Fundado por Paulo Pinto Mascarenhas


Ana Albergaria
Bernardo Pires de Lima
Diogo Belford Henriques
Eduardo Nogueira Pinto
Francisco Mendes da Silva
Henrique Raposo
Inês Teotónio Pereira
Jacinto Bettencourt
João Marques de Almeida João Vacas
José Bourbon Ribeiro
Leonardo Ralha
Luciano Amaral
Luís Goldschmidt
Manuel Castelo-Branco
Manuel Falcão
Nuno Costa Santos
Paulo Pinto Mascarenhas
Pedro Marques Lopes
Rodrigo Moita de Deus
Tiago Geraldo
Vasco Rato
Vitor Cunha


Logótipo Acidental concebido por Vitriolica. Grafismo gerado por Miss Still.


Acidental Long Play


Direita Liberal


O Acidental


Público

TSF

Lusa

Associated PressReuters


A Causa Foi Modificada
Bomba Inteligente
O Espectro
Educação Sentimental
A Vida em Deli
Futuro Presente
Aos 35
Vitriolica Webb's Ite
A Sexta Coluna
Tristes Tópicos
Some Like It Hot
Xanel 5/Miss Pearls
Crónicas Matinais
Rititi
Mood Swing
19 meses depois
Serendipity
A Propósito de Nada
The world as we know it
Minha Rica Casinha
Da Literatura
Tradução Simultânea
Contra a Corrente
O Estado do Sítio
Geraldo Sem Pavor
Acho Eu
A Arte da Fuga
O Sinédrio
Blue Lounge
Portugal Contemporâneo
A cor das avestruzes modernas
Kapa
Snob Blog

E Depois do Adeus
Margens de Erro
Nortadas
Office Lounging
No Quinto dos Impérios
Teorema de Pitágoras
What do you represent
Esplanar
Quase Famosos
Melancómico
Vício de Forma
João Pereira Coutinho I
João Pereira Coutinho II
Retalhos da Vovó Edith
Blogue dos Marretas
Lóbi do Chá
O Insurgente
A Mão Invisível
A Esquina do Rio
Voz do Deserto
Desesperada Esperança
Homem a Dias
Blasfémias
Origem das Espécies
Babugem
Ma-Schamba
Rua da Judiaria
Fuga para a vitória
Mar Salgado
A Ágora
Miniscente
A vida dos meus dias
Elasticidade
Causa Liberal
O Telescópio
Grande Loja do Queijo Limiano
O Intrometido
Carambas
Mau Tempo no Canil
Lobby de Aveiro
Bar do Moe
Adufe
Bloguítica
Tau-tau
Incontinentes Verbais
Causa Nossa
elba everywhere
O Observador
Super Flumina
Glória Fácil
Metablog
Dolo Eventual
Vista Alegre
Aforismos e Afins
A Cooperativa
Semiramis
Diário da República
Galo Verde
Ilhas
french kissin'
Bicho Carpinteiro
Portugal dos Pequeninos
Foguetabraze
A Invenção de Morel
Aspirina B
O Boato
O Vilacondense
O amigo do povo
O Insubmisso

Aviz
Barnabé
Blog de Esquerda
Fora do Mundo
Jaquinzinhos


Powered by Blogger


Google

domingo, julho 25, 2004

Graus centígrados



"Jet of water", Francis Bacon. [VC]

sexta-feira, julho 23, 2004

Hasta la vista, baby

Desculpe lá Celso, mas agora não tenho tempo para lhe demonstrar o seu machismo mal escondido quando inicia a avaliação de um político pelo sexo do mesmo. Nem sequer consigo com este calor voltar a lembrar aos generalistas do costume que O Acidental continua a ser o meu blogue e que eu sou militante do CDS, mas que entre os meus convidados acidentais há quem seja do PSD ou simplesmente independente de direita, uns mais conservadores, outros mais liberais, todos e cada um com o direito a opinião muito própria. Ou que eu fui jornalista do Independente durante anos, mas que entre os que aqui escrevem há muito boa gente que nada tem a ver com o meu antigo jornal. Não, não tenho mesmo tempo, vou de férias e só lá pelo dia 15 de Agosto é que poderão contar de novo com este vosso acidental. Os meus estimados convidados, espero bem, andarão por aqui. Escrevam muito e abraços para todos.
[PPM]

quinta-feira, julho 22, 2004

Pausa para ir ler outro blogue

Queria ter escrito um post sobre impostos e já vou (se não me engano) no quinto. Tentarei explicar ao leitor Ricardo Santos Silva o que quis dizer. Já agora, uma nota: estimado leitor, estamos aqui num blog, espaço que não se compadece com todas as fundamentações linguísticas, teóricas e metodológicas próprias do ambiente científico; nem sequer com certos critérios de correcção jornalística; portanto, muitas coisas são ditas de forma simplificada e para captar a atenção de leitores que, espontaneamente, não se interessariam por determinados assuntos. Dito isto, segue de forma ainda simplificada, embora mais detalhada, o significado da frase mencionada:

1. O IRC (imposto sobre o rendimento das pessoas colectivas) é um imposto que incide sobre os lucros das empresas de forma percentual. Isto é, desses lucros, uma determinada percentagem tem de ser desviada para o seu pagamento. Quanto maior for essa percentagem menor a restante percentagem do lucro que os proprietários da empresa podem utilizar para outros fins. A importância disto é que, quanto maior for a percentagem retida sob a forma de imposto, menor é o retorno ao investimento feito pela empresa. Se, ao desejar investir, o empresário sabe que uma parte significativa dos seus lucros vai desaparecer no tributo ao Estado; se, ao desejar investir, o investidor sabe que vai obter um retorno mais baixo; isso constitui um desincentivo para que ambos o façam.

2. Os destinos dados à parte dos lucros que não vai no imposto são essencialmente dois: pagamento de dividendos e reinvestimento – de resto, os dividendos também podem dar origem a investimento, tudo dependendo da escolha do receptor dos ditos. Quanto menor for a percentagem do lucro tributada pelo IRC, maior a restante percentagem que pode ser destinada a ambos estes fins.

3. O investimento é importante porque permite criar capacidade produtiva através da acumulação de capital, isto é, através do aumento dos bens de capital existentes na economia per capita (chama-se a isto o rácio capital-trabalho). Quanto maior for o rácio capital-trabalho, maior a produtividade desse trabalho. Quanto maior a produtividade, maior a riqueza criada por pessoa numa determinada economia. Quanto maior o crescimento da produtividade, maior o crescimento da economia, isto é, maior o crescimento do PNB per capita (que, em última instância, mede exactamente isso: a produtividade da economia – isto não é inteiramente verdade, mas quase).

4. O crescimento económico aumenta o rendimento per capita, porque o rendimento per capita aumenta com o PNB per capita. Um maior rendimento permite-nos uma maior disponibilidade material para dela fazermos o que quisermos – consumir, poupar, investir...

5. Um rendimento maior aumenta o nosso bem-estar, exactamente porque o nosso rendimento é uma parte importante do nosso bem-estar. Não é a única, mas é uma parte, e uma parte até bastante importante.

[Luciano Amaral]

Espaço do leitor II

Olá viva,

Economista que sou, tenho a mente moldada por
pressupostos aos quais sou completamente alheio, que
impedem, no entanto, a possibilidade de compreensão de
determinados raciocínios.

Se a vossa seita tiver disponibilidade para me
elucidar de um post que encontrei no "Acidental",
agradecia.


"Cortar no IRC é uma boa ideia porque deixa aos
empresários uma percentagem maior dos seus resultados
para investirem. E mais investimento é bom porque faz
a economia crescer e o crescimento faz aumentar o
nosso rendimento e, logo, o nosso bem-estar."


Com os meus melhores cumprimentos,

Atenciosamente

Ricardo Santos Silva

Espaço do leitor



Temos o dever de manter a ocidental praia lusitana limpa!
Mãos à obra, rapazes!!


Eduardo Pereira Correia

Michael Moron

Agora que existem fundadas suspeitas de que a crise económica em Portugal se deve ao facto de metade da população activa ter andado os últimos meses fechada em casa a estudar os populistas russos (tal é a frequência e a segurança com que dissertam sobre o "populismo"), convém avisar a massa ociosa de que, apesar de ser muito mais agradável ficar em casa a massajar o umbigo com Bakunine ao colo, caso pretendam realmente saber o que é o populismo, será muito mais eficaz assistir a Farhenheit 9/11, a pièce de résistence anti-Bush de Michael Moore, a Leni Riefenstahl dos idiotas, o Goebbels dos paranóicos. Está lá tudo, da mera desonestidade à pura mentira, da parcialidade dos factos à manipulação das emoções. Será interessante ver as reacções ao delírio. Aí, sim, veremos quem é verdadeiramente populista e como se divide a esquerda. Eu, se fosse canhoto e deplorasse a história das recentes décadas de política externa americana, lia por precaução o camarada Christopher Hitchens antes de por o pé no cinema. Só para não fazer figura de parvo. [Francisco Mendes da Silva]

O presidente português da União

Durão Barroso acabou de ser eleito presidente da Comissão Europeia. Eu estou orgulhoso, porque não é todos os dias que um português assume tão altas funções. É, finalmente, caso para dizer que a Europa está connosco. A votação foi expressiva: 430 votos a favor, 251 contra. Ninguém em Portugal deve esquecer que este "1" dos 251 votos contra pertence ao sempre patriótico representante do Bloco de Esquerda.
[PPM]

É a Política, estúpido!

O Celso Martins, do Barnabé/BE, revelando o machismo mal escondido da esquerda moderna, sabe porque sabe que não é possível ser brilhante e governadora civil ao mesmo tempo. Eu não lhe vou explicar, porque não tenho arte suficiente para responder ao que é apenas espectáculo. Já o Rui Tavares, que me parece ser do Barnabé que não é totalmente BE, brinca - com graça, reconheço - com a troca de pastas de última hora nas secretarias de Estado. Eu, que considerava que Teresa Caeiro seria uma excepcional secretária de Estado da Defesa e dos Antigos Combatentes, não vejo porém nenhuma razão para não manter essa mesma opinião em relação às funções que agora assumiu. Porque é uma política realmente excepcional. Descubro, aliás com algum gozo, que a esquerda blogueira se rendeu, de uma vez por todas, às salazarentas virtudes da tecnocracia.
[PPM]

quarta-feira, julho 21, 2004

Parabéns e boa-sorte

Eu já sei que este poste vai dar origem aos disparates e às confusões do costume, mas não quero deixar de aproveitar esta oportunidade para enviar um grande abraço ao Diogo Feio no momento em que é nomeado secretário de Estado da Educação. Ele foi um dos nossos mais recentes convidados acidentais e, apesar de compreendermos que não terá muito tempo para escrever aqui no blogue, manteremos sempre este espaço à sua disposição. Boa sorte, Diogo.

PS. Boa sorte também para Teresa Caeiro, que é a primeira mulher portuguesa a desempenhar funções governativas na área da Defesa. O Acidental gosta muito dela e sabe que a Teresa está mais do que habituada a grandes desafios: foi uma brilhante Governadora Civil de Lisboa; depois uma incansável e impecável secretária de Estado da Segurança Social; vai ser certamente uma excepcional secretária de Estado Adjunta da Defesa e dos Antigos Combatentes.

[PPM]

Back in USSR

"Isabel de Castro disse ainda que o facto de Luís Nobre Guedes ter representado o interesse privado pode pôr em causa o Estado democrático"(tsf)

Entendido. Nenhum advogado pode vir a ser ministro, pois terá, alguma vez na vida profissional, cometido esse pecado de "representar o interesse privado". Ministro ou Presidente da República e, já agora, Bastonário.

Só quem foi funcionário político do PCP é que pode estar no governo, não é? Só isso é que é democrático...

[Diogo Belford Henriques]

Vítor, meu caro JEEP,

Folgo em saber que a família vai bem. Para além disso, é sempre bom ouvir a voz da experiência empresarial, em particular quando vem de um autêntico JEEP (Jovem Empresário de Elevado Potencial). Pode não parecer, mas eu também não sou especialista. Para falar com franqueza, eu, na verdade, é mais bolos. Mas, já agora, sempre te respondo qualquer coisinha.
Pois é, as contribuições para a Segurança Social. Eis aí outra coisa onde muito haveria a fazer. Mas o teu exemplo mostra precisamente como é em absoluto arbitrário mexer no IRS sem pensar no resto da estrutura das (diversas) contribuições feitas ao Estado. Cortar no IRS sem mais nada, porquê? Sobre isto não há grandes dúvidas: por razões pura e simplesmente eleitoralistas. A nossa estrutura fiscal e de contribuições para a Segurança Social precisa de um revamp de alto a baixo, e mexer no IRS por si só não vai certamente trazer nenhum benefício significativo, para além (evidentemente) do óbvio benefício genérico e abstracto que sempre traz uma redução de impostos. És um pouco injusto para as nossas famílias. Coitadas, o acesso delas a bens de consumo é-lhes tão dificultado que se compreende que queiram gastar o acréscimo de rendimento disponível trazido por um corte no IRS em DVDs, carrinhos e jantaradas. Elas poderiam não fazer isso. Poderiam poupar, aumentando a pool de crédito e ajudando, assim, ao crescimento do investimento, embora não seja provável que o façam. Mas mesmo que o fizessem, voltamos ao mesmo: a poupança e o crédito só servem para alguma coisa se as empresas estiverem capacitadas para os converterem em investimento. No repugnante capitalismo em que vivemos, o motor da economia são as não menos repugnantes empresas. Ora, se é grande a vontade de cortar impostos, porquê cortar no IRS se não sabemos se as famílias vão poupar, se não sabemos as escolhas que o sistema financeiro vai fazer em termos de aplicação do crédito, se até duvidamos que as empresas estejam com grande vontade de investir? Se é grande a vontade de cortar impostos, porque não cortar logo no IRC, que é um tão importante instrumento de limitação do retorno do investimento? As empresas podem ter pouca vontade de investir, mas se lhes aumentarmos o retorno potencial ao investimento, terão pelo menos um incentivo maior para o fazer. Dizes que são poucas as empresas que o pagam (as grandes) e que a maior parte (as PMEs) não o fazem. Mais me ajudas. Tendo nós uma administração fiscal tão ineficiente a colectar impostos (o que permite a fuga das pequenas, mas não das grandes, que são logo detectadas), a actual estrutura fiscal constitui um subsídio de facto às PMEs e uma penalização das empresas de maiores dimensões, mais eficientes e mais produtivas. A nossa estrutura fiscal, juntamente com a tal ineficiência na colecta, é uma enorme máquina de promoção da indústria e dos serviços de vão-de-escada. E enquanto assim for, a nossa economia não irá longe. Dizes que o impacto sobre as receitas fiscais de um corte do IRC seria diminuto, uma vez que já são tão poucos os que o pagam. Mais me ajudas. Se o impacto é pouco, então não haveria grandes quebras na colecta. E, o que é mais importante, criava-se um incentivo ao investimento, nacional e estrangeiro. Quer-se cortar impostos? Então corte-se no IRC. Os resultados serão sempre bons. Já um corte no IRS pode dar uns patacos ao pessoal até 2006, mas as consequências serão muito incertas. Podendo mesmo ser negativas se trouxerem uma quebra drástica nas receitas sem cortes concomitantes do lado das despesas.
Uma almoçarada? É já! Mas não vamos falar desta treta, por favor, está bem?
[Luciano Amaral]

Entendam-se

Na semana passada, a Esquerda e a "Esquerda ambientalista" (subespécie daltónica da primeira: diz que é verde, mas é vermelha) acusava o novo ministro do Ambiente, Luís Nobre Guedes, de ser um ignorante nas matérias do Ministério.
Nesta semana, vá lá perceber-se, dizem que Luís Guedes não pode ser ministro por "incompatibilidade" com actividades privadas anteriores na área do Ambiente.
A acreditar no que se ouve e lê, afinal Guedes sabe demasiado de Ambiente e por isso também não pode ser ministro.
Luís Nobre Guedes terá sido, dizem, membro de órgãos sociais de empresas ligadas aos negócios dos resíduos. O agora ministro terá sido ainda advogado de entidades com interesses no sector das águas. A ser verdade, cria-se uma incompatibilidade material que o vice-presidente do CDS terá que resolver. Mas não podem dizer, a partir de agora, que é um zero nas matérias em causa.
É a este tipo de simplificação e ligeireza que se convencionou chamar populismo. Quando vem da Esquerda é apenas "denúncia". Pena que os homens do Centro e da Direita autodenominados "sérios" e um pouco mais sólidos se calem nestes momentos.[VC]

Meu caro Luciano:

Olá, nós por cá todos bem. Os miúdos continuam barulhentos, mas felizmente é Verão. O Governo mudou e começou a falar-se de política fiscal. Li o teu post sobre redução de impostos. Como sabes, não sou especialista na matéria, mas, usando apenas a intuição e a dedução (tácticas Santana) parece-me que reduzir o IRC pouco, ou nada, fará pelo investimento.
A taxa de IRC anda este ano fiscal pelos 25 pontos, mas a efectiva rondará os 18 por cento. Milhares e milhares de pequenas, médias e grandes empresas não pagam imposto ou pagam muito pouco (por exemplo, no sector financeiro). Na estrutura daquela receita, meia dúzia de empresas contribuem com a parte de leão; e, na estrutura da receita total, o IRC continua a significar muito pouco.
A minha pequena experiência como "empresário" diz-me que é essencialmente em sede de contribuições para a Segurança Social que se pode convencer o patronato a criar postos de trabalho. Os incentivos que já existem de apoio ao primeiro emprego, por exemplo, são muito usados; sugiro que se criem mecanismos dirigidos ao desemprego de média e longa duração e que comece a pensar-se naqueles que mais dificuldades têm: os mais velhos, aliviando as preocupações com as criancinhas e com o primeiro emprego.
Quanto ao resto, tens toda a razão: baixar o IRS é bom para os nossos bolsos, mas duvido que seja tão bom para a economia e para as finanças públicas. Podia ser - se o sector produtivo fosse mais elástico e dinâmico. Mas nós, como bem sabemos, se sentirmos que o rendimento disponível aumenta, somos é rapazes para o gastar com produtos importados e outros bens de primeira necessidade como automóveis, leitores de DVD ou jantaradas. Por falar nisso... quando é que vamos almoçar?

abraço do [VC]

terça-feira, julho 20, 2004

Tem calma e prepara a massa

Tu queres é o jantar no XL, Rodrigo. Mas não tenhas tanta pressa e não tires conclusões antes de tempo, que as eleições são só em Novembro.
[PPM]

Sobre a pluralidade

Antes das polémicas sobre as presidenciais americanas, um aviso à navegação. Este acidentado acredita na vitória de Kerry. Este acidentado torce pela vitória de Kerry. Este acidentado acha que a vitória de Kerry é importante para o futuro da humanidade, para o destino do mundo, blá blá blá blá… e para ganhar uma aposta com o acidentado-mor. [Rodrigo Moita de Deus]

Gosto de ler, mas não concordo

Excelente artigo de Pedro Mexia no "Diário de Notícias" de hoje (não consigo fazer o link). Mas parece-me que o Pedro parte de uma permissa logicamente errada quando diz que "o PM devia ser Manuela Ferreira Leite", uma vez que, segundo escreve, faria mais sentido se a formação do novo governo fosse confiado ao número dois do governo cessante "em vez de se remeter a decisão para o directório partidário, numa espécie de sucessão monárquica" - esta ideia da sucessão monárquica foi aliás um dos argumentos máximos da esquerda, incluindo a blogueira, contra a nomeação de Pedro Santana Lopes.
Quando digo que é logicamente errado pensar assim, parto precisamente dos argumentos do Pedro Mexia no mesmo artigo: "se o primeiro-ministro abandona o governo mas a maioria parlamentar se mantém estável, o mais sensato é nomear um novo governo emanado da (mesma) maioria". Mais: "Não é só a questão da estabilidade: se existe uma maioria existe também uma legitimidade, a qual resulta de eleições (legislativas)." Ora, parece-me claro que essa legitimidade resultante do voto é, em primeiro lugar, uma legitimidade partidária, uma legitimidade resultante da maioria parlamentar baseada na soma dos votos do PSD e do CDS.
A partir do momento em que o primeiro-ministro é exonerado, o governo, no seu todo, cessa funções, deixando de existir número um ou número dois, ou até número três, já que se poderia verificar que o chamado número dois não estava disposto a manter-se em funções - o que não aconteceu neste quadro, é verdade - e, na mesma linha de raciocínio, o governo seria assumido pelo número três, ou seja, por Paulo Portas. Quem é que, neste caso, aceitaria tal "legitimidade"?
É por isso que eu penso que o Pedro Mexia, ao referir uma vez mais o argumento ad hominem, está a cair nele, porque talvez preferisse Manuela Ferreira Leite a Pedro Santana Lopes. O argumento presidencial, esse, parte do texto constitucional: cessando funções um governo perante a demissão do primeiro-ministro, registando-se a existência de uma clara maioria parlamentar, constituída pela aliança de dois partidos, é chamado o partido mais votado a indicar o nome do novo primeiro-ministro. E foi isto - e nada mais do que isto - que aconteceu.
[PPM]

O Dalai Gama

Conhecido como o "peixe profundo" da esquerda socialista, a restante esquerda tem piranhas, Jaime Gama é já o grande vencedor do próximo congresso do PS.
Ao contrário de Sua Santidade, Tenzin Gyatso, Jaime Gama raramente sorri. O seu charme está no seu silêncio, ou seja, no seu poder.

Acabada a esperiência esquerdista, e sofrida, de Ferro, o PS voltará ao centro para poder voltar ao poder. A vitória anunciada de Sócrates não é, como por alguns lados se escreve, a vitória da política mediática. Pelo contrário, é a vitória da política de bastidores, de acordos discretos e interesses abertos.

O PS acredita sinceramente que voltará ao poder, por isso é hora de se desfazer do folclore, das histerias e dos apelos emotivos. É altura dos negócios. Anunciam-se candidaturas à-la-PCP (para mais tarde retirar) para marcar lugares, para marcar posição. Foi o caso de Lamego e ainda de Soares fils.

Esta sucessão anunciada, brevemente interrompida por Bruxelas, tem apenas pela frente a dita ala esquerda. Terá talvez um oponente, talvez Santos Silva ou Alberto Martins. Mas irá ganhar, só ninguém sabe com que força.

É que as eleições são directas e a força do nome Soares, que ainda conta, e a voz de Manuel Alegre, que não se cala, não vão tornar o caminho fácil.
Negociado o pacto com Coelho e afastado Seguro, a elite socialista vira-se agora para as bases, para os votos, para parecer transparente. Claro que não têm de o fazer directamente, afinal as distritais já estão todas do lado de Sócrates...

Jaime Gama já ganhou. O King maker.
[Diogo Belford Henriques]

Gabriel, o Pensador

Sim, Gabriel Silva, eu também gostaria muito de uma redução da despesa. Mas acho que você está a ser assim um bocadinho mal intencionado. Se for ver os arquivos d’O Acidental terá oportunidade de constatar como já por mais do que uma vez disse que o grande objectivo financeiro e económico nacional deveria ser o de reduzir a despesa pública. Se bem me lembro disse mesmo que essa é a única maneira de Portugal deixar de ser o país meio-socialista que ainda é. Aliás, eu até lhe digo o que é que preferia mesmo: redução da despesa, redução do IRC e redução do IRS. Isso é que era bom. Isso e os Beatles voltarem a reunir-se. Mas estamos aqui a falar de um governo que vai durar dois anos, que vai querer tomar medidas rápidas e não vai poder cortar nas despesas. Leia bem o texto: o raciocínio é feito na base:
1) de que a despesa está a aumentar sem que neste exacto momento o governo possa fazer nada – a não ser cortando a eito em coisas que não garantem baixo crescimento da despesa no futuro;
2) de que o ministro quer cortar impostos.
Nestas circunstâncias, querendo mesmo cortar impostos (e podendo, convém lembrar), o melhor é fazê-lo no IRC.
[Luciano Amaral]

Bush/Cheney' 04 ou Santana/Portas 2006

"one thing's  sure...
Pessimism never created a job"

A campanha eleitoral americana lá segue. A dupla Bush/Cheney tem apostado na propaganda negativa e comparativa. Num magnífico filme publicitário (pode ser visto no site oficial da candidatura) intitulado "Pessimism", a atitude destrutiva de Kerry (que tem falado da "grande depressão") é combatida com factos e números sobre o crescimento económico, do emprego e a mais significativa redução de impostos de sempre. O filme termina como o título deste post: "Pessimism never created a job".
Sugiro aos conselheiros de Santana e Portas que vejam os tv ads e transmitam a mensagem aos chefes. [VC]

Read my lips: IRC

Assevera o novo Ministro das Finanças que, se houver margem para corte de impostos, ele será feito no IRS e não no IRC. Como em tempos dizia o Diácono Remédios, a ideia é uma boa ideia. Cortar impostos é sempre uma boa ideia. Cortar no IRS é uma boa ideia porque nos deixa a nós todos que pagamos impostos uma maior percentagem do nosso rendimento disponível para o utilizarmos como queremos e não para ser utilizado como o governo quer. Cortar no IRC é uma boa ideia porque deixa aos empresários uma percentagem maior dos seus resultados para investirem. E mais investimento é bom porque faz a economia crescer e o crescimento faz aumentar o nosso rendimento e, logo, o nosso bem-estar.
Compreendem-se as dúvidas do governo sobre reduzir ou não os impostos. Embora a ideia seja sempre uma boa ideia, as despesas do Estado continuam a aumentar sem que o governo nada possa fazer relativamente a isso: por exemplo, as despesas com o funcionalismo público aumentaram este ano (e até agora) 5% a 7% (digo este número assim de cor), sem que o governo possa travá-las (o aumento resulta de promoções automáticas do pessoal e de reformas). As receitas (também de cor) aumentaram à volta de 2% e a economia cresceu mais ou menos 0,5%. Mantendo-se as coisas como estão vai voltar a haver este ano (e no futuro previsível) um défice no orçamento. Cortar impostos poderá fazer aumentar esse défice.
Há duas maneira de cobrir o défice: ou se arranjam novas fontes de receitas ou a receita aumenta em consequência do crescimento económico. Havendo crescimento, o rendimento total da economia aumenta e, sem qualquer mudança nas formas de obter receita, aumenta consequentemente essa mesma receita, de forma (digamos) automática. Ora, cortar no IRS não faz crescer a economia. Ou melhor, pode fazer, mas apenas por um período curto, já que estimula o consumo e não o investimento. Só cortar no IRC é que faz a economia crescer de maneira duradoura e, portanto, só cortar no IRC é que permite um aumento sustentado das receitas fiscais. Cortar no IRS faz parte daquelas medidas visando satisafazer o eleitorado a curto prazo, que não resolvem nenhum problema, podendo até agravá-los. E pode nem sequer satisfazer o eleitorado, se a economia continuar no passo de caracol a que segue. Cortar no IRC poderia cumprir os dois critérios: satisfazer o eleitorado (graças ao aumento de rendimento trazido pelo crescimento) e ajudar a uma melhor situação das contas públicas. Se eu fosse Ministro das Finanças, quisesse cortar impostos e tivesse margem para isso (tudo dependendo do aumento das receitas, das despesas e da economia), cortava no IRC. Mas enfim, também não deve ser por acaso que não sou Ministro das Finanças.
[Luciano Amaral]

segunda-feira, julho 19, 2004

Strauss e o Bloco

O Rui Tavares diz que é um fã de Leo Strauss , pelo que, suspeito, não deve ter a intenção de se filiar no Bloco nos anos mais próximos. Ou então tem. Vejamos: o Dr. Louçã, seguindo de perto as diatribes académicas e jornalísticas que vê lá fora, tem verberado Strauss como o padrinho dessa temível e tenebrosa conspiração americano-sionista dos neocons instalados na Casa Branca. Mas, pondo de parte a substância do pensamento, Louçã tem muito de straussiano. Para além do incontestado responsável por todos os males do mundo, Strauss é igualmente conhecido por ter anunciado, nomeadamente aqui, a descoberta do que chamou "o estilo de escrita esquecido", o qual mais não era do que a escrita simultânea para diferentes tipos de audiência. Strauss tinha presente a divisão platónica entre os philosofos (os "amigos da sabedoria") e os philodoxos (os "amigos da opinião", que não tinham ainda percorrido o caminho completo que leva da ignorância ao conhecimento, à Verdade, ao Belo) e, a partir dela, chegou ao seguinte silogismo:
 
"Philosophy is the attempt to replace opinion by knowledge, that opinion is the element of the city, hence philosophy is subversive, hence the philosopher must write in such a way that he will improve rather than subvert the city".
 
No fundo, considerando a importância de os filósofos não subverterm a vida em sociedade com as suas verdades privadas e incomportáveis, Strauss acreditava que estes deveriam "esconder" o que verdadeiramente propõem. Daí a opção pela escrita para, pelo menos, dois públicos diferentes: a um deles seria endereçado o sentido exotérico,  superficial e social do texto, enquanto que ao outro estava destinado o sentido esotérico, subentendido e apenas apreensível por uma elite de iluminados.
 
Ora, do que sabemos, o Bloco deve muito a Leo Strauss. Apresenta-se como uma proposta de futuro, sob a aparência hipnotizante da modernidade e da salvação da Humanidade, mas, bem raspada a crosta adocicada que o envolve, o que temos é uma ideia do mundo que o próprio mundo dispensou há muito e de que actualmente guarda apenas uns quantos dejectos em alguns locais menos frequentáveis do seu globo.
 
[Francisco Mendes da Silva]   

Ai era?

"O Louçã era de uma delicadeza, de uma harmonia"
Padre Armindo Garcia, revista Pública
 
[PPM]

Este fim-de-semana descobri...

...que a esquerda blogueira, afinal, o que queria mesmo era um Governo de "especialistas" e "tecnocratas". Deve estar com imensas saudades de Cavaco Silva. Pode ser que as tire (às saudades) nas próximas presidenciais. [PPM]

sexta-feira, julho 16, 2004

A lista

É uma lista difícil, para os jornalistas. Foram muitas as fontes, os rumores e os boatos durante esta semana.
Mas, desta vez, e com as excepções necessárias para acalmar - e calar - os jornalistas, é um governo que foi feito em discrição e com direcção.
 
XVI Governo Constitucional:
Primeiro-Ministro: Pedro Santana Lopes.
Ministro de Estado, das Actividades Económicas e do Trabalho: Álvaro Barreto.
Ministro de Estado e da Defesa Nacional: Paulo Portas.
Ministro de Estado e da Presidência: Nuno Morais Sarmento.
Ministro das Finanças e da Administração Pública: António Bagão Félix.
Ministro dos Negócios Estrangeiros e das Comunidades Portuguesas: Embaixador António Monteiro.
Ministro da Administração Interna: Daniel Sanches.
Ministro das Cidades, Administração Local, Habitação e Desenvolvimento Regional: José Luís Arnaut.
Ministro da Justiça: José de Aguiar Branco.
Ministro da Agricultura, Pescas e Florestas: Carlos da Costa Neves.
Ministra da Educação: Maria do Carmo da Costa Seabra.
Ministra da Ciência e Ensino Superior: Maria da Graça da Silva Carvalho.
Ministro da Saúde: Luís Filipe Pereira.
Ministro da Segurança Social, da Família e da Criança: Fernando Negrão.
Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações: António Mexia.
Ministro da Cultura: Maria João Bustorff Silva.
Ministro do Ambiente e do Ordenamento do Território: Luís Nobre Guedes.
Ministro do Turismo: Telmo Correia.
Ministro-Adjunto do Primeiro-Ministro: Henrique Chaves.
Ministro dos Assuntos Parlamentares: Rui Gomes da Silva.
Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros: Domingos Jerónimo
 
[DBH]

Eles querem, eles podem, eles mandam

Nota breve em homenagem aos adeptos vivos da teoria da conspiração: quem foram os dois políticos portugueses convidados a participar na conferência de Bilderberg 2004 em Stresa, Itália, no início de Junho? Resposta: Pedro Santana Lopes e José Sócrates. O terceiro participante nacional, Francisco Pinto Balsemão, é um frequentador regular das conferências. Nas últimas semanas Balsemão tem sido muito falado como possível candidato presidencial do PSD. Ups!
[Vítor Cunha] 

 

Grande capa da "Le Point"


 
Faz em Agosto 90 anos que os Estados europeus perderam a cabeça. [PPM]

Estranhas misturas

A boca foleira até era aceitável se fosse assinada por algum dos muitos anónimos que pululam por esta blogosfera - incluindo os que tresandam a queijo e que nós não sabemos muito bem se são pagos pelos contribuintes ou por algum saco azul, ou se, hipótese provável, não são mais do que idiotas chapados sem coragem de dar a cara ao manifesto. Agora, sendo escrita pelo bom do Gorjão, ou é falta de assunto ou simples distracção, não consigo vislumbrar outra explicação. Não, Paulo, deixa lá O Independente sossegado e não mistures as coisas, que só te fica mal. Pode parecer azedume e demonstra alguma falta de informação.
[PPM]

O seu a sua dona

O Vítor Cunha não o diz, ainda que tenha feito o link, mas a fantástica ilustração do poste logo aqui em baixo é da fabulosa Vitriolica. Só não compreendo como é que ainda nenhum editor ou director de jornal ou revista portuguesa se lembrou de a ir buscar. Eu cá estaria disposto a assinar já um contrato com ela. Vão lá ver e depois digam se eu não tenho razão.
[PPM] 

quinta-feira, julho 15, 2004

"The beginning of the silly season"



Magnífico. [Vítor Cunha]

Sobre as dez diferenças entre a direita e a esquerda

1. A esquerda diz companheira, a direita prefere dizer a minha mulher;

2. Um idiota de direita é um troglodita, um idiota de esquerda é um livre-pensador;

3. Um magnata de esquerda é um filantropo, um magnata de direita é um capitalista explorador;

4. Um político de esquerda cheio de dúvidas é um intelectual, um político de direita cheio de dúvidas é um fraco;

5. Um erudito de esquerda é um intelectual, um erudito de direita é um exibicionista;

6. Um ministro de direita sem restrições orçamentais é um populista, um ministro de esquerda sem restrições orçamentais é um homem sensível às preocupações sociais;

7. Um católico de direita é um retrógrado, um católico de esquerda, um utópico;

8. Quando a esquerda subsidia a cultura, está a proteger a sociedade civil, quando a direita subsidia a cultura está a fazer propaganda;

9. Uma associação secreta de esquerda é um fórum de reflexão, uma associação secreta de direita é uma corja de malfeitores;

10. O africanismo de esquerda é solidário, o africanismo de direita é neocolonialista.

[Rodrigo Moita de Deus]

UM DIA TINHA QUE SER APANHADO

TSF, Lisboa

"Pacheco Pereira renuncia a cargo na UNESCO
O social-democrata Pacheco Pereira renunciou ao cargo de embaixador da UNESCO, conseguiu apurar esta quinta-feira a TSF. A nomeação já tinha sido publicada em Diário da República, mas o político não pretende tomar posse do cargo.
( 17:02 / 15 de Julho 04 )
O militante social-democrata tinha aceite a indicação do Governo cessante para representar Portugal, mas acabou por mudar de opinião depois dos acontecimentos das últimas semanas.
Pacheco Pereira comunicou esta manhã à actual ministra dos Negócios Estrangeiros, Teresa Gouveia, a sua decisão, segundo fonte próxima do social-democrata ouvida pela TSF.
Esta atitude já era esperada perante as fortes críticas que o político tem lançado em relação ao processo de sucessão de Durão Barroso, mas também ao primeiro-ministro indigitado Santana Lopes."


FONTES PRÓXIMAS DE PACHECO PEREIRA? CAIA O CARMO E A TRINDADE! O MAL DA FONTE ATACOU O DR. PACHECO. QUEM DIRIA? UMA "FONTE PRÓXIMA" DE PACHECO... O HOMEM QUE MAIS TEM ESCRITO CONTRA AS FONTES TAMBÉM TEM «FONTES PRÓXIMAS». QUEM SERÃO AS FONTES PRÓXIMAS DE PACHECO? JORNALISTAS, FAÇAM O QUE PACHECO PEDE E DENUNCIEM ESSAS FONTES: DEPOIS DO QUE PACHECO DISSE SOBRE ELAS, SERÃO CERTAMENTE BURLÕES QUE SE FAZEM PASSAR POR PRÓXIMOS. CHAMEM A POLÍCIA!!

[Vítor Cunha]

Lamento muito mas...

...não posso deixar de dar conta da minha desilusão com o fervor anti-Santana do comentarista António José Teixeira. Um bocadinho de distância e imparcialidade não lhe ficava nada mal. Primeiro, foi a fúria pró-dissolução que o atingiu de forma abrupta e irreversível. Agora, é o ataque cego aos primeiros ministros conhecidos do novo Governo, que o levam a dizer as maiores barbaridades, sempre com aquele tom amável e aparentemente isento que o caracteriza. Opinar que se esperava alguém com mais peso político para o Ministério de Negócios Estrangeiros é simplesmente ignorar o currículo brilhante de António Monteiro, desde logo como embaixador político em diversas paragens e situações, que levou até a insuspeita Ana Gomes a elogiar a nomeação. Sobre Bagão Félix, Teixeira repete lugares-comuns aceitáveis na boca de Francisco Louçã ou Carvalho da Silva, mas impensáveis em alguém de quem se esperava uma opinião minimamente credível. A história da comparação com o primeiro Governo de António Guterres, em que tem insistido sempre que se lhe pede opinião, é aliás infeliz: afinal de contas, o nome escolhido então, perante a alegada recusa de Constâncio, foi o de Sousa Franco - e, julgo eu, nem o próprio AJT poderá dizer agora que se tratou de uma má opção. [PPM]

Sobre o aborto

"But I am sure that if the situation does change then it would be advisable for us to have another look at the whole question. If the scientific evidence has shifted then it is obviously sensible for us to take that into account. If we have proposals to put before the House we will put them."

Estas palavras sobre a interrupção voluntária da gravidez são de Tony Blair, que começa agora a equacionar a aplicação de maiores restrições à lei, reduzindo significativamente o número de semanas em que seria permitido realizar um aborto. Para o primeiro-ministro do Reino Unido, esta inversão justifica-se depois da aplicação de uma nova tecnologia de ultra-sons capaz de produzir uma fotografia nítida de um feto de 12 semanas.
Não pretendo inflamar ainda mais a questão, mas estas afirmações vêm confirmar que o tema do aborto, muito para além de uma questão social, política ou religiosa é, ainda, uma questão científica.
[Rodrigo Moita de Deus]

Perguntas ao Barnabé

A propósito de polémicas sobre a história política moderna, o Rui Tavares afirma que a Democracia na América é “uma obra menor”, “cheia de patetices” (juro que não inventei, está escrito). Caro Rui, tem toda a legitimidade para discordar dos argumentos do livro, para considerar mesmo que a tese é irrelevante. Agora afirmar que se trata de “uma obra menor” é verdadeiramente espantoso, principalmente vindo de um historiador. Não pretendo entrar em grandes discussões sobre o pensamento político moderno (penso que este não é o espaço adequado), mas como é que justifica a sua afirmação? Ou foi apenas um desabafo patético, fruto de irritação, sem qualquer fundamento? Confessa ainda que é um “fã de Strauss” (isto sim, é linguagem à Blitz), afirmando contudo, com um tom crítico, que o antigo professor de Chicago foi “o professor dos neo-conservadores mais importantes”. Mais uma vez, e visto que isto se está a tornar um ponto adquirido entre alguma esquerda nacional, onde é que se fundamenta para fazer tal afirmação? Já agora, se não for pedir muito, quais são os tais “neo-conservadores mais importantes”? E qual é natureza da influência que receberam de Strauss?
[João Marques de Almeida]

O que é preciso

Portugal era o país mais pobre na UE-15 e é um dos mais pobres na UE-25 (tendo mesmo sido ultrapassado, logo à sua entrada, por dois novos membros, Chipre e a Eslovénia). Infelizmente, é muito provável que o país não venha a perder esta dúbia distinção. As economias da UE estão desde há dez anos a esta parte a crescer muito menos do que a dos EUA, com um sério agravamento nos últimos cinco anos. Por estar muito ligada à da UE, a economia portuguesa deverá ser também arrastada por esse ritmo fraco. Como se isso não bastasse, a nossa economia tem todas as condições internas para acentuar o fenómeno. A economia portuguesa continua a ser uma economia semi-socialista: é verdade que se privatizou uma parte importante do património nacionalizado em 1975, mas hoje cerca de 50% da riqueza gerada pelos portugueses é consumida em impostos e gasta pelo Estado. Por este critério, a economia portuguesa é literalmente meio-socialista, já que metade do seu rendimento é administrada pelo Estado. Isto quer dizer que metade da economia está condenada à baixa produtividade e, consequentemente, a criar pouca riqueza. Se a isto juntarmos o facto de a outra metade também estar sujeita a regulamentações herdadas do PREC (no mercado de trabalho, nos subsídios diversos às miríficas pequenas e médias empresas) e às trapalhices exasperantes da celebérrima burocracia portuguesa, temos o receituário ideal para ficarmos na cepa torta onde estamos.
Da metade da riqueza nacional que o Estado engole, a maior parte (2/3, mais ou menos) é dedicada a objectivos “sociais”: a segurança social, o sistema educativo e o sistema de saúde. Há trinta anos que assim é e Portugal continua a ser o país com a distribuição de rendimento mais desigual da UE. Onde estão os magníficos efeitos redistributivos (“sociais”) desta coisada toda? Não há maior ilusão no mundo ocidental do que aquela que diz que a parafernália “welfarista” resolve problemas “sociais”.
O que resolve problemas “sociais” são mercados a funcionar bem, com os direitos dos indivíduos bem definidos. Por conseguinte, o grande objectivo “social” a que qualquer governo português se deveria dedicar seria o de criar um bom quadro para a criação de riqueza, ajudando à existência de condições favoráveis à prática empresarial (muitas vez até contra os empresários existentes, dos quais muitos vivem bem com o actual estado de coisas). Ora, a condição essencial para isso é que o Estado português deixe de engolir tanta da (pouca) riqueza gerada no país e deixe de tentar administrá-la – a isto acrescendo a reforma das absurdas regulamentações de mercados e coisas acessórias que devem ser feitas no tal domínio da burocracia e também da justiça (qual é, por exemplo, o empresário estrangeiro que encara com bons olhos investir em Portugal correndo o risco, no caso de litígio, de ficar 10 ou 15 anos à espera de uma decisão judicial). Eis aqui o verdadeiro programa “social” de que o país precisa. Alguém o vai comprar? Para (ainda maior) tragédia nacional, não creio.
[Luciano Amaral]

As contradições do Barnabé

Num poste, Daniel Oliveira afirma que “ser eleito dá dignidade a um político”, é mesmo a “única” fonte de “superioridade moral”; concluindo que “na política, quem nunca foi a votos é só uma promessa”. Mais em baixo, em cima das fotografias de Santana Lopes e Sócrates escreve a seguinte legenda: “acabou-se a política”. Afinal em que ficamos, caro Daniel? Santana Lopes e Sócrates já foram a votos e já foram eleitos (no caso do primeiro, quer em listas partidárias quer em eleições autárquicas); ou seja, segundo as suas palavras, já não são “promessas políticas” e têm “superioridade moral”. Como é que pode escrever que “acabou-se a política”? É simples. A única coisa que motiva o Daniel é a crítica aos adversários políticos. Para criticar Durão Barroso e Vitorino, sublinha a importância das eleições, dando-lhe um carácter moral; depois, para criticar Santana Lopes e Sócrates, esquece completamente o que tinha escrito antes. São exemplos destes que levam a que muitos não consigam levar o BE a sério.
[João Marques de Almeida]

Nomes e políticas

Os críticos ferozes da nova solução governativa vão ter que começar a repensar os ditos e os feitos futuros. Os primeiros nomes conhecidos para o novo governo indiciam apenas um excelente executivo. E pelos vistos ainda faltam algumas supresas. Já quanto às políticas, aí subsistem dúvidas: o regresso do chavão "social", na linha da fase última de Barroso, promete o pior. A ver vamos. Ou será que "social", no actual contexto, tem outro sentido, eventualmente mais lúdico e pink? [Vítor Cunha]

9/11

Não, este texto não é sobre o filme marginal que a esquerda tonta elegeu e a maquiavélica produziu. É sobre a data escolhida pelo PS para a eleição do seu novo líder: 11 de Setembro. Porquê 11 de Setembro? Será que o promissor Sócrates vai destruir as torres? Estou a necessitar de um curso acelerado de "semiótica das datas". [Vítor Cunha]

quarta-feira, julho 14, 2004

A falta de coerência e o excesso de vontade

O Bloco de Esquerda tinha uma enorme, e não escondida, expectativa em relação à decisão presidencial da passada sexta feira. Já estavam a planear as listas de deputados, a fazer tempos de antena e a desenhar novos cartazes (seriam sempre em grande quantidade), mas afinal o Presidente acabou por tomar a opção óbvia: indigitar para Primeiro Ministro o líder do maior partido da coligação formada no Parlamento.
A primeira reacção, vista por todos nós, foi de clara irritação. No entanto, apesar da desilusão não ficaram parados. Logo, lançaram, pela enésima vez, o argumento de que Santana Lopes não tinha sido “votado” para Primeiro Ministro. Os cartazes, como é costume, lá apareceram.
Eu não acreditava no que estava a ver e a ouvir. A chamada “esquerda inteligente” repetia fora de horas uma ideia negada pelo discurso presidencial. Os argumentos para refutar esta tese são vários. Apesar de tudo, há um que ainda não foi referido: o Bloco de Esquerda é precisamente o mesmo partido que criticou, nas últimas eleições de 2002, a transformação do acto eleitoral para o Parlamento na escolha de um Governo. Quem tanto bradou - e bem - que as eleições legislativas apenas servem para eleger deputados, hoje só pode ser visto como um bloco de incoerência.
Mas não se ficam por aí. Já vieram dizer que nos Açores podem apoiar um executivo do PS. É bom que estes exemplos se repitam. Assim, fica muito claro que o partido anti-poder, das causas e dos escândalos apenas pretende um dia poder ter ministros. Já escolheram o parceiro. Agora será bom que este, e os candidatos ao lugar de Secretário Geral, digam o que acham sobre este companheiro. A resposta a esta questão tornará com toda a certeza os próximos tempos interessantes.
[Diogo Feio]

O Acidental segundo os seus leitores *

"Caro Paulo,

Gostei do seu 'post' sobre a o desconhecimento, por parte da esquerda portuguesa, dos pensadores iluministas anglo-saxónicos e dos Founding Fathers. Hoje [ontem], no Observador, escrevi um 'post' precisamente sobre isso. Amanhã [hoje] continuarei referindo-me à resposta do Rui Tavares do Barnabé.

A esquerda, por ser ignorante na matéria, sempre menorizou os pensadores americanos e ingleses. Se tivermos em conta que Portugal sempre foi um aliado privilegiado da Inglaterra, é pena que, precisamente a partir do século XVIII (quando surge o Iluminismo) nos tenhamos deixado influenciar pelo racionalismo francês. Uma praga que dura até aos dias de hoje. Espero que estejamos finalmente a colmatar esta grande falha.

Melhores Cumprimentos e continuemos nesta luta, :-)
André"



"o paulo pensava que a grande fonte de inspiração da revolução americana fosse a revolução francesa?
deve-se à RF a ideia de que o povo tambem conta (dito de forma muito básica ) e não à monarquia inglesa
penso que o ideal da rF deve ser comum aos democratas
essa merda de que a esquerda tm nos genes a violência não só é injusto como é uma aldrabice que desonra quem a faz
Sérgio Bastos"



"Caro Vítor Cunha,

Três posts geniais:
- Eles querem, eles perdem
- Procura-se
- O Fim da utopia

Os meus parabéns.

Esperemos que o PS finalmente tome juízo e faça eleger
uma direcção de centro-esquerda ou esquerda moderada
que não transija com os "orfãos do muro de Berlim" e
se afirme defensora da democracia tipo ocidental por
uma questão de princípio e não por uma questão
instrumental.

Cumprimentos
Luís Ferreira
www.largo-do-rato.blogspot.com"


* Este é um daqueles títulos à Abrupto que eu sempre quis fazer.
[PPM]

terça-feira, julho 13, 2004

We understand, Tony



Vitorino alegou falta de motivação para se candidatar à presidência do PS. Nós entendemos. Toda a instabilidade, um cargo só por dois anos, enfim...

...Ainda se fosse por cinco anos e com vista para o Tejo!
[DBH]

Afinal, não vem

António Vitorino não vai candidatar-se a líder do PS. Foi o próprio quem o disse, hoje, directamente de Bruxelas, para que ninguém ficasse com mais ideias. E agora só resta Sócrates, para infelicidade de muito boa gente da esquerda moderada, que não parece mas também existe em Portugal, incluindo o bom do Paulo Gorjão.
[PPM]

Qual é?

O CDS voltou ao Partido Popular Europeu, preservando a liberdade e a identidade quanto às questões europeias, de acordo com o artigo 5º dos estatutos do Grupo Parlamentar. Facto. O maior partido europeu elegeu hoje o cabeça-de-lista da coligação Força Portugal, João de Deus Pinheiro, como seu vice-presidente. Facto. Portugal reforça assim a sua influência no Parlamento Europeu e na União Europeia. Facto. A decisão do CDS deixou Manuel Monteiro cheio de dores de cotovelo. Facto. Manuel Monteiro bem tentou mas não conseguiu ser eleito para o PE e agora insulta os que lá estão. Facto. A esquerda blogueira critica este regresso do CDS ao seu antigo Grupo Parlamentar europeu, mas criticava também a presença do CDS num grupo que dizia ser de extrema-direita. Facto. Miguel Portas do BE já terá grupo parlamentar? Dúvida.
Qual é?
[PPM]

Quase Famosos

Vou passar a ler também o Francisco Mendes da Silva no Quase Famosos. Desde que não sirva de desculpa para não escrever mais no Acidental. [PPM]

Os valores da esquerda literal

Eu já lá pus no Barnabé um comentário a este poste pretensamente irónico de Rui Tavares, mas tenho também de lhe dar resposta rápida aqui no Acidental. Assim, se pretender tirar dúvidas sobre precedências ideológicas e não apenas meramente cronológicas, entre as revoluções inglesas, a Revolução Americana e a Revolução Francesa, aconselho vivamente que leia "O Antigo Regime e a Revolução" de Alexis de Tocqueville. Ficará assim a saber que os revolucionários jacobinos mantiveram intactos muitos dos defeitos da monarquia absolutista da França pré-revolucionária, acrescentando-lhes pouco mais do que a violência e o terror. São estes valores genéricos da Revolução Francesa que a esquerda, em geral, continua a partilhar e a defender, e que a direita deve sempre combater, preferindo o predomínio da lei e do equilíbrio de poderes herdados da tradição democrática anglo-saxónica. E é só. [PPM]

O passo capital

"A Capital" tornou-se motivo das mais diversas anedotas desde que passou a ter como director o pós-semiótico de esquerda, Luís Osório. A capa mais extraordinária dos últimos tempos na imprensa portuguesa saiu porém na sexta-feira passada, com o diário lisboeta a fazer manchete com um suposto "Verão Quente de 2004" e a frase "Hoje ou amanhã Jorge Sampaio falará ao país e marcará eleições antecipadas". A merecerem um prémio também as duas páginas interiores do mesmo dia com as mais variadas capas em que se demonstrariam as invulgares capacidades divinatórias do jornal, com o título de “A Capital, sempre um passo à frente”. O tom categórico e sem quaisquer dúvidas com que "A Capital" afirmava o que se verificou ser afinal um palpite errado, supostamente baseado em fontes "absolutamente fidedignas" - deviam ser as mesmas de Francisco Louçã - foi explicado logo no sábado em editorial por director e director-adjunto. Mas os dois responsáveis pela profecia frustrada ainda se dão ao luxo de se mostrar zangados com a decisão presidencial, chegando ao ponto de escrever que "o Presidente já não é propriamente um democrata, é mais um homem que teve medo que julgassem que estava a fazer um favor ao Partido Socialista". Isto no mesmo parágrafo em que dizem exactamente o contrário, ou seja, que Jorge Sampaio decidiu "com enorme coragem, muito mais do que a que precisava se a sua decisão fosse a contrária". Moral da história: ao pretender estar sempre um passo em frente, “A Capital” deu um passo em falso e meteu os pés pelas mãos.
[PPM]

O País é que não esquece...

"Às vezes quase já nem sequer me lembro de que fui primeiro-ministro"
Mário Soares, Expresso

E quem não beija a mão da mulher...

"Quem meus filhos beija, a minha boca adoça"
Mário Soares, Expresso

[PPM]

Seja feita a sua vontade

"A coligação ajudou a enfraquecer o Partido Popular Europeu, partido em que os deputados do PSD se integram. Sendo agora menos no PPE (sete em vez de nove) dificilmente conseguirão quer através do método de Hondt, quer de negociações, obter cargos relevantes para os portugueses, mesmo apesar da maioria PPE do próximo Parlamento Europeu (PE) . Pelo contrário, os dois deputados do PP que se integram noutro grupo político europeu ( o PP foi expulso do PPE) , a União para a Europa das Nações, mantêm a mesma força política, mas, como seu grupo conta menos no PE, isso é irrelevante. No seu conjunto, a representação nacional onde mais conta, no PPE, está mais fraca."

José Pacheco Pereira, 15.06.2004

[Francisco Mendes da Silva]

Aldrabice

Afinal, a 2: está a repetir a 4ª série dos "Sopranos". O que foi anunciado como o regresso dos "Sopranos" é - apenas - uma reposição de Verão. Para entreter durante 13 semanas. A 2: já entrou em saldos.
[Vítor Cunha]

segunda-feira, julho 12, 2004

Dentes anti-Bush




A oposição a George W. Bush está muito confiante nas suas dentaduras brilhantes. Um argumento político de peso. O melhor é ler o artigo. Para saber como limpar os dentes. E admirar os requintes da esquerda americana. Lá como cá, uma imagem vale mil votos.

[Vítor Cunha]

O regresso de Tony




22.30, na 2:

Os Sopranos. Imperdível. [Vítor Cunha]

A estranha natureza do BE

Quando Ferro Rodrigues pediu a demissão, pensei: será que Louçã algum dia pedirá a demissão? É óbvio que não, formalmente ele não é líder do Bloco de Esquerda. A situação é aliás curiosa. Formalmente, não há um líder, nem, rigorosamente, uma direcção. Por isso, não há demissões, ninguém é responsabilizado, nem há oposição interna (o que mostra bem a natureza democrática do BE). No entanto, no plano substancial, Louçã é o líder do BE. É a figura mais carismática e com maior visibilidade. Em todas as sondagens com os líderes dos outros partidos, é ele que aparece. Ou seja, é um líder sem o lado negativo da liderança, nunca perde pessoalmente com as derrotas políticas; mas tem o lado positivo, ganha sempre com as vitórias.
Duas conclusões. É a vitória do populismo político: os meios de comunicação e a “opinião pública” fazem dele um líder, que nunca tem que responder perante os órgãos do partido (será que existem?). O BE não passa de um grupo cuja máxima aspiração é conseguir “lugares” para os seus dirigentes: "lugares" de deputados, de deputados europeus ou mesmo de ministros, se Portugal não fosse uma democracia representativa e parlamentar, mas sim uma democracia directa, como eles quiseram nas últimas duas semanas.
[João Marques de Almeida]

A dupla derrota do Bloco

Juntamente com Ferro Rodrigues, o Bloco de Esquerda foi o grande derrotado com o triunfo da democracia parlamentar. A primeira derrota foi obviamente o facto de o Presidente da República não ter marcado eleições antecipadas. Aparentemente, os rapazes já faziam listas de deputados. O professor Fernando Rosas já se via deputado por Setúbal. Nos momentos de maior optimismo, até deveriam achar que poderiam chegar quase aos 10 por cento, a grande ambição bloquista. O Daniel Oliveira, de um modo deselegante, mas com evidente satisfação, sonhou com o Paulo Mascarenhas a arrumar os “papéis” (por vezes os sonhos tornam-se pesadelos, quem sabe se o Paulo não lhe pedirá uma ajuda daqui a dois ou seis anos). Afinal, nada. Mas para o BE não fica tudo na mesma. E aqui chegamos à segunda derrota: o momento de demissão de Ferro Rodrigues. Para chegar ao poder, ou para influenciar o poder através de acordos parlamentares, o Bloco precisa de um PS “à esquerda”. A demissão de Ferro significou a derrota “deste PS”. Devemos ir ainda mais longe. A contestação à liderança do PS, apesar do excelente resultado nas eleições europeias, resultava da oposição da maioria dos dirigentes com peso à radicalização do partido. Por outras palavras, há no PS uma grande oposição a acordos políticos com o BE. Vamos ver se o Bloco retira as lições adequadas do que se passou. Para o fazer, os seus dirigentes terão que perder a superioridade moral que os caracteriza e serem um pouco mais humildes. Duvido que sejam capazes.
[João Marques de Almeida]

Um presente para a malta do BE

A esta não resisto

Tanta e tão boa gente criticou o argumentário que o CDS entregou em Belém, mas ninguém se lembrou de reconhecer que, no discurso de sexta-feira, Jorge Sampaio o citou, citando-se. O Presidente da República terá assim, ele próprio, "truncado" e "omitido" parte "substancial" dos seus textos passados. Isto porque não invocou, para caracterizar a actual situação, os tais argumentos das "circunstâncias excepcionais e muito estritamente delimitadas" que o mesmo CDS tinha sido acusado de "truncar" e "omitir". Ou será que não constavam do argumentário do CDS simplesmente porque não se aplicavam ao momento político? [PPM]

Sobre os socialistas

Na sexta-feira o Partido Socialista perdeu um secretário-geral, mas a esquerda ganhou um grande candidato às presidenciais. Guterres que se acautele. Ferro Rodrigues é a escolha mais óbvia. [Rodrigo Moita de Deus]

Esclarecimento geral

É verdade que eu sou militante do CDS/PP, como alguns blogueiros de esquerda têm vindo a insistir, quase como se de um insulto se tratasse - ai, essa falta de espírito democrático, meus caros. É verdade que o blogue O Acidental foi criado por mim. Mas é verdade também que O Acidental não é um blogue do CDS/PP, bastando lembrar aos menos informados que entre os nossos convidados acidentais se contam pessoas que nada têm a ver com o meu partido, como é o caso do João Marques de Almeida, do Vasco Rato, do Vítor Cunha ou do Luciano Amaral. Para além disso, as minhas opiniões são só minhas e só a mim me responsabilizam, não peço licença nem espero autorização de ninguém para as escrever. Por isso, não se ponham com disparates e não reduzam tudo a meras questões partidárias, que só lhes fica mal. [PPM]

Nova desilusão

Eu gosto de ler o Blasfémias, um dos meus blogues preferidos. Apesar das diferenças de opinião, gostava também de ler o Carlos Abreu Amorim (CAA), do Nova Democracia, mas não posso deixar de considerar infeliz a forma como se despede - por uns tempos? - da blogosfera, aproveitando a ocasião para atacar O Acidental. Ainda assim, compreendo o desgosto. Calculo que a inesperada despedida tenha a ver também, pelo momento escolhido, com a profunda desilusão que a decisão presidencial lhe provocou: afinal de contas, se as notícias que saíram são correctas, a ND iria integrar as listas do PS em putativas eleições antecipadas, no lugar do grupo dos humanistas católicos de Maria do Rosário Carneiro. [PPM]

Sampaio e a esquerda perdida na História

A excitação e o desespero dos blogueiros de esquerda com a decisão de Jorge Sampaio, reduzindo uma questão de Estado e de Direito ao habitual sentimentalismo bacoco que só a psicanálise poderá dissecar, comprovam a inteira justiça da posição presidencial. O problema da esquerda, em geral, é que ainda vive de acordo com os modelos resultantes da Revolução Francesa e não chegou aos capítulos das duas revoluções inglesas e da Revolução Americana dos “Founding Fathers”. [PPM]

Aviso útil

O texto aqui em baixo do Eduardo já devia ter sido publicado no sábado, mas a gerência do Acidental esteve em período de reflexão durante o fim-de-semana e só hoje o pudemos publicar. Como se costuma dizer nestas ocasiões, pedimos desculpa ao autor e aos leitores pelo atraso. Mas ainda vai a tempo. [PPM]

Tempos Sombrios?

A inacreditável cena de Ana Gomes à saída do Rato; a patética demissão de Ferro Rodrigues; as anormalidades recorrentes de Francisco Loução, agora em tom ainda mais trágico. Um cenário de tal maneira lastimável onde quem se portou menos mal foi Carlos Carvalhas. Este é, para já, o estado da nossa esquerda.
Serão duros e sombrios os tempos que se seguem…
... mas, de certeza, menos perigosos do que aquilo que poderiam vir a ter sido. [ENP]

domingo, julho 11, 2004

All-mighty Europe

Bruxelas nos tira


Bruxelas nos dá?

[DBH]

Desilusão para o eleitorado do PS

Os eleitores do PS não foram à praia e lá elegeram Ana Gomes para ir para Bruxelas. Parece, afinal, que ela já não quer ir para a Bélgica - prefere antes a clandestinidade.
[DBH]

sábado, julho 10, 2004

Eles querem, eles perdem



Francisco Louçã é o grande derrotado da noite de 9 de Julho. O Bloco segue dentro de vários anos. [Vítor Cunha]

PROCURA-SE



Mais uma fuga a abalar o PS. Desapareceu de casa na sexta-feira à noite. Aparenta distúrbios vários. Pode ser perigoso. Há quem garanta que caminha para Belém. [Vítor Cunha]

O fim da utopia




Sexta-feira, 9 de Julho de 2004. O MES morreu. [Vítor Cunha]

sexta-feira, julho 09, 2004

Celebrações



"A alegoria da Fé", de Vermeer van Delft. Nada melhor para uma noite como esta. [Vítor Cunha]

Pergunta ao Daniel, Rodrigo

Rodrigo, envia as tuas perguntas para o Daniel Oliveira, do Bloco de Esquerda, que ele terá resposta pronta para todas essas tuas dúvidas existenciais. [PPM]

As perguntas sem resposta

Os recentes desenvolvimentos no actual panorama político português, fazem com que o cenário “Louçã senhor ministro” passe de delírio provocado pelo abuso de drogas leves, a serena possibilidade presidencial. Assim sendo, para nos prevenirmos para o futuro, acho que já é tempo de sabermos o que o Bloco de Esquerda pensa sobre alguns temas importantes.
Por isso, aqui deixo aos camaradas umas perguntitas para as quais agradeço resposta:

1. Qual a doutrina do Bloco de Esquerda quanto à propriedade privada?

2. Acredita na economia de mercado? Prefere a intervenção do Estado? Com que grau de envolvimento? Num governo seu haverá nacionalização dos principais sectores económicos?

3. Ainda faz sentido falar sobre luta de classes? A abolição das classes é mais do que uma utopia? Como se processará esse fim das classes?

4.A democracia parlamentar é um fim ou um meio? A revolução é um fim ou um meio? A democracia popular é um fim ou um meio?

5. Substituiria o sistema político actual por um sistema de sovietes?

6. E mais importante ainda: acredita em mecanismos fortes de controlo de uma contra-revolução? Que castigo para os inimigos do povo?

Com os melhores cumprimentos,

[Rodrigo Moita de Deus]

ELE JÁ SABE



JV
(Cortesia No Quinto dos Impérios)

O feitiço

Na semana passada fui convidado para participar no Acidental. Aceitei e aqui estou para a estreia.
Hoje de manhã ouvi o Dr. António Costa, por muitos apelidado como o “melhor ministro da Justiça dos tempos democráticos”, dizer que a nomeação de um novo Governo aproveitaria de uma situação de impossibilidade de dissolução da Assembleia da República durante um ano.
Para o efeito citou a Constituição e disse que ficaria em causa o funcionamento eficiente do sistema de cheks e balances (ou melhor o controlo efectivo entre o Presidente da República, Assembleia da República e Governo). Seria um Governo totalmente livre durante um ano.
A ideia de base era simples: o Presidente da República não poderia dissolver a Assembleia da República, nos últimos e primeiros seis meses do seu mandato. Acontece que a Constituição não diz isso. Os limites temporais para a dissolução são outros.
Não sei se o antigo líder parlamentar do PS seria chumbado no primeiro ano de Direito, mas a Constituição determina a impossibilidade de dissolução nos primeiros seis meses posteriores à eleição da Assembleia da República, no último semestre do mandato do Presidente da República e durante a vigência do estado de sítio ou estado de emergência (nº 1 do artigo 172º).
Isto é, para além da manutenção a todo tempo do direito de veto de diplomas legislativos e da possibilidade de demissão do Governo, o efeito é precisamente o contrário. Se houver eleições legislativas antecipadas em meados de Outubro, a Assembleia não poderá ser dissolvida nos seis meses posteriores à sua eleição, nem nos últimos seis do mandato presidencial. Logo, teríamos a impossibilidade de dissolução durante um ano independentemente da estabilidade, ou falta dela, da situação que saísse das urnas. Aqui está um caso em que o feitiço se vira contra o feiticeiro. Espero que Belém pondere este cenário.
[Diogo Feio]

A corrida


[Fotografia pedida emprestada ao Porta-Bandeira]

Parabéns à razão

A Razão das Coisas fez ontem um ano. Parabéns ao Afonso e companhia ilimitada. [PPM]

quinta-feira, julho 08, 2004

Fazer política

Acordo cedo e orgulhoso pelo feito, já que nenhuma obrigação mo impunha. Mas logo me arrependo. Manuel Alegre irrompe pela frequência da TSF, preparando os camaradas para a dificuldade do confronto eleitoral que, pelos vistos, aí vem. E, em especial, para a desonestidade dos adversários, essa "gente sem quaisquer escrúpulos, capaz de tudo", dona "do mais desbragado populismo", segundo descrição do poeta de Águeda. Vamos lá ver: o dislate diz menos sobre uma eventual maldade intrínseca do Dr. Santana Lopes (de quem não gosto particularmente) e do Dr. Portas (de quem gosto particularmente) do que do bafio intelectual em que Alegre se move e da ilusão que preenche a sua ética lírica e bolorenta de que a superioridade moral do PS lhe dá o direito quase divino de governar a paróquia. O estilo (uma mistura entre o épico, o apocalíptico e o simplesmente lamechas) é esteticamente discutível, porém inconfundível. Conhecê-mo-lo de aplicações indiscriminadas, seja a Luís Figo, ao cão lá de casa ou ao revolucionário boliviano da boina basca. Todavia, o tratamento mediático de tais declarações merece atenção. Sabemos que ao Dr. Portas, por exemplo, basta um soluço ou um espirro envergonhado para choverem os piores insultos, enquanto que os delírios quixotescos de Alegre e consortes são apenas veiculados sem mais, como se de sentenças definitivas proferidas pelos mais sábios da tribo se tratassem. A direita partidária em Portugal queixa-se com frequência assinalável do desequilíbrio para a esquerda na comunicação social. Tem razão quanto ao desequilíbrio mas não se pode queixar. Porque se este existe, a culpa é essencialmente sua, na forma como perdeu o combate cultural do pós-25 de Abril, recostando-se nos cadeirões das quintas do norte ou escondendo as mágoas nas bibliotecas das universidades. Enquanto que a esquerda se mobiliza em bloco em todas as frentes onde é possivel fazer política (não se coibindo quem milita em partidos de utilizar os media e não se envergonhando quem debita opinião de dar a cara por partidos), a direita continua presa no seu imobilismo e sectarismo, faltando perceber a grande parte dela que as ideias superiores que professa são letra morta enquanto insistir em desprezar o poder. Razão tem Rui Ramos: "Desde 1976, com liberdade de expressão e de actividade partidária e eleições limpas, a esquerda mais sábia e hábil soube manter a sua predominância, em parte pela relutância da direita em fazer política". Nem mais. [Francisco Mendes da Silva]

Sítio em construção

As ligações perigosas estão de volta, mas ainda em construção. O Acidental segue dentro de momentos, com mais informações e surpresas. Como o País, repito. [PPM]

Um presente para o BE



Bloco de Esquerda Já Está a Preparar Eleições
Quinta-feira, 08 de Julho de 2004

Na plataforma partidária de Francisco Louça, Luís Fazenda e Miguel Portas já se pensa em tempos de antena, listas e programas eleitorais.

Francisco Louçã afirmou que "numa eventual futura sessão legislativa" só aprovariam "políticas, Governos e Orçamentos com os quais estivessem de acordo".

Público


[PPM]

Henrique Mendes (1931-2004)



Nós gostávamos dele. Henrique Mendes foi sempre um homem bom. [PPM]

O sentido das coisas

Um artigo interessante sobre o nome que se dá a algumas coisas. [Vítor Cunha]

O ingrato!

Segundo o Público, um dirigente político terá reagido assim à pergunta de um jornalista sobre a eventual dissolução da AR:
-"Mas há dúvidas lá no seu estaminé?"

Em qualquer altura e a qualquer momento isto seria uma ofensa grave contra a "all mighty" imprensa, contra a liberdade de opinião. Isto seria considerado "pouco elegante", "arruaceiro" e mesmo "a prova de que a política bateu no fundo". Seria mesmo considerado uma "pressão insustentável", uma tentativa de "censura".

Mas não, nada disso, quem disse esta frase foi Francisco Louçã. Por isso não há problemas, está tudo bem.

Com esta ingratidão lá o vamos conhecendo melhor.
[DBH]

quarta-feira, julho 07, 2004

Telepatias e originalidades

O sempre original Daniel Oliveira, que já deve andar a arrumar a papelada e os telemóveis dos célebres sms, certamente convencido que vai - yes! - para um putativo governo unitário de esquerda, parece ter descoberto a pólvora constitucional.
Segundo escreve no Barnabé, existem duas classes de eleitores: os de primeira, que votam no PS e no PSD, com direito a escolher primeiro-ministro; e os de segunda classe, que votam no PCP, no CDS ou no Bloco de Esquerda e não querem escolher o primeiro-ministro, apenas "condicionar" o Governo ou "eleger" quem lhe faça oposição.
Eu até aceito que o Daniel Oliveira possui especiais capacidades telepáticas e só ele sabe quais são as intenções de voto dos eleitores das duas diferentes classes, mas os seus evidentes dotes não me impedem de lembrar que não é isso que está escrito há 30 anos no sistema eleitoral e constitucional.
Na verdade, o Daniel Oliveira defende um sistema bipartidário - afinal, diz ele, o PSD e o PS é que são responsáveis por isso, os malandros apresentam os seus lideres como candidatos a primeiro-ministro - sendo que os restantes partidos servem para pouco mais do que animar as campanhas eleitorais e sentar-se nas cadeiras que sobram no Parlamento ou no Governo.
É, reconheço, uma ideia muito fashion, muito moderna, muito bloco, mas não me parece que venha a fazer doutrina. Ou, quem sabe, talvez faça, se o Louçã e o Fazenda conseguirem chegar ao poder. Tudo é realmente possível no partido que gosta de bater forte. [PPM]

Só nos faltam as ligações

Já temos o contador de volta, mas faltam-nos ainda as nossas ligações perigosas. Pedimos desculpa aos nossos blogues preferidos, mas a emissão segue dentro de momentos. Como o País, aliás. [PPM]

Idade para ter juízo

"Cristo teria sido maçon, do PS, e seria pela dissolução neste momento", disse Almeida Santos, citado hoje pelo "Diário de Notícias". O disparate devia ter limites. E pela descolonização, não? E militante da carbonária? Talvez do PS? Tenha juízo que a idade aconselha e a asneira recomenda. [JBR]

A legitimidade de Sampaio

Parece que caminhamos inexoravelmente para eleições antecipadas. Os “argumentos” são dois. Primeiro, será a única forma de ultrapassar a “instabilidade” e, segundo, a “maioria deixou de ser maioria”, ou seja, o parlamento já não “corresponde” ao “sentimento” da opinião pública. Quanto ao primeiro, escrevi aqui, ontem, que foi Sampaio quem a gerou a instabilidade. Nada quero acrescentar.
Quanto à questão da correspondência entre a maioria parlamentar e a opinião pública, julgo que se trata de um “argumento” oportunista e perigoso. É mais do que evidente que a composição do parlamento apenas corresponde à opinião pública no dia em que é eleito. Um mês depois, seis meses depois, há alterações na opinião pública. A Assembleia da República – praticamente desde o primeiro dia – deixa de ser um espelho da opinião pública. Se isto é verdade, também é irrelevante.
A legitimidade política resulta do sufrágio, e do mandato dele resultante, e não da opinião pública em determinada conjuntura. Não se confere legitimidade por sondagem. No caso actual, a maioria continua a ser legítima até às próximas eleições. Ninguém nega que Sampaio pode provocar eleições, mas não o pode fazer invocando o argumento de que a maioria deixou de ser maioria. Porque, se assim for, teremos de fazer eleições para muitas câmaras do país. Se assim for, teremos de fazer eleições legislativas de acordo com as sondagens; viveríamos uma democracia plebiscitaria e não uma democracia representativa. Se assim for, convém fazer novas eleições presidenciais. Ao convocar eleições antecipadas, Sampaio irá pôr a sua própria legitimidade em causa. Disso pode ter ele a certeza.
[Vasco Rato]

Eles que se expliquem e logo se vê

Antes que seja tomada a decisão do Presidente da República, gostava apenas de acrescentar alguns esclarecimentos à posição sobre a crise política que adiantei há uns dias atrás aqui n’O Acidental:
1. Sou a favor de eleições antecipadas, mas gostava de tornar claro que essa posição não se confunde com uma idiotice que tem tido grande circulação por aí, de acordo com a qual só essa é uma solução “legítima” para a resolução da crise política. A ver se nos entendemos: criou-se uma determinada situação política, que se resolve através de uma decisão do Presidente da República. O Presidente da República pode escolher a dissolução do parlamento ou não, e ambas as decisões são “legítimas”, sendo cada uma delas perfeitamente defensável. Os argumentos para as defender, naturalmente, diferem. Mas não afectam a sua “legitimidade”.
2. Sou a favor de eleições antecipadas, mas não sou nisso movido pelo sentimento da moda, o “asco a Santana”. Não posso ter, de resto, asco político a uma pessoa de quem desconheço inteiramente as ideias políticas. O “asco a Santana”, como facilmente se percebe, não passa senão de uma nova versão (adaptada à nova personagem) do “asco a Cavaco” nos anos 80. Cavaco era o filho do gasolineiro algarvio que não sabia o número de cantos dos Lusíadas. Santana não é intelectual e não provém da “classe média alta, ilustrada e progressista”, que parece ser o berço necessário para se fazerem certas coisas em Portugal. Não gosto nem desgosto de Santana Lopes. Ele que me diga o que quer fazer e eu logo vejo se o apoio ou não.
3. Sou a favor de eleições antecipadas porque este governo acabou sem que exista uma razão válida para isso. Volto a pedir desculpa, mas ser-se convidado para presidente da Comissão Europeia não é razão para a demissão do cargo mais importante a que um político pode aspirar: o de chefe do governo do seu país. Como muito bem dizia outro dia Vítor Bento, ninguém está a ver Tony Blair, Gerard Schroeder, Jacques Chirac, Sílvio Berlusconi ou até o tão ridicularizado José Luís Zapatero a demitirem-se dos seus cargos pelo mesmo motivo. A acção de Durão Barroso é o maior atestado de menoridade e irrelevância que ele pôde passar ao nosso (seu) país. Mais uma vez, quanto mais não seja por isto, a maioria não merece estar no governo sem novo teste eleitoral. Acrescendo que o passo tomado por Durão Barroso vem na sequência da óbvia incapacidade do governo para resolver os problemas que se propôs resolver e deveria ter resolvido (ou pelo menos dar indicações de que estava a trabalhar para os resolver). O potencial de crescimento das despesas públicas continua o mesmo agora do que há dois anos e meio atrás, o potencial de ocorrência de défices orçamentais o mesmo continua, a reforma dos sistemas de saúde, segurança social e justiça ficou no tinteiro, a reforma do mercado de trabalho foi insignificante, as condições para a prática empresarial continuam o desastre do costume. A sociedade e a economia portuguesas continuam no seu anacrónico semi-socialismo e assim se continua a impedir a prosperidade e uma maior liberdade no país. Claro que nenhum governo pode resolver isto tudo, muito menos numa legislatura. Mas tem de, pelo menos, dar sinais de que o quer fazer. Tem de marcar a agenda. Tem de mostrar que esse é o caminho, mesmo que não faça nem um décimo do que deveria ser feito. Ora, o passo de Durão foi o corolário de um governo inteiramente fracassado em todos estes aspectos. Eu não sou, portanto, a favor de eleições antecipadas por achar que é a única solução “legítima” ou porque Santana Lopes é “populista”, mas porque este governo (como as célebres mensagens secretas da série Missão Impossível) se auto-destruiu.
4. Sou a favor de eleições antecipadas porque elas podem ser a oportunidade para o PSD e o CDS se livrarem da canga conformista que criou o desastre do último governo e surgirem com um verdadeiro programa de liberalização da sociedade e da economia portuguesas. Se Santana Lopes for o protagonista desse tipo de ideias, não tenho o menor problema em votar nele. Se não for, não vejo razão para o fazer. Nada me liga pessoalmente ao PSD, ao CDS, a Santana ou a Portas. Para além da simpatia pessoal, não teria, portanto, razões para os apoiar nas actuais circunstâncias, em que nenhum deles explicou o que é que pretende fazer. Mas eles que se expliquem, eles que façam propostas políticas claras e talvez aí haja razões para os apoiar e votar neles.
[Luciano Amaral]

O regresso do gonçalvismo




Diz o "Público" de hoje que o Presidente da República deverá convocar eleições legislativas antecipadas. O mesmo jornal refere que Francisco Louçã garantiu ao Presidente estabilidade política, apoiando em sede parlamentar os documentos fundamentais para a acção governativa, como o Orçamento de Estado, caso o PS vença as eleições sem maioria absoluta.

Se vier a confirmar-se esta opção, teremos, em Outubro, uma das eleições legislativas mais dramáticas destes 30 anos. De um lado as forças liberais, moderadas, do outro o gonçalvismo.
Será que o PS resiste? [Vítor Cunha]

A nova República

A "crise" política inventada pela Esquerda e pelo Presidente da República tem servido para a consolidação de algumas aberrações.
Guterres tinha inaugurado a obnóxia tese da invalidade das eleições legislativas como acto regular (quatro anos) para a escolha do Parlamento, substituindo-as por autárquicas. A Esquerda e muitos comentadores adoptaram o princípio e querem fazer-nos acreditar que o resultado das Europeias legitima novas legislativas.
Esta "democracia automática" ou "instantânea" - de legitimação permanente, seja por sucessivos actos eleitorais, seja pelo recurso a outras unidades de medida, como sondagens ou movimentações nos média - consagra uma Nova República, longe da verdade formal e material da Cosntituição, mas mais perto do tempo "impressivo" em que vivemos. Meus senhores, acusem-me do que quiserem, mas eu prefiro viver num Mundo mais estável, "institucional". [Vítor Cunha]

terça-feira, julho 06, 2004

Shite Club

Vejo António José Teixeira e Luis Delgado na Sic-Notícias e finalmente, saída da penumbra, vislumbro a razão da depressão nacional. Demasiados braços preguiçosos, demasiados cérebros ociosos. Minutos depois, começa Fight Club na TVI. Yuppies mimados e frustrados em busca de sensações fortes, o Santo Graal da Pós-Modernidade, organizando sessões de tabefe e carolo em arenas improvisadas. Podia-lhes dar dar para bem pior. Podiam, por exemplo, inventar uma crise política e depois apregoar a solução, em espasmos orgásmicos, como fazem os comentaristas Teixeira e Delgado, sempre investidos da sua reconhecida e comprovada "independência". Há, de facto, na análise do actual impasse político, um excesso de linguagem do comentarismo profissional. Até melhor prova em contrário, a crise não existe. E se a coisa se arrasta, como bem notou o Vasco Rato ali em baixo, tudo se deve ao hype presidencial da situação. Não me parece difícil de ver que Sampaio, o mais ocioso dos braços caídos (ex officio, é certo), não quis perder a oportunidade de gozar a sua autoridade. Em vez de aproveitar os mecanismos normais de uma democracia estável, assente circunstancialmente numa maioria parlamentar, e optar pela solução mais óbvia, preferiu fruir o momento - esticando-o ao máximo suportável - e tentar a posteridade. É uma atitude típica, que o Presidente partilha com grande parte dos nossos comentaristas. Portugal é uma sensaboria pasmacenta sem o mínimo interesse para o comentário político. Não declaramos guerras, os nossos partidos partilham mesa, tecto e leito, a vida flui sem grandes solavancos. Por isso, em face da actual situação, só diz que estamos em "crise" quem quer eleições, quem perdeu memória ou vergonha (olá Engenheira Pintassilgo) e quem sonha um dia debater uma invasão militar ou um impeachment, em mangas de camisa, na CNN. Em resumo, quem precisa de empolar a sua circunstância para esquecer a banalidade da sua condição. Assim como os yuppies de Fight Club, a única Grande Depressão que algum dia viverão é a da sua própria vida. Felizmente, nem todos são assim. Ainda há os que escarnecem as teorias do apocalipse, os que dão opinião sem se esconder numa alegada "independência" e os que têm dúvidas, fundadas dúvidas, como o Pedro Lomba e o Pedro Mexia. Os restantes, esses, ensaiam pose de Estado, esboçam semblante grave e sobem acima do comum dos mortais. Porque eles sabem que existe uma crise. E são eles que têm a resposta. Aliás, como no filme, uma das regras do seu clube é nunca fazerem perguntas. [Francisco Mendes da Silva]

O condicionador Louçã



O grande paladino da democracia-sms, Francisco Louçã, acusou o primeiro-ministro demissionário, Durão Barroso, de tentar condicionar o Presidente da República a não convocar eleições legislativas antecipadas. Uma acusação que até poderia ser levada a sério, não fosse o próprio Louçã ter anunciado poucas horas antes em conferência de imprensa que vai desencadear acções de rua na próxima semana para exigir a realização de eleições legislativas antecipadas, contestando que o novo presidente do PSD, Pedro Santana Lopes, possa tornar-se primeiro-ministro. Quem é o condicionador, quem é? [PPM]

As eleições para escolher um primeiro-ministro

É o exemplo do “bonapartismo” elevado a doutrina política. Nestas alturas, percebemos que a maioria da esquerda é jacobina e bonapartista. E não acredita na democracia representativa e parlamentar. Voltam as sombras da I República.
[João Marques de Almeida]

Populismos

Definição de populismo da esquerda portuguesa: tudo o que a direita faz para conquistar os votos do povo e ganhar eleições. Como a esquerda acha que o “povo” lhe pertence por uma espécie de direito natural, também acha que a direita, para conseguir o que naturalmente pertence à esquerda, tem que recorrer ao famoso “populismo”. O que a esquerda, obviamente, quer é uma direita que não conquiste votos e portanto não ganhe eleições. É por isso que acusam Paulo Portas e Pedro Santana Lopes de serem populistas. Será que já estão com medo de eleições antecipadas?
[João Marques de Almeida]

New Look

Caro PPM,

Gosto de ver a remodelação neste blog.
Tem um ar liberal, moderno, diria mesmo fashion (ou, pelo menos, acompanha a moda de outros blogs).

Tem tudo a ver contigo Paulo. Mas, se não te importares, cá passarei, de vez em quando, para trazer um pouco de conservadorismo à tua casa.

[DBH]

Questão do dia

Muita gente afirmou que Paulo Portas, devido a um passado eurocéptico, não poderia ser ministro dos Negócios Estrangeiros por questionar um dos pilares centrais da política externa portuguesa. No caso de eleições antecipadas e de vitória do PS, será que se vai exigir que quem questiona a Aliança Atlântica, o outro pilar central da política externa nacional, não poderá ser MNE? [João Marques de Almeida]

Ao que isto chegou

O mais extraordinário argumento que tenho ouvido nestes dias de mistificação política é o de que, quando votamos nas eleições legislativas, estamos a escolher o nome do futuro primeiro-ministro. Este argumento, que tem sido repetido à exaustão pelos comentadores do costume e até pelo sempre original Barnabé, revela o populismo mal escondido das várias esquerdas, para além de demonstrar alguma ignorância sobre o nosso sistema eleitoral e uma enorme falta de respeito pelos pequenos e médios partidos. Se, de facto, nas eleições legislativas estivesse em causa uma escolha de primeiro-ministro, para que serviriam o Bloco de Esquerda, o PCP, ou o CDS? Não sei se o Daniel Oliveira defende agora o bipartidarismo, mas lembro-lhe que a única eleição em que se escolhe uma pessoa, a única eleição unipessoal, é aquela que diz respeito ao lugar de Presidente da República. [PPM]

Um factor de instabilidade

Durão Barroso demitiu-se, mas não houve alteração à composição da maioria que apoia o governo. A solução parecia óbvia: indigitar um novo primeiro-ministro que formaria novo governo. É precisamente este método que, em qualquer outra democracia europeia, seria adoptado. Mas Portugal é um caso à parte. Um Presidente da República que não queria ser esquecido decidiu que a ida de Barroso para Bruxelas – que Jorge Sampaio considerou ser de interesse nacional – abria uma crise política. A expressão crise política generalizou-se. Mas convém perguntar quem é responsável pela “crise”? Se Sampaio tivesse esperado pelo desfecho da sucessão da liderança do PSD, sem se pôr em bicos de pés, não havia, neste momento, qualquer “crise”. Ao chamar um conjunto de “personalidades” a Belém – sabe-se lá com que critério – para se pronunciarem sobre a “eventualidade” de eleições, Jorge Sampaio lançou o caos. Sampaio tornou-se num factor de instabilidade política. [Vasco Rato]

Perdemos o contador

É por isso que eu não gosto nada de mudanças: perde-se sempre alguma coisa. Da última vez que mudei de casa, perdi a cadeira do computador, a mais confortável de todas. Agora, nesta mudança do Acidental, lá se foi o contador (ou counter). Vou ver se o recupero, mas o belo número de mais de 50 mil leitores que por aqui passaram desde 8 de Abril deste ano, esses, foi um ar que se lhes deu. Paciência, outros virão. [PPM]

Mistérios nacionais

Porque é que, quando Ferro Rodrigues e Francisco Louçã pedem eleições antecipadas isso é visto como perfeitamente normal, mas quando Pedro Santana Lopes e Durão Barroso consideram existir uma maioria estável e pronta para governar, isso é visto como uma forma de pressão sobre o Presidente da República? [PPM]

Porquê?

Qual terá sido o critério que Jorge Sampaio utilizou para convidar “notáveis” a Belém para se pronunciarem sobre a situação política actual? Ex-Presidentes da República foram chamados, mas estes têm lugar no Conselho de Estado, que, nos termos da Constituição, ainda terá de ser ouvido. Porquê ouvir Soares e Eanes duas vezes? Porquê ouvir alguns empresários e não outros? Por exemplo, João Salgueiro esteve presente em Belém, mas os lideres da CIP e da AIP não foram chamados. Manuela Ferreira Leite também foi chamada, mas outros ministros não foram convidados. Alguém percebe o critério? Algum jornalista já perguntou ao Presidente da República? Ou será que dizer mal de Santana Lopes é suficiente para assegurar um convite presidencial?
[Vasco Rato]

Nota editorial

O Acidental mudou de look, mas continua igual a si mesmo (como se costuma dizer em futubolês). Para o bem e para o mal, consoante as opiniões. [PPM]

Estamos em remodelação

Pedimos desculpas pelas obras realizadas no Acidental. Como conservadores não gostamos nada de mudar, mas teve mesmo de ser. Depois de um dia de reflexão, fomos atingidos por um complexo vírus de proveniência incerta que nos obrigou a isso mesmo. As nossas ligações também foram atingidas, mas serão recolocadas logo que seja possível. Com o pedido de desculpas da gerência. [PPM]

O caos



Este homem prepara-se para lançar o País no caos durante nove meses.

Este homem merece uma resposta: maioria absoluta em Outubro. E de seguida exigiremos a demissão do Presidente. [Vítor Cunha]

sexta-feira, julho 02, 2004

Adeus, Sophia



Hora

Sinto que hoje novamente embarco
Para as grandes aventuras,
Passam no ar palavras obscuras
E o meu desejo canta --- por isso marco
Nos meus sentidos a imagem desta hora.

Sonoro e profundo
Aquele mundo
Que eu sonhara e perdera
Espera
O peso dos meus gestos.

E dormem mil gestos nos meus dedos.

Desligadas dos círculos funestos
Das mentiras alheias,
Finalmente solitárias,
As minhas mãos estão cheias
De expectativa e de segredos
Como os negros arvoredos
Que baloiçam na noite murmurando.

Ao longe por mim oiço chamando
A voz das coisas que eu sei amar.

E de novo caminho para o mar.


Sophia de Mello Breyner Andresen

Pensem nisto no fim-de-semana

Serve este poste para lembrar um facto comezinho, talvez indiferente para os blogueiros da esquerda caviar, mas que entra directamente no bolso dos portugueses, sobretudo dos mais desfavorecidos: caso sejam marcadas eleições antecipadas, o Orçamento de Estado para o próximo ano só entrará em vigor, na melhor das hipóteses, em Abril ou Maio de 2005. A serem convocadas, o PR terá que marcar as eleições num prazo de 55 dias, ou seja, para meados de Outubro. Somem-lhe 15 dias para a contagem e o apuramento dos votos. Para a Assembleia da República iniciar o novo mandato, é preciso adicionar-lhe mais três dias, a que se seguem consultas do PR aos partidos. Teríamos assim novo Governo, caso se registasse uma maioria estável, no início de Novembro. No prazo máximo de dez dias após a posse do novo Governo terá que estar entregue o seu programa, para ser debatido e votado. Já o prazo para preparar o Orçamento é de três meses, normalmente cumpridos, sendo que, depois de entregue no Parlamento, os deputados têm 45 dias para o discutir e votar. Aprovado que estiver, ou não, acrescenta-se a necessidade de publicação e a respectiva promulgação, e são mais 15 dias. Enfim, eu sei que se tratam de pormenores que não interessam mesmo nada a quem vive no afã da instabilidade e do "quanto pior, melhor". Mas era só para saberem. [PPM]

Finalmente Nietzsche tem razão



Rui Ramos edita um livro crucial para a interpretação da história contemporânea portuguesa, Portugal não tem governo, Portugal não tem Presidente, a Comissão Europeia também não, o Iraque tem governo, o Afeganistão também, o Brasil é ingovernável e ingovernado, Eduardo Prado Coelho escreve todos os dias no jornal. Mas que importa tudo isso? Hoje, cumpriu-se a profecia de Nietzsche: Marlon Brando morreu. Que é como quem diz: Deus morreu.
[Luciano Amaral]

RUI RAMOS

Hoje, ainda mais do que habitualmente, vale a pena comprar o Indy. Leiam o livro do Rui Ramos, sobre acontecimentos cruciais da história política portuguesa do século XX. Ideias fundamentais para se construir uma direita liberal. Já agora, um abraço para o Vitor Cunha pelo excelente artigo de opinião no Independente de hoje. [João Marques de Almeida]

Populismo (II)

Aqueles que dizem que as eleições parlamentares são em grande medida eleições para “primeiro-ministro”, em que o “candidato” é determinante, estão a prestar um maior serviço ao “populismo” e um maior ataque à democracia parlamentar do que todos os discursos de Santana Lopes juntos. [João Marques de Almeida]

Legitimidade e legalidade

A incoerência intelectual da maioria da esquerda portuguesa é notável. Durante a guerra do Iraque, a “legalidade” (os famosos “direito internacional” e o Conselho de Segurança, lembram-se?) era o único critério para definir a legitimidade política da guerra; por isso, diziam, a guerra era ilegítima por ser ilegal. Agora, em Portugal, apesar da manutenção de um governo da coligação ser legal e constitucional, já não é “legítima”. Desta vez, já não é a legalidade que confere legitimidade política, mas sim critérios subjectivos. Há, além disso, uma diferença crucial: nenhum documento de direito internacional tem a força “legal” da Constituição Portuguesa. [João Marques de Almeida]

Populismo (I)

De repente, segundo as boas consciências deste país, para além de Paulo Portas, Pedro Santana Lopes é o único político português “populista”. Os cartazes do Bloco de Esquerda com padeiros e a chamar mentirosos a chefes de Estado não são nada populistas, pois não? As idas às lotas de Matosinhos, muitas delas com custos elevadíssimos, são uma medida de combate ao populismo, não são? [João Marques de Almeida]

Dúvidas e certezas

Até hoje confesso federalista e defensor da Comissão, após o artigo escrito na Visão, interrogo-me se Mário Soares irá passar a ser um “eurocéptico”? Após ter lido o mesmo artigo, para mim não há dúvidas, Soares continua a ser o que sempre foi: um membro da velha escola jacobina e socialista com tiques autoritários. Foram Salazar e Cunhal que o obrigaram a ser democrático. [João Marques de Almeida]

Contra o populismo de esquerda

quinta-feira, julho 01, 2004

O Bloco Central do comentário político



Hoje, em estreia absoluta, na pág. 17 do "Público"
[PPM]

Heróis da relva, selecção valente



Ontem estive na festa do Marquês ao Chiado, passando pelo Bairro Alto até ao Cais do Sodré. Sempre a pé, só consegui arranjar um táxi à porta do Plateau. Descobri que, como a selecção, também estou em grande forma. VIVA PORTUGAL! [PPM]

Provérbios




Nos "Provérbios holandeses" de Brughel, são 118 no total, no lado superior esquerdo vê-se um dos mais adequados aos tempos. À janela, um homem "caga no mundo". Tal como os barões iluminados. E à direita, em baixo, um homem tenta abrir mais a boca do que o forno - é a sobrestima das capacidades.

Como é que tão poucos fazem tanto barulho? [Vítor Cunha]