pelo mal que os outros fazem ao país?

[Rodrigo Moita de Deus]

Não se confirma

Que o tremor de terra de hoje tenha epicentro na instabilidade emocional de Belém.

[PPM]

O Acidental à escuta

Tirar uns minutos para ler este blogue.

[Rodrigo Moita de Deus]

PS: Sim, Rui. Vou ignorar-te durante a semana toda.

Os Incríveis



[PPM]

Acto de contrição

Face ao incómodo revelado por alguns leitores e colaboradores acidentais que obviamente não entenderam a ironia deste poste, venho por este meio assumir o meu erro doutrinário ao classificar Napoleão como “socialista”.
Na realidade, o corso foi apenas o primeiro dos emergentes sociais.
De resto, emergência social e socialismo, são dois conceitos que é frequente este escriba baralhar.

[Rodrigo Moita de Deus]

Aviso à navegação

O núcleo benfiquista d'O Acidental vem avisar todos os leitores que esta semana não comentará nem dará resposta a críticas ou ataques que tenham qualquer relação com o futebol. Outras práticas desportivas poderão merecer alguma atenção. O período de nojo terminará, se Deus quiser, na próxima segunda-feira.

[PPM]

Pragmatismo conceptual

A conspiração e o futebol devem ser os dois únicos temas verdadeiramente democráticos e transversais numa sociedade. Todos podem dizer tudo, com igual medida de legitimidade.

[Rodrigo Moita de Deus]

Vota em quem lhes bate forte

Ainda ninguém desmentiu: parece que é mesmo verdade que Sampaio mentiu a Santana ao garantir-lhe por três vezes que não dissolveria o parlamento. Eles mentem, eles perdem?
[Luciano Amaral]

Sábado, Dezembro 11, 2004

TSF: Trotskismo Sem Fios



Por uma notícia, vão ao fim da rua, vão ao Largo do Caldas. Para aparecer na televisão Francisco Louçã é capaz de tudo: até de perseguir a carrinha dos directos da TVI.

[DBH e PPM]


Sexta-feira, Dezembro 10, 2004

O Acidental à escuta

É sempre bom ler o António, da Grande Loja. Sempre aprendo alguma coisa.
À atenção especial do Rodrigo.

[PPM]

A diferença

A diferença entre Jerónimo de Sousa e Francisco Louçã é que Jerónimo é genuíno.

[PPM]

Jerónimo

Gosto do Jerónimo. Daquele aspecto rude, marcado, mas ao mesmo tempo simpático.
Gosto do Jerónimo. Tenho a certeza que uma boa noite de copos com ele seria memorável.
Gosto do Jerónimo. Daquela polivalência artística, que tanto puxa para a dança como para o "fado operário".
Gosto do Jerónimo. Tenho a certeza que não trairia nunca um amigo, ao contrário de outros que fazem da traição uma banal arma na política.
Gosto do Jerónimo. Um parceiro da sueca e dominó sem igual.
Gosto do Jerónimo porque me apetece gostar do Jerónimo.
Mas, meu caro Jerónimo, largue de uma vez por todas essa coisa do "marxismo-leninismo".
Vá lá, não custa nada.

[Bernardo Pires de Lima]

O corsário ou o primeiro socialista da história

Aviso: Este poste contém linguagem antifrancófona primária

A França comemora os duzentos anos da coroação do mais famoso dos seus corsos. Homem complexado, cuja altura era inversamente proporcional à mania das grandezas, Napoleão é também o primeiro de todos os socialistas. Ingressou no exército de um país estrangeiro. Aplaudiu a decapitação da família real. Lutou por uma revolução que não era a sua. Falou sobre a pompa e o fausto dos ricos e a miséria e a fome dos pobres. Prometeu liberdade, igualdade e fraternidade. Prometeu pão.
Para cumprir as promessas, sacrificou a quietude, tornando-se ditador. Em nome do povo, sacrificou-se uma vez mais quando aceitou ocupar os quartos vagos de Versalhes. Certamente contrariado, certamente movido por uma qualquer vaga de fundo, coroou-se Imperador.
A sua generosidade foi ainda maior quando ofereceu a família inteira para os numerosos banquetes das casas reais europeias. Não mudou o fausto, nem a pompa, nem sequer a ementa. Os Bonapartes limitaram-se a tomar o lugar dos Bourbons à mesa. O povo, reconhecido, aplaude-o ainda. Está explicado, o pai do socialismo era corso.

[Rodrigo Moita de Deus]

Correio da blogosfera

A esquerda torcida pela direita
A esquerda portuguesa tem síndroma de abstinência intelectual. É mesquinha, é egoísta, não sabe quem é Rawls e aprendeu da vulgata de Marx, não é totalitária porque não tem nada, é embrutecida pela inveja e pela repetição apócrifa de conceitos emocionalmente apelativos: desconstrução, luta de classes, dialética. Está convencida que decorar cinquenta nomes de realizadores resolve o complexo de inferioridade da primeira geração sem raízes, que coreografar reacções é agir, que decorando sentimentos poderão fingir-se glazé, bléssê rálê. Tem os piores tiques que se associam à direita: elitismo, superficialidade, prepotência. A igualdade não é um mecanismo para a equidade, mas para a mediocridade. Se a modéstia, por exemplo, foi criada pela aristocracia para brincar às igualdades, é aproveitada pela esquerda como instrumento politicamente correcto e compulsório para o mesmo fim – mas a começar de baixo: passamos dos ricos a fingirem-se pobres para ignorantes a fingir que não existe gente culta. Uns queriam fingir que não havia desigualdade, os outros querem fingir que a igualdade é fatal. A esquerda portuguesa não é seguramente a culpada do atraso português, mas é a sua filha mais degradada. O pior é que, por mais mesquinha que seja a esquerda, tenho uma tendência para a preferir a qualquer direita. Eu, como a maioria dos portugueses médios (e, por extensão de moda política, dos europeus continentais). E é essa a grande ratoeira. A esquerda está errada pelas razões certas (querem fazer o bem, mas apenas porque não nasceram ricos) e a direita está certa pelas razões erradas (assim como assim, os ricos não sofrem com as medidas que sugerem). No final, não há direita nem esquerda em Portugal, mas hipocrisia do berço e hipocrisia do azar. Desprezo ambas. E prefiro eternamente o PCP, honesto, repetitivo, falando de justiça para além da injustiça, ao IURDismo da esquerda BE que é mais conservador, arrogante e vazio que a direita PP.

do http://elasticidade.blogspot.com/

Cumprimentos,
Luís Gaspar

Adivinhas com destinatário certo

Quem era o insigne responsável que no princípio dos anos 80, a troco de uns favores a sul do Tejo, recebia em ouro, libras de ouro reluzentes?

[PPM]

Sampaio by his own words

"É forçoso constatar, por exemplo, a permanência de obstáculos poderosos, que têm conseguido impedir sucessivos governos de cumprir os seus mandatos políticos, assentes em programas concretos de reformas"
Pois.
[DBH]

Esperança democrática

Espero, sinceramente, que o que vem hoje no "DN" (Sampaio deverá apontar a Santana incapacidade para realizar reformas ) seja uma rotunda mentira. Se não for mentira, o Dr. Jorge Sampaio acaba de desferir o maior ataque à democracia portuguesa desde o 25 de Abril.

[Pedro Marques Lopes]

Conjugar as referências da esquerda

Eu bajulo
Tu bajulas
Ele bajula
Nós bajulamos
Vós bajulais
Eles bajulam

[Rodrigo Moita de Deus]

O caudilho

O desaparecimento político do rival Cunhal tem destas coisas. Trinta anos depois, quando já é tarde demais para fazer qualquer coisa com isso, o Dr. Soares vê o seu sonho realizar-se: é finalmente o grão-mestre das esquerdas unidas.

[Rodrigo Moita de Deus]

Um drama familiar comovente

Órfãos de Honecker,
bastardos de Hocha,
adúlteros do marxismo,
despojados do maoismo,
espúrio do estalinismo.
Vinde! Vinde ao regaço do Dr. Soares!

[Rodrigo Moita de Deus]

O novo MASP

Ao contrário do que possam pensar e escrever algumas excelsas almas da blogosfera, não me surpreende a súbita adesão da extrema-esquerda e dos seus jornalistas adjuntos às comemorações do 80º aniversário de Mário Soares.
Nada disto é novo, nada disto é inocente.
Os excelsos (podem ler mesmo sem o ex) blogosféricos que descobriram agora subitamente que Soares é fixe, depois de em tempos lhe terem atirado com os mais insultuosos nomes, descobriram-no por razões meramente utilitárias.
Nos últimos anos, o antigo amigo dos americanos (como lhe chamavam os pais e os avós dos excelsos blogosféricos) tem defendido a aliança das esquerdas contra a maioria de direita, chegando a falar de um tal de golpe de estado que só não se verificaria por estarmos integrados na União Europeia - e como nós sabemos como a extrema-esquerda se excita com a simples menção das palavras "golpe de estado".
Apesar da habitual fanfarronice e das recorrentes tonterias, a excelsa extrema-esquerda blogosférica, que se sente representada partidariamente pelo BE, já percebeu que não vai ser pêra doce derrotar Santana Lopes e Paulo Portas.
É certo e sabido que, tal como no tempo da Aliança Democrática de Sá Carneiro e Amaro da Costa, todas as armas vão ser usadas, incluindo as notícias cirúrgicas e as mentiras desbragadas, como aliás já se começou a perceber pelas manchetes de alguns jornais de "referência" - deve ser a este tipo de referência que eles aludem.
Como também já foi publicamente anunciado, a mesma excelsa extrema-esquerda já começou a negociar os termos de uma aliança pós-eleitoral com o PS de José Sócrates.
O jantar de Mário Soares não serviu só para comemorar os 80 anos do ex-Presidente, mas sobretudo para receber e aplaudir a esperada prenda que o camarada Jorge Sampaio fez questão de oferecer ao antecessor no cargo, dissolvendo uma Assembleia da República onde existe uma clara maioria sufragada nas urnas pelo voto popular.
Alguns convidados úteis serviram assim apenas para disfarçar o embrulho vermelho-rosa (não deixa de ser revelador que o PCP de Jerónimo não tenha sido convidado, ao contrário do Louçã do BE). O que é triste é que tantas mentes inquietas do centro e da direita se tenham prestado a tão evidente serventia.
E isto não pode desmentir a excelsa extrema-esquerda e os jornalistas próximos dela: o que está em causa neste momento é claramente uma luta pela partilha do poder e o 80º aniversário de Mário Soares serviu essencialmente para tocar a reunir. Na forja está um novo MASP, mas as siglas hoje querem dizer "Movimento de Apoio Sócrates a Primeiro" - ministro, é claro. Um MASP com Louçã escondido, naturalmente.

[Paulo Pinto Mascarenhas]

Golpe de Estado

Devo dizer que, ao contrário de muitos amigos cuja opinião considero, compreendi no início a decisão de Jorge Sampaio. O governo Santana sempre me pareceu mau (muito, mesmo). Mas a razão não estava aí: fosse essa a bitola justificável para dissolver, teriam sobrado apenas um ou dois governos nos últimos 30 anos. Para mim, a dissolução justificava-se, não por causa de Santana ou do governo, mas pelo clima de instabilidade política e institucional causada pelo maior partido da maioria. Nunca um partido manifestou tão grande falta de solidariedade institucional (“lealdade orgânica”? – desculpe, JBR) para com os seus representantes no governo. A oposição ao governo começava no PSD e acabava no BE. Muito objectivamente, este governo não teria nunca condições para governar. Não por sua causa (embora não fosse de esperar muito). Mas por causa do PSD. O PSD de Marcelo, de Cavaco, o PSD que vaiou Paulo Portas no congresso, o PSD que no mesmo congresso deixou um devastador espectáculo de cadeiras vazias no palco. Era ele o criador da instabilidade. Objectivamente, a maioria eleita em 2002 estava deliquescente. Era uma boa razão para dissolver.
Eis senão quando leio as notícias de hoje. Ainda não sabemos o que vai realmente Sampaio dizer como justificação. Mas o DN diz-nos que Sampaio dirá que o governo foi “incapaz de levar a cabo reformas estruturais” e que quer “uma aliança entre o Estado e as forças dinâmicas da sociedade e da economia”, e ainda “um programa de modernização da economia e da sociedade”.
Ora, estamos aqui no domínio do mais injustificável activismo presidencial. Pela primeira vez na história da instituição a seguir ao general Eanes, a Presidência é utilizada para fazer avançar um plano político próprio, que ainda não cheguei a perceber bem se se confunde ou não com o do PS. O entendimento dos poderes presidenciais à luz desta justificação é pouco menos do que um golpe de Estado. E é sobretudo mais um passo no sentido da degradação do valor das instituições criadas pela nossa constituição. Depois de dois primeiros-ministros que fugiram a meio do mandato, agora um presidente que se arroga o direito de dissolver uma maioria porque quer “um programa de modernização”.
O valor da democracia é essencialmente formal. Nada impede um partido derrotado numas eleições de não aceitar o resultado e lançar uma guerra civil. Mas se esse partido respeitar a forma democrática, então não fará isso. Nada impede um partido eleito de exorbitar o mandato e transformar o regime numa tirania. Mas se respeitar a forma democrática, não fará isso. Quando a forma das instituições num determinado quadro institucional começa a ser degradada é porque essas instituições já não representam muito para os seus detentores transitórios. E se para eles não representam, porque hão-de representar para nós?A República de 76, a República dos 80 anos de Soares, a República dos elogios da extrema-esquerda a Soares (quando isto acontece, alguma coisa está muito mal mesmo), apresenta sinais óbvios de crise estrutural. Já ninguém, na verdade, acredita muito nela. Não creio que ela sobreviva por muito mais tempo. Se assim for, esperemos que lhe suceda qualquer coisa de melhorzinho. Mas pode muito bem ser que não. Afinal não avisou o papá Soares que só a nossa pertença à UE impedia aventureirismos militares? Talvez já nem sequer isso.
[Luciano Amaral]

Você Sabia Que…

Diálogo entre Jay Leno e Kevin Eubanks:
- Kevin, sabes quem matou Alexandre, o Grande?
- Não, Jay.
- Oliver Stone
The Tonight Show
[Luciano Amaral]

Quinta-feira, Dezembro 09, 2004

Detector de spin (com a devida vénia)

Vai por aí um temporal de informação e contra-informação quanto ao futuro da Bombardier. Não tenho informação privilegiada, nem sequer interesse em fazer a apologia do ministro. Mas impressionado com a qualidade do jornalismo sobre a matéria, não resisto a fazer uma pequena síntese, simple and stupid:

1. O contrato de contrapartidas para os novos blindados ligeiros, prevê que os mesmos sejam produzidos em Portugal;
2. O Ministério da Defesa considerou esse facto determinante e insistiu para a produção se fazer nas instalações da Bombardier salvando assim os postos de trabalho que se ameaçavam extinguir;
3. A administração da Bombardier não parece muito interessada em alugar as instalações;
4. O representante dos trabalhadores não parece muito interessado em continuar a trabalhar;
5. Alguns jornalistas apressaram-se a duvidar da palavra do ministro sem somarem os factos;
6. Os blindados serão mesmo produzidos em Portugal;
7. A Steyr só precisa de espaço e de mão-de-obra;

Se os blindados acabarem a ser produzidos em Oeiras ou no Alandroal, se nascerem prédios onde agora se fazem comboios, era bom que nesse dia alguém lembrasse o que agora se diz.

[Rodrigo Moita de Deus]

Correio da blogosfera

Pbase

A desoras: Obrigada por me darem a conhecer uma fantástica base de dados fotográfica. Como eles dizem: Outstanding!
Ao ver impresso o meu bitaite "para" o Dr. Soares, penso que, se calhar, fui um pedaço cáustica. Mas o cavalheiro e seu séquito irritam-me profundamente. OK; fez isto, aquilo e acoloutro, mas, e o resto? Acresce que, a levar com ele constantemente, acaba-se por desenvolver uma espécie de alergia instantânea a guardiões do templo da esquerda.
É tudo.
Cumprimentos,
RMR
(Leitora identificada)

Sobre a foto de G. Bush

A foto de G. Bush, apontada pelo link:http://www.pbase.com/exodeepblue/image/34223503é uma falsificação do ponto de vista da técnica fotográfica.Há dois níveis de profundidade de campo: o presidente e a multidão.G. Bush está focado, tudo o resto desfocado. Tal não é nunca possível, sem recorrer a processamento posterior.A imagem correspondente à assistência está toda desfocada em igual nível. Se a foto fosse "real" (a foto original) toda a assistência à mesma distância de Bush estaria focada e o desfoque aumentava à medida que os respectivos planos se afastassem ou aproximassem do presidente. A verdade é que tudo o que não é Bush está desfocado em igual grau.A imagem foi processada recortando a imagem do presidente e desfocado (blur) tudo o resto. A imagem original estaria absolutamente focada (toda por igual) o que tecnicamente é um erro por não "transmitir" profundidade.Do ponto de vista artístico é, portanto, uma falsificação muito embora perceba que não tenha sido esse o contexto em que o link foi criado.Cumprimentos

Range-o-Dente
Range-o-Dente.blogspot.com


Parabéns Soares

Será a razão dos loucos, intuição politica ou incontinencia verbal ?
A profecia do inimputável Mário Soares está prestes a realizar-se. O golpe de Estado começou com a decisão de Sampaio que “feriu de morte” o Parlamento e está a matar lentamente o governo. Já só falta dar a chapada da morte ao Presidente. A chapada final é CDS e PSD irem juntos a votos. Independentemente dos estudos que agora possam fazer-se dentro dos partidos, a força real da coligação só poderá ser percebida lá mais para a frente.
Santana e Portas são dois animais políticos que não podem afirmar-se em espaços diferentes porque, na realidade, os espaços não são assim tão diferentes. O PP e o PPD terão tempo para afirmar-se como partidos com uma identidade politica sólida e independente.
Agora é tempo de ter um só inimigo: primeiro Sampaio, depois Sócrates.
O país precisa desta chapada final ao Jorge e anunciar esta decisão no dia em que ele falar ao país, mas umas horas antes.

José Castelo Freitas

Por um prato de tremoços

A administração da Bombardier é, evidentemente, a última interessada em que se encontre solução para a fábrica. Justifica-se. O negócio imobiliário dos terrenos na Amadora vale bem mais que o negócio da metalomecânica. Deve ser por isso que vieram a terreno explicar que só podiam alugar “uma parte” das instalações, sendo que a “outra parte” não é certamente para fazer comboios.

Mesmo assim, esperava-se do representante sindical dos operários uma outra reacção. A quantidade de obstáculos levantados faz-me pensar se o homem está de facto a pensar nos trabalhadores que supostamente representa, fazendo-me lembrar velhas histórias na Marinha Grande.

O senhor Tremoço fez muito barulho há uns meses atrás. Depois calou-se. Só voltou a fazer barulho quando falaram em resolver o problema. É triste quando alguns dos melhores negócios do país se fazem nos encerramentos das empresas, nas falências das fábricas e nos golpes de asa dos administradores judiciais. Há gente que vende os seus por um prato de tremoços.

[Rodrigo Moita de Deus]

O nível da oposição

Paulo Portas anunciou ontem que os novos blindados que vão substituir as chaimites serão construídos nas instalações da extinta Bombardier. Dos 500 desempregados desta fábrica, 150 a 200 voltarão a ter emprego. De imediato, jornalistas e o líder da oposição vieram a terreiro acusar o Governo de estar a fazer campanha eleitoral. É triste e revela uma enorme "falta de nível", como diria o novo engenheiro do PS.

[Inês Teotónio Pereira]

Novas quadras populares

Se o Louçã do Bloco concorda contigo,
Cuidado Sampaio, ele não é teu amigo
Se o Sócrates faz de teu advogado
Algo se passa de muito errado

[PPM]

Descubram as diferenças

José Sócrates foi a Belém. Já sabia que ia a Belém há não sei quantos dias. Já sabia o que ia lá dizer e o que ia lá ouvir. Saiu de Belém. Está a dois meses de eleições e tudo o que tem a dizer ao País é: blá, blá, blá. Afinal que diferença existe entre Ferro Rodrigues e José Sócrates?
É só a encadernação?

[Rodrigo Moita de Deus]

Lógica de caudilho

Caudilho: chefe político; indivíduo influente; militar cabo-de-guerra; chefe militar.
Acaudilhar: conduzir a gente de guerra; chefiar; comandar
.

Morais Sarmento tem toda a razão. Só se esqueceu de dizer que José Sócrates é o cabo miliciano que está de sentinela.

[Inês Teotónio Pereira]

O Acidental à escuta

Rui: Pornografia é falar-se de “união no balneário”.

[Rodrigo Moita de Deus]

Boas notícias

Afinal, parece que o PS e o BE já andam em conversações mais ou menos secretas para celebrar um acordo pós-eleitoral. É a insuspeita "A Capital" que o diz e como "A Capital" está sempre bem-informada sobre os segredos que se congeminam à esquerda - com a excepção do que diz respeito a decisões do Presidente da República - este pré-anúncio de acordo só pode ser considerado excelente (como diria o Daniel Oliveira). Os portugueses ficam assim a saber com o que contariam se o PS de José Sócrates ficasse à frente nestas eleições: um Governo presumivelmente prisioneiro da demagogia saltarilha do Bloco.

[PPM]

Problema de paternidade

Jorge Sampaio chamou a Mário Soares "pai da Pátria". É certo que a doutrina diverge, e ainda bem, no que diz respeito à vida e ao percurso político do ex-Presidente da República, mas é no mínimo exagerado e até descabido chamar-lhe "pai da Pátria". Nem o próprio deve reconhecer a paternidade. Isto só se compreende se estivermos a falar no mesmo plano das revistas cor-de-rosa, aquelas que dizem que Catarina Furtado é a "namoradinha de Portugal".

[Inês Teotónio Pereira]

PS: Sampaio também disse que a Pátria tinha vários pais. Quer isto dizer que a mãe da dita é suspeita de concubinato?

As notícias que deixamos escapar

Uma câmara municipal licenciou um prédio de 16 andares. Quando o prédio começou a arder percebeu-se que não tinha escadas de incêndio e que os bombeiros só tinham meios para chegar ao décimo andar. Morreu uma pessoa que não tinha de se preocupar com essas coisas. Várias ficaram feridas. Ninguém vai ser julgado? O presidente da Câmara de então? O imbecil que assinou a licença? O construtor civil?

[Rodrigo Moita de Deus]

Sobre referências

Eu sei que as esquerdas não conseguem viver sem referências, JPH. Assim, só de repente, lembro-me de Che Guevara, Mao, Cohen-Bendit, Fidel, Samora Machel, Arafat...
É verdade que a direita em que me incluo não tem tantas assim, mas sabemos honrar a memória dos nossos mortos, desde logo Francisco Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa - esses, sim, duas referências indiscutíveis de quem não é de esquerda.
Quanto a ressentimentos doentios ou azedumes, recomendo a João Pedro Henriques a leitura deste post scriptum que lhe deve ter certamente passado ao lado. Mário Soares sempre recusou unanimidades e continua a ser um adversário da direita. Ainda que já tenha atingido uma provecta idade, está vivo e bem vivo - vivaço, diria mesmo. Daí que não perceba muito bem a razão para que tenhamos que alinhar no coro e nas vénias gerais.

[PPM]

Terça-feira, Dezembro 07, 2004

Pas D'enemies à Gauche

Agradeço a Deus ter chegado em vida ao dia de hoje, só para ver isto, isto, e isto e, já agora, mais isto. Daqui a 30 anos quem será? Este?
[Luciano Amaral]

Sem precipitações...

...posso garantir que até há poucos minutos Pinto da Costa ainda estava a ser interrogado no Tribunal de Gondomar e que não sabemos quais serão as medidas de coacção a que ficará sujeito. Sem precipitações, claro, como o PC do Mar Salgado tanto gosta de ver nos outros, ainda que nem sempre consiga dar o exemplo.

[PPM]

Correio da blogosfera II (Ainda a propósito do 80º Aniversário de Mário Soares)

Desapareça, Senhor Guarda (da Democracia de Esquerda)!

Insiste em ter protagonismo, insiste em imiscuir-se, insiste em provocar quem quer algo diferente de si e dos seus camaradas para este País...
Mas, lembre-se, por favor: Só os burros é que não mudam de ideias.

RMR
(Leitora identificada)

Correio da blogosfera (A propósito do 80º Aniversário de Mário Soares)

Caro Paulo,

Fui criado no caldo da esquerda anti-PS, mas não reconhecer o papel de Mário Soares na consolidação do nosso regime é uma palermice.
É o mesmo que a esquerda se esquecer de Cavaco como um dos políticos mais importantes do pós-25 de Abril.
Mais transmita à sua colega acidental Inês T. Pereira, que deve ser ainda jovem, que o Mário Soares e outros maduros deram muito da sua vida para que ela hoje possa livremente dizer as baboseiras que entenda.
Por isso, só ficava bem ao Acidental democraticamente dar os parabéns a um dos políticos mais importantes da nossa história democrática, já que a tolerância é o que diferencia os democratas dos extremistas.

Saudações democráticas
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Sérgio Bastos

NR: Caro Sérgio, espero que na sua vida não leve tudo assim de modo tão dramático. Nós conhecemos a dívida que a democracia portuguesa tem para com Mário Soares, nomeadamente no combate ao antigo regime e contra o comunismo, mas entendemos que essa dívida já foi paga, bem paga - e com juros de mora.
Por outro lado, nós só escrevemos sobre pessoas e assuntos que nos interessam. Este interesse deve ser lido, também, como um elogio, ainda que em forma crítica. Não entramos é no tom panegírico dos media em geral, surpreendentemente reproduzido num meio novo como a blogosfera.
Mário Soares está vivo - e bem vivo. Tanto elogio até pode fazer parecer o contrário. Como democrata que o Sérgio diz ser, certamente concorda que devem existir vozes diferentes que sejam capazes de não alinhar com o politicamente correcto.
[PPM]

Não tem nada a ver

Será que Pinto da Costa foi convidado para a festa dos oitenta Invernos de Mário Soares? E a Fátima Felgueiras? Não?!

[Inês Teotónio Pereira]

Retrato de um país

O jantar de comemoração do 80º aniversário de Mário Soares com a presença de Cavaco Silva, Freitas do Amaral e Marcelo Rebelo de Sousa. Os populares à porta do Tribunal de Gondomar onde está a ser interrogado o presidente daquele que é hoje o mais poderoso clube de futebol do País. Mais uma dissolução de uma Assembleia da República por motivos que ninguém sabe exactamente quais são porque o Presidente da República também ainda não sabe ou não diz quando os explica ao País. As palavras redondas de Jorge Sampaio sobre a Língua Portuguesa.
O retrato deste país.

[PPM]

L' esprit de finesse

Número de vezes que o octogenário Mário Soares diz "gajo" na entrevista ao Diário de Notícias de hoje: cinco (5). A mesma finesse de sempre...

[Bernardo Pires de Lima]

Sintomático

Mário Soares disse hoje, do alto dos seus maduros oitenta anos, que vai estar "atento" à prestação do jovem José Sócrates quando ele for "primeiro-ministro". O ilustre octogenário garantiu ainda que o PS vai certamente alcançar a maioria absoluta.
Mário Soares já está entradote.

[Inês Teotónio Pereira]

Oitenta anos de estórias

“O que fica de mim é um rodapé num livro de História”
(Mário Soares ao Diário de Notícias)

Pois é! E de gorra com Eanes e Spínola, Costa Gomes e Jorge Sampaio, estes dois mais abaixo.
Mas deixe lá Dr. Soares. Restam os livros de estórias e ninguém se esquecerá das suas.

[Rodrigo Moita de Deus]

Socialismo científico

Repararam na alegria luminosa de António Vitorino a posar para a fotografia na escadaria do palácio Valle Flôr? Ahhh! Os palácios, as passadeiras encarnadas, os corrimões dourados e os demais ouropéis…

[Rodrigo Moita de Deus]

Difícil não é botar palavra, mas viver com as palavras que já botámos

Caro Senhor Branco:

Se escrevesse tais vitupérios, diria que as minhas borrascas mentais postas em posta, têm o mérito de flagelar até o espírito de quem, ajuizadamente, lhes nega a leitura. Talvez por isso merecessem melhor reparo que afrontas compradas a crédito num qualquer stand de usados. Acrescentaria então que o défice de talento das minhas letras é tal, que granjeia tratado. Em redondilha, se houvesse vocabulário. Em sextina, se houvesse engenho. Como não inspiro achar tais virtudes, encolho os ombros, qual Sousa Santos, resignado à má sorte de estar só num mundo que não me entende.

Tenho para mim que nestas coisas da lavra cerebral, sejam elas simples postas de tinta invisível ou teses de academia, a vocação obriga sempre à companhia da confiança. Em opção toma-se a vaidade por amante, pasme-se, em relação monogâmica. Então, a crítica lacera como uma horrível dor de dentes e engole-se ética de analgésico. Porque a obra em si é tal qual a Estátua da Liberdade. Imponente, simbólica e oca.

Mas isso sou eu, que não ambiciono pertencer à classe política, que tenho a elegância de um lorde britânico, a pena de um dramaturgo russo e o bom senso lusitano de não exibir desaforadamente poesia a mariolas da minha própria espécie.

[Rodrigo Moita de Deus]

PS: Os meus pés são mais aptos para pensar que para jogar futebol. É só por isso que está escusado do convite para o programa de terça à noite.

E os 80 anos de Sampaio, como serão?

Não se sabe - provavelmente não se saberá nunca - quem aconselhou Jorge Sampaio a anunciar a dissolução a prazo da Assembleia da República, a empenhar-se no Orçamento de Estado agora e a deixar a despedida do Governo para melhor oportunidade. Mas, ao conseguir reunir tantos descontentes à esquerda, em Julho, e à direita, em Dezembro, logrou pulverizar a imagem que tão meticulosamente construíra ao longo dos últimos anos e que já não terá tempo para recuperar. Não terá festa dos 80 anos, nem bolo de aniversário gigante, nem apontamentos simpáticos de admiradores. Haverá, tão-somente, a "maison" algarvia frente ao mar - a desafiar a estética, o ambiente e o desenvolvimento sustentável - e a solidão como exílio.

[Rodrigo Moita de Deus]

Marat, Robespierre e Saint-Just no jantar de comemoração dos 80 anos de Soares

Como diz um amigo meu, com alguma ciência e muita graça, no jantar da FIL "veremos, segundo dizem, debutar à esquerda esses 'transpolíticos' outrora conhecidos, quando tinham outro sexo, pelos nomes de Cavaco Silva, Freitas do Amaral e Marcelo Rebelo de Sousa. Será interessante tentar adivinhar que nomes vão eles adoptar depois da 'operação'? Marat, Robespierre e Saint-Just?"
Boa pergunta.

[PPM]

Reviver o passado... na FIL

Sem o "glamour" britânico, sem o "je ne sais quoi" parisiense tão apreciado pelo aniversariante, mas com os "tutti quanti" que pontificaram no país ao longo das (várias) últimas décadas, encerram-se hoje na antiga FIL as comemorações da Revolução dos Cravos. Aguardam-se vestuários pseudo-sumptuosos, carteiras tipo Chanel e jóias Swarovski, em suma, tudo entre o "vintage" e o "com vintém mas pouca prática".
Os discursos, abrilhantados pelo barulho dos vidros, dos talheres de inox e das lojas do Bairro Alto, são esperados com expectativa incontida pela Pátria.

[Rodrigo Moita de Deus]

Enquanto isto, nos mentideros

À 12ª hora, Daniel Oliveira vai atrás de uma notícia que é falsa e já foi desmentida.

[PPM]

Mário Soares e a Democracia de Esquerda

[por Rui Ramos, Outra Opinião, Lisboa, O Independente, 2004, pp. 142-153]



Há ainda gente à direita que gosta de ver em Mário Soares um “amigo especial”, como lhe chamou em tempos o Professor Freitas do Amaral. Para sustentar essa impressão, houve, até há uma dúzia de anos, o ressentimento ou desconfiança da esquerda contra Soares. Mário Soares tinha sido o chefe de um partido que se dizia socialista, mas que se aliou à “reacção” durante o PREC de 1974-1975; o primeiro ministro que introduziu o CDS no poder em 1978; o político que, perante a avançada da “reacção” em 1980, retirou o seu apoio ao candidato presidencial que a podia parar; o “sapo” que o “povo de esquerda” engoliu na eleição presidencial de 1986, apenas para ver o “sapo”, um ano depois, oferecer à direita uma década de governo. Em 1990, Soares anunciou solenemente ser “republicano, laico e socialista”. Muitos à direita, inclusivamente aqueles que quatro anos antes o tinham acusado de ser “materialista, ateu e maçon”, esforçaram-se por não levar a sério essa confissão. Ele era o suposto pai imparcial da democracia e como tal foi aclamado na reeleição de 1991. Assim se explica a mágoa e decepção com que a direita reagiu desde essa época às encarnações de Soares como força de bloqueio do cavaquismo, campeão do combate à política de defesa dos Estados Unidos, incansável crítico do “neo-liberalismo”, e entusiasta do “fórum social”. Ora, essa decepção não tem razão de ser.
Mário Soares só enganou quem com ele se quis enganar.

(CONTINUE A LER MÁRIO SOARES E A DEMOCRACIA DE ESQUERDA)

Comemorações Acidentais do 80º Aniversário do Pai de João Soares



O Acidental não poderia deixar de associar-se às comemorações gerais do octogésimo aniversário de Mário Soares, num altura em que a Pátria se comove enternecida com a tão invulgar obra de Sua Excelência, que será certamente preservada como herança póstuma para as gerações vindouras, desde logo por intermédio do próprio filho e digno sucessor, João Soares. Não podendo nós estar presentes por falta de convite no jantar que hoje reúne a reserva arqueológica da Nação, iremos tentar ainda assim prestar as devidas homenagens à personalidade e ao carácter do aniversariante. Contamos para isso também com a interactividade do meio e pedimos aos nossos leitores que nos enviem cartões de parabéns endereçados naturalmente a Sua Eminência.
Começaremos os nossos festejos, dentro de momentos, com um ensaio do historiador Rui Ramos, intitulado "Mário Soares e a Democracia de Esquerda", que será publicado integralmente no Acidental Long Play.

[PPM]

Segunda-feira, Dezembro 06, 2004

Está provado

Como estou a constatar em directo no Canal Parlamento, José Sócrates não sabe ler os discursos escritos pelos seus assessores.

[PPM]

Correio da blogosfera

E se o Governo pudesse demitir o Presidente nos primeiros 4 meses do seu mandato?

Jorge Sampaio vai dissolver o Parlamento mas não diz porquê. Invoca a Constituição, que neste país parece remédio para todos os males, e lembra que ainda tem de ouvir os partidos e o Conselho de Estado. Entra assim no jogo político da oposição alimentando a instabilidade porque contribui para o clima de incerteza.
Esquece-se de avisar o Presidente da Assembleia onde há uma maioria, e depois de o saber irritado chama-o para pedir desculpa.
O educado Mota Amaral aceita as desculpas pessoais do Presidente da República e não percebe que foi tudo premeditado.
O Presidente da Republica é um homem cheio de si próprio e dos seus discursos, gere os silêncios e resolve as chamadas crises do país no recato do seu gabinete com uma palmadinha nas costas. É Portugal no seu melhor nacional porreirismo. Talvez por ser assim, tenha sido escolhido pelos conterrâneos para Presidente da República.
Se calhar quem dissolve o Parlamento não é o Presidente da República mas o Jorge Sampaio, o Jorge, o de Belém…
Sugiro que Daniel Sampaio deite o Jorge na cama da psicanálise e comece por estudar o ego desse senhor que nas placas das inaugurações exige que lá esteja o Dr., como se viu na inauguração da sede da Abraço. Pena é que o Jorge só agora tenha decidido revelar-se.
Mário Cezariny, que agora celebramos, não encontraria melhor inspiração do que esta hilariante realidade.
É certo e reconhecido por todos que, nos últimos 4 meses, o Governo não transmitiu imagem de estabilidade. Houve algumas confusões, mas também houve casos mal esclarecidos e histórias mal contadas e aproveitadas pelos inimigos internos de Santana Lopes e pela oposição.
E as reformas em curso? A lei do arrendamento, o fim das auto-estradas pagas por quem não as utiliza, um orçamento que não tinha medo dos bancos e redistribuía a riqueza, as reformas em curso na Justiça, a casa arrumada na Defesa, a política externa, finalmente com estratégia definida. Cai um governo por isto? E se o Governo tivesse o poder de fazer cair Sampaio nos primeiros 4 meses do seu mandato?
Ao longo de 4 meses, houve essencialmente temas para exploração mediática que tomaram uma dimensão conspirativa. E Sampaio é muito diferente de Cavaco Silva - Sampaio só lê jornais!


José Castelo Freitas

Mais vale tarde do que nunca...

Segundo as conclusões do relatório da Comissão Parlamentar, que averigua (o ainda) acidente de Camarate, este foi «consequência de um acto de sabotagem».
Que o caso não seria acidental era mais que certo - não há memória de um mero acidente levar vinte e quatro anos a provar. O que se espera é que definitivamente se apurem responsabilidades. Mesmo ao mais alto nível, se as houver. Sob pena de não passarmos de um país típico da América Latina, no que à justiça diz respeito.

[Bernardo Pires de Lima]

Sintomas de fraqueza

A maior demonstração da fraqueza política de José Sócrates foi dada publicamente pelo próprio quando teve de chamar António Vitorino para redigir o Programa Eleitoral do PS, mal soube do anúncio da dissolução.

[PPM]

O Zandinga do PS



Rui Oliveira e Costa, o zandinga dos estudos de opinião, já voltou à carga. Imediatamente a seguir ao anúncio da dissolução da Assembleia da República, o actual membro da Comissão Nacional e da Comissão Política do Partido Socialista veio logo apresentar resultados onde o seu partido se distancia na intenção de voto. Relembro só que Rui Oliveira e Costa foi o mesmo que no debate da última noite eleitoral norte-americana, na SIC Notícias, ao fim de cinco minutos, dava já como certa a vitória de Kerry. "Com 90% de hipóteses", segundo ele.
Esperemos para ver o que se passará por cá.

[Bernardo Pires de Lima]

Confissões de um portista (do FCP)

Aconteça o que acontecer ao Presidente Pinto da Costa, ele será sempre o maior dirigente desportivo português de todos os tempos e alguém a que um verdadeiro portista não pode deixar de estar para sempre agradecido.

[Pedro Marques Lopes]

N' O Acidental há fanáticos, sim senhor (reloaded)



Petição “Devolvam-nos os títulos que nos gamaram”

[Rodrigo Moita de Deus]

Confissões de um democrata

Confesso que me entristece esta questão de haver ou não coligação entre o PSD e o CDS nas próximas legislativas. Para mim não é razoável a discussão, sobretudo num espaço (os blogues) que se pretende de discussão doutrinária ou ideológica, se se chega ou conserva o poder coligado ou não coligado. Conquistar ou preservar o poder em política, transcende o significado de vitória ou derrota. Penso que perguntas do género “Quem queres como primeiro-ministro: Santana ou Sócrates?”, são insultuosas para um democrata.

[Pedro Marques Lopes]

O Acidental à escuta

O Super Flumina faz um ano. Parabéns ao Rui Oliveira.

[O Acidental]

O homem de quem Maria Filomena Mónica não gostava

Li o texto de Maria Filomena Mónica. Li outra vez para ter a certeza que não me escapava nenhuma graça. E li uma vez mais para regalo do espírito. Três vezes li, três vezes sorri. De cada vez algo de novo. Não conheço a obra poética de Sousa Santos e pouco mais da sua obra académica. Pouco importa porque a prosa de Filomena Mónica dispensa sujeito.

É por isso que vejo com estranheza tanta crítica à crítica. É natural e tonificante a defesa dos “nossos”, de quem admiramos e gostamos. O que estranho é a forma. Leio palavras como “lamentável”, “foleiro”, “rasteiro” - e motivações como “rancor” e “inveja”. Se todas elas me parecem despropositadas (porque é despropositado pensar que Filomena Mónica possa sentir inveja de Sousa Santos), pasmo-me com o argumento da “falta de ética”. Porque o suplemento era de poesia, porque o jornal é um meio público, porque é indecente falar do passado, porque é isto, porque é aquilo…
Desculpas de mau perdedor… porque ninguém tem coragem de escrever no mesmo registo, porque falta atrevimento e loucura para dizer e argumentar que a prosa não prestava.

A febre normalizadora prossegue agora nas letras. Podemos tentar regulamentar a polémica? Impor códigos de conduta, estatuir termos e locais: “Queira o cavalheiro fundamentar tão ambígua opinião”, “permita-me discordar”. Ou introduzir a conversa com um singelo “com licença”. Artº 3 do Código Ético da Polémica: "Que texto algum, não comece com um elogio nunca menor a três linhas ao alvo da polémica".

“Meninas!” - gritariam em tom propositadamente irónico as gentes do Casino. Que digam que Filomena Mónica escreve como pensa e, por isso, as letras lhe saem tortas. Que digam que Maria Filomena Mónica tem um fetiche por Sousa Santos e, por isso, as palavras lhe saem melosas. Que digam isso e muito mais. Que se meçam com ela em sátira, maldade e também arte. Mas, por amor a Deus, não invoquem a ética!
Afinal, o que seria das nossas letras se as paixões fossem controladas e os ódios racionais? O que seria das nossas letras se juristas e outros cientistas tomassem conta delas?

Fazê-lo é desvalorizar Filomena Mónica mas também Sousa Santos. Ao contrário do que a sua poesia possa dar a entender, o professor não é analfabeto. Saberá responder, se for essa a sua vontade. Se o fizer, que seja para agradecer. É que se a polémica continuar, ficará o homem mais próximo da imortalidade literária. “Boaventura quê? Ah! Aquele senhor de quem a Maria Filomena Mónica não gostava”.

[Rodrigo Moita de Deus]

O salsifré* em pessoa



* Salsifré: bailarico; pândega (de origem obscura); expressão utilizada por Francisco Louçã para caracterizar a situação do País - de "catástrofe e de devastação social" - mas que se aplica como uma luva aos métodos e às atitudes públicas do Grande Timoneiro do Bloco de Esquerda.

[PPM]

Sports d´hiver

Não sabe fazer ski? Não tem meios para chegar à Serra Nevada ou aos Pirinéus? Não gosta de neve? Não faz mal. Invista num par de porta-skis, coloque-os no tejadilho do automóvel, passeie com eles pela cidade durante a semana e, no feriado, vá até Venda das Raparigas ou a Alhos Vedros, se é de Lisboa, a Guilhabreu ou Melres, se do Porto. Mantenha-os até ao Carnaval.
Pelo Natal, ofereça-se uma lâmpada de ultravioletas e bronzeie-se em casa.

[Rodrigo Moita de Deus]

PS: José Sócrates faz sky desde menino e moço.

Como é que é possível?

Que os dois partidos que constituem o pior governo de todos os tempos, o factor de crise e instabilidade permanentes, como tantos comentadores consagrados lhe chamam, tenham juntos neste momento 41,5 por cento das intenções de voto, contra 45 por cento do imaculado e venerado PS de José Sócrates? A sondagem do "Expresso" deste sábado é a prova mais clara de que existe um país real e um país publicado, fruto de laboriosa ficção, criado à imagem dos analistas de serviço, com o apoio de alguma imprensa cor-de-rosa. Se a diferença para o PS é hoje de 3,5 pontos percentuais - sendo que "o erro máximo da amostra é de 3,02 por cento" -, num momento em que o Presidente da República acabou de pré-anunciar a dissolução, entre os festejos de algumas redacções, há alguma coisa de errado nesta fabulosa crise.
Cantem vitória antes de tempo, bem alto de preferência. Não se lembrem também do que aqui foi escrito sobre a vitória de George W. Bush nos Estados Unidos e façam o favor de continuar a subestimar a actual maioria.

[PPM]

O Acidental à escuta

Para ler esta nota de Guilherme Oliveira Martins sobre a questão orçamental.

[Rodrigo Moita de Deus]

Gentleman... start your engines!

Rui Pereira, ex-director do SIS e amigo socialista, criou hoje um Observatório da Segurança ou coisa que o valha.

[Rodrigo Moita de Deus]

Francisco Sá Carneiro: Um Projecto de Liberdade

[Rui Ramos, Outra Opinião, Lisboa, O Independente, 2004, pp. 154-170]




Em 1980, no meio das ruínas de uma ditadura e de uma revolução, Sá Carneiro propôs aos portugueses fazerem de Portugal uma democracia como as outras democracias da Europa ocidental. Nunca quis mais do que isso. Também nunca quis menos. Por isso, irritou as esquerdas, ainda presas ao socialismo revolucionário. Mas incomodou também as direitas – sobretudo aquela direita a quem sempre bastaram os negócios e empregos permitidos pelo paternalismo de Marcello Caetano, pela confusão do MFA, ou pela tolerância do Dr. Mário Soares.

Sá Carneiro sem mitos.

Convém não mitificar Sá Carneiro como fizeram os seus inimigos. Os inimigos de Sá Carneiro admiraram-no como um “animal político”, para poderem dizer que ele disputou o poder por puro gozo pessoal e à deriva das circunstâncias. Reconheceram nele um “líder carismático”, para poderem menosprezar os seus sucessos de 1979 e 1980 como um desvario messiânico destinado a acabar em Alcácer-Quibir. É verdade que Sá Carneiro nunca andou atrás de impossibilidades teóricas. Mas teve sempre um projecto. A esse projecto, chamou ele “social democracia”. Talvez seja bom recordar o que isso queria dizer. Em Portugal, na década de 1970, as esquerdas, do PCP ao PS, condenaram sempre a “social democracia”. E faziam-no porque a entendiam da mesma maneira que Sá Carneiro: como a designação do “regime de tipo europeu ocidental” que ele defendeu para Portugal desde que começou a fazer política em 1969. Em Dezembro de 1979, Sá Carneiro foi o primeiro político na história de Portugal a passar da oposição ao poder única e exclusivamente em virtude de uma clara maioria eleitoral. Nunca tinha acontecido antes dele. Sá Carneiro não foi um mítico D. Quixote solitário, predestinado para a tragédia: foi um líder político capaz de formular um projecto ao qual uma maioria dos portugueses aderiu na década de 1970. É essa história que é preciso perceber.

[CONTINUE A LER FRANCISCO SÁ CARNEIRO: UM PROJECTO DE LIBERDADE]

RUI RAMOS LONG PLAY

O Acidental tem a honra e o orgulho de poder anunciar a publicação na sua versão Long Play de dois grandes textos - em todos os sentidos - do historiador Rui Ramos.
Ambos foram editados pelo próprio para os nossos leitores, ainda que façam parte do livro "Outra Opinião", publicado com O Independente. Hoje ainda iremos começar pelo ensaio "Francisco Sá Carneiro: Um Projecto de Liberdade", que deveria ter saído no passado dia 4 de Dezembro, a propósito dos 24 anos da tragédia de Camarate.
Amanhã será a vez de "Mário Soares e a Democracia de Esquerda".
Como é da praxe, agradecemos ao autor esta oportunidade.
Abraço, Rui.

[PPM]

Sexta-feira, Dezembro 03, 2004

Pedro Mexia, o CDS e os outros

Após uma ausência de alguns dias em parte incerta, comecei a leitura retrospectiva dos blogs pelo Fora do Mundo, quando, a páginas tantas, dei de caras com a (já famosa) “questão Mexia”. Embora atrasado, não quero deixar de, sobre algumas das questões que a “questão Mexia” encerra, fazer os seguintes comentários:

Pedro Mexia: É o bloguista (e aqui, por estar no domínio dos blogs, falo apenas nessa sua qualidade) que mais gosto de ler. Já uma vez escrevi, a propósito do fim do Dicionário - e agora reitero -, que o Pedro aborda com interesse quase todos os assuntos, pelo menos, quase todos aqueles que me interessam. Com um humor ao qual sou especialmente sensível, bastantes referências que são também as minhas, e com uma forma de olhar o mundo, muitas vezes de fora dele, que igualmente compartilho. São afinidades que estão muito para além da esquerda e da direita. Não nego que seja relevante o facto de o Pedro ser - como eu - um realista e um pessimista. Mas isso não se confunde com lealdade a partidos ou a direitas partidárias. Aliás, ao contrário de alguns amigos e companheiros do Acidental, eu gosto bem mais do Mexia que escreve sobre livros, música, gajas, filmes, obsessões, fetiches, as pequenas misérias e grandezas do dia a dia, do que do Mexia que comenta a agenda política (tempos da Coluna Infame incluídos).
Dito isto, passou-me totalmente ao lado (embora o tenha lido e, a espaços, com o que lá está concordado) o artigo que escreveu sobre o CDS. O Pedro não deixou de ser o que era e vai sendo por criticar o CDS, e, por essa razão, o CDS não perderia nada em escutar algumas das críticas que lhe são feitas, para assim abster-se de cometer parte dos erros que cometeu e vai cometendo.

PP (aka CDS, aka CDS/PP): Sem deixar de reconhecer muitos dos vícios e defeitos que a este são apontados, o CDS tem todavia sido o Partido com maior sucesso na difícil tarefa de evitar que eu vote em branco, "contra" ou me abstenha. Não sou especialista em CDS, nem sequer sou filiado no CDS (mas, descansem aqueles que caracterizam o Acidental como blog do CDS, não tenho qualquer problema em dizer que sou do CDS), porém, isso não me impede de, ao olhar para o percurso deste Partido desde a sua fundação até agora, constatar que foi aquele que, nos momentos importantes, esteve por mais vezes no - ou próximo do - lado certo; a começar pelo voto contra a Constituição da República e a acabar nas poucas, e tímidas, tentativas de reforma dos últimos três anos. (Convém não esquecer que estamos a falar de Portugal, e em Portugal o lado certo possível é ainda algo distante do sítio certo ideal). O CDS não é um partido ideologicamente puro, contém dentro de si várias tendências: a democracia cristã (em que também me revejo, talvez até mais do que em qualquer outra), liberalismo e conservadorismo. Tal facto é, a meu ver, mais uma qualidade do que um defeito. Eu próprio estou longe de ser puro, pois sou fruto de uma amálgama doutrinária, onde, inclusivamente, há espaço de sobra para pontuais desvios ditos de esquerda. O CDS, como é sabido, tem também a sua dose de populismo, mas isso é algo com que se tem que viver. Nesta altura do campeonato, só aos ingénuos é permitido pensar que ainda é possível existirem partidos imunes ao populismo.
Dito isto, considero fundamental que o CDS continue a existir, que não se dissolva nesse camaleão gigante que é o PSD, e, consequentemente, que esteja sempre preparado para concorrer sozinho a eleições, ainda que isso possa implicar o risco de ficar reduzido a uma bicicleta.

Os outros: Muitos foram os blogs que se pronunciaram a propósito da “questão Mexia”. Nuns, vi gente interessada a escrever textos interessantes. Noutros, porém, houve quem tivesse aproveitado a ocasião para, passando a mão pelo pêlo do Pedro, dar umas porradas nos acidentais. Qualquer coisa do género “vejam só a direita radical e selvagem a atacar a direita moderada e civilizada”. A esta espécie de abutres cibernéticos, quero apenas dizer que o Pedro Mexia não merece ser usado como mero pretexto.

A crise segue dentro de momentos

[ENP]

Informação contraditória

Desculpa, Rodrigo, mas não me parece que a tua lista esteja correcta. Segundo as minhas informações, José Sá Fernandes já foi convidado para Ministro dos Transportes e das Obras Públicas do PS.

[PPM]

Assuntos verdadeiramente importantes

George W. Bush, através do seu novo conselheiro de Segurança Nacional, Stephen Hadley, enviou uma carta ao presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso. Nela expressa a vontade (e normalmente esta, nos EUA, está associada a meios para tal, ao contrário da vontade europeia) de reforçar o elo transatlântico nos principais assuntos internacionais, procurando uma cooperação reforçada para enfrentar as questões mais quentes dos próximos meses: Iraque, Irão e conflito israelo-palestiniano.
Afinal, o perdedor Barroso, nas palavras da esquerda radical portuguesa, até alcançou uma pequena e fundamental vitória.

[Bernardo Pires de Lima]

Composição governamental

Depois de conseguir o equilíbrio entre soaristas, sampaístas e os comensais do Grémio Literário, Sócrates tem já o governo pronto. Por manifesta falta de tempo do novo secretário-geral para se organizar, a lista não integra quaisquer socráticos.

Primeiro-ministro – Eng. José Sócrates
Vice-primeiro-ministro – Guilherme de Oliveira Martins
Ministro de Estado e das Finanças – Joaquim Pina Moura
Ministro da Presidência – Francisco Assis
Ministro da Defesa Nacional – Coronel Marques Júnior
Ministro dos Negócios Estrangeiros – Ana Gomes
Ministro da Administração Interna – Daniel Sanches ou José Pestana
Ministro da Justiça – António Arnaut
Ministro das Cidades – João Soares
Ministro da Agricultura – Capoulas Santos
Ministro do Mar – Narciso Miranda
Ministro da Educação e Cultura – Manuel Maria Carrilho
Ministro da Ciência e tecnologia – Mariano Gago
Ministro da Saúde – Correia de Campos
Ministro dos Assuntos Sociais– Maria de Belém
Ministro do Trabalho – António Dornelas
Ministro da Economia e Turismo – Fausto Correia

Presidente da Assembleia da República – Jaime Gama
Procurador Geral da República - António Vitorino
Serviços de Informação da República – Lencastre Bernardo


Discutem-se ainda os nomes para os lugares de secretários de estado, muito embora ainda não existam certezas. José Sá Fernandes pode ser uma hipótese para a Secretaria de Estado da Justiça e Afonso Candal para a Saúde.

[Rodrigo Moita de Deus]

O Acidental à escuta

O CAA pode ficar ofendido, ou talvez desconfiado, mas eis aqui um poste dele com o qual concordo inteiramente. E também com o João Miranda aqui e, sobretudo, ali.

[PPM]

Retrato da Semana

bombshell

Vit Webb para O Acidental

Pergunta indiscreta

Será que Jorge Sampaio já foi convidado para o jantar de anos de Mário Soares?

[PPM]

O regular funcionamento das instituições democráticas

Ao que parece o Dr. Jorge Sampaio, Presidente da República, não terá informado o Dr. Mota Amaral, Presidente da Assembleia da República, da decisão de dissolver a Assembleia da República, por "puro esquecimento". Esta foi a conclusão que este último retirou depois de um encontro hoje, no Palácio de Belém, entre os dois representantes máximos de duas instituições democráticas de importância vital no sistema político português. Segundo o ainda presidente da AR, teve o PR um comportamento "perfeitamente admissível" ao esquecer-se deste "pequeno" pormenor.
Se ao esquecimento "admissível" de um acrescentarmos a complacência do outro, ficamos na dúvida sobre quais seriam as instituições democráticas que não estariam a funcionar regularmente...
Tudo perfeitamente natural num país onde, citando o Dr. Bosco, "os esquecimentos acontecem"....

[Bernardo Pires de Lima]

O ouro e o bandido

Recordo-me que, faz agora uns anos, durante uma campanha eleitoral, Durão Barroso disse que votar no PS de António Guterres seria o equivalente a entregar o ouro ao bandido. Barroso perdeu essas eleições, e o eleitorado entregou o dito ouro. Agora, com eleições à vista, o bandido prepara-se para regressar.
Mas, desta vez, quem é o responsável pela entrega do tesouro? Uma dica: um está em Bruxelas, preocupado com o país mas prudentemente calado. O outro... o que dizer do outro? Em quatro meses atirou o poder (e o bébé) pela janela fora.

[Vasco Rato]

Porquê?

Parece agora que as substituições operadas por Adelino Salvado na Directoria do Porto da Polícia Judiciária, que levaram à sua demissão, nada tinham que ver com as investigações da Operação Apito Dourado. Pelos vistos, a nomeação de uma nova direcção não terminou com a investigação. Bem pelo contrário: até Pinto da Costa vai ser constituído arguido. Alguém se enganou redondamente quando disse que se tinha decapitado a Polícia Judiciária e hipotecado a investigação criminal.
Quem? Porquê?

[ITP]

Será que a direita existe?

Antes de passar ao que interessa (pelo menos a mim) queria esclarecer o seguinte:

Não sou, nem nunca fui militante do CDS/PP. A minha única ligação ao CDS, como partido, é o facto de ter alguns amigos que são militantes e membros activos dessa organização. Não sou militante, porque, apesar de também ser de direita, não sou democrata-cristão (aliás, não sei bem o que isso é). Mas também porque acredito que um partido de direita tem de defender políticas económicas essencialmente liberais (particularmente na questão das privatizações e desmantelamento de monopólios públicos e privados) e, salvo raríssimas excepções, não vejo ninguém no CDS a defendê-las nem a promovê-las publicamente (aliás, a reforma da legislação laboral pelo ministro Bagão Félix é um bom/mau exemplo de uma política que não é de direita).
Porque penso que um partido de direita tem, no que diz respeito à Educação, de apoiar em primeiro lugar os alunos e, só depois, as escolas. Porque um partido de direita tem de ajudar as pessoas doentes a poderem escolher os Hospitais que achem melhores e não obrigar os cidadãos a ir a Hospitais que o Estado entenda serem melhores para os mesmos cidadãos. Porque os cidadãos devem poder, em parte, optar por esquemas de segurança social privada. Porque a política cultural tem de ser, sobretudo, de preservação e não de promoção. Porque as políticas de imigração têm de se adaptar às novas realidades sociais e culturais das comunidades e não adoptarem um comportamento de avestruz perante a realidade de existirem pessoas que não se querem integrar na nossa comunidade - e, pior que isso, não gostam da nossa maneira de viver.

Como é bom de ver, nunca li uma proposta eleitoral/programática que incluísse estas questões aparentemente básicas para quem se considera de direita.
Será que chegou a altura de o CDS as assumir de uma forma clara ou estou redondamente enganado acerca da raiz ideológica deste partido? Ou será que não existe direita em Portugal? Ou será que estou enganado e estes pequenos princípios não são de direita?
Será que se pensa que defendendo estes princípios não se ganham eleições?
Se não se ganham... não se ganham, mas para mim não faz sentido ir a votos sem que se diga claramente para onde se vai.
Será que chegou a altura do CDS arriscar nas ideias que penso serem a sua matriz ideológica?

[Pedro Marques Lopes]

P.S: Dizia um ilustre cavalheiro que conheci recentemente (e por quem tenho grande admiração) num jantar de “perigosos direitistas”, que não fazia sentido conquistar o poder se não existisse uma ideia, uma que fosse, para poder tentar pôr em prática. Deixem-me acrescentar que não devemos sequer tentar alcançar o poder se não tivermos ideias para pôr em prática. Quando falamos de política, falamos do bem comum e não propriamente de um jogo cujo objectivo é ganhar.

O insustentável silêncio de um Presidente

Como é que é possível que Jorge Sampaio ainda não tenha explicado ao País as verdadeiras razões porque resolveu dissolver a Assembleia?

[PPM]

Camaradagem no partido que só alguns querem socialista

Por muito que José Sócrates se apresse com as suas Novas Fronteiras, dificilmente conseguirá ver-se livre do lastro socialista no seu partido a tempo das eleições legislativas. Sócrates sabia que precisava de mais dois anos, para purgar o partido, para drená-lo das águas pantanosas.
Quando Jorge Sampaio anunciou a dissolução prematura da Assembleia da República minou definitivamente as Novas Fronteiras, a renovação do partido socialista e até a sua regeneração ideológica.
Para o ex-pessoal do MES, é mais fácil controlar o engenheiro Sócrates agora que daqui a dois anos. Vai ter de contar com eles em campanha e no executivo. Sócrates arrisca-se a governar em coligação com um outro “partido”, radical, socializante e reaccionário. O semblante carregado que apresentou aos portugueses na passada terça-feira era disso bom exemplo.

[Rodrigo Moita de Deus]

PS: Para não se pensar que tudo isto é um delírio de direita, recomenda-se a leitura atenta dos textos do Paulo Gorjão.

N' O Acidental há fanáticos, sim senhor



Eu, por exemplo.

[FMS]

Correio dos leitores

Exmo Sr Dr. Paulo Pinto Mascarenhas,

Já em anteriores ocasiões tive oportunidade de o cumprimentar pelo seu local de discussão. Hoje, contudo, não posso deixar de lamentar com tristeza o conteúdo de uma nota assinada por V. Exc. relacionada com o sr. Jorge Pinto da Costa. Cumpre-me informá-lo de que não lerei mais o “Acidental”, optando por locais onde não haja fanáticos, como o “Abrupto”, o “Barnabé” e o “gay-life”.

Saudações e até outro dia
,
António Leonardo - Cascais

NR: Caro António Leonardo, aceito a sua crítica construtiva, mas pense duas vezes antes de nos abandonar. Afinal, a nota a que se refere era a reprodução do que tinha acabado de ser noticiado em vários meios de comunicação social, incluindo a TSF e a SIC. Como poderá ler em todos os jornais de hoje, confirma-se a forte possibilidade de Pinto da Costa ser constituído arguido. Lembro-lhe ainda que, entre os colaboradores acidentais, se contam alguns adeptos do FCP. Aproveito ainda esta oportunidade para uma rectificação: o árbitro Paulo Paraty não fazia afinal parte dos detidos de ontem. As minhas desculpas pelo erro. [PPM]

Quinta-feira, Dezembro 02, 2004



Quero o meu lugar de volta
Tanta gente que me deu a volta
Não foi para isto que eu vim cá
Quero o meu lugar de volta
Não é tarde, nem é cedo
Quero o meu lugar já

(cantado ao som de "quero o meu dinheiro de volta", de Jorge Palma)
[DBH]

"Novas Fronteiras"

Fátima Felgueiras anunciou o seu regresso ao país para Março…vem mesmo a tempo de ser ministra.

[Rodrigo Moita de Deus]

Convite



A comissão organizadora do jantar dos 80 anos de Mário Soares, tem a honra de convidar Vexa. a estar presente nesta iniciativa, no dia 7 de Dezembro às 21:00 na antiga FIL.

Preço pax: 55 euros
Traje obrigatório: Avental

RSFF

[Rodrigo Moita de Deus]

O Porto é uma nação

Segundo a TSF, Pinto da Costa está a ser agora interrogado pela Polícia Judiciária na Torre das Antas. O árbitro Paulo Paraty já foi detido.

[PPM]

Já diziam os romanos

"Há, nos confins da Ibéria, um povo que não
se governa nem se deixa governar".
Gaius Iulius Caeser

[Inês Teotónio Pereira]

O óbvio ululante (II)

O Governo não caiu por causa da oposição, consensualmente considerada fraca, inconsistente e/ou irresponsável. Não caiu por causa de José Sócrates, Jerónimo de Sousa, nem muito menos por causa de Francisco Louçã.

[PPM]

Os brincalhões

Vi agora que os advogados do caso Casa Pia não gostam da sala do Monsanto e portanto pediram o adiamento do julgamento. Na sala do Monsanto foi julgado o caso moderna, FP´25 de Abril e outros milhares de processos. A sala sempre foi má, mas sempre teve que servir. Os advogados do caso Casa Pia são mais chiques que os outros? Ou estão à espera de um novo governo que disponibilize o tribunal de Santa Clara?

[Rodrigo Moita de Deus]

PS: E pronto. Tinha que ser. Este blog finalmente falou sobre a Casa Pia.

O óbvio ululante

A alternativa à actual maioria pode ser facilmente encontrada na actual maioria.

[PPM]

O último dos argumentos

Na dialéctica ideológica, quando todas as razões são refutadas, quando todos os argumentos são rebatidos, quando parece não haver mais nada a dizer, sobra sempre o argumento estético, prova última da superioridade da direita sobre a esquerda.

Ninguém de bom senso pode querer comparar o deleite arquitectural de imponentes palácios e verdejantes jardins com os barracões socializantes dos subúrbios de Lisboa. O melodioso acerto dos compositores clássicos, com as palavras cantadas por hordas de jovens delinquentes de bonés postos ao contrário. O neoclassismo com a iconografia soviética. A arte sacra com o surrealismo.

Acima de tudo, o argumento estético aplica-se ao sexo contrário.
Que ser assexuado ousa comparar Odete Santos com Cinha Jardim? Que louco trocaria uma Graça Proença de Carvalho por uma Ana Gomes? Até Zita Seabra está mais bonita desde que se converteu à social-democracia.

É uma verdade tanto mais insofismável quanto mais à esquerda se colocarem. Será necessário lembrar as meninas que pululam pelo Bairro Alto em chanatas e casacos de lã, cantando Zeca Afonso e lutando pela liberalização das drogas leves? Meninas de pontas espigadas, porque perder tempo à frente do espelho é uma forma de capitulação às regras de uma sociedade burguesa. Meninas com aversão ao banho diário e à depilação, porque recusam os padrões de beleza impostos por uma imprensa dominada por quem promove a perfeição do corpo feminino.

É certo que alguma esquerda pode sempre argumentar com a Ana Drago e a Joana Amaral Dias, mas o que será delas daqui a vinte anos? Quando por teimosia ideológica recusarem a cirugia e os químicos produzidos por grandes multinacionais globalizantes que exploram as fraquezas do ser humano e a classe proletária?

Eis tese sem antítese. Ser de direita, continua a ser uma questão de bom gosto. (dedicado ao Jorge Palinhos)

[Rodrigo Moita de Deus]

PS: Disseram-me que o Pereira Coutinho já uma vez tinha escrito sobre a matéria. Em vez de plágio que se considere este texto uma prova de “lealdade orgânica”.

Eles comem tudo

Mário Soares já sonha com o regresso de Maria Barroso à Cruz Vermelha?

Arons de Carvalho vai para o Gabinete de Comunicação do Governo?

Rodrigues dos Santos director-geral da RTP, coordenado por Arons de Carvalho?

Maria de Belém ou Edite Estrela para provedora da Santa Casa da Misericórdia?

Nogueira Leite para a Portugal Telecom, dando ares de independência?

Pina Moura para a Caixa Geral de Depósitos?

Com tantos candidatos a administradores de empresas públicas, haverá candidatos a ministros?

[Rodrigo Moita de Deus]

Navegação à vista III

Goste-se ou não de Pedro Santana Lopes, deste governo ou da maioria que o suportava, era bom analisar o comportamento do Presidente da República com objectividade. O mesmo que empossou Santana Lopes como Primeiro-Ministro considerando assim que estavam reunidas todas as condições para o exercício das suas funções. Quatro meses mais tarde, o Presidente chama o Primeiro-ministro. Antes do Primeiro-Ministro entrar já sabe que vai ser demitido. É o Primeiro-Ministro que anuncia a decisão do Presidente. O Presidente recusa-se a dar explicações sobre a sua própria decisão. O Presidente explica que a decisão é afinal uma intenção. O Presidente argumenta que o orçamento é mau, mas pede para ser aprovado. O Presidente dissolve uma Assembleia por ser inepta mas pede que as principais linhas políticas para 2005 sejam executadas. Afinal é uma dissolução prometida, afinal o orçamento não podia ser assim tão mau.

Conclusão: O Presidente é um homem emotivo. Ofendeu-se com o Primeiro-Ministro e demitiu-o. Obviamente não tinha um plano para evitar uma crise política e económica.

[Rodrigo Moita de Deus]

Navegação à vista II

Afinal parece que as dúvidas quanto à estabilidade económica e financeira do país não são um exclusivo Acidental. O António e o Irreflexões afirmam que o problema do orçamento não o é, porque tem solução. É uma opinião que fundamentaram, muito embora lhes diga que “possível” é quase tudo.
Entre a hipótese de governar com duodécimos e a hipótese de governar com o OE de 2005, o Presidente da República parece ter optado pela segunda.

1. É um momento peregrino na nossa política. O Presidente da República promete que vai dissolver a Assembleia da República e depois espera que a Assembleia da República aprove o documento mais importante de todos. O Presidente da República promete que vai demitir o governo e depois espera que o governo cumpra as linhas principais da sua linha para 2005. Na prática o presidente propõe que a maioria parlamentar aprove o orçamento de estado para algumas horas depois o Presidente dissolver essa mesma maioria com o pretexto de ser incapaz de governar o país.

2. O presidente pede também que o governo de demissão prometida arranje 500 milhões de euros nestas três próximas semanas para cumprir com o défice. Que implemente um orçamento com aumento de pensões e diminuição de impostos, para seis meses depois estas medidas serem, provavelmente, revogadas por novo orçamento rectificativo. E tudo isto sem falar nessa minha certeza intuitiva de que o défice em 2005 só pode ser cumprido com o recurso a medidas extraordinárias.

3. Há precedentes para tudo isto? Lembro agora o exemplo que o Irreflexões citou. Durão Barroso herdou o orçamento do PS. Apressou-se a rectificá-lo, gritou que o país estava de tanga e inverteu toda a política orçamental e económica que o PSD divulgou na campanha. José Sócrates não fará o mesmo? Se isso é “bom” ou “mau” depende exclusivamente da visão que temos sobre o actual momento económico e financeiro;

4. Dizem o António e o Irreflexões que o combate à evasão fiscal depende unicamente dos funcionários das finanças. Era melhor que assim fosse. Mas a verdade é que o sucesso da cobrança fiscal, tal como prevista por Bagão Félix, depende de uma série de medidas – algumas das quais polémicas - e que exigiam regulamentação para o efeito. Assim é o caso do fim do sigilo bancário a criação de uma polícia fiscal ou mesmo a intenção de Bagão Félix em cobrar administrativamente uma taxa a todos os contribuintes que não tenham apresentado a sua declaração. Um governo em gestão dificilmente teria condições ou legitimidade democrática para implementar tais medidas. E por muito boa vontade que se tenha, seria um erro não admitir que infelizmente o sucesso da cobrança fiscal depende em grande parte da capacidade de coação dos governos em funções.

5. Se me perguntarem directamente, direi que não acredito que o défice esteja controlado. Direi que as medidas extraordinárias substituíram o corte das despesas na esperança de uma rápida retoma económica, agora adiada até nova estabilidade política. Mas é essa minha “crença” que dava força ao argumento da não dissolução. A ser verdade que o défice não está controlado, qualquer escorregadela, por muito pequena que seja, será fatal.

6. Nunca acreditei por isso que o Presidente anunciasse a dissolução da Assembleia da República, muito menos nestes moldes. Mas isso não quer dizer que este Acidental pretendesse “salvar o governo”. E de todas as hipóteses que fomos discutindo nesta semana, parecia-me muito mais razoável governar o país com duodécimos do orçamento Ferreira Leite. Pergunto-me se esta decisão não terá sido muito mais emocional que política.

[Rodrigo Moita de Deus]

PS: O “wishfull thinking” ainda não é um factor de análise.

Quarta-feira, Dezembro 01, 2004

Navegação à vista

Jorge Sampaio pediu ao governo e aos deputados demitidos por inépcia que continuem a trabalhar. A decisão de Sampaio em dissolver a Assembleia da República parece-me cada vez mais emocional.

[Rodrigo Moita de Deus]

Obrigadíssimo

Durão Barroso falou hoje. Durão Barroso disse que não podia dizer nada. Nem sequer pediu desculpas.

[Rodrigo Moita de Deus]