Fundado por Paulo Pinto Mascarenhas


Ana Albergaria
Bernardo Pires de Lima
Diogo Belford Henriques
Eduardo Nogueira Pinto
Francisco Mendes da Silva
Henrique Raposo
Inês Teotónio Pereira
Jacinto Bettencourt
João Marques de Almeida João Vacas
José Bourbon Ribeiro
Leonardo Ralha
Luciano Amaral
Luís Goldschmidt
Manuel Castelo-Branco
Manuel Falcão
Nuno Costa Santos
Paulo Pinto Mascarenhas
Pedro Marques Lopes
Rodrigo Moita de Deus
Tiago Geraldo
Vasco Rato
Vitor Cunha


Logótipo Acidental concebido por Vitriolica. Grafismo gerado por Miss Still.


Acidental Long Play


Direita Liberal


O Acidental


Público

TSF

Lusa

Associated PressReuters


A Causa Foi Modificada
Bomba Inteligente
O Espectro
Educação Sentimental
A Vida em Deli
Futuro Presente
Aos 35
Vitriolica Webb's Ite
A Sexta Coluna
Tristes Tópicos
Some Like It Hot
Xanel 5/Miss Pearls
Crónicas Matinais
Rititi
Mood Swing
19 meses depois
Serendipity
A Propósito de Nada
The world as we know it
Minha Rica Casinha
Da Literatura
Tradução Simultânea
Contra a Corrente
O Estado do Sítio
Geraldo Sem Pavor
Acho Eu
A Arte da Fuga
O Sinédrio
Blue Lounge
Portugal Contemporâneo
A cor das avestruzes modernas
Kapa
Snob Blog

E Depois do Adeus
Margens de Erro
Nortadas
Office Lounging
No Quinto dos Impérios
Teorema de Pitágoras
What do you represent
Esplanar
Quase Famosos
Melancómico
Vício de Forma
João Pereira Coutinho I
João Pereira Coutinho II
Retalhos da Vovó Edith
Blogue dos Marretas
Lóbi do Chá
O Insurgente
A Mão Invisível
A Esquina do Rio
Voz do Deserto
Desesperada Esperança
Homem a Dias
Blasfémias
Origem das Espécies
Babugem
Ma-Schamba
Rua da Judiaria
Fuga para a vitória
Mar Salgado
A Ágora
Miniscente
A vida dos meus dias
Elasticidade
Causa Liberal
O Telescópio
Grande Loja do Queijo Limiano
O Intrometido
Carambas
Mau Tempo no Canil
Lobby de Aveiro
Bar do Moe
Adufe
Bloguítica
Tau-tau
Incontinentes Verbais
Causa Nossa
elba everywhere
O Observador
Super Flumina
Glória Fácil
Metablog
Dolo Eventual
Vista Alegre
Aforismos e Afins
A Cooperativa
Semiramis
Diário da República
Galo Verde
Ilhas
french kissin'
Bicho Carpinteiro
Portugal dos Pequeninos
Foguetabraze
A Invenção de Morel
Aspirina B
O Boato
O Vilacondense
O amigo do povo
O Insubmisso

Aviz
Barnabé
Blog de Esquerda
Fora do Mundo
Jaquinzinhos


Powered by Blogger


Google

quinta-feira, setembro 30, 2004

Duas boas notícias

Cannabis é droga principal - afirma o título do "Diário de Notícias". Desculpem lá qualquer coisa, mas esta só pode ser uma óptima notícia. Preocupante seria se as drogas principais fossem a cocaína ou a heroína. Aliás, aproveito para dizer, será talvez a primeira vez - há sempre uma - em que subscrevo inteiramente o que escreve o Daniel Oliveira: "Expliquem a um miúdo que fumou uns charros que no fundo isso é igual a injectar heroína e o que estão a fazer é a abrir-lhe a porta para a tragédia." Nem mais.

[PPM]

Ninguém reparou?

Ontem à noite vi um anúncio da Refer na televisão. Para quem não sabe a Refer é a empresa que faz a gestão da rede ferroviária nacional. Na prática, são os donos dos carris onde andam os comboios.
Era um anúncio engraçado com desenhos de crianças. Bem pensado, bem realizado e bem produzido. Nada a dizer quanto à campanha… à excepção de um pequeno pormenor: que raio tem a Refer de gastar dinheiro a fazer campanhas na televisão?
Vamos recapitular. A Refer é uma empresa com capitais exclusivamente públicos. A Refer é uma empresa deficitária e alimenta-se do orçamento geral do Estado. A Refer não tem contacto directo com o grande público, não lhes vende nada e tem apenas um cliente a CP. Portanto, para que raio anda a gastar dinheiro do erário público a fazer anúncios na televisão?
É preciso lembrar os velhos tempos do Guterrismo quando qualquer instituto, câmara ou empresa pública tinha direito a gastar uns cobres valentes em publicidade para fazerem de conta que faziam qualquer coisa?
Qualquer campanha deste género custa uns milhares de contos. Pode não ser muito quando comparado com o orçamento milionário de algumas destas empresas públicas. Mas é dinheiro. É dinheiro meu e do resto dos contribuintes que vão pagando impostos. Ver um anúncio na televisão que serve apenas a vaidade dos seus administradores é mais do que um insulto à nossa inteligência é uma falta de respeito por quem lhes paga os ordenados.

[Rodrigo Moita de Deus]

O regresso da esquerda moderna



O novo secretário-geral do PS, José Sócrates, vai defender no congresso do partido, que começa sexta-feira, uma mudança "táctica e de estilo" e conta com o regresso de Jorge Coelho e de Jaime Gama à primeira linha de intervenção.
Agência Lusa

[PPM]

quarta-feira, setembro 29, 2004

Separados à nascença?



Enver Hoxha e Pôncio Monteiro

[PPM]

"Programa do Curso de Verão do Bloco de Esquerda" tem direitos de autor

Foi das coisas mais inesperadas que me aconteceu nos últimos tempos: acabei de receber por email de um amigo, como se fosse novidade, o "Programa do Curso de Verão do Bloco de Esquerda". "É uma coisa fantástica que anda por aí a correr na internet. Tens de o publicar no teu blogue" - disse-me ele. Mas este meu amigo não deve ser leitor assíduo do Acidental, porque senão saberia que o tal fabuloso programa tem direitos de autor: foi assinado por Rodrigo Moita de Deus e publicado aqui mesmo, no Acidental, no passado dia 10 de Setembro.

[PPM]

Toda a gente sabe que os pobres são gordos

O mais fascinante nas declarações de Isabel do Carmo foi o facto de a senhora ter conseguido incluir a luta de classes na questão da nutrição. Segundo a nossa bombista condecorada, a obesidade afecta principalmente as classes mais baixas, porque as comidas calóricas são também as mais acessíveis aos pobres. E eu a pensar que o problema era o proletariado se ter rendido aos encantos do McDonalds.

[Rodrigo Moita de Deus]

Dedicado ao Anacleto

Sem pantufas
"Somos homens e mulheres com uma experiência, um trabalho, uma organização, uma história e um programa. Com um projecto: o fim da exploração, a sociedade livre dos produtores associados, essa terra da fraternidade de que fala o Zeca Afonso - o comunismo, a única utopia concreta que existe nesta sociedade decadente, o único projecto possível e realizável. Somos gente com esperança e sem pantufas, que aprende na vida e na experiência o sentido de continuar e recomeçar, que aprende a invenção, a descoberta, o desenvolvimento dessa força gigantesca que se levanta e que é o projecto socialista, o futuro que começa hoje"
Francisco Louçã, jornal "O Combate"

[PPM]

Iniciámos ontem um espaço de memória inteiramente dedicado ao dr. Francisco Anacleto Louçã. Na medida do possível, iremos aqui recordar algumas das melhores frases do Grande Líder do Bloco de Esquerda ao longo dos últimos vinte anos.

É quase a mesma coisa

Vi na televisão a nossa activista Isabel do Carmo falar sobre excesso de obesidade. Pensei que estava lá na qualidade de vítima, mas afinal era a especialista.

[Rodrigo Moita de Deus]

Todos os nomes e mais dois para a troca

Caro Diogo Belford Henriques,

Não é cá por coisas, mas naquele poste lá em baixo foste pouco exigente. Já que descobriste que tenho "nome parecido com empreiteiros brasileiros", sem desprimor para esta nobre profissão, arranjei-te também uma comparação um pouco mais operática do que o simpático nome de caixa de bolachas.
Vê e escolhe.

Nome parecido com açougueiro brasileiro:


AÇOUGUE CENTRAL DE BELFORD ROXO LTDA

Ou com bar-mercearia no Brasil:


BAR E MERCEARIA PRINCEZINHA DO BELFORD LTDA


[PPM]

Um bom exemplo

O Rui Tavares, no melhor estilo do Barnabé, resolveu bater na política de imigração do governo. Segundo ele, o sistema de quotas não serve porque as quotas ficaram por preencher, porque continua a existir imigração ilegal. À primeira vista até parece que a lógica da batata faz sentido. Fiquei com a ideia que a discussão sobre o sistema de quotas fazia-se à volta do número, com a esquerda a protestar por ser insuficiente. No fim de contas, sobraram vagas. Porquê?
Convém não esquecer que, ao mesmo tempo que o sistema de quotas era aplicado, decorria o processo de regularização dos imigrantes que já residiam em Portugal. Convém também não esquecer que não houve deportações durante este período de implementação da nova lei. Assim sendo, o sistema de quotas aplica-se apenas a novas entradas. O facto de a maior parte dos imigrantes preferir a ilegalidade não prova, por si só, a ineficácia do sistema. Mais do que redigir a lei é preciso aplicá-la, mudar mentalidades, mudar dez anos de política de laxismo em matéria de imigração que afecta o Estado e os próprios imigrantes que assim se privam dos seus direitos.
Mas depois daquele texto no Barnabé há imensas dúvidas que me atormentam a cabecinha: Qual é a ideia do Rui Tavares para resolver o problema da imigração? Entrada indiscriminada? Se a entrada for indiscriminada para que serve a legalização de imigrantes? Em bom rigor, será mesmo necessário legalizarem-se? Porque não deixá-los sem acesso à segurança social e à saúde?
Caro Rui, somos todos pela resolução do problema da imigração ilegal. O sistema de quotas, até prova em contrário, é a solução mais justa, quer para os imigrantes, quer para os países receptores. Repito: até prova em contrário. Se alguém tiver uma ideia melhor, serei o primeiro a defendê-la. É que, para ser campeão das causas justas, não basta brincar com os assuntos.

[Rodrigo Moita de Deus]

Brincando com o fogo

Já nem sequer falo em termos de princípios: se não é em governos do PSD e do CDS que pode haver uma aposta na liberalização da sociedade e da economia portuguesas, onde é que poderá ser?
O que me pergunto é se, apenas em termos de estratégia (em termos maquiavélicos, no sentido técnico - e não pejorativo - do termo) Bagão está a ir pelo caminho certo. Ele está alienar a simpatia dos empresários, não baixando o IRC e cortando em benefícios fiscais do mesmo imposto; a alienar a simpatia de uma parte da classe média que fazia algumas contas-poupança; a deixar que as câmaras se endividem em ano de apertos, quando toda a gente sabe que as câmaras são uma das maiores fontes de pressão sobre a despesa pública; isto é, no fundo a roubar o discurso à esquerda e (encapotadamente) a prática, deixando crescer a despesa pública. Ora, será que tudo isto vai garantir a vitória do governo em 2006? Não sei… Talvez sejam demasiadas simpatias alienadas junto de pessoas que não têm grandes pruridos em passar o seu voto para o PS dito moderado de Sócrates. Pessoas que, entre a esquerda mais ou menos genuína e a direita envergonhada, se calhar preferem a primeira.
[Luciano Amaral]

Coisas de vaidades

O Correio da Manhã anunciava hoje que o Vaticano quer substituir o bispo de Leiria/Fátima e o reitor do Santuário por terem recebido o Dalai Lama e um sacerdote Hindu. Três observações muito rápidas:

1. É preciso não conhecer a Igreja para pensar que o Bispo e o Reitor receberiam em Fátima personagens tão ilustres sem a devida autorização (que pode nem ter sido de Lisboa);

2. É preciso não conhecer a Igreja para pensar que o Vaticano faz publicidade das suas “vontades” ou que manda recados através dos jornais (e assim se explica o silêncio do Núncio sobre o assunto);

3. É preciso não conhecer a Igreja para pensar que decisões tão importantes são anunciadas nas páginas do Correio da Manhã;

Um comentador da TSF atribuía a responsabilidade da notícia a um grupo de “ortodoxos americanos, canadianos e alemães”, mas estes “ortodoxos internacionais” não têm contactos nem credibilidade para fazer uma primeira página do Correio da Manhã nem para atribuir a notícia a Roma. Portanto há por aí um senhor importante no interior da hierarquia da Igreja que por uma questão de vaidade ou de ciúme resolveu brincar com trinta anos de doutrina ecuménica. Bonito serviço.

[Rodrigo Moita de Deus]

Há vícios que interessa manter



Começam hoje os Livros no Chiado 2004. Para quem não sabe, esta é uma feira do livro, organizada pela Bertrand junto à Rua Garrett. O evento vai decorrer de 29 de Setembro a 5 de Outubro, todos os dias até à meia-noite. Pelo meio há espectáculos, sessões de autógrafos e animação de rua. Para quem tem problemas com o vício dos livros, eis uma excelente oportunidade para manter a dependência a preços de ocasião.

[Rodrigo Moita de Deus]

terça-feira, setembro 28, 2004

Todos os nomes

Li com algum espanto o poste do RMD com os comentários sobre nós, os "contribuintes" d´O Acidental. Especialmente engraçada é a frase "se o meu nome se parecesse com algum nome de banco ou de champanhe".

Ora, aqui neste blogue há quem tenha nome parecido com empreiteiros brasileiros, como o Paulo:


Com tipos de whiskey, como o Zé:


Com carros antigos, como o Eduardo:


Com acessório de computador, como o Vasco:


Ou com caixa de bolachas, como eu:


Mas Bancos ou champanhe? Se alguém aqui for dono de um Banco ou tiver caixas de champanhe em casa é favor avisar os outros, sim?

[DBH]

Porque não podemos esquecer


[James Hill, New York Times]

Desenhos de alunos de uma escola em Beslan, Rússia, situada a apenas alguns quilómetros da escola nº 1, que foi sequestrada por terroristas no início deste mês, provocando 300 mortos, metade deles crianças.

[PPM]

Dedicado ao Anacleto

A revolução da cozinheira
"Teimosos, esquerdistas, até de sonhadores nos chamam... E porque não? Um velho revolucionário de profissão dizia que era preciso sonhar, desde que quem sonha tenha os pés bem assentes na terra: e que melhor sonho, perguntava, do que o de querer fazer o poder dos trabalhadores, que possa ser dirigido até por uma simples cozinheira? Esse revolucionário chamava-se Lenine. Nada mais realista do que este sonho do poder dos trabalhadores. E que os nossos deputados de carne e osso vão dar uma ajuda, uma grande ajuda, disso não temos dúvidas."
Francisco Louçã, jornal "O Combate", 11 de Setembro de 1985

Iniciamos hoje um espaço de memória inteiramente dedicado ao dr. Francisco Anacleto Louçã. Na medida do possível, iremos aqui recordar algumas das melhores frases do Grande Líder do Bloco de Esquerda ao longo dos últimos vinte anos.

[PPM]

Lamento desiludir, mas...

Algures na blogosfera apanhei o seguinte comentário ao Acidental: Faz-me acreditar que há muita gente ainda mais alucinada que eu. Basta ler os "contribuintes" para esse blog para entender uma coisa... Nenhum deles teve que trabalhar na vida para ter o que quer que fosse... acho eu... é daquelas coisas... Se o meu nome se parecesse com algum nome de banco ou de champanhe... eu não me importava. Mas de certeza que escondia a minha arrogância (para não dizer coisas piores) de toda a gente.
Por ser igual a muitos outros não lhe devia ter dado qualquer importância, mas exactamente por ser igual a muitos outros talvez mereça o destaque e a importância que lhe estou a dar. O pequeno excerto aqui transcrito é a prova de que o debate ideológico está viciado por estes pequenos equívocos e preconceitos. É neles que colhe muito do seu alimento.
Sei que vou desiludir muitos leitores e outros crentes da luta de classes mas aproveito o momento para alguns esclarecimentos prévios. Sou de direita e mesmo assim não sou rico. Sou conservador mas não defendo o regresso da escravatura. Sou tradicionalista mas não quero que os pobres morram de fome. Sou católico e nem por isso reclamo o regresso da inquisição. Acredito na propriedade privada e mesmo assim trabalho para ganhar a vida desde os meus catorze anos. Não gosto de nenhuma guerra, odeio a prepotência, abomino a vaidade e até prova em contrário não me considero uma besta completa. Sou arrogante mas não pretendo para mim o exclusivo de uma vida difícil. Ao contrário do que possam pensar, ser de direita não implica a idolatria do capital e o repúdio do valor da liberdade. Ser de direita não implica o apoio à segregação dos palestinianos, a criação de mecanismos estatais de repressão das massas e o castigo das mulheres que cometem o aborto. De resto, ainda sou ingénuo ao ponto de acreditar que ouvir o que os outros nos têm para dizer é um extraordinário exercício intelectual. Deixo por isso uma pequena pergunta: neste segundo milénio, quando a igualdade de oportunidades é um facto, será normal condicionar o debate ideológico com ideias feitas do tempo da revolução francesa?

[Rodrigo Moita de Deus]

Esta não é uma gaffe de Bush

A última sondagem Washington Post-ABC News confirma a vantagem segura de George W. Bush sobre John Kerry. O presidente dos Estados Unidos tem neste momento 51 por cento das intenções de voto, enquanto o candidato democrata se fica pelos 45 pontos percentuais. A vitória de Bush - e o almoço no XL, Rodrigo, não te esqueças do almoço no XL - está no papo.

[PPM]

Espaço de Resposta ao Leitor Vítor

Vítor, meu fiel amigo, talvez não me tenha feito explicar bem, mas eu quis dizer que estou de acordo com a reforma do arrendamento. E disse até mesmo mais: que achava que, se havia algum motivo para um compromisso sério da despesa pública, era aqui que ele se encontrava e mais ou menos nos termos propostos pela nova legislação. O que disse também é que este governo (qualquer governo, na verdade) deveria, ao mesmo tempo que reforma o arrendamento urbano, fazer outras coisas. Não sabemos exactamente quanto pesarão no futuro as responsabilidades agora assumidas. Mas seja lá quanto forem, vão adicionar-se aos quase 50% do PIB em despesa pública mais o que inevitavelmente aí virá. Neste momento, o Estado não pode travar a curto-médio prazo a expansão da despesa pública: graças ao saudoso reformismo guterrista, as actualizações salariais da função pública e as pensões dos funcionários públicos hão-de continuar a crescer no futuro próximo; o celebrado SNS representa 10% do PIB e, inevitavelmente, vai continuar a crescer nos próximos anos; apesar do plafonamento baganiano, a expansão do sistema de segurança social vai continuar. Neste momento, nenhum governo pode fazer nada para travar a expansão destes itens de despesa. Mas, justamente porque não se pode fazer nada, isso mostra a absoluta urgência em mudar o estado das coisas. Se não se começa a pensar no assunto, arriscamo-nos, daqui a dez anos, a encontrarmo-nos todos n’O Acidental para discutir os perigos da despesa pública atingir 70% do PIB, não se podendo fazer nada para alterar a situação, com Portugal a atingir um PIB per capita inferior ao da Bulgária. Os itens de despesa ligados à nova legislação do arrendamento urbano vão juntar-se aos já existentes. E isso não vai certamente ajudar a resolver o problema. Este é o momento para qualquer governo com intenções reformistas começar a pensar numa maneira de (num futuro um pouco mais distante, mas não muito) sairmos do colete-de-forças. Ninguém tem uma solução mágica para isso. Por enquanto, o que é preciso é parar, olhar para o estado dos serviços públicos e estudar muito, para encontrar soluções que nunca hão-de ser fáceis mas devem ser adoptadas. Só que o primeiro passo para isso é termos perfeita consciência de que este é o grande problema da nossa economia e da nossa sociedade. Apenas quando isso acontecer poderão começar a aparecer as soluções. A reforma do arrendamento urbano? Está bem. Está mesmo muito bem. Mas um verdadeiro governo reformista teria que (ao mesmo tempo que aumenta a despesa onde deve) marcar a agenda para a liberalização da economia que desejamos (ou, pelo menos eu, desejo), não se limitando a adicionar mais um programa de gastos para o espaço de uma década, quando a dita despesa já tem a dimensão que todos conhecemos.
[Luciano Amaral]

Espaço do Leitor Vítor

Do leitor e ex-colaborador d’O Acidental Vítor Cunha, recebo a seguinte mensagem:
Permite-me (...) que discorde do post sobre a reforma do arrendamento. Não concebo como é que se pode liberalizar rendas e passar automaticamente de valores de € 0,45/mês, como as há, para valores próximos dos de mercado. Também não encontro quem possa intervir nesse processo, descontando o Estado. O Estado criou um problema, com os congelamentos, e agora vamos ter que resolvê-lo. Pagando. Não há alternativa. Contudo, sei que o preço não vai ser assim tão elevado. Cerca de 55 milhões de euros no primeiro ano; entre o terceiro e o sétimo ano bastante mais; mas, ao fim de 9 anos, o aumento de receitas será enorme e a despesa com subsídios de renda insignificante. Ou seja, o Estado tem que intervir para poder sair.Estima-se que o preço médio dos contratos celebrados agora possa diminuir 40 por cento nos próximos 10 anos; e que o IRC e IVA resultante do incremento das obras de recuperação pague boa parte do investimento público em subsídios (e só haverá subsídios se houver obras de qualificação). Enfim, o mundo não é perfeito, mas esta reforma é fundamental. Podes dizer que ninguém garante que venha a resultar totalmente. Pois não. Mas as coisas, como estavam, também não podiam ficar. E, assim, pelo menos, sabemos que ficarão um pouco melhores. Antes mesmo de resolver os outros problemas que enumeras na peça. De outra forma, nunca sairemos do círculo vicioso.
[Luciano Amaral]

segunda-feira, setembro 27, 2004

A nova forma de fazer política da esquerda moderna pós-socrática

Sobre o facto de muitos dos deputados capazes de aceder à liderença também terem estado com Alegre, um socialista que apoiou Sócrates não esconde a ironia: «Eram notáveis só em termos mediáticos, porque em termos partidários não se elegeram nem se fizeram eleger.» No mesmo registo, outro «socrático» desvaloriza o papel de vários apoiantes de Alegre no trabalho parlamentar, designadamente aqueles que designa de «bonzos da última fila que já não faziam grande coisa e agora têm mais uma desculpa para nada fazer.»
Diário de Notícias de hoje

[PPM]

It's time to make a change

Um erro de ortografia terá estado na origem da proibição do cantor britânico Cat Stevens, também conhecido por Yusuf Islam, entrar nos Estados Unidos, revela a revista Time.
De acordo com fontes alfandegárias citadas pela publicação, a lista de pessoas que estão impedidas de entrar nos Estados Unidos integrava o nome de Youssouf Islam e não Yusuf Islam, o nome que Cat Stevens adoptou quando se converteu ao islamismo.
Por causa desta confusão de nomes, Cat Stevens foi barrado na semana passada por "questões de segurança" pelas autoridades norte- americanas quando seguia de Londres para Washington
.
Agência Lusa

[PPM]

Recebido por email

36 Things You should know about Israel, the 100th smallest country, with less than 1/1000th of the world's population, can lay claim to the following:

1. The cell phone was developed in Israel by Israelis working in the
Israeli branch of Motorola, which has its largest development center in Israel.

2. Most of the Windows NT and XP operating systems were developed by Microsoft-Israel.

3. The Pentium MMX Chip technology was designed in Israel at Intel.

4. Both the Pentium-4 microprocessor and the Centrino processor were entirely designed, developed and produced in Israel. In fact, the Pentium microprocessor in your computer was most likely made in Israel.

6. Voice mail technology was developed in Israel.

7. Both Microsoft and Cisco built their only R&D facilities outside
the US in Israel.

8. The technology for the AOL Instant Messenger ICQ was developed in
1996 by four young Israelis.

9. Israel has the fourth largest air force in the world (after the U.S., Russia and China). In addition to a large variety of other aircraft, Israel's air force has an arsenal of over 250 F-16's. This is the largest fleet of F-16 aircraft outside of the US.

10. Israel has the highest percentage in the world of home computers per capita.

11. Israel has the highest ratio of university degrees to the population in the world.

12. Israel produces more scientific papers per capita than any other nation by a large margin - 109 per 10,000 people -- as well as one of the highest per capita rates of patents filed.

13. In proportion to its population, Israel has the largest number of startup companies in the world. In absolute terms, Israel has the largest number of startup companies than any other country in the world, except the US (3,500 companies, mostly in hi-tech).

14. With more than 3,000 high-tech companies and startups, Israel has the highest concentration of hi-tech companies in the world -- apart from the Silicon Valley, US.

15. Israel is ranked #2 in the world for venture capital funds right behind the US.

16. Outside the United States and Canada, Israel has the largest number of NASDAQ listed companies.

17. Israel has the highest average living standards in the Middle East. The per capita income in 2000 was over $17,500, exceeding that of the UK.

18. On a per capita basis, Israel has the largest number of biotech startups.

19. Twenty-four per cent of Israel's workforce holds university degrees -- ranking third in the industrialized world, after the United States and Holland - and 12 per cent hold advanced degrees.

20. Israel is the only liberal democracy in the Middle East.

21. In 1984 and 1991, Israel airlifted a total of 22,000 Ethiopian Jews at risk in Ethiopia, to safety in Israel.

22. When Golda Meir was elected Prime Minister of Israel in 1969, she became the world's second elected female leader in modern times.

23. When the U. S. Embassy in Nairobi, Kenya was bombed in 1998, Israeli rescue teams were on the scene within a day -- and saved three victims from the rubble.

24. Israel has the third highest rate of entrepreneurship -- and the highest rate among women and among people over 55 in the world.

25. Relative to its population, Israel is the largest immigrant-absorbing nation on earth. Immigrants come in search of democracy, religious freedom, and economic opportunity.

26. Israel was the first nation in the world to adopt the Kimberly process, an international standard that certifies diamonds as "conflict free."

27. Israel has the world's second highest per capita of new books.

28. Israel is the only country in the world that entered the 21st century with a net gain in its number of trees, made more remarkable because this was achieved in an area considered mainly desert.

29. Israel has more museums per capita than any other country.

30. Medicine... Israeli scientists developed the first fully computerized, no-radiation, diagnostic instrumentation for breast cancer.

31. An Israeli company developed a computerized system for ensuring proper administration of medications, thus removing human error from medical treatment. Every year in U. S. hospitals 7,000 patients die from treatment mistakes.

32. Israel's Given Imaging developed the first ingestible video camera, so small it fits inside a pill. Used to view the small intestine from the inside, the camera helps doctors diagnose cancer and digestive disorders.

33. Researchers in Israel developed a new device that directly helps the heart pump blood, an innovation with the potential to save lives among those with heart failure. The new device is synchronized with the heart's mechanical operations through a sophisticated system of sensors.

34. Israel leads the world in the number of scientists and technicians in the workforce, with 145 per 10,000, as opposed to 85 in the U.S., over 70 in Japan, and less than 60 in Germany. With over 25% of its work force employed in technical professions. Israel places first in this category as well.

35. A new acne treatment developed in Israel, the ClearLight device, produces a high-intensity, ultraviolet-light-free, narrow-band blue light that causes acne bacteria to self-destruct -- all without damaging surroundings skin or tissue.

36. An Israeli company was the first to develop and install a large-scale solar-powered and fully functional electricity generating plant, in southern California's Mojave Desert.

... All the above while engaged in regular wars with an implacable enemy that seeks its destruction, and an economy continuously under strain by having to spend more per capita on its own protection than any other country on earth.

O socialismo morreu. Viva o socialismo!

Com a eleição de José Sócrates os militantes do PS optam por uma viragem que o próprio Guterres já tinha ensaiado mas agora é oficializada. Do socialismo puro herdado da velha Europa, passam à social-democracia do género nórdico. As consequências deste movimento são enormes. O PSD de Santana está muito mais à direita que o PSD de Fernando Nogueira, Marcelo Rebelo de Sousa ou Durão Barroso e, neste momento, não tem condições para disputar o eleitorado de centro. Sobra ainda a questão pessoal. Sócrates não é Ferro Rodrigues. Tem o sorriso de Guterres e a imaginação de Louçã e por isso adivinham-se tempos difíceis para a coligação. Agora sim, vamos começar a fazer política.

[Rodrigo Moita de Deus]

As nossas caricaturas

A resposta do meu camarada acidental Luciano inspira-me alguns comentários sobre a apreciação política ao candidato Democrata. Existe a tendência para retratar John Kerry como uma espécie de fala-barato incoerente, demagogo, despesista, roçando perigosamente o radicalismo de esquerda. Quase, quase, como uma espécie de Francisco Louçã lá do sítio. A descrição vai servindo para as nossas pequenas polémicas, mas é importante não a levar muito a sério. Kerry é filho de um alto funcionário da Administração Eisenhower, católico da costa leste, aluno de Yale. Casado com uma rica herdeira. Ele próprio da classe média-alta. É senador desde 1984 e membro da Comissão dos Negócios Estrangeiros. Com um perfil destes, em Portugal, poderia ser dirigente do CDS.
John Kerry é um político de carreira e, nos Estados Unidos, um político para fazer carreira precisa de se comprometer com o sistema. É quase uma questão de sobrevivência. Por isso mesmo, o conservadorismo é transversal, com pequenas nuances, às presidências democratas e republicanas. Por isso mesmo, não existe esquerda nos Estados Unidos e, por isso mesmo, é tão engraçado ler as juras de amor dos nossos barnabés a John Kerry.
O próprio sistema eleitoral – com a sua rotatividade – impede mudanças bruscas de política. A divisão partidária do Congresso e do Senado garante um eficaz controlo das políticas do executivo, especialmente a orçamental, completando assim um cenário de equilíbrio absoluto de um sistema que, acima de tudo, se preserva a si próprio.
Na prática são demasiado ténues as diferenças entre candidatos presidenciais. Aliás, é na procura dessas diferenças que Kerry tropeça em contradições. Acima de tudo, a diferença está no estilo, mas o estilo ainda não é argumento eleitoral. O melhor exemplo disto é sua posição sobre a Guerra no Iraque. Estou a generalizar, é verdade. Existem diferenças importantes sobre o ambiente, sobre a defesa, e mesmo sobre a economia. Mas os grandes eixos estratégicos da política americana permanecem imutáveis há quase um século. Esse é um dos segredos da sua superioridade. Tudo o resto são pormenores.
Vai daí, proponho um acordo de cavalheiros: deixemo-nos de caricaturas e passemos ao que é importante.

[Rodrigo Moita de Deus]

Mais uma grande vitória das forças mais revanchistas e reaccionárias da direita (desta vez, no PS)



[PPM]

Louvor e reserva

Se há aspecto da política do governo de Santana Lopes que merece louvor imediato é a tentativa de resolver o problema do arrendamento urbano (eu sei que a concepção da lei é anterior, mas está por saber se o governo de Durão Barroso teria vontade de a aplicar). Como alguém disse um dia, não há nada mais parecido com o lançamento de uma bomba de neutrões sobre uma cidade do que uma legislação de congelamento das rendas. Não tenho qualificação suficiente para avaliar a qualidade técnica da lei em todos os seus aspectos, mas também me parece que certos elementos dela devem ser elogiados independentemente dessa avaliação técnica. É o caso, desde logo, da tentativa de poupar os mais idosos e os mais pobres (sobretudo os que acumulam as duas condições) a um choque brusco de preços. Ocorre apenas que essa tentativa (graças aos subsídios e às bonificações ao crédito que vão ser introduzidos) vai implicar mais um crescimento da despesa pública. Crescimento que não vai ocorrer agora, mas ao longo de uma década ou mais. Convém dizer o seguinte: se há motivo justo para o Estado se responsabilizar com fundos seus, este é certamente um deles. O estado das nossas cidades é (precisamente) muitas vezes semelhante ao de cidades bombardeadas. Trata-se de reconstruir onde durante décadas se deixou degradar. Não há outra solução senão responsabilizar o Estado por uma situação que foi em larga medida por si criada. Mas um governo reformista (como pretende ser este) não deveria criar mais um programa implicando aumento da despesa pública sem primeiro a cortar noutros sítios. Já o disse muitas vezes e repito-o de novo: parece-me que o grande problema que a nossa economia (e a nossa sociedade) enfrenta é o da dimensão das despesas públicas e seu descontrolo. Os novos gastos vão pesar muito ou pouco, objectivamente falando, nos orçamentos futuros? Não sei. Mas para um Estado que já representa cerca de metade da economia, representarão sempre muito. Antes deste novo compromisso, o governo deveria concentrar todos os esforços e criatividade em encontrar forma de rever o funcionamento do sistema de saúde, do sistema escolar e da administração pública. Como não está a fazer nada disso, vai criar mais um item de despesa, a juntar a todos os outros que já existem. Este é um bom motivo para um compromisso do Estado, mas era essencial previamente (ou concomitantemente) que ele se retirasse de onde não há bons motivos para que se mantenha.
[Luciano Amaral]

sexta-feira, setembro 24, 2004

A caixinha do Manuel

A propósito deste poste, o Manuel da sempre interessante Grande Loja do Queijo Limiano pergunta-me: "se não fosse uma alta dirigente do PP, ex-ministra, pese o tal curriculum, alguma vez Celeste Cardona ascenderia à administração da CGD?"
Eu respondo com cinco perguntas: será que o facto de ser um alto dirigente do CDS-PP, por si só, inibe alguém de ascender à administração da CGD ou a qualquer outro cargo numa instituição pública? Sem hipocrisias, será que os cargos nas empresas públicas devem estar reservados a dirigentes do chamado Bloco Central? Porque razão as diversas oposições só fazem alarido com o nome de Maria Celeste Cardona, que tem no seu curriculum também passagens pelo Banco Totta e como consultora do Grupo Champalimaud, quando ela é afinal apenas uma (1) administradora entre onze (11) nomeados? Porque razão ninguém falou sequer de Maldonado Gonelha? Será que o Manuel está a defender que ser do CDS é um estigma inultrapassável?
Dito isto, concordo que a militância partidária não deve ser critério de nomeação, mas que também não deve ser entendido como um anátema lançado sobre quem um dia resolveu seguir a carreira política.

[PPM]

Antes do Pôr-do-Sol

Começa hoje o IndieLisboa 2004. A primeira projecção é Before Sunset, de Richard Linklater. É uma sequela de Before Sunrise, do mesmo realizador. Alguém se lembra? Ethan Hawke (o jovem americano), Julie Delpy (a jovem francesa, tão linda…) têm 20 anos e encontram-se em Viena. Só têm um dia e passam-no a conversar, passeando pela cidade, sentando-se neste ou naquele café. No fim separam-se. Aquele que poderia transformar-se num entendimento sentimental duradouro é bruscamente interrompido. O final é um pouco triste. Quantos de nós não tivemos já a sensação de que era com aquela pessoa, com quem passámos um dia ou duas semanas, que a nossa vida poderia fazer sentido, mas que não dá – afinal, ela é casada ou vive nos antípodas. Pensei eu na altura que Ethan e Julie nunca mais voltariam a encontrar-se. Afinal não. Passaram dez anos, eles têm 30 anos e reencontram-se em Paris. O que acontecerá?
[Luciano Amaral]

…depois, as más

A mesma Comissão Europeia, neste momento liderada pelo famoso neo-liberal José Manuel Barroso, prepara-se para relaxar as regras do pacto de estabilidade e crescimento. Afinal, os tais 3% do PIB são para ser flexibilizados. Aceitam-se longos períodos de défice, não só por causa de abrandamentos momentâneos da actividade económica, mas também por causa de períodos mais dilatados de crescimento lento. Não se vão impor multas aos não-cumpridores. Este é o mesmo Presidente da Comissão que foi primeiro-ministro de um governo obcecado com o défice a 3% do PIB. Este é o presidente neo-liberal da comissão. Independentemente de possíveis defeitos técnicos de concepção, o PEC original (com a sua regra dos 3% do défice e 60% da dívida) representava uma tentativa para levar os governos a não descontrolarem as suas contas públicas. Hoje, mais do que nunca, a UE precisa de uma regra qualquer desse tipo. O responsável pela expansão aparentemente incontrolável das despesas públicas, dos défices e das dívidas é o velho modelo do welfare state. Alguns elementos desse modelo são já irreformáveis e muitos aproximam-se do colapso. Isto ao mesmo tempo que os governos europeus não mostram a mais pequena capacidade para enfrentar os interesses instalados que continuam a alimentar o absurdo. Talvez o primeiro PEC não fosse famoso, mas dava um sinal claro aos governos europeus. A nova versão também não é, e o que é pior, dá o sinal contrário. Como diria Marx, “Gastai! Gastai! É a lei e os profetas!”. A que apenas acrescentaria: só quero morrer antes de me cair a casa em cima.
[Luciano Amaral]

Primeiro, as boas notícias…

Depois de o primeiro-ministro da Turquia, Racip Tayyip Erdogan, ter garantido à Comissão Europeia que o próximo código penal turco não vai incluir disposições no sentido de criminalizar o adultério, a Comissão parece (repito, parece) ter aberto definitivamente as portas ao início de negociações para a adesão da Turquia à UE. A adesão da Turquia representaria uma grande vitória civilizacional. Uma organização política essencialmente (essencialmente…) assente em princípios liberais passaria a integrar no seu seio um país que, historicamente, tem feito um esforço brutal (muitas vezes muito brutal, mesmo) para adquirir padrões políticos, sociais e económicos de tipo ocidental. Ao integrar um grande país muçulmano, a UE mostraria ainda quão errados estão os que atribuem ao Ocidente a vontade de se relacionar com o Islão a partir da ideia de choque civilizacional. A entrada da Turquia diluiria ainda o trágico poder do directório franco-germânico-italo-beneluxiano que tanto tem querido transformar a UE no que ela não deve ser (um super-Estado federal) e permitiria que ela continuasse a ser o arranjo flexível e criativo que tem sido até agora. E, claro, há a comidinha: sis kebab, doner kebab, borek e Pilav… (v. mais aqui)
[Luciano Amaral]

A cisão das ideias

Acompanhei com atenção o processo eleitoral no interior do Partido Socialista. Durante os debates ouvimos um pouco de tudo: João Soares reclamou a nacionalização da GALP, Manuel Alegre reafirmou a exigência de revisão do Código Laboral e José Sócrates defendeu novos referendos. As diferenças não são apenas de estilo, cada uma destas propostas são sinais de divergências de fundo.
Mais do que tácticas, modelos de liderança ou estratégias eleitorais, discutiu-se uma ideia para o país. O debate foi rico. Talvez em demasia para o próprio Partido Socialista. Quem ouviu com atenção reparou que Alegre, Sócrates e Soares falavam de políticas diferentes, doutrinas diferentes e ideologias diferentes. Alegre, Soares e Sócrates incompatibilizaram-se política e ideologicamente. No fundo acabaram por formalizar a maior ruptura interna do socialismo português no pós 25 de Abril.
Vença quem vencer, o PS não voltará a ser o mesmo. Com rupturas de tal forma profundas todos os cenários são teoricamente possíveis e, em última instância, está criado o espaço para uma cisão. Antes da futurologia, temos direito a um privilégio exclusivo, depois de trinta anos de democracia: veremos finalmente qual é o verdadeiro Partido Socialista.

[Rodrigo Moita de Deus]

Brincar com coisas sérias

A questão não parece nem polémica, nem sequer importante. É mesmo o tipo de notícia que só interessa a uns poucos. A semana passada o Secretário Regional da Cultura da Madeira reclamou a “devolução” dos documentos sobre a ilha que se encontram no Arquivo Nacional Torre do Tombo para que fossem depositados num novíssimo edifício construído para o efeito. À vista desarmada até parece um assunto de cortesia para com a região autónoma ou pelo menos aberto a debate. No entanto, vale a pena dissecar a matéria.
Pode o Dr. Alberto João Jardim reclamar a “facilidade de acesso” dos madeirenses aos seus próprios documentos históricos? Pode. Tal como um transmontano, um algarvio ou mesmo açoriano. Mas na era das novas tecnologias a questão já nem se devia colocar. Mais. O custo reclamado da “Torre do Tombo madeirense” (onze milhões de euros do Orçamento Geral do Estado) serviria para financiar o programa de digitalização de praticamente todos os documentos do Arquivo Nacional, tornando-os assim acessíveis a “todos” os cidadãos da república portuguesa.
Pode o Dr. Alberto João Jardim reclamar a propriedade destes arquivos? Para responder a esta pergunta é bom lembrar que a maior parte destes documentos são “sobre a Madeira” e não “da Madeira”. Chancelarias do reino, autorizações, registos emitidos no continente sobre a ilha da Madeira. Os documentos pertencem ao Estado, pelo menos enquanto acreditarmos que o Estado não começa e não acaba naquela região autónoma, temos de acreditar.
Postas estas apreciações falta ainda aplicar uma regra geral da política de bom senso: o precedente. Imaginemos pois que o Governo concedia a esta intenção. Certamente que pouco tempo depois o Governo Regional dos Açores reclamaria para si os “seus” próprios documentos. Certamente que mais tarde surgiria o candidato de um partido qualquer a uma câmara qualquer a invocar a enorme tradição de autonomia do seu concelho para reclamar também os “seus” documentos.
Em pouco tempo, e pelo precedente, entregaríamos os arquivos sobre o Porto ao Porto, de Faro a Faro, de Vila Nova da Barca a Vila Nova da Barca. Em pouco tempo na Torre do Tombo ficariam depositados os documentos sobre Lisboa. Pelo menos enquanto não houvesse um presidente da Câmara que se lembrasse de os levar.
A definição de Arquivo Nacional é... ”Nacional”. Não é “Nacional, menos Regiões Autónomas”. Ou: “Nacional menos algumas Regiões autónomas com presidentes barulhentos”. Fosse esta pretensão satisfeita, o que fazer de uma Torre do Tombo que perderia todo o sentido ou legitimidade?
Como disse, o assunto interessa a poucos. Pelo menos no continente. Em tempo de eleições regionais, estas declarações são tudo menos ingénuas. E se o desejo fosse eventualmente concretizado, os documentos seriam recebidos com pompa e circunstância como símbolo do poder do Governo Regional.
Na prática ainda não existem razões para temer o pior. Ainda não foi tomada qualquer decisão sobre o assunto e até pode ser que isto não passe de mais um dos fogos de artifício do Funchal. Mas quem gosta do seu país não pode deixar de se preocupar. Há muito tempo que o Dr. Alberto João Jardim exerce um extraordinário poder de persuasão entre as instituições da República. Há muito tempo que o Dr. Alberto João Jardim começou a brincar com coisas sérias. Talvez fosse tempo de alguém começar a levá-lo a sério.

[Rodrigo Moita de Deus]

quinta-feira, setembro 23, 2004

E Guterres, esse reputado especialista na área da banca?

Compreendo a necessidade da esquerda blogosférica - e não só - de eleger os dirigentes do CDS, sejam eles quais forem, como alvo preferencial a abater. É a velha mas por vezes enganadora teoria do elo mais fraco a funcionar.
Não deixa de ser sintomático que, em onze (11) nomeados para a Caixa Geral de Depósitos, apenas se ataque o nome de Celeste Cardona, pondo em causa as suas qualidades profissionais e, até, a sua honorabilidade pessoal. Admitindo que não avaliam positivamente o seu desempenho como ministra da Justiça, onde foi alvo das mais elaboradas campanhas de difamação de que há memória, o que é que isso tem a ver com a administração de um banco como a CGD?
Mas quem são eles para dizer o que dizem de Celeste Cardona? Saberão por acaso que a ex-ministra da Justiça foi consultora na banca privada? Ou que é membro eleito do Conselho Geral da Associação Fiscal Portuguesa?
Desculpem se parece que estou a repetir-me, mas quem é o Cravinho do PS para vir a público criticar a nomeação de Celeste Cardona?
Ah, já sei, é o dirigente de um partido que teve um líder que se demitiu depois de deixar o país de pântanas e logo aceitou, sem pestanejar, um cargo na mesma Caixa Geral de Depósitos. Sim, estou a falar de António Guterres, esse reputado especialista na área da banca.

[PPM]

Eu prefiro o original



Desculpa lá, Diogo, mas nestas coisas de publicações, como em tudo na vida, eu prefiro o produto original. O Karl Marx é bem mais legível do que o Luís Osório e, pelo menos, tinha ideias originais.

[PPM]

O sol vermelho



O jornal "A Capital" foi renovado, tem agora um novo grafismo, sem aquele sol vermelho no início do título. É pena.

Gosto do novo grafismo (apesar da cor e do "p" que fazem lembrar o logo do BCP, a tocar na margem), mais moderno, que faz sentido num jornal que, parece, aposta em colunistas mais novos, muitos deles com blogues. É, aliás, o diário mais blogosférico das nossas bancas. Gosto de ler os pedidos de desculpas quando erram nas notícias que dão. Gosto de ler Appio Sottomayor, que tem de ser uma referência para os ditos mais novos, que o é para mim, por causa de Lisboa. Gosto das grandes entrevistas, de alguma grande reportagem.

Mas... O sol vermelho.
Todos sabemos o posicionamento político do seu editor, lemos os seus editoriais, vemos as escolhas de manchetes. Lemos, por exemplo, as legendas no índice do jornal, quando afirmam que Bush voltou a defender o indefensável.

Nada disto me incomoda, nem o director nem o diário, serem de esquerda... Mas falta aquele golpe de asa, aquele assumir, aquele sair do armário e escrever objectivamente que são um jornal de esquerda.

Já todos o sabemos, porque não o assumem? Porque não são os primeiros a fazê-lo? Porque não fazer como noutros países e apoiar abertamente as pessoas além das posições? Por medo dos accionistas? Porquê esconder aquele sol vermelho?

[Diogo Belford Henriques]

A strange man

"Neither conscience nor sanity itself suggests that the United States is, should or could be the global gendarme."
Robert S. Mcnamara


Sábado, às 17h00, no IndieLisboa, o filme the Fog of War. As 10 lições de McNamara com mais uma extra.



Como é que se começa uma guerra? Como é que se a acaba? Como é que se impede a destruição nuclear da Terra?

Este filme é um belíssimo princípio mas faz falta um documentário sobre quem começou o que McNamara continuou. Os seis "the best and the brightest", com Acheson e Harriman à cabeça.

[DBH]

PS. Empresta-se o DVD, a quem perder a sessão, contra qualquer outro filme igualmente bom.

O meu herói acidental



Helton da Silva Arruda, guarda-redes do União de Leiria

[PPM]

Mas quem é o malandro do esquerdista moderno que quer tocar nos apoiantes do camarada Manuel Alegre?

"Quem tocar sequer com um dedo num dos meus apoiantes, toca em mim, e arranja um grande sarilho no PS"
Manuel Alegre, SIC/Notícias

[PPM]

O Anacleto já cá mora (salvo seja)

Tens toda a razão, Luciano, faltava dar voz à classe operária e aos seus mais lídimos representantes na blogosfera. É verdade que já tínhamos uma ligação para o Barnabé, mas esqueci-me de assinalar a valorosa entrada em cena d'O Anacleto. A grave lacuna acabou de ser devidamente reparada, em lugar de destaque, à direita do possível.

[PPM]

A Luta Continua

Ó patrão, vamos lá a actualizar a lista de links e pôr lá O Anacleto, neste momento a voz mais interessante à esquerda na blogosfera.
[Luciano Amaral]

Espaço do leitor

Sobre o caso da colocação de professores

"Comentários rápidos:
1 - "(...) a pedir a demissão de uma ministra por causa de um erro num programa de computador " Erros em programas de computador faço eu todos os dias. E em programas bem mais complicados. Mas normalmente não demoro vários meses a extirpar o código dos erros. E não publico resultados sem verificar se estão correctos (nem o meu orientador científico deixaria). E, claro, dos meus programas dependem coisas interessantes e até importantes, mas não o dia-a-dia de dezenas de milhares de professores, suas famílias, alunos e respectivas famílias.

2 - "(...) está em causa a credibilidade do Estado". Se a autoridade do Estado está em causa, não sei. Mas quando um ministério onde trabalham milhares de funcionários, auxiliado por uma empresa especializada, não é capaz de fazer o que um grupo de alunos do técnico (minha escola) fazem num trabalho de 2º ano, com as já conhecidas consequencias, acho que a credibilidade do estado fica em baixo. Não são assim tão rápidos, os comentários... Com este post tirou-me a vontade de ler o seu blog, que eu sabia que era alinhado, mas lia com gosto mesmo assim.

Cumprimentos,
Ricardo Resende"

"Caro PPM

Acerca do seu post "Lembram-se? (II)" parece-me - a mim, que não sou nenhum especialista na matéria - que aquilo de que TAF fala não é do problema do programa de elaboração das listas de colocação de professores, mas sim da capacidade do(s) server(s) do Ministério da Educação terem, em dada altura, sido capazes, ou não, de suportar o tráfego que lhes foi pedido.


PSA"

quarta-feira, setembro 22, 2004

Parabéns a você (eu sei que foi no sábado mas só agora é que me apercebi)

Para a Charlotte, a Bomba mais inteligente do Mundo, muitos parabéns e muitos anos de vida. Já vão muito atrasados, eu sei, peço desculpa, mas são também muito sinceros e vão acompanhados por estes versos que a minha filha mais velha costuma cantar no dia dos anos das pessoas de quem gosta muito (devem ser cantados com a velha música dos "parabéns a você" e podem ser cantados mesmo por quem não acredita em Deus).

Hoje a Carla faz anos
Porque Deus assim quis
Todos nós desejamos
Que ela seja feliz


[PPM]

Lembram-se? (II)

Ainda sobre o estranho caso da lista de professores que não foram colocados, vale a pena ler este texto de um especialista na matéria. Obrigado pela indicação, Tiago Azevedo Fernandes.

[PPM]

Lembram-se?



Pergunta o leitor Sérgio Bastos: "nem uma palavra sobre os professores - aí no Acidental não há pais de família ou têm todos os filhos no privado???"

Respondo por mim e por mim apenas:
É verdade, Sérgio, como pai de família tenho de lhe pedir desculpa pelo meu silêncio. Peço desculpa ainda a todos os possíveis ofendidos com o ultraje que se segue mas as minhas duas filhas mais velhas - de 5 e 3 anos - não foram afectadas pelo problema das listas de professores que ainda não foram colocados porque frequentam uma escola privada - e a minha filha mais nova não tem ainda idade para frequentar qualquer escola.
Obviamente que só isto não justifica o silêncio do Acidental sobre o assunto.
Sobre o meu silêncio, apenas posso explicar que não alinho no clima de histeria que se criou à volta de um problema que é real e que nos deve preocupar a todos, mas que tem sido manifestamente exagerado por razões de puro oportunismo político.
Quando se ouvem as diversas oposições a pedir a demissão de uma ministra por causa de um erro num programa de computador - o Bloco de Esquerda quase pediu a demissão do primeiro-ministro - está quase tudo dito.
Quando se escutam os comentadores a dizer que está em causa a credibilidade do Estado - ou até a autoridade do Estado - está mesmo tudo dito.
Como noutros casos recentes, é triste verificar que as oposições não estão minimamente preocupadas com o destino ou a sorte das vítimas - neste caso, professores, alunos e respectivos pais -, mas apenas com o desgaste que poderão provocar ao Governo e com os dividendos políticos que poderão retirar em proveito próprio.
Por outro lado, não tenho memória curta e ainda me recordo bem de uma célebre paixão pela educação que deu no que deu. Quando eu oiço as acusações indignadas do dr. Guilherme Oliveira Martins, do dr. Santos Silva e do dr. Jorge Coelho, não consigo deixar de me espantar com a despudorada hipocrisia de alguns dos principais responsáveis do PS. Para poupar trabalho aos mais esquecidos, fiz uma pequena pesquisa no Google com a seguinte palavra-chave: "Paixão pela Educação". Foi assim que descobri isto, isto, isto e isto. Já agora, a fotografia da manifestação que ilustra este poste é dos tempos em que o eng. António Guterres era primeiro-ministro. Lembram-se?

[PPM]

terça-feira, setembro 21, 2004

Porque Não é Feliz Bagão

Porque me parece que as medidas de eliminação dos benefícios fiscais às contas-poupança propostas por Bagão Félix não são de louvar?
Principalmente, por serem irrelevantes. De forma secundária, por representarem um grande desperdício de tempo para a obtenção de fins estritamente eleitoralistas. A nossa estrutura fiscal (sobretudo no IRS) tem um problema de injustiça essencial: é uma fiscalidade progressiva que começa a fazer-se sentir a partir de níveis de rendimento muito baixos. Os rendimentos mais baixinhos de todos não são muito penalizados pela fiscalidade, mas logo a partir dos 1.000 a 1.500 euro mensais (duzentos a trezentos contos antigos), a cobrança torna-se extraordinariamente pesada. Rendimentos à volta daquele valor são onerados com uma cobrança que ronda cerca de um terço do seu valor. Ora, duzentos a trezentos contos continua a ser um rendimento muito baixo. E quem recebe quatro a cinco vezes mais do que isto vê uma percentagem idêntica (ou apenas ligeiramente superior) do seu rendimento ir nos impostos. Ou seja, proporcionalmente, sentem menos a fiscalidade os muito pobres e os muito ricos. A razão disto é a consabida ineficácia da administração fiscal em cobrar impostos que não os dos trabalhadores por conta de outrém. Profissionais liberais e empresas evadem com extrema facilidade o pagamento de impostos. Assim, a administração fiscal concentra-se em cobrar onde não é possível fugir.
Bagão invoca razões de justiça social para eliminar os tais benefícios fiscais: diz-nos que quem constitui aqueles instrumentos de poupança são poucos e abastados e diz-nos ainda que a folga pelo aumento da cobrança a quem constitui aqueles instrumentos vai permitir desonerar os escalões mais baixos do IRS. Não só não é verdade que seja pouca gente a constituir as contas-poupança como também não é nos escalões mais baixos do IRS que está a verdadeira injustiça do nosso sistema fiscal. A verdadeira injustiça está nos escalões intermédios. As medidas vão, portanto, permitir ao Estado encaixar uns bons patacos, vão permitir ao governo tentar conquistar uma certa clientela entre as classes de rendimento mais baixas, mas não resolvem nada de estrutural nos problemas quer da despesa, quer da receita públicas. Voltamos, portanto, sempre a caír naquelas que continuam a ser as grandes fontes de injustiça fiscal em Portugal: o enorme volume das despesas e a incapacidade de cobrança efectiva junto de todas as categorias de rendimento. Pudessem ambas ser resolvidas (sim, eu sei...) e logo se poderia mudar a estrutura da nossa fiscalidade.
Com a sua fama de reformista, de ter visão a longo prazo e preocupações sociais, Bagão faz a mais ostensiva política de curto prazo, com vista ao encaixe imediato e aos resultados eleitorais. Estamos mal. Manuela Ferreira Leite errou na sua bem intencionada obsessão com o défice. Bagão Félix apenas faz política de mercearia: talvez eficaz no espaço de dois anos, mas trágica a prazo.
[Luciano Amaral]

O filme que vai ser ignorado

Saíu finalmente o filme que deveria ter saído ao mesmo tempo que Fahrenheit 9/11, não o tendo feito por falta de fundos do realizador para o completar em tempo útil. Trata-se de Michael Moore Hates America, de Michael Wilson. Não sei porquê, suspeito que vai passar por aí despercebido, talvez nem sequer merecendo distribuição comercial em Portugal. Desconheço o conteúdo exacto do filme e o pouco que conheço está aqui neste artigo. Daquilo que conheço sei apenas que Wilson tentou fazer a Moore aquilo que Moore costuma fazer aos empresários que escolhe como alvos: entrevistá-los de surpresa ou com perguntas desagradáveis. Não conseguiu: Moore usou as mesmas exactas técnicas que (surprise! surprise!) os seus objectos de ataque usam e recusou. Sei também que Wilson entrevista um soldado americano que perdeu os dois braços no Iraque e que aparece em Fahrenheit 9/11 sem ser entrevistado. Wilson entrevista-o e ele mostra não só orgulho no seu serviço, como um grande desprezo por Moore, ao ter usado oportunisticamente a sua imagem.
[Luciano Amaral]

O que é que o Manel Alegre tem que é diferente dos outros?

Ontem, festa bonita na SPA - enfim, é uma instituição dedicada à defesa da propriedade (intelectual, neste caso), mas o tempo da propriedade colectiva também já passou. Tantas vozes de Abril no apoio ao resistente, ao lutador, ao eterno mantenedor dos valores do 25 de Abril, Manuel Alegre. É importante esta manifestação, logo agora que (como o nota esse outro campeão - capitão? - de Abril, José Pacheco Pereira) novas ameaças fascistas persistem em perfilar-se no horizonte. Entoou-se a "Trova do Vento que Passa", tocou-se a banda sonora de "Capitães de Abril", leu-se poema de Alegre, segundo o qual "não é possível suportar tanta mentira/ tanta gente de esquerda a viver à direita", o maestro Victorino d'Almeida garantiu que Alegre era, igualmente, um "Capitão de Abril" (com H grande).
Inspirado pelo momento, também eu compus umas rimazitas de pé-quebrado (coisa despretensiosa) dedicadas ao Cidadão, ao Militante, ao Capitão (tudo com H grande) Alegre. Apesar da SPA, não cobro direitos. A campanha pode usá-las alegremente:

Foram perfídias, foram cabalas
Eles não sabem nem sonham
O que, cruel, engendra a direita
São perfídias, são cabalas
D’Alcântara a Cedofeita

Não é possível suportar tanta mentira
Por isso temos o nosso candidato
São perfídias, são cabalas
Que de polé vão ter o trato

O sonho é uma constante da vida
Tanta pomba assassinada
São perfídias, são cabalas
Corridas de uma assentada

Trovas, leva-as o vento
O nosso candidato permanece
Perfídias? Cabalas?
A vontade a ele não fenece

Venham mais cinco
Venham mais dez
Perfídias e cabalas
Não ponham cá mais os pés

Eles comem tudo
Querem comer até a fala
São perfídias, são cabalas
Ahh! Mas a mim ninguém me cala!!
[Luciano Amaral]

Muito obrigado aos 100.000



Só agora reparei que O Acidental ultrapassou já as 100 mil visitas desde que saiu o primeiro poste há pouco mais de cinco meses. Como diria Moniz ou Rangel, quero agradecer a vossa preferência em nome desta vasta equipa que dirige, produz, realiza e apresenta este blogue.

[PPM]

PS. O que ninguém nos pode acusar é de falta de debate. Entre a Direita conservadora, a Direita Ética - gosto do nome, Eduardo - e a Nova Direita Liberal, somos um blogue com paredes de vidro e sem muralhas de aço. Aqui, definitivamente, discute-se.

Centro, centro, esquerda

Nas direcções e na opinião, dominará "o centro", mas nas redacções continua a dominar a esquerda. E uma Esquerda nada mansa.
[ENP]

Este "centro" é de esquerda

"Quem domina os media portugueses? A esquerda ou a direita? Resposta: quem domina é o centro."
Pedro Mexia, "Diário de Notícias"

Estou substancialmente de acordo com o que escreve Pedro Mexia na sua crónica de hoje no "DN". Mas, para quem é do CDS, como é o meu caso, o "centro" a que alude não serve de referência ou consolo. Preferia que existisse mais clareza ideológica nos media que temos, que quem fosse de Direita e quem fosse de Esquerda se assumisse editorialmente com meridiana clareza - poderia ser porventura uma forma de ultrapassar a triste sina de sermos um dos povos europeus que menos jornais lê. Este nebuloso "centro" corresponde, genericamente, à zona mais cinzenta do Bloco Central, desde sempre adverso a posições ideológicas claras na governação do País e, por consequência, profundamente hostil ao CDS de Paulo Portas. Este "centro" é pragmático e apolítico por natureza, optando quase pavlovianamente pelo "consenso" e pelo "diálogo", classificando de "política-espectáculo" tudo o que poderia apenas ser visto como afirmação de princípios. Este "centro" é exemplarmente identificável na lista hoje anunciada de comentadores do programa "Mel com Fel", da TSF: Emídio Rangel, António Mega Ferreira, Maria João Avillez, Duarte Lima e Clara Ferreira Alves.
Este "centro" é de esquerda.

[PPM]

A Direita ética e a Direita que não discute. Duas realidades coincidentes?

Vale a pena ler este post assinado pelo João Vacas no No Quinto dos Impérios. É muito interessante e mais interessante se torna se for lido em conjunto com o artigo do Pedro Lomba intitulado “Direita” e publicado no Independente da passada sexta-feira.
O Pedro Lomba tem razão quando diz que uma vez no poder a Direita dificilmente debate entre si, mas esquece-se de acrescentar que essa característica se estende à Esquerda ou a qualquer outra força que consiga alcançar um governo e que, uma vez nele instalada, tenderá do mesmo modo a abdicar de discutir internamente o que quer que seja. A ausência de discussão que o Pedro refere não é um problema da Direita, mas um problema de quem está no poder: Direita, Centro ou Esquerda, procurarão sempre evitar mexer naquilo que possa acusar divergências internas, susceptíveis de aparecerem aos olhos dos outros como fragilidades. É um problema da democracia partidária e, como tal, é um problema com o qual se tem de viver.
Posto isto, não consigo perceber em que é que a questão do aborto é tão determinante para a falta de discussão existente na Direita que governa. Nem consigo perceber porque é que pessoas inteligentes, lúcidas e de bom senso - como o Pedro, mais do que muitos, é - insistem em encostar todos aqueles que se opõe à liberalização do aborto (seja ela até à semana que for) a epítetos como “Direita religiosa” ou “Direita autoritária”. Mais, não consigo perceber o que é que a “Direita ética” (no sentido de uma Direita que procura orientar-se por um mínimo de valores éticos) tem, necessariamente, a ver com a Direita autoritária que não gosta de discutir. Será que toda a Direita ética é autoritária? Será que, para não ser autoritária, a Direita tem de deixar de ser ética? Será que discutir implica sempre ceder? Não haverá espaço para a ética na “nova” e “moderna” Direita? Ou será que a ética da nova Direita se resume à defesa de uma “economia de mercado” e da “liberdade pessoal”? Terei eu que ser pró-liberalização do aborto para que sobre mim deixe de pairar a suspeita de pertencer a uma Direita autoritária e religiosa? São questões que me assolam quando leio artigos como este que referi do Pedro Lomba.
É claro que estas são perguntas retóricas e estou certo que a todas elas o Pedro responderá ‘não’. Sei perfeitamente que o Pedro está nos antípodas daqueles que consideram os que de forma sustentada se opõem à liberalização do aborto como um bando de déspotas ou fanáticos religiosos. E sei também que esta sua análise não se restringe à questão do aborto, antes a englobando num conjunto mais vasto onde cabem outras matérias ligadas às questões ditas “morais” ou “fracturantes”. Sucede que, o seu texto, ao associar a falta de discussão que se verifica no seio dos partidos do Governo e a alusão a uma “direita autoritária que detesta o debate e a política”, à não alteração da lei do aborto, está, ainda que distraidamente, a transmitir a ideia de que a falta de debate - e todos os males que daí derivam - resulta da acção daqueles que estão contra a liberalização do aborto. O que, convenhamos, não é verdade.
Como diria Monsieur de la Palisse, há que distinguir entre categorias que são distintas: os que estão contra a liberalização do aborto e que, naturalmente por isso, apoiam as políticas do Governo que vão em sentido idêntico; e os que, acima de tudo, pretendem manter o poder e que, naturalmente por isso, tentam evitar questões potencialmente geradoras de divergências dentro do poder que alcançaram (circunstancialmente – apenas e só circunstancialmente - a questão do aborto). Mas atenção! Os primeiros não se confundem necessariamente com os segundos. Não se pode de maneira nenhuma concluir que a ausência de mais vozes nos partidos da maioria a reclamar por uma alteração à lei, resulta, em primeira lugar, do medo de provocar divisões. Tente-se, pelo menos, admitir que a grande maioria dos que não exigem tal mudança está, efectivamente, de acordo com a lei que vigora. Acresce que as ideias de que em Portugal a maioria da população civilizada que se identifica com os valores tradicionais da Direita liberal, se está a borrifar para o aborto ou, não estando, é favorável a uma maior abertura da lei, e que, ao lado desta, há um grupo minoritário de gajos chatos como a putaça que insistem em impor a sua vontade proibicionista, carecem de confirmação.
(É bom não esquecer que na única vez em que a população portuguesa se pronunciou directamente sobre a matéria, a maioria votou pela manutenção da lei actual. E não interessa se essa maioria era maior ou menor que 50% dos potenciais votantes. Votaram todos os que quiseram fazê-lo e a abstenção só pode ser interpretada como uma delegação do poder de decisão naqueles que foram votar.)
Não me parece bem que se tente colar - ainda que sob a forma de sugestão - os que estão contra a liberalização da IVG a autoritarismos, a dogmas religiosos ou a eventuais minorias retrógradas e não confirmadas. Aliás, como bem se sabe, nem sequer se pode afirmar que todos os que estão contra a alteração da lei são de Direita, embora não seja difícil de adivinhar que a maioria deles vota, normalmente, em partidos à direita.
Assim, para mim e para muitos como eu, é indiferente se as pessoas que defendem a liberalização do aborto são ou não de Direita. Mais do que onde estão, interessa-me saber quantas são e porque o são. E, sejam elas mais ou menos, interessa-me também que não as confundam sistematicamente com qualquer espécie de entrave à discussão, ao debate, ou àquilo que vulgarmente se chama de modernidade. É que, por tantas vezes tal confusão ser feita, até parece que modernidade é necessariamente aquilo que elas não querem.
É muito mais provável que as discussões internas da Direita sejam dinamizadas pela sua corrente dita ética – por natureza, mais ligada a princípios e, assim, menos sensível a tácticas –, do que pela corrente mais pragmática - que tenderá a guiar-se por aquilo que, em cada momento, der maiores garantias de muitos lugares e de pouca chatice.
[ENP]

segunda-feira, setembro 20, 2004

Resposta inocente

Rodrigo, tem de me explicar qual é a sua fonte de informação sobre a economia americana. No seu libelo anti-Bush, fala correctamente de certas coisas e erradamente doutras. É verdade o défice. Já não é verdade que as contas públicas estejam “desgovernadas”. Embora o crescimento da despesa pública com o Bush não seja algo a seu favor, a economia americana tem uma capacidade superior às europeias para resolver esse tipo de problemas. Por duas razões. Uma: ao contrário do que acontece na Europa, os incrementos nas contas públicas americanas não são convertidos com tanta facilidade num peso futuro praticamente permanente. Nos EUA, a população é muito menos dependente do Estado para a prestação dos serviços de saúde e segurança social. A outra razão: a economia americana é a única economia desenvolvida do mundo ocidental (a Irlanda também, mas há dez anos atrás era uma economia pouco desenvolvida) que tem mostrado uma capacidade de crescimento sustentado nas últimas décadas (por isso me espanta a sua afirmação de que a economia americana está “à beira do desastre”, mas já lá vamos). O que quer dizer que, com um pouco de controlo da despesa (já de si mais fácil) e uns anos de bom crescimento económico, as contas públicas ficam outra vez apresentáveis. Estou, portanto, disposto a admitir que não joga muito a favor do Bush o aumento da despesa pública. Mas há duas coisas a considerar aqui: uma, as constituencies respectivas dos dois partidos. A republicana não gosta, e já tem feito saber isso, dessas leviandades. E já obrigou Bush a comprometer-se a apresentar um orçamento moderado para o ano. A democrata depende vitalmente dos gastos públicos, já que é uma clientela em grande parte empregada no Estado. A outra razão é o próprio Kerry, que tem feito na campanha a grande promessa de criar um sistema de saúde do género dos europeus. Ora, não existe maior desperdício de recursos nem melhor maneira de “desgovernar” finanças públicas (como nós, europeus, bem sabemos) do que através destes sistemas (o NHS inglês emprega um milhão e meio de pessoas, é o terceiro maior empregador do mundo - depois do exército chinês e da administração pública indiana -, tem um orçamento do tamanho do PIB de Portugal e filas de espera de anos para operações, em resultado das quais muita gente morre por falta de tratamento; o SNS representa 10% do PIB português, com os resultados que todos conhecemos).
Já quanto ao desemprego descontrolado, não sei onde ouviu o canard. A economia americana tem uma taxa de desemprego de mais ou menos 5%-6% (metade da dos países europeus, que é de 9%-10% em média) e está neste momento a criar emprego como nenhuma economia ocidental. A única coisa que se pode dizer (e tem dito) é que não está a criar tanto quanto deveria. Mas isso é outra conversa. E assim chegamos à sua estranha ideia de que a economia americana está “à beira do desastre”. A mim parece-me que se há economia no mundo que não está à beira do desastre é a americana. Há vinte anos que as economias europeias não se aproximam da dos EUA em termos de rendimento per capita e desde há dez anos a diferença tem aumentado, de tal maneira que, hoje, o conjunto da economia europeia dos antigos “quinze” (mais ricos que os actuais “vinte e cinco”) não representa senão 70% do rendimento per capita americano (mais ou menos aquilo que o nosso representa face ao resto dos ditos “quinze” – i.e. Portugal está para a Europa, como a Europa está para os EUA).
Seja como for, estas coisas económicas não dependem de forma imediata dos governos do dia. A economia americana está como está por razões de ordem mais estrutural e Bush (apesar de alguns erros, embora tenha acertado noutras coisas, como no corte de impostos) não tem estragado muito. Já Kerry… Não só promete o tal sistema de saúde, como se tem caracterizado por um discurso proteccionista (também Bush não tem aqui um curriculum inteiramente imaculado, mas a um nível episódico, e não sistemático, como promete Kerry) que, a ser aplicado, seria um desastre para a América e para o resto do mundo.A minha preferência por Bush (moderada: não sou propriamente um fanático do homem) pode parecer-lhe uma curiosidade académica, mas a minha curiosidade vai agora para outro lado: em que publicação da Internacional Socialista é que você anda ler essas coisas?
[Luciano Amaral]

Porque é que Kerry não vai ser presidente dos Estados Unidos da América

John Kerry não tem capacidade de liderança, fala demais do passado e ainda por cima mente, dizendo pouco ou nada sobre o que pretende para o futuro. Mais grave ainda, não saberá liderar o país num cenário de crise internacional. Mesmo para quem não se reveja inteiramente no estilo político de George W. Bush, estas são razões de sobra para apoiar o actual presidente dos EUA. E, neste caso, nem sou eu que o afirmo: são os próprios norte-americanos, numa sondagem do insuspeito "New York Times" (a subscrição é gratuita).

[PPM]

O regresso à clandestinidade

Como bom socialista e ex-comunista, o deputado José Magalhães resolveu regressar à revolucionária clandestinidade. Neste caso, trata-se apenas de uma clandestinidade caseira, mais precisamente ali para os lados da Arrábida.

[PPM]

Pergunta inocente (II)

Ele é a Maria José Morgado dos assuntos militares. O general Loureiro dos Santos bem pode agradecer a sua existência ao ministro Paulo Portas. É que se não existisse Paulo Portas, quem é que convidaria Loureiro dos Santos para perorar sobre o fim do Serviço Militar Obrigatório ou a política de aquisições nas Forças Armadas?

[PPM]

Pergunta inocente

Um défice-recorde, finanças públicas desgovernadas, excesso de endividamento, desemprego descontrolado, subida da inflação e dos preços, incapacidade de gestão financeira, dependência excessiva de importações e uma economia à beira do desastre.
Ó Luciano, esse seu apoio ao Bush não será... curiosidade académica?

[Rodrigo Moita de Deus]

O Rei Leão dos paralímpicos

Cada vez que oiço o "hino" dos paralímpicos, de Luís Represas, não consigo deixar de ter a sensação que estou a ouvir pela centésima vez a música do "Rei Leão". Aliás, hoje em dia, cada vez que oiço qualquer música do Luís Represas parece-me que estou a ouvir uma nova versão do "Rei Leão". "Somos um, somos um, tu e eu, somos um..."

[PPM]

sexta-feira, setembro 17, 2004

A não perder

Hoje à noite, Luciano Amaral no "Expresso da Meia-Noite" na SIC/Notícias.

[PPM]

Dúvida histórica

“In the wake of the Beslan bloodbath, President Vladimir Putin has announced a batch of measures that enhance his power and make life harder for his opponents. Is Russia inching back towards dictatorship?"
(ECONOMIST.COM)

Esta é boa! Será que, em algum momento, existiu democracia na Rússia?

[Pedro Marques Lopes]

Arroz Ciao-Ciao, ou, finalmente, uma boa razão para apoiar Kerry (dedicado ao meu colega Rodrigo Moita de Deus)

Uma das purple hearts (as medalhas concedidas pelas forças armadas americanas aos soldados feridos em combate) atribuídas a John Kerry durante a sua participação na guerra do Vietname resultou da seguinte situação: tal como era procedimento habitual quando os soldados americanos chegavam a um aldeia tomada pelos Vietcongs, certos recipientes (como, por exemplo, cestos contendo produtos alimentares) tinham de ser destruídos lançando-se uma granada lá para dentro. Foi precisamente isso que fez John Kerry com um cesto cheio de arroz. Mas, não tendo fugido a tempo da explosão, acabou por ver fragmentos ou do cesto ou da granada alojarem-se no seu braço e nas suas nádegas.
Eis o que tem Joe Pantoliano (o Ralph Cifaretto, dos Sopranos) a dizer sobre o assunto (note-se que Pantoliano é um efectivo apoiante de Kerry):
“If John Kerry self-inflicted himself with a grenade, then I’m voting for him! Anybody that stupid has got to be better than the guy we have now”
(via The Economist - não está on-line)
[Luciano Amaral]

quinta-feira, setembro 16, 2004

Je T'Aime, Moi Non Plus

Lendo distraidamente os jornais durante as férias, apreciei sobremaneira a moda da substituição do tradicional comício da rentrée (sempre acompanhado da bela sardinhada, tintol e magníficos recitais de executantes musicais como Quim Barreiros ou Rute Marlene) pelas escolas de verão. De entre as muitas que se fizeram, retive (perdoe-se-me a vaga insinuação sexual da palavra, mas faz sentido neste contexto) uma passagem da do Bloco de Esquerda (para os amigos, apenas “O Bloco”, e para os verdadeiramente íntimos, “O Bloco, Pá”). Ocorreu esse momento memorável, de acordo com o DN, quando Sérgio Vitorino sugeriu que “O Bloco, Pá” se batesse pela legalização dos bancos de esperma, para que qualquer mulher, independentemente da orientação sexual, pudesse aceder-lhes. Vitorino terá mesmo dito, ainda segundo o DN, que lá estaria de megafone em punho para o reclamar. Muito francamente, não sei se na circunstância o megafone será a coisa mais apropriada para empunhar, mas à parte isso é uma grande ideia.
Até já estou a ver a coisa: primeiro apareceria o Banco Filho do Espírito Santo, que rapidamente desenvolveria uma parceria com o famoso Semen Up Bank, de Londres (tendo como CEO o não menos célebre gestor Dick Hard). O lema da instituição seria: Connosco, Todo o Esperma é Sagrado. De resto, o banco não emitiria extractos bancários, mas antes jactos bancários. O principal anúncio televisivo poderia apresentar duas mulheres lésbicas que se encontram na rua, uma trazendo pela mão três saudáveis rapagões, enquanto a outra transportaria apenas um rapazola enfezado, de tez amarela e fundas olheiras. Diria esta para a primeira:
- Falaste com o teu banco?
- Não, falei com o teu.
Imprescindível para a solidez da instituição seria a sua capacidade para oferecer produtos diferenciados. Escolha de raça e sexo poderia estar à disposição em catálogos, a ser discutidos com o respectivo gestor de conta. Eis uma proposta para o anúncio sugerindo a aquisição de um filho negro. Sobre um fundo musical de batuques, a voz grave do apresentador diria: “Ponha um pouco de exotismo na sua vida. O mistério da mãe África nos olhos ternos do seu filho”. Para um filho das ilhas da América Central: com um fundo de música caribenha, a voz efusiva do apresentador diria, “Mundo Caribe! Ponha muita salsa em sua casa”.
É mesmo possível imaginar um mercado de compra e venda de esperma. Os bancos lutariam pela aquisição do sémen dos melhores dadores – ser dador, de resto, passaria a ser uma profissão, com indivíduos sentados em gabinetes dando o seu melhor para a constituição de activos dos vários bancos. A valorização em bolsa dependeria, naturalmente, da constituição desses activos e rapidamente se desenvolveria um mercado de futuros, que garantiria o ritmo de encomendas aos dadores para o futuro próximo.
Enfim… Eis o admirável mundo novo a que Sérgio Vitorino abriu as portas. Ou então não… Talvez esteja enganado. Vitorino muito provavelmente quereria nacionalizar a banca privada de esperma, tornando esse um princípio constitucional. Nesse caso, criar-se-ia um Ministério da Reprodução, que coordenaria a actividade dos PLRTDFRM (i.e., Postos Locais de Recolha, Tratamento e Distribuição do Fluxo Reprodutor Masculino)...
Mas essa é outra história que, afinal, não custa muito imaginar.
[Luciano Amaral]

O debate ideológico na sua essência

Quando a esquerda reclamou a extinção da Câmara dos Lordes, os conservadores resolveram o problema promovendo os mais distintos trabalhistas a aristocratas. O assunto ficou arrumado.
A esquerda resolveu então reclamar o fim da caça à raposa. Mais do que a Câmara Alta do parlamento inglês, a caça à raposa é um símbolo dos direitos adquiridos. Na realidade não implica qualquer alteração ao ecossistema e, em bom rigor, a dentada do cão do patrício não deve doer mais que o chumbo de uma caçadeira do lavrador. A caça à raposa implica cavalos, mansões e grandes propriedades rurais - e é exactamente isto que os conservadores se recusam a partilhar com a esquerda. Algo me diz que se os fidalgos se tivessem dado ao trabalho de convidar gentios para uma boa caçada, esta narrativa teria um final muito diferente.
Moral da história: O verdadeiro objectivo da luta de classes, não é o fim das classes, mas a mobilidade social.

[Rodrigo Moita de Deus]

Churchill na lota de Matosinhos

Essa história exemplar da política portuguesa, em que se misturam autarquias, concelhias ou distritais partidárias, amizades antigas e ódios recentes, envolvendo aquelas duas conhecidas personagens de Matosinhos, recordou-me um episódio (que já não me recordo onde li) em que entra Winston Churchill. Estava Churchill no seu lugar no parlamento britânico quando se sentou ao pé dele um jovem parlamentar que fazia a sua estreia nos trabalhos da Câmara dos Comuns.
Ao sentar-se, esse novo deputado murmurou para Churchill: “Então aqueles ali à frente é que são os inimigos!!!” Winston Churchill respondeu: “Está enganado. Aqueles são os adversários, os inimigos estão ao seu lado”.

[Pedro Marques Lopes]

quarta-feira, setembro 15, 2004

Crazy Ivan does it again

Novo report meteorológico: o furacão Ivan, que poupou Cuba mas não perdoou as ilhas Caimão, dirige-se para os Estados Unidos. Macacos me mordam se isto não é suspeito.

[Rodrigo Moita de Deus]

Alegre ma non troppo

Manuel Alegre diz que a direita quer que ganhe Sócrates

[PPM]

Diz-me o que fazes, dir-te-ei quem és

Os jornais nem deram muita importância ao tema, mas ontem uma deputada municipal do Bloco de Esquerda na Câmara do Porto resolveu invadir a reunião do executivo. Os quatro partidos com assento neste órgão preferiram não dar mais publicidade à senhora e simplesmente desmarcaram a reunião condenando o acto. Falando para as televisões a referida senhora ainda explicou que estava a exprimir uma posição do Bloco de Esquerda.
A notícia merece três observações e uma conclusão:

1) Foi dito e repetido que o Bloco de Esquerda não tem legitimidade democrática suficiente na Câmara do Porto – expressa em votos – para ter assento no executivo;
2) Todos os partidos, do CDS ao PCP, condenaram o acto, mas não se ouviu uma única palavra do Bloco de Esquerda. Por outro lado parece estranho que a senhora tenha tomado uma posição tão radical sem antes consultar a direcção do Partido;
3) O caso concreto até correu mal enquanto operação de propaganda, mas se tivesse corrido bem não veríamos o Dr. Louçã de dedo em riste apregoando moral e outros afins?

É nestas pequenas acções que vemos o que se esconde por debaixo da batina. O Bloco de Esquerda não é um partido democrático. O Bloco de Esquerda não reconhece o nosso sistema como uma democracia. Considera-o injusto, burguês e infectado pelos piores defeitos da sociedade consumista. O Bloco de Esquerda considera que não precisa de legitimação democrática, porque tem legitimação moral e, por isso, o Bloco de Esquerda é tão perigoso.

[Rodrigo Moita de Deus]

SHANAH TOVAH, ANA!

As festas de celebração do Ano Novo (Rosh Hashana) do calendário judaico começam hoje ao fim da tarde e O Acidental faz questão de festejar também esta ocasião especial. Os judeus entram no ano 5765 e são neste momento 13 milhões em todo o Mundo. Para os nossos amigos, o Ano Novo tem dois significados. Por um lado, é o fim de um ciclo e o início de outro, que se espera sempre com mais paz e harmonia. Por outro, desde hoje até ao dia mais sagrado, Yom Kipur, Deus vai escrevendo o destino que cada um de nós irá ter no ano que agora se inicia.
Adeus 5764, bem-vindo 5765!

[PPM]

PS. Obrigado à Ana Albergaria, do imperdível Crónicas Matinais, pelo cartão muito querido que enviou aos acidentais. A Ana é mais uma pessoa boa que conhecemos apenas através da leitura diária do seu blogue. Depois de O Acidental ter sido envolvido por um qualquer energúmeno numa cena muito triste com o Barnabé, é bom verificar que também existe redenção na blogosfera.
Shanah Tovah, Ana.

terça-feira, setembro 14, 2004

Só podia ser!

Depois de ter evitado a ilha de Cuba, o furacão Ivan resolveu atacar em força a capital mundial das offshore: as ilhas Caimão. Ivan não é um fenómeno meteorológico, mas político.

[Rodrigo Moita de Deus]

The man is back

João Pereira Coutinho no seu melhor. Já tínhamos saudades.

[PPM]

Que enorme injustiça!

Manuel Alegre exigiu ontem quinze minutos de televisão em directo nos três canais, para o Partido Socialista poder fazer a réplica às palavras do ministro das Finanças. Manuel Alegre esqueceu-se que quem escolhe os conteúdos dos telejornais são os editores dos mesmos e esqueceu-se que os "governos-sombra" ainda não são figuras protocolares. Mas, acima de tudo, esqueceu-se que todas as noites, em todos os canais, somos obrigados a ver resumos dos seus discursos para palestras de oito pessoas.

[Rodrigo Moita de Deus]

A não perder

Rodrigo Moita de Deus na casa de origem. Com grande prazer.
David Justino na Loja do Queijo Limiano. Com alguma surpresa.
João Miranda no Blasfémias. Com inteira concordância.

[PPM]

Pensamento do dia (a propósito da comunicação de Bagão Félix ao País)

Eu sei que, por definição, cabe à oposição opor-se. Seja ao que for.
Mas também sei que ao governo cabe governar. E é isso que está a fazer.

[PPM]

segunda-feira, setembro 13, 2004

Porque será?

Afinal o Ivan não vai atingir Cuba. Não há nada como velhas amizades.

[Rodrigo Moita de Deus]

A escolinha do professor Louçã (II)

Num rigoroso exclusivo para O Acidental, transcrevemos uma reportagem sobre os trabalhos da Escola de Verão do Bloco de Esquerda, que será publicada na revista ADIANTE – órgão oficial do BE.

Todas as escolas deviam ser assim

Foram três dias de liberdade, de festa e doutrinação. A Escola do Bloco de Esquerda foi mais uma vez um enorme sucesso: jovens do país inteiro demonstraram que este é um partido do futuro e com futuro. O ADIANTE estava lá e conta-lhe como tudo aconteceu.
Num evento repleto de grandes estrelas do panorama bloquista nacional, foram os alunos da escola que mais brilharam no certame que durou três dias. Jovens promessas que despontam agora graças aos ensinamentos consagrados de Saldanha Sanches, Mário Tomé e Fernando Rosas, entre muitos outros.
No que diz respeito ao campo das conferências, Isabel do Carmo provou que “velhos são os trapos”, explicando como é fácil fazer cocktails molotof com apenas alguns produtos de limpeza doméstica. Sobre a utilidade destes ensinamentos, falou-nos um dos alunos visivelmente entusiasmado: “sonhei em ser do Hamas mas sempre tive medo de chumbar nos exames de aptidão técnica.” Um dos momentos mais aguardados foi, porém, a intervenção do General Otelo Saraiva de Carvalho, que recordou as razões que fazem dele uma referência histórica para toda a extrema-esquerda. Numa notável metáfora, lembrou aos presentes que “Hitler também falhou um golpe, também esteve preso, mas não abandonou a luta revolucionária e chegou ao poder pela via democrática”. Uma afirmação que Francisco Louçã aplaudiu entusiasticamente.
Aulas de propaganda anticatólica divertiram os alunos, enquanto que, nos workshops, eram partilhadas e debatidas experiências. Num deles, ouvimos o relato de António Silva, mais conhecido por "Tó mata-bófias”, a propósito da discriminação dos delinquentes por parte da polícia. “Assim que nos vêem fugir com um autorádio na mão, vêm logo atrás de nós”, disse visivelmente perturbado.
Mas nem só de teoria viveu o encontro. Num dos principais exercícios práticos de toda a escola - “ser do contra só para chatear” -, despontaram verdadeiras estrelas da política bloquista na próxima década. O exercício consistia na distribuição de um texto do Dalai Lama, que deveria ser depois devidamente analisado e criticado. Fazendo bom uso da sua técnica cabalística, o vencedor, André Robles, distinguiu-se ao construir uma tese em que envolvia o monge tibetano na venda da Galp e, consequentemente, no apoio português à guerra do Iraque. “Foi muito fácil”, explicou-nos mais tarde, “no nosso subconsciente achamos sempre suspeito que uma pessoa possa realmente ser santa, portanto bastou-me aproveitar essa fraqueza para conseguir vender aquelas patranhas da bondade como uma conspiração para enfraquecer o espírito revolucionário.”
Outras actividades animaram as tardes. Miguel Portas exemplificou com grande sucesso como se pode enrolar uma ganza e ao mesmo tempo convocar uma manifestação por SMS, enquanto Diana Adringa divertiu o grupo com o seu conhecido número “olhem pra mim a defender a isenção”. Nota ainda para o concurso livre de arremesso de calhau à montra. Quase sem novidade, a malta do Fórum Social Português (FSP) voltou a ganhar à equipa da Linha Anti-Racismo conseguindo a melhor marca do ano na modalidade "montras de bancos americanos".
Rui Tavares, conhecido comentador deste desporto, confirmou que “a experiência em concursos internacionais tem criado um enorme fosso de qualidade entre o FSP e as restantes equipas da liga doméstica."

A discriminação das minorias minoritárias

Seria impossível relatar os acontecimentos que mais marcaram esta Escola do Bloco de Esquerda, passando ao lado de um dos mais comoventes depoimentos que tivemos oportunidade de assistir. Roberto Giraça é o líder do GTTEP/PSR (grupo transsexual com excesso de peso do PSR) e foi ele que, num testemunho marcado pela sinceridade, sensibilizou os presentes para o drama da discriminação dos transsexuais com excesso de peso por parte dos transsexuais com grandes figuraças e dos travestis em geral. “Quando estamos na praça a tentar arranjar clientes, elas gozam connosco e fazem comentários muito cruéis”, explicou Roberta, “mas têm medo do confronto físico connosco”. O GTTEP/PSR foi fundado há mais de dois anos por um grupo de duas transsexuais com excesso de peso que eram militantes do PSR, mas contou com o apoio em peso da direcção nacional do Partido.
“Este movimento é muito representativo da sociedade cívica”, contou-nos Francisco Louçã - e, na realidade, o Grupo tem quase oito membros. “O problema é esta sociedade sectária onde vivemos”, sintetizou António Serdezelo, convidado para o painel de comentadores. “Criou-se um sistema discriminatório, onde as minorias maioritárias acham que podem discriminar as minorias minoritárias”
Para garantir uma representatividade mais alargada entre os transsexuais discriminados por transsexuais, o GTTEP tem vindo a discutir os seus critérios de entrada, falando-se numa possível redução de quilos. “Não posso negar que a redução do peso mínimo para os 120 quilos não tenha sido debatida. É uma verdade que o grupo aumentaria a sua massa crítica, mas por outro lado existe um receio de perder um pouco de peso na sua dimensão ideológica”, acrescentou Giraça.
Mesmo sem uma decisão definitiva sobre esta matéria, as transsexuais com excesso de peso vão continuar a sua acção enveredando pela vertente cultural com algumas iniciativas que pretendem sensibilizar os públicos transsexual e transformista para o seu drama. Na Escola de Verão, tiveram a oportunidade de apresentar uma notável intervenção teatral, intitulada “Moby Dick - Mártir de uma causa. Vítima da incompreensão dos homens”.

A luta de classes começa no primeiro ciclo do preparatório

“Infelizmente a comunicação social, dominada pela direita, só se preocupa com as praxes, ignorando o drama dos nerds no resto do ano lectivo". Foi com este mote que decorreu o workshop “A luta de classes sub18” que animou a Escola de Verão na tarde de sábado. Foram quase seis, os "totós" – nerds em inglês - que se juntaram a bloquistas mais experimentados para discutir o problema da discriminação no preparatório e secundário.
“Às vezes dão-nos tantos calduços que parece que estamos a ser torturados numa prisão iraquiana”, confessou um aluno que preferiu manter o anonimato para se proteger de possíveis represálias. “Não temos liberdade de expressão! Gozam com o nosso acne e com as lancheiras que trazemos com o almoço” continuou o mesmo aluno para grande indignação de todos os presentes. “É pior que o Tarrafal. As miúdas mais giras nunca nos falam e preferem ficar ao lado dos brutamontes do rugby”, revelou outro colega.
Para espanto de todos, foi Luís Fazenda quem teve a mais importante palava de consolo, afirmando a dado passo ter sido ele próprio também "vítima da discriminação". Mais: "também levei muitos estalos quando tinha a vossa idade, mas olhem para o que me tornei hoje!” Apesar do efeito desta inesperada confissão, foi a ausência de Ana Drago que mais marcou esta reunião. Alguns boatos espalhados pela direita reacionária afirmavam que a jovem dirigente não estava presente por “recusar-se a partilhar a mesma sala com totós”. Mas, em declarações ao ADIANTE, Ana Drago desdramatizou, justificando a sua ausência com uma súbita indisposição.
Este importante workshop terminou com a decisão de criar um Grupo de Trabalho multidisciplinar capaz de criar uma aliança entre gays, nerds e freaks nos liceus de todo o país. “Só juntos conseguiremos combater o poder hegemónico dos betos e dos surfistas”, concluiu o recém-nomeado presidente do grupo de trabalho, Luís Fazenda Junior.

Um prémio de sonho

Como no ano passado, também agora esta II Escola de Verão do Bloco de Esquerda terminou em festa com a entrega do mais desejado prémio. Antes, houve ainda a oportunidade de ouvir a conferência “Hoje o Bairro Alto, amanhã o Mundo”, do Grande Timoneiro Francisco Louçã. Uma explicação realista de como aproveitar os defeitos das democracias burguesas e dos sistemas capitalistas para promover um regime do proletariado.
Foi então que, sob fortes aplausos, foi entregue o prémio de melhor aluno da Escola de Verão. A entrega da distinção coube a Daniel Oliveira, consistindo num convite formal para escrever no Barnabé. O fim-de-semana acabou em festa. Rebentaram-se uns "pôrros" e cantou-se o hino da IV Internacional.

[Rodrigo Moita de Deus]

A cobardia anónima

Um qualquer cobardolas anónimo enviou um cartão de parabéns com uma fotografia nojenta ao Barnabé, em nome dos acidentais, usando para o efeito o meu email pessoal, o mesmo que consta neste blogue. Escusado será dizer que nada tenho a ver com tal repugnante alarvice, que apenas qualifica o próprio autor.

[PPM]

sexta-feira, setembro 10, 2004

Porque a nossa memória não é curta (V)



[PPM]

Porque a nossa memória não é curta (IV)



[PPM]

Porque a nossa memória não é curta (III)



[PPM]

Porque a nossa memória não é curta (II)



[PPM]

Porque a nossa memória não é curta



[PPM]

A escolinha do professor Louçã

Começa hoje em Setúbal a II Escola de Verão do Bloco de Esquerda. Com enormes riscos pessoais, consegui interceptar o plano curricular deste encontro, que aqui publico em rigoroso exclusivo para todos os leitores do Acidental:

Programa do Curso de Verão do Bloco de Esquerda

Dia I

15:00 - Sessão de boas-vindas

15:30 - Distribuição de kits BE Júnior (pedras da calçada, pedras de haxixe, pílulas RU-486 e teclado para SMS)

16:00 - Conferência: "As montras do McDonalds já se partiram melhor" - Por Daniel Cohen-Bandit (eurodeputado)

18:00 - Ganza Break

19:00 - Conferência: "A Experiência Albanesa. Aprender com os erros." – Por Luís Fazenda (deputado)

20:00 - Jantar

23:00 - Trance party – vários DJ´s convidados

Dia II

14:30 - Despertar

15:00 - Pequeno-almoço

16:00 - Módulo – "Infiltração de movimentos cívicos"
Coordenador: Francisco Louçã


· "ONG: Uma ferramenta útil na subversão revolucionária" – por Rebecca Gomperts (Woman on Waves)
· "Bastam três pessoas para fazer seis associações" – Por Paulo Vieira ("Não Te Prives")
· "Ser bloquista sem ser bloquista" – Por Rui Tavares (
Barnabé)
· "Se juntarmos muitas minorias estaremos em maioria" – Por António Serzedelo (Opus Gay)

18:00 - Ganza break

19:00 Módulo – "A luta está diferente, mas continua!"
Coordenador: Mário Tomé (histórico)

· "A acumulação de capital e os princípios de esquerda" – Por José Saramago (escritor)
· "Viver como um burguês, pensar como um revolucionário" – Michael Moore
· "O primeiro milho é para os pardais, pá" – Por Otelo Saraiva de Carvalho (General)
· "Os passados também se abatem" – Por Isabel do Carmo (bombista e nutricionista nas horas vagas)

21:30 - Jantar

22:30 - Intervenção artística: “As minorias discriminadas pelas minorias”, da responsabilidade do “Grupo de Trabalho de Transsexuais com excesso de peso do PSR”

Dia III

14:30 – Despertar


15:00 – Pequeno-almoço

16:00 Módulo – "Ser bloquista no dia-a-dia"
Coordenação: Ana Sá Lopes (jornalista)

· "Rigor e isenção política no jornalismo ao serviço da causa" – Por Diana Adringa (jornalista)
· "Não é preciso provas, basta insinuar" - por Francisco Louçã (Grande Timoneiro)
· "Rever o revisionismo" – Por Fernando Rosas (professor)
· "Todas as ocasiões são boas para convocar uma manif" – Por Daniel Oliveira (Barnabé)
· "E se a tua mãe não gostar do que andas a fazer?" – Por Miguel Portas (eurodeputado)


18:30 – Ganza Break

19:00 – Conferência de encerramento “Hoje o Bairro Alto, amanhã o Mundo” – Por Francisco Louçã (timoneiro)

21:00 - Sessão de encerramento e distribuição de diplomas


[Rodrigo Moita de Deus]