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quarta-feira, junho 30, 2004

Optimismo

Portugal na final do Euro 2004. Durão Barroso presidente da comissão europeia. Eis a retoma em todo o seu esplendor. [Dr. Pangloss]

O cotovelo de Soares




O nome e a coisa: o cotovelo e a dor de Soares. [Vítor Cunha]

A melhor marretada da semana

DOR DE COTOVELO I
Durão «não foi a primeira escolha», sendo antes um candidato «de terceira ou quarta» opção, diz o ex-candidato de terceira escolha que levou uma sova de Nicole Fontaine nas eleições para presidente do Parlamento Europeu.
WALDORF

A tempo e horas

Lá estás tu outra vez, caro Paulo. Não vim para a blogosfera, como dizes, para fazer propaganda - se tu lesses o meu blogue desde o início e com atenção não me passavas esse precipitado atestado. É verdade que defendo as minhas ideias e as minhas convicções sem qualquer vergonha ou disfarce. Se fosse igualmente precipitado diria que tu não fazes o mesmo ou que pareces ter algum pudor em te identificares politicamente. O argumento da selecção de notícias é uma espada com dois gumes, porque posso contrapôr que tu também escolhes apenas as notícias que te agradam por serem desagradáveis para outrém e evitas as que podem ser agradáveis e positivas para a actual maioria no governo. Mas a melhor prova que não vim para a blogosfera para fazer propaganda é que dei e darei sempre espaço no Acidental a pessoas que têm opiniões diferentes das minhas. O critério é apenas a qualidade dos seus autores. Quanto a ignorar os problemas, é mais um erro teu, ainda que reconheça que estou mais preocupado em encontrar soluções. [PPM]

Nisto acho eu de que estamos todos de acordo



VIVA PORTUGAL!
CONTRA A HOLANDA, MARCAR, MARCAR!

Ainda a tempo

Este esclarecimento é para o Paulo Gorjão, que resolveu ironizar com um comentário meu sobre o que acreditava ser uma evidência para todos: “não se pode acreditar em tudo o que vem nos jornais”. Para ele, aparentemente, foi uma revelação. Quero, por isso, deixar bem claro que não estou a culpar nem os jornais nem os jornalistas, muitas vezes vítimas de fontes anónimas aparentemente credíveis que por aí pululam e que, com a maior cara de pau, os levam ao engano. Pessoas que afirmam e reafirmam uma coisa com o ar mais sério e credível do mundo e, no dia seguinte, são capazes de negá-lo três vezes em directo. Pessoas que indicam outras pessoas acima de qualquer suspeita que confirmam tudo de seguida. Enfim, existem também as interpretações muito próprias da realidade, mas isso é outro campeonato. Claro que, em primeira e última análise, a responsabilidade final recai sobre o jornalista, mas, como em tudo na vida, é com o erro que se aprende. Eu reconheço que, ao longo de 12 anos de profissão, errei algumas vezes, assumindo a responsabilidade nos casos em que isso aconteceu. Foi assim que aprendi muito – mas muito mesmo – sobre a vida e a qualidade de alguns políticos, dirigentes das mais diversas áreas, escritores, comentadores, intelectuais - e, até, acredita Paulo Gorjão, ilustres académicos e jovens aspirantes a esse estatuto.

PS. Sobre O Independente, apenas te digo que, apesar dos erros, muitos deles em resultado de ingenuidade ou inexperiência, ficará seguramente na história do jornalismo como uma revolução na imprensa portuguesa, tanto pela coragem e independência como por ter revelado e dado voz a alguns dos melhores jornalistas e comentadores nacionais – e foram tantos os que lá quiserem escrever e não conseguiram. Até o Francisco Louçã, calcula, se revelou nas páginas do velho Indy. [PPM]

A direita populista

Manifs espontâneas: "Santana ó meu, S. Bento não é teu", "Santana sai de perto, isto não é bar aberto"...
Pois, a direita é que é populista não é?
[DBH]

Ontem foram 500, amanhã serão meia-dúzia

Como o Barnabé/BE não quer reconhecer o óbvio - ou seja, que as "manifestações espontâneas" anti-Santana de ontem foram um verdadeiro fiasco, reunindo em Belém cerca de 500 pessoas - ofereço-lhe aqui o link para a notícia da pág. 9 do "Público" em que tudo vem descrito (claro que na edição impressa se dá destaque fotográfico aos "poucos apoiantes de Santana" que lá foram ao engano). No Porto, reuniram-se "cerca de duas centenas", com predomínio de "simpatizantes" do Bloco de Esquerda, entre os quais se contava o inefável dirigente José Manuel Pureza, enquanto em Coimbra eram cerca de "70 pessoas". Finalmente, em Viseu, "a concentração não atingiu a dezena de pessoas". [PPM]

terça-feira, junho 29, 2004

Amanhã, grande manif. a favor de Santana

People, amanhã big manif a favor do PSL. Todos ao Estádio de Alvalade, 19h30, vão vestidos de verde-vermelho ou de laranja. Vamos encher o estádio!*

* Atenção, isto é só uma brincadeira. Não é mais uma daquelas manifestações pró-Santana fabricadas pelos marqueteiros do Barnabé/BE para fazer um número ainda mais giro.
[PPM]

Não vão à manifestação, não percam a razão

Não seja má para nós

Mas que mal é que lhe fez o Acidental, Sara? Desculpe tratá-la pelo primeiro nome, mas não ficaria bem tratá-la neste caso por desassossegada ou mesmo por \«(.)(.)»/. Está bem, a Sara é de esquerda (parece, pelas suas leituras e pelo gosto que tem por eleições antecipadas), nós somos de direita, mas isso é o adquirido em sociedades democráticas e em meios pluralistas como a blogosfera. Nós aqui no Acidental até nos preocupámos com a intervenção cirúrgica a que foi sujeita (a sério), com a anestesia bi-polar e tudo, ficando depois muito mais sossegados com as evidentes melhoras. Partilhamos também a sua afeição por Caetano e vamos aprendendo todos os dias alguma coisa com os seus gostos artísticos. Mas este acto hostil é que não é nada aceitável, Sara. Mesmo tendo em conta as circunstâncias em que foi escrito. Mas pena, porquê? [PPM]

In Memoriam



De Marcelo Rebelo de Sousa: “Naked man on a bed” de Freud. Um dos actuais derrotados; um possível vencedor se ainda souber gerir as presidenciais de 2006. Quem sabe? [Vítor Cunha]

Critérios

A presuntiva candidatura de António Vitorino à presidência da Comissão Europeia deixou meio País feliz: sim senhor, tínhamos um grande candidato para um lugar fantástico e prestigiante. Curiosamente, agora muitos descobriram que o lugar é irrelevante e que o prestígio é mínimo. E até já leram que Durão é o “mdc” (mínimo denominador comum) da Europa. Vitorino seria o quê?
Esta Esquerda – e muita Direita – não conseguem disfarçar a dor de cotovelo. Vai daí, inventam uma dor de cabeça. A irracionalidade do mau perder é uma brutalidade para almas sensíveis como as nossas. [Vítor Cunha]

Sem sustos nem guerras civis

Caro Eduardo,

Quem disse que, à direita, não se pode criticar Santana Lopes? O Acidental é a melhor prova de que isso não é verdade. O mesmo, é certo, não poderemos dizer de outros blogues, à esquerda do possível, onde não se ouve sequer uma voz contrária às manobras circenses de Louçã e companhia. Está tudo alinhadinho, sem contemplações a vozes diferentes – aponta-me uma só discordante que eu retiro o que agora digo.
Não deixa porém de ser verdade que as críticas precipitadas e extemporâneas ao nome do actual presidente da Câmara de Lisboa como possível primeiro-ministro, sobretudo quando provêm da direita, contribuem objectivamente para uma possível vitória das estratégias da esquerda (é esse o preço que poderás ter de pagar). O homem nem sequer foi ainda proposto e o espectáculo burlesco já começou. Eu não faço parte do grupo que classificas com um certo tom pejorativo como “os indefectíveis de Santana”, mas o facto de provocar tamanha urticária entre a esquerda festiva e o centrão politicamente correcto só me faz acreditar ainda mais que pode ser o homem certo na hora certa para travar os combates de que a direita e o país tanto precisam. Coragem, pelo menos, não lhe falta.
Ao contrário do que também escreves, ninguém está descrente nas possibilidades da coligação vencer Ferro e Louçã nas urnas, mas neste momento o que se defende é que existe uma maioria parlamentar eleita nas últimas legislativas com um mandato para uma legislatura de quatro anos. Espero que não venhas agora com o argumento algo primário de que o povo votou no Durão Barroso e não em Santana.
Quanto à tal da guerra civil, uma força de expressão, também não a considero negativa desde que não contribua uma vez mais para a vitória das esquerdas. O País, que é o que sinceramente me interessa, não pode desperdiçar mais tempo com um eventual governo de Ferro e Louçã. A discussão entre as várias direitas pode ser muito interessante e até “divertida”, na tua expressão, mas não estamos propriamente a falar de hipóteses académicas, nem a discutir o futuro da selecção nacional, mas o que vai acontecer a Portugal nos próximos anos.
Já que entras em diversos “achismos”, eu acho que Santana Lopes pode ser um óptimo primeiro-ministro e é mais do que capaz de reunir óptima gente para governar o País. Não entro uma vez mais no discurso alarmista e disparatado das diversas esquerdas excitadas, a que aderem alguns inocentes úteis à direita e ao centro. Mas isto sou eu que acho, é uma mera opinião pessoal, tal como todas as tuas.
Finalmente, quando a Pacheco Pereira, também gosto de o ouvir e ler como comentador, ainda que perca a necessária distância e se torne protagonista empenhado quando fala e escreve sobre o PSD e, desde logo, sobre Santana Lopes, um ódio de estimação de sempre. Não o considero, porém, como o dono da verdade nem muito menos como o guardião das direitas. [PPM]

Homenagem



Aos homens sábios que têm recusado alinhar no politicamente correcto. Homens que querem ver para além da cegueira mediática montada (El Greco, Cristo curando cegos). E os outros, os que mantém a estupidez, esperem para ver. Esperem para ver. [Vítor Cunha]

Sustos e guerras civis

Era o que mais faltava que, à direita, não se pudesse criticar Santana Lopes e a hipótese de este assumir sem pré-aviso o cargo de primeiro-ministro, por tais críticas, alegadamente (mas infundadamente), poderem vir a contribuir para uma vitória da esquerda. Primeiro, porque tal ideia é absurda - desde quando é que a direita tem que se comportar como o PCP para ganhar o que quer que seja. Segundo, porque mesmo que assim fosse, eu (e, como eu, muitos) não estaria disposto a pagar qualquer preço para evitar a vitória da esquerda, ainda que essa fosse a vitória de Ferro. A propósito, gostava de saber porque é que os indefectíveis de Santana estão tão descrentes quanto às possibilidades de vencer Ferro numa ida às urnas.
Uma das coisas boas que tem a direita, pelo menos a direita que me interessa, e que é comum à esquerda democrática, vulgo PS, é a liberdade de criticar-se a si própria - as suas figuras, as suas políticas, os seus métodos. Se, em momentos de alta tensão, essa liberdade se assemelha a uma guerra civil de palavras, tanto melhor, pois é sinal que, à direita, para além de liberdade, existem energia e vigor. A guerra civil, neste contexto, não me podia deixar mais satisfeito.
Acresce que os efeitos nefastos de uma hipotética governação Santana Lopes não se ficarão somente pelos dois anos de governo que se seguem, durante os quais, não fossem os danos daí resultantes, ainda nos iríamos divertir. O problema, a um outro nível, mas que indirectamente também afecta o país, é o mais que previsível castigo que em actos eleitorais posteriores os partidos da coligação irão sofrer. A grande maioria dos seus eleitores dificilmente perdoará esta brincadeira, e PSD e PP arriscar-se-ão a pagar a factura com uma boa série de anos na oposição.
Finalmente, embora Pacheco Pereira não precise de ninguém para defendê-lo, porque me dá gozo fazê-lo, sempre direi que, ao contrário da ideia feita com génese no mundo da bola que tenta fazer-se passar, Pacheco vale muitos votos - veja-se o caso das europeias de há cinco anos, onde garantiu o mesmo número de deputados que a coligação, contra Mário Soares que, independentemente dos juízos que sobre ele se façam, ainda valia alguma coisa, eleitoralmente falando. Mas, mesmo que não valesse um único voto, sempre preferiria um Pacheco a comentar, do que mil Ferreira Torres e Valentins a arrecadá-los.
[Eduardo Nogueira Pinto]

segunda-feira, junho 28, 2004

Boas notícias para a Europa

Apesar da “famosa” Cimeira dos Açores e da sua posição na guerra do Iraque, Durão Barroso foi convidado para presidente da Comissão Europeia. É um óptimo sinal dado pela União. Significa que quer restabelecer as boas relações com os Estados Unidos e que quer resolver, internamente, os conflitos entre antigos e novos membros e entre europeistas e atlanticistas. Já agora, uma sugestão para o próximo cartaz do BE: quem apoia o Presidente Bush, chega a presidente da Comissão. [João Marques de Almeida]

Argumentos contra Santana (III)

“Não tem condições” para ser PM. Aqui, entramos no domínio do misterioso. Muitos o afirmam, mas ninguém o explica devidamente. Parece-me que agora é a altura para o fazer. Está na altura de desenvolverem os argumentos e não se ficarem pelas insinuações e pelas opiniões pessoais (todas respeitáveis mas, como diziam os gregos, e com o todo o respeito, a opinião é o nível mais baixo do conhecimento). [João Marques de Almeida]

Argumentos contra Santana (II)

Não tem “unanimidade” dentro do PSD. Primeiro, uma das virtudes das democracias parlamentares é o pluralismo. Ainda bem que Santana Lopes não tem unanimidade. É bom sinal, o contrário é que seria mau. Aliás, ainda me lembro de muita ter gente ter criticado a “unanimidade” durante o Congresso do PSD, lembram-se? Na altura, era mau ter unanimidade, agora é mau não a ter. Como é que esta gente pode ser levada a sério?
Segundo, apesar de tudo, a maioria das Distritais do PSD apoia a solução Santana. Que eu saiba, são elas que representam o sentimento do partido. Será que Pacheco Pereira e Ferreira Leite valem tanto como as distritais? Mais uma vez, atacam os princípios da democracia representativa e parlamentar.
Já agora, se a unanimidade dentro do partido, é uma condição fundamental para se ser primeiro-ministro, Ferro não pode ser porque, com dois opositores assumidos e um não-assumido, também não tem unanimidade. De resto, só os líderes do PCP é que respeitam o critério da unanimidade. Quando alguém quebra a “unanimidade”, é expulso. É fácil.
[João Marques de Almeida]

Argumentos contra Santana (I)

Não tem “legitimidade democrática”. Nas democracias parlamentares, quem tem legitimidade para fazer governo é o partido mais votado. Quem não pertence aos órgãos do PSD, tem que respeitar as decisões desses órgãos. A propósito, onde é que estavam as vozes indignadas, quando João Soares subiu a presidente da Câmara de Lisboa sem ir a votos por Jorge Sampaio ir para Presidente? Ou quando Nuno Cardoso passou a presidente da Câmara do Porto, quando Fernando Gomes foi para ministro? Tinham “legitimidade democrática”? [João Marques de Almeida]

Luta pelo poder

Abriu-se em Portugal uma luta pelo poder. Tudo bem, a política é isso. O PS, o PCP e o BE querem eleições já, porque sentem que têm hipóteses de ganhar. É legítimo. Querem o poder. Mesmo que saibam que é difícil realizarem-se eleições, querem começar desde já a fazer oposição e a lutar contra o novo governo. É igualmente legítimo. No entanto, nas democracias parlamentares e pluralistas, a luta pelo poder faz-se de acordo com certas regras. É ao Presidente da República que compete arbitrar a luta pelo poder. O seu dever é ser neutro e respeitar a Constituição. Se não o fizer está a entrar na luta pelo poder ao lado de uma das partes. É muito simples. [João Marques de Almeida]

Também tu, Rodrigo

O que o povo de direita nunca perdoará é que se ponha em risco a estabilidade política e a anunciada retoma económica em nome de algumas, poucas, vaidades pessoais, ou de meras conveniências político-partidárias. [PPM]

Sobre o susto

1. São compreensíveis as razões que levam Durão Barroso a aceitar o convite da Comissão Europeia. Também são compreensíveis algumas das críticas que ouvimos, mas nunca aquelas feitas por despeito e mesquinhez;

2. Alguma esquerda lembra o exemplo de António Guterres, quando recusou ser candidato à presidência da Comissão Europeia. Pergunto-me se Guterres realmente esteve na posição de ser obrigado a optar entre os dois cargos?

3. E António Vitorino? Os americanos têm uma expressão que se aplica ao milímetro: “all dressed up and nowhere to go”;

4. Não se discuta a questão constitucional. É legítima a substituição do primeiro-ministro sem novas eleições. Dizer o contrário é lorpice intelectual;

5. Não reconheço à esquerda a legitimidade de interpretar a vontade do eleitorado de centro-direita quando elegeu esta maioria;

6. Duvido que Durão Barroso tenha avançado sem a garantia que não seriam convocadas novas eleições…

7. …no entanto, concordo com Vital Moreira. Depois da triste figura de alguns membros da coligação a discutir pastas antes de existir governo, o Presidente ficou com pretexto para dissolver a Assembleia da República;

8. Concordo também com Eduardo Nogueira Pinto. Dispenso o maniqueísmo entre o mau e o horrível. As circunstâncias políticas ainda não obrigam a esse discurso. Se lá chegarmos, depois se verá;

9. Entre todas as razões para nomear o edil, há uma que ainda não li: se for outra a escolha do PSD, será o próprio Santana a entrar em guerra aberta com o novo governo;

10. Aliás, era bem lembrado perguntar-lhe se aceitaria a escolha de outra personalidade;

11. De resto, parece que nem sequer estamos a falar da mesma pessoa. Santana Lopes, não é um desconhecido, nem um recém-chegado. Sabemos do que é capaz e o problema é exactamente esse;

12. Percebo as dúvidas do Vítor Cunha, mas pergunto-lhe: será que o povo perdoará aos aparelhos dos partidos de direita dois anos de governo do Dr. Santana?

[Rodrigo Moita de Deus]

Será?

Será que isto:

Lá vamos desperdiçar de novo o que penosamente adquirimos.
Lá vamos ter que começar tudo de novo.
Pacheco Pereira, Abrupto, 26 de Junho

Tem alguma coisa a ver com isto:

Agradeço a todos os que me têm felicitado pela nomeação para a Missão permanente na UNESCO. É um lugar de responsabilidade que aceitei com muito gosto e que me vou esforçar por cumprir o melhor que sei e posso.
Pacheco Pereira, Abrupto, 15 de Junho

[PPM]

As diferenças

Será que a esquerda excitada não compreende a diferença entre fugir como Guterres e defender o interesse nacional como Durão Barroso? Mesmo alguns inocentes úteis de direita - e outros interesseiros inúteis - não terão percebido que ter um português na presidência da Comissão Europeia, a ocupar um dos quatro cargos mais importantes do Mundo, com assento directo no G8, deve ser um motivo de satisfação para o País? [PPM]

É a democracia electrónica, Nuno

Aconteceu em Espanha, onde a esquerda radical, utilizou os telemóveis para contactar os seus mais activos e radicais membros, de forma a fazerem uma manifestação num dia de reflexão, interdito a acções desse tipo. Mas como a esquerda radical não tem valores democráticos, mas sim anárquicos, utiliza todos os meios para atingir os fins. Também agora em Portugal, as áreas mais extremistas e anarquistas da esquerda, utilizam todos os meios para boicotar que os métodos democráticos prevaleçam. Existem regras democráticas, mas eles só as utilizam e fazem uso delas quando isso lhes interessa.
[PPM]

Os meus problemas

O actual impasse governativo coloca-nos, com certeza, perante uma série interminável de questões importantes e desafios intelectuais do mais perturbador e angustiante, que fazem o deleite dos politólogos de cátedra e dos constitucionalistas de palpite que por aí deambulam e se acotovelam nas tribunas do mediatismo. Para mim, que faltava invariavelmente às aulas do Prof. Canotilho (uma jóia de pessoa, mas ainda assim com o pouco bom senso de dar lições às nove da manhã), a questão é uma e só uma, ainda que possa ser vista de vários ângulos: que tipo de governação vamos ter até 2006? Estará o novo primeiro-ministro disposto a cumprir, em toda a sua plenitude, ponto por ponto, doa a quem doer, o programa de Governo sufragado em 2002? Ou dedicar-se-á a assegurar a reeleição? Cederá à pressão dos sindicatos controlados pelo PCP e da esquerda domingueira comandada pelo telemóvel do dr. Louçã, da arquitecta Roseta e do Daniel Oliveira? Cumprirá o choque fiscal? Reduzirá o peso insuportável da Administração Pública? Tenho para mim que, nos próximos meses ou em 2006, a direita acabará por perder as eleições. Por muito que Portugal seja, como acredito, um país sociologicamente de direita, culturalmente existe uma tendência desproporcional para o outro lado, assente numa postura política muito menos aristocrática e ociosa da esquerda, que, ao contrário dos conservadores, não tem uma disposição individualista e cínica de participação cívica. A esquerda une-se muito mais do que nós, nos jornais, nos movimentos de cidadãos e, tenho pena, nos próprios partidos. Há na intelectualidade de direita uma aversão à catalogação partidária maior ainda do que a aversão dos partidos à intelligentsia, mesmo que esta lhe seja favorável. O grande desafio que hoje deveria prender a direita em Portugal era o combate cultural a um país enfeitiçado pelo domínio da esquerda. E esse combate faz-se, em primeiro lugar, na acção governativa, na responsabilização pessoal do indivíduo, na devolução a este da liberdade ausente durante todo um século de chicote e figuras providenciais. Mas faz-se também ao nível da sociedade civil - a sociedade civil que a direita tanto ama. Faz-se organizando movimentos que defendam a redução de impostos, a liberdade de educação, que combatam a Constituição Europeia. Faz-se fundando jornais e revistas. E faz-se, se for preciso, vindo para a rua. De facto, acho que a direita não aguentará muito o poder. E é precisamente por isso que, partindo do princípio que o Presidente cumpre a sua obrigação e, logo, a Constituição, o próximo Governo deve ter a capacidade de reformar o que este prometeu. O PS, já se sabe, não o irá fazer. Mas também sabemos que não voltará atrás em nenhuma das mudanças profundas que, espera-se (não sem algum - muito - cepticismo), serão empreendidas. Ninguém acredita que o PS seja capaz de, por exemplo, revogar o Código do Trabalho. Basta conhecer alguns militantes e dirigentes, daqueles com profissões liberais, empresários ou advogados de empresários (e eu conheço muitos), para perceber a forma penhorada como estão agradecidos pelo facto de ser este Governo a fazer o trabalho sujo. No fundo, é este o papel do PS: chegam ao poder pela agitação e comoção da esquerda radical e, lá chegados, limitam-se a gerir o que os outros lá deixaram. O PS não governa, não se opõe, mas ganha.
[Francisco Mendes da Silva]

Há mas está em silêncio

"Uma certa esquerda, tão indignada com a onda patrioteira por causa da Selecção, apressou-se a pôr a circular um slogan onde aproveita descaradamente essa mesma onda patrioteira para pedir eleições antecipadas. Haverá mesmo uma esquerda inteligente?"
Pergunta Ilídio Martins.
[DBH]

Quem sabe?

Haveria uma boa razão para Sampaio convocar legislativas antecipadas: quem não se lembra de uma célebre moção de censura que a Esquerda desorientada apresentou achando que vencia as eleições e depois acabou por ficar 10 anos fora do poder? [Vítor Cunha]

A lista do horror

Primeiro-ministro – Eduardo Ferro Rodrigues
MNE – Ana Gomes
M. Finanças – João Cravinho
MAI – Fernando Gomes
Cultura – Miguel Portas
Obras Públicas – Vieira da Silva
Segurança Social – Paulo Pedroso
Agricultura – Capoulas Santos
Ambiente e Cidades – Francisco Assis
Economia – Francisco Louçã
[Vítor Cunha]

O País deve estar primeiro...

...mas se o Presidente da República, por uma qualquer distracção democrática e constitucional, resolver convocar eleições antecipadas, eu não tenho dúvidas que o povo português irá votar em massa na coligação entre o PSD de Santana Lopes e o CDS de Paulo Portas, contra a dupla Ferro/Louçã. Mas o País estará certamente em primeiro lugar nas prioridades de Jorge Sampaio. [PPM]

A lutadora

Manuela Ferreira Leite, mais uma vez, esteve bem: quer ser primeira-ministra e luta por isso. Não tem preparação política para o cargo, apesar de ter sido uma excelente contabilista. [Vítor Cunha]

Só cá faltam o Mexia e o Lomba

Só para registar mais esta façanha que o momento político permitiu: o Luciano Amaral escreveu um poste para o Acidental. Não vou repetir que não concordo com nada do que ele escreve porque nós não somos como certos blogues de esquerda em que só é aceitável a verdade a que eles têm direito. [PPM]

Guerra civil


Imagem: “Pedintes” de Brughel. Ou como ficará a Direita e o Centro depois da guerra civil que alguns preparam. [Vítor Cunha]

Alianças perigosas

Começámos a assistir no Centro e na Direita partidários a um ajuste de contas antigas que não se sabe onde irá parar. Há sectores do PSD que preferem entregar o poder a Ferro e ao Bloco a consentir que a dupla Lopes/Portas governe o País. O povo de Direita nunca lhes perdoará a traição (vejam bem como as alianças Esquerda/Direita se revelam nos blogues e na imprensa). [Vítor Cunha]

Ferro e Ferro

Já sei que, se me ligar alguma coisa e me der algum crédito, a direita blogosférica (em particular aquela dos meus amigos próximos do governo aqui n’O Acidental) vai ficar furiosa com o que a seguir vou dizer.
Como é evidente, cabe a uma decisão do Presidente da República a resolução da actual crise política. Isso não nos deve impedir, porém, de emitirmos as nossas opiniões sobre qual deve ser essa decisão. Para mim, só há uma solução aceitável: a dissolução do parlamento e a convocação de eleições antecipadas (oi PS, oi CDU, oi BE). Porquê?
Em primeiro lugar, porque (ao contrário do que nos fazem crer as pessoas próximas do governo) o cargo para que Durão Barroso vai ser nomeado não tem importância nenhuma. Ou melhor, tem importância, mas a nacionalidade de quem desempenha o cargo é rigorosamente irrelevante para que ele seja bem desempenhado. Em consequência, assumir esse cargo não é uma boa razão para abandonar um governo em meio de mandato. Ainda por cima, a meio de um mandato tão marcado por uma política orçamental hard core, que requer persistência e continuidade. O cargo (sejamos claros) é óptimo para a carreira política pessoal de Durão Barroso, mas sem qualquer significado para o país. Largar o governo nesta altura é (sejamos claros, outra vez) uma “guterrice”, uma fuga às responsabilidades. Quanto mais não seja por isto, a maioria parlamentar merece ser testada pelo voto.
Em segundo lugar, porque os medos da direita de que Santana Lopes governaria “à tripa forra”, abrindo os cordões do orçamento, são infundados. Não porque ele não viesse a governar assim (não sabemos, mas muito provavelmente governaria assim), mas porque Durão Barroso se estava a preparar para governar assim até às próximas eleições. Quando se ouve que a Ministra das Finanças era das primeiras a sair numa próxima remodelação, quando se percebe que toda a política orçamental não resolveu um só (unzinho que seja) problema de longo prazo de controlo das despesas públicas (tendo-se limitado a equilibrar o orçamento numa base ad hoc e reversível) e quando ouvimos vários responsáveis governamentais explicar-nos que é hora de acabar com o sacrifício dos dois primeiros anos do mandato porque a retoma está aí (a retoma? You gotta be kidding…), já percebemos o que se vai (iria) passar nos próximos dois anos.
Em terceiro lugar, porque votámos num determinado package eleitoral, que agora mudou. Cabe a Durão Barroso responsabilizar-se pelo que fez nos últimos dois anos e pela destruição que aí vem do que fez nos últimos dois anos. Se o package mudou, nós não votámos nesse package. Se agora vão ser seguidas políticas diferentes das que foram seguidas até agora, a responsabilidade é de Durão Barroso, que nos convenceu que isto era política para um mandato.
Em quarto lugar, porque a ida de Durão Barroso para a Comissão Europeia, ao contrário do que dizem Frei Louçã e o sacristão Rosas, não corresponde à chegada ao topo da UE das “políticas neoliberais” (Deus os ouvisse, Deus os ouvisse…), de destruição do “Estado Social”. Como se diz hoje no Financial Times, Durão foi aceite pela França e pela Alemanha em troca de importantes lugares de responsabilidade económica na futura comissão. Ora, estes são os países que rebentam e vão a continuar a rebentar com qualquer moderação orçamental. E são os países que vão exigindo um novo Pacto de Estabilidade, com regras mais flexíveis. Percebe-se: são países que estão a caminho de ter deficits orçamentais de 5% do PIB, isso sim uma coisa já a raiar o terceiro-mundismo. Durão Barroso não é o neoliberalismo na comissão, mas sim o keynesianismo mais tragicamente estatista. Algo que, isso sim, é muito importante para o nosso país. E contradiz tudo o que foi a política de Durão nos últimos dois anos.
Ao contrário do que diz aqui o mui apreciável Vítor Cunha, a alternativa não é entre Ferro Rodrigues e Santana Lopes. É entre Ferro Rodrigues, o produto genuíno, e Ferro Rodrigues disfarçado de Santana Lopes e/ou Durão Barroso. Mal por mal, venha o produto genuíno. E talvez assim se ajude ao aparecimento, dentro do PSD e do CDS, de pessoas verdadeiramente capazes de, em futuras eleições, finalmente proporem um programa de liberalização da sociedade e da economia portuguesas.
[Luciano Amaral]

E as presidenciais?

Quando se voltará a falar de presidenciais em Portugal? Se Cavaco Silva não quiser ser candidato emerge um nome: João de Deus Pinheiro. [Vítor Cunha]

O susto (III)

Os idiotas úteis na política deviam ser multados por existirem. [Vítor Cunha]

Ele ganhou

Ainda estão recordados do cartaz do Bloco de Esquerda? Aquele que dizia “eles mentem, eles perdem”? Com a ida de Durão Barroso para a Comissão Europeia, o Bloco (e o BE/Barnabé), se alguma vez sucumbir à honestidade política e intelectual, terá de fazer uma mea culpa. Sabe-se agora que Barroso reúne o consenso dos seus pares devido à política atlantista que definiu durante a guerra do Iraque. Como era de esperar, nenhum dos países que alinhou com os Estados Unidos (todos, menos França, Alemanha, Bélgica e Luxemburgo) levantou objecções ao seu nome. Em contrapartida, Chirac e companhia perceberam que a nomeação de Barroso trazia duas vantagens: contribui para normalizar o relacionamento com Washington e pode pacificar a União Europeia. Neste caso, Durão Barroso ganhou. [Vasco Rato]

A tempo e horas

Se a Esquerda voltar a organizar mais uma “manifestação espontânea” a pedir eleições será tempo de se organizar uma manifestação a exigir estabilidade. [Vítor Cunha]

A alternativa diabólica? (II)

Meus caros,
Não quero diabolizar ninguém. Em certa medida, até simpatizo com Santana Lopes. Pela sua coragem, pela incorrecção política que o distingue da grande maioria do PSD e por, nas palavras, se encaixar numa direita com a qual me identifico bem mais do que os ziguezagues PSDianos. Porém, acho que Santana não tem competência para dirigir um governo, ou, sequer, reunir as pessoas com qualidade para dele fazerem parte.
É óbvio que não prefiro o PS de Ferro Rodrigues e isso está bem claro nos postes que já escrevi. Não vale, pois, a pena porem-me a alternativa diabólica - Santana ou Ferro - que eu não caio nela. Continuo a acreditar que existe uma terceira via. Sem eleições e sem Santana, que ainda tem muito que fazer na Câmara de Lisboa para evitar sair de lá com a cidade de pantanas. [Eduardo Nogueira Pinto]

Golpes de vista

Convém não esquecer alguns factos elementares. Primeiro, os governos não são escolhidos directamente pelo “povo” através de eleições; emanam da Assembleia da República. Segundo, o povo escolhe deputados que detêm toda a legitimidade para aprovarem ou chumbarem um governo proposto à Assembleia. Terceiro, o chefe do governo não tem – necessariamente – de ser o líder do partido mais votado. Quarto, cabe aos partidos decidirem quem são os seus candidatos a primeiro-ministro. Pode-se não gostar de Santana Lopes. Pode-se pensar que um futuro governo seu será um desastre. Pode-se pensar o que se quiser. Não se pode é dizer que um eventual governo de Santana Lopes será ilegítimo. Alguém se lembrou de pedir novas eleições para a Câmara de Lisboa quando João Soares sucedeu a Jorge Sampaio? A verdadeira tentativa de golpe de Estado está a ser feita por aqueles que exigem novas eleições numa altura em que existe uma maioria parlamentar capaz de sustentar um novo governo. [Vasco Rato]

Manifestações espontâneas

A manifestação espontânea de ontem lembrou-me as do tempo da outra senhora, mais precisamente as de apoio ao Prof. Marcello (o outro, claro). [PPM]

O susto (II)

Não deixa de ser extraordinário que quem, no PSD, questiona a legitimidade do novo PM esteja ferido de ilegitimidade. Pacheco Pereira chega mesmo a dizer que Lopes não tem maioria no partido quando não há nada que confirme tal afirmação. Pacheco Pereira é um comentador. Não vale um voto no PSD. Mas a sua opinião é mais valorizada do que a dos representantes das distritais, dos autarcas, das ilhas.
Pacheco tenta encontrar no seu blogue a legitimidade que lhe falta no partido. A sua força é aquilo que ele mais critica nos outros: é um ser mediático; não usa a “Lux” ou a “Caras” por razões estéticas, mas não menospreza todos os outros meios.
Pacheco não vale um voto. Pacheco é um comentador. Um comentador que quer mandar sem ter força, legítima. É um ser desta sociedade espectáculo. Um agitador. Tem que ser combatido nas suas contradições e fragilidades. Nas suas obsessões e ódios. A sua cegueira gera cegueira. Ele sabe bem como é que se fazem as coisas. [Vítor Cunha]

Cego guiando cegos



"Cego guiando cegos", do pai Brughel - uma homenagem ao dr. Pacheco Pereira.
[Vítor Cunha]

Diabolizações

Depois de saudar a entrada directa de Vítor Cunha para o Acidental, mais uma excelente aquisição deste vosso humilde Abramovich da blogosfera, quero acrescentar que concordo integralmente com o seu poste inaugural. Ou seja, apesar da consideração intelectual que tenho pelo Eduardo Nogueira Pinto, discordo absolutamente da presumível diabolização de Santana Lopes, como discordei no passado recente de outras tentativas de diabolização política. Não faças aos outros o que não gostas que façam a ti. [PPM]

O susto

Vamos lá ver se nos entendemos: a alternativa a Pedro Santana Lopes é Eduardo Ferro Rodrigues. Não é Manuela Ferreira Leite nem é Marcelo Rebelo de Sousa. Todos aqueles que no Centro e na Direita continuarem a insistir na tentativa de descredibilização do presumível futuro primeiro-ministro estarão apenas a abrir as portas a um governo do PS apoiado no Parlamento pelo Bloco de Esquerda. É isso que querem? Pelos vistos é. [Vítor Cunha]

A alternativa diabólica?

Aparentemente, a alternativa que se coloca às pessoas de direita (ou não-esquerda) com bom-senso, é uma alternativa diabólica: Por um lado a possibilidade de Santana Lopes vir a assumir o cargo de primeiro-ministro e o que de negativo isso certamente representará para o país: paragem das reformas que (ainda que timidamente) se haviam iniciado, desbaratamento das contas públicas, falta de rumo e de uma ideia para Portugal; por outro, a hipótese de eleições antecipadas que, para além de ser uma solução terceiro-mundista, no que de pouca maturidade do sistema democrático revela, traz o fantasma da vitória do PS de Ferro Rodrigues – um PS demasiado à esquerda e excessivamente povoado por figuras medíocres, que apenas como mal menor para o eleitorado de centro será capaz de ganhar umas eleições.
Ao Presidente da República – cuja a actuação considero, desde a sua eleição e até ao momento, muito boa – caberá a decisão final. Como se sabe, esta poderá ser uma de duas: (i) convidar o PSD a apresentar um nome para assumir o cargo de primeiro-ministro e formar governo, ou (ii) dissolver a assembleia e convocar eleições. Pelo que conheço de Jorge Sampaio, estou convencido que o seu bom-senso aponta claramente para a primeira solução. Sampaio não quererá paralisar o país por vários meses, havendo uma maioria eleita há dois anos com todas as condições para prosseguir governando. E o argumento para a não convocação de eleições não será tanto a legalidade, sendo certo que a constituição existe para ser cumprida e o facto de dar cobertura a esta solução não é de somenos. O argumento que mais me interessa e que, estou certo, mais interessará ao Presidente, é o bem do país, que, à partida, se alcança de forma mais cabal não interrompendo uma legislatura a meio, sobretudo quando não existem para isso motivos objectivos. Acontece porém que, ao contrário do que alguns advogam, os nomes e as pessoas também são muito importantes. Assim, se o nome a indicar pelo PSD ao Presidente for o de uma pessoa que não oferece um mínimo de garantias de que conseguirá governar o país, a Jorge Sampaio, como é natural, não restará outra hipótese se não mandar tudo para eleições.
A direita e o centro-direita portugueses estão perante um teste essencial à sua capacidade de sobrevivência: ou conseguem gerar uma solução credível dentro da sua gente, que possa ser apresentada a Jorge Sampaio de modo a que este, ponderado o interesse nacional, a possa aceitar; ou, dominados por uma lógica aparelhístico-partidária, apresentam-lhe o nome e a pessoa de Santana Lopes, obrigando-o, dessa forma, a, em nome do interesse nacional e apesar dos danos colaterais que tal representa para o país, dissolver a assembleia e convocar eleições, nas quais, avinha-se, aparecerá de novo Santana Lopes como figura alternativa à esquerda.
O que está neste momento em causa é o futuro próximo da direita. Com a saída de cena de Durão Barroso, o desafio que se coloca à direita é o de mostrar que tem soluções credíveis e de qualidade. Santana Lopes não faz parte delas. Se ainda assim o seu nome for o indicado, serei forçado a chegar à triste conclusão de que a direita portuguesa bateu no fundo.
[Eduardo Nogueira Pinto]

domingo, junho 27, 2004

Este é o povo de que eles tanto falam


[João Relvas-Lusa]

O Público diz que "Mais de duas mil pessoas manifestam-se contra nomeação de Santana Lopes". Desculpem a presunção, mas eu digo que menos de duas mil e quinhentas pessoas manifestam-se contra Santana Lopes. Será este o povo de que tanto fala o Bloco de Esquerda? Pouco representativo, meus caros. [PPM]

Tanta excitação, tanto sms desperdiçado

Divirto-me perdidamente com a excitação que por aí anda - na blogosfera e não só - com a saída do primeiro-ministro para a presidência da Comissão Europeia e com a sua possível substituição pelo actual vice-presidente do PSD, Santana Lopes. Ontem não consegui deixar de sorrir com os comentários antecipados de Pacheco Pereira e José Magalhães na Quadratura do Círculo, gravados antes da confirmação de tudo o que se viria a passar. A reacção do Bloco de Esquerda, das suas "Mesas" e dos blogues mais ou menos próximos, também não deixa de ser todo um modelo da falta de sentido de Estado que reina naquelas cabecinhas precipitadas e pouco habituadas ao normal funcionamento de uma democracia ocidental. Podiam demonstrar, ao menos, algum respeito pelas instituições constitucionais e, em primeiro lugar, pelo Presidente da República. [PPM]

Mas não eram vocês que não queriam mudar a Constituição?

A Mesa Nacional (Table Nationale, em Bruxelas) do BE afirma em comunicado:
"cairemos na situação pantanosa em que o primeiro-ministro não tem legitimidade eleitoral e governa com uma coligação que também não tem legitimidade eleitoral. O Bloco opor-se-à a qualquer solução ilegítima como esta."

Então a coligação não tem legitimidade eleitoral própria? A maioria parlamentar não é composta de deputados eleitos dos dois partidos?

Ah desculpem, esqueci-me, a única legitimidade que a UGT e o PSR reconhecem é a revolucionária.

Meus amigos, ou gritam contra a maioria porque esta quer mudar a Constituição ou gritam com a maioria por que esta a quer cumprir...

[DBH]

sábado, junho 26, 2004

sms

Ppl, Domingo 19h45, bora à manif. Dinamarca na meia-final já!

[DBH]

Imagem livre


[DBH]

O voto revolucionário



A esquerda bloguista está em festa.
No fundo nunca gostaram de mandatos legislativos, demoram muito tempo, a sua legitimidade preferida é a revolucionária. Por isso adoram sondagens, é a forma moderna do Poder na Rua.

A estabilidade, o crescimento não lhes interessa. Mas a Revolução, a Agitação, isso sim faz mexer o sangue.

Em 2004 já não se fazem impressões na cave, usam-se nokias. Correm sms com o fervor de quem corre para o Palácio de Inverno.

Inventam argumentos: Vota-se para PM! E esquecem-se que nunca Louçã se apresentou como candidato a S. Bento, só para a bancada.

Misturam argumentos: As últimas eleições foram uma desgraça para a coligação, por isso tem de acabar. E esquecem-se que ninguém votou no Miguel Portas para presidir ao Conselho de Ministros.

Mas não lhes interessa os factos, a lei. A única coisa que reconhecem é a sua verdade revolucionária. Por isso estão em festa: Vão organizar uma manif, vão poder usar as bandeiras vermelhas, que isto da mistura com o verde é só para os tontos do futebol.

Ao menos sempre foram assim, ao contrário de um PS que mudou de discurso radicalmente numa semana.
[DBH]

sexta-feira, junho 25, 2004

Ontem e hoje

Ontem fomos treinadores. Hoje somos todos constitucionalistas...
[DBH]

Cuspir para o céu

Paulo Gorjão, quem fica espantado com as tuas certezas inabaláveis sobre as degradadas relações entre o PSD e o CDS, sou eu. Sabes, não se pode acreditar em tudo o que vem nos jornais e sobretudo não se podem tirar conclusões estapafúrdias - desculpa lá o termo - de situações perfeitamente normais e até previamente combinadas entre dois partidos de coligação. Esta tua frase - "Alguém, por acaso, não reparou que Paulo Portas e Durão Barroso deram conferências de imprensa separadas na noite das eleições europeias?" - é um caso típico de alguma ingenuidade e de muita falta de informação sobre o que é da praxe numa noite eleitoral. Ou seja, tal como estava combinado desde o início, representantes de cada um dos partidos sucederam-se nas declarações à comunicação social. Querias uma declaração conjunta e em simultâneo? Nem sequer pôs em causa a possibilidade das duas declarações terem sido previamente acertadas? Ou duvidas da total solidariedade e da confiança mútua entre os líderes dos dois partidos? É que ambas são afirmadas por tudo o que é imprensa como excepção à tal alegada degradação de que tanto falas. Mas tu deves saber muito mais do que eu, certamente. [PPM]

Contra as incidências e os rescaldos (palavras a banir)



Não, não me apetece falar sobre as incidências do jogo. A zanga do Figo (qual é o grande jogador que gosta de sair antes do final?); "os lampejos do passado do Rui Costa" (qual é a selecção que não daria tudo para ter um jogador como ele a titular?); o guarda-redes Ricardo que afinal provou a razão porque o Scolari o escolheu (à atenção dos insistentes adeptos do Baía); o golo do Postiga (sim, foi o Scolari que também o convocou apesar de estar no banco); o centro cirúrgico do Simão (claro que o Cristiano Ronaldo é excepcional); a exibição tranquila do Miguel (é verdade, o Paulo Ferreira até já está no Chelsea); a determinação e a coragem do seleccionador nacional (não vale a pena falar dos que o atacaram desde o início) - tudo isso deixo para os habituais cientistas da bola, sempre disponíveis para a arte da contradição. A mim chega-me dizer isto: VIVA PORTUGAL!
[PPM]

Um jogo é um jogo mas não é só um jogo

Ontem vi o jogo em casa sozinho com as minhas filhas. Como estava a tomar conta delas não pude sair para festejar, mas os festejos nacionais arranjaram maneira de passar à porta de minha casa. Entre a varanda e a transmissão da RTP-1 assisti a um Portugal em festa, reconciliado consigo mesmo. Sim, eu sei que foi apenas um jogo de futebol, mas ao mesmo tempo foi muito mais do que um jogo de futebol. [PPM]

O meu País


Esteve ontem na Rua. Depois de uma tarde em que se rezou enrolado na bandeira.
Meu Deus, isto devem ser tempos difíceis para o Barnabé.
[DBH]

A, nossa, alegria do guarda-redes no momento do penálti


[DBH]

quinta-feira, junho 24, 2004

Descubra as diferenças

Post original de Vital Moreira:
"Afinal, na sua maior parte, os iraquianos ...
... ainda estão vivos!
Paul Bremmer, o cônsul da administração de ocupação norte-americana do Iraque, fazendo o balanço da ocupação antes do transferência de poder para a nova administração iraquiana:

"As anyone who's taken a minute and actually looked at the figures can tell you, the vast majority of Iraqis are still alive - as many as 99 percent. While 10,000 or so Iraqi civilians have been killed, pretty much everyone is not dead."

Afinal "só" foram mortos uns 10 000 civis (os militares mortos na invasão não contam...). Provavelmente "só" haverá umas dezenas de milhares de estropiados. Concerteza "só" se contarão umas centenas de vítimas de maus tratos e sevícias nas prisões dos ocupantes. Como se vê, uma ocupação assaz benigna!
Comentários para quê?"


Post corrigido depois de ter percebido que era uma brincadeira:

"Afinal, na sua maior parte, os iraquianos ...
... ainda estão vivos!
Paul Bremmer, o cônsul da administração de ocupação norte-americana do Iraque, é citado pelo satírico The Onion como tendo dito, ao fazer o balanço da ocupação antes do transferência de poder para a nova administração iraquiana, o seguinte:

"As anyone who's taken a minute and actually looked at the figures can tell you, the vast majority of Iraqis are still alive - as many as 99 percent. While 10,000 or so Iraqi civilians have been killed, pretty much everyone is not dead."

Uma excelente caricatura (si non è vero, è bene trovato...). Poderia aliás ter acrescentado na mesma veia: provavelmente "só" haverá umas dezenas de milhares de estropiados e concerteza "só" se contarão umas centenas de vítimas de maus tratos e sevícias nas prisões dos ocupantes. Em conclusão, uma ocupação assaz benigna!

[Corrigido]
"

Ou seja, depois de perceber que não era verdade, escreve apenas que "si non è vero, è bene trovato...)."

Pois. VM mostra preferir uma mentira apetecível à verdade dos factos.

É espantoso como também não citou esta notícia do The Onion:
Saddam Hussein Freed On TechnicalityBAGHDAD—The U.S. was forced to free accused war criminal Saddam Hussein Monday following the revelation that the former Iraqi dictator had been arrested in an illegal search.

[DBH] Com agradecimento ao Blasfémia

Vamos a eles!

A banha de Moore



O BE/Barnabé tem um novo ícone cultural: Michael Moore, um vendedor de banha da cobra que proclama ser realizador de “documentários”. Não vale a pena gastar mais tempo com a criatura Moore, mas vale sempre a pena ler o que escreve Christopher Hitchens sobre o assunto. Não é, Pedro Oliveira? [Vasco Rato]

Quem não se sente… (II)

Eu também li o comunicado do CDS e, em nenhum momento, se foge às responsabilidades pela derrota eleitoral, naturalmente assumidas em conjunto com o parceiro da coligação. Depois de diversas considerações, em que se destacam os problemas conjunturais que conduziram a uma derrota generalizada dos partidos no poder na União Europeia, afirmando-se todavia a necessidade de se terem em conta os sinais que acompanharam o resultado específico da coligação em Portugal, chegamos ao ponto do tal abalo climático a que se refere o Público. Leiam comigo o ponto 5, se fazem o favor, sem tirar as frases do contexto:

5. Ponderando os resultados das eleições europeias de 1999 e de 2004, os dados objectivos indicam, sem margem para dúvidas, que o CDS-PP manteria os seus dois eurodeputados eleitos, tanto num cenário de listas separadas, como de listas conjuntas. O CDS-PP não optou por listas conjuntas com o PSD para alcançar ganhos – a que renunciara – ou para limitar perdas – que, no seu caso, não estavam objectivamente em causa. O CDS-PP optou por listas conjuntas com o PSD porque considerou que, havia suficiente margem de consenso entre os dois Partidos na prestação europeia, e também por saber que as eleições decorriam no momento mais difícil e mais duro da conjuntura política e económica, sendo necessário e conveniente transmitir os mais fortes sinais de coesão e solidariedade ao nível da maioria parlamentar e da coligação governamental, assim combatendo todos aqueles que, por todos os meios, se afadigam em procurar dividir a coligação simplesmente para derrubar o Governo. O CDS-PP reafirma ter sido feita a opção correcta.

Ou seja, se me permitem também uma interpretação própria, a Comissão Política Nacional do CDS-PP entende, ao contrário do que foi repetidamente dito pela imprensa escrita no rescaldo das eleições, que o partido não fez perder – ou, como também foi escrito por diversos plumitivos, não “roubou” – deputados ao PSD, reafirmando o seu empenho de sempre na coesão da maioria parlamentar e da coligação governamental. [PPM]

As oportunidades do referendo

Embora tenha exprimido várias vezes algumas dúvidas em relação à realização do referendo, se ele se realizar, como tudo indica, há oportunidades de clarificação que não podem ser desaproveitadas. Em primeiro lugar, é uma boa oportunidade para se discutir a evolução da integração europeia. É fundamental perceber a natureza da União de Estados onde está Portugal. E aqui pode-se clarificar o significado de “federalismo” na Europa. É ainda uma boa oportunidade para se defender a “Europa atlântica”. Pode-se, e deve-se, defender a Europa, discordando da “Europa” de Ferro Rodrigues e de Mário Soares. Mais, é uma obrigação fazê-lo. Não podemos deixar que os que defendem uma concepção “federalista e francófona” da Europa monopolizem a defesa da União. Em segundo lugar, a defesa da Europa atlântica corresponde às posições do actual governo e está de acordo com a evolução europeia do CDS desde 1998. Por fim, agora que se adivinha a aproximação entre o PS e o BE, o referendo irá afastá-los de novo. Como é claro no artigo de Miguel Portas, hoje no DN, o Bloco de Esquerda vai votar contra o Tratado Constitucional. Mas, ao fazê-lo, terá que explicar por que razão o Tratado “é mau para a Europa e péssimo para Portugal”. Ou seja, terá que explicar a sua visão da Europa, e por uma vez deixar de se limitar a criticar, atacar e insinuar. Mais, se a discussão for proveitosa, ao explicar-nos essa visão, o Bloco terá inevitavelmente que se confrontar com o passado político dos seus dirigentes, nomeadamente em relação a questões como a democracia pluralista e a economia de mercado. O BE vai por fim perceber que no Portugal de hoje, e não no “Portugal de 1975”, o caminho para o governo passa pela Europa.
[João Marques de Almeida]

Quem não se sente…

Eu chego a espantar-me com o estado nevrótico a que a oposição chegou – e quando falo de oposição, não falo só da institucional, que com essa podemos todos muito bem. Falo da oposição que grassa por essas redacções e pelos blogues anexos. Isto a propósito do comunicado da Comissão Política Nacional do CDS de ontem. Depois de duas semanas em que não ouvimos nem lemos outra coisa que não fosse a culpabilização do CDS pelo que foi chamado de desastre eleitoral da Força Portugal - sempre atribuídas a fontes mais ou menos anónimas “do PSD” – espantam-se agora os autores dessas mesmas notícias com um comunicado em que o partido se limita a responder a tais enormidades, reafirmando a cada passo a confiança e o apoio à coligação no Governo. Espantam-se, naturalmente, por interpostas pessoas, já que não dispõem de colunas de opinião para o fazerem. Os títulos do Público sobre o assunto são um verdadeiro tratado sobre a matéria: enquanto na capa se assinala que o “comunicado sobre europeias agravou clima entre PSD e CDS” (agravou qual clima, estaremos a falar de ares condicionados?), lá dentro refere-se já que o mesmo “abala relações entre PSD e CDS”. Entre o clima e o abalo, cheira-me a tempestade num copo de água e a falta de notícias. [PPM]

Ai Fato, olha os factos

Os EUA exportam medo? Esperamos que sim, que provoquem medo – muito, muito medo – aos terroristas. Fato, o problema é que tu lês o New York Times. [Vasco Rato]

Vão comentar para casa

Não, aqui no Acidental não aceitamos, nem aceitaremos jamais, comentários alheios. Sobretudo por razões higiénicas, em defesa da língua portuguesa e contra os mentores da democracia popular. Basta dar uma volta pelas caixas dos outros para tirar daí a ideia. [PPM]

Marchar, marchar

Mais um blogue contra o "comunismo galopante". Ou será comunismo encapotado?
Força, Daniel Rodrigues. Ou será Cacique? [PPM]

Mão mole, mão mole

É verdade, Inês, como costuma acontecer nestas histórias fui o último a saber. [PPM]

Desculpa lá, Fato, mas eu apoio este Mister


[PPM]

God save America

Um dos editores do New York Times (a propósito, este apoiante de Bush escreveu um excelente livro sobre outsourcing) deu uma entrevista fantástica no programa do Jon Stewart e, para mim, resumiu na perfeição as razões do actual sentimento anti-americano (por parte de algumas pessoas de bem, não dos Michael Moores e companhia): "A América sempre nos vendeu esperança e optimismo, agora vende-nos medo"

God save America

P.S. lá estarei na Luz a apoiar a nossa equipa de futebol (levo um aparelho especial que me faz esquecer que a nossa equipa é treinada por um patético coronel saído da "Gabriela").
[Fato Marques Lopes]

No alarms and no surprises

Caro Paulo,

Mesmo sem convite formal, apareci na festa que o Causa Nossa deu naquele barracão ao lado dos palácios ambulantes do Abramovich e que juntou a crème de la crème da nomenklatura ferrista. Mantive-me sereno e contido, aproximando-me apenas de quem sei não morder: o Pedro Adão e Silva, o Nuno Costa Santos e, apesar de tudo, o Daniel Oliveira, o Celso Martins e o Rui Tavares (tudo malta civilizada e com bom gosto para o whisky, asseguro-te).
Lá mais para o fim, encostei-me ao mesmo bar que o Pedro Lomba, num recato prudente mas observador, apesar da insistência do Daniel que assegurava (e disso fazia a jóia do seu currículo) conhecer mais pobres do que nós. Sabes, Paulo, gostei de lá estar. Confirmei algumas suspeitas: o PS dá-se ares de Estado mas gosta é do agit-prop do Barnabé, que lhes lembra os seus tempos de juventude. O PS gosta tanto de José Lamego quanto Lamego (a cidade) gosta de Viseu. A Joana Gomes Cardoso é bem mais bonita do que a mãe. A Rita Ferro Rodrigues bem mais bonita do que o pai. E Vital Moreira, um Luís Pereira de Sousa ou um Eládio Clímaco em potência, está mesmo feliz com a confusão toda no Iraque. [Francisco Mendes da Silva]

Pensamento do dia

Os portugueses são todos poetas? Não. Os portugueses são todos treinadores de bancada. [PPM]

quarta-feira, junho 23, 2004

Da pornografia política

Quanto à possibilidade de o socialista António Vitorino ser escolhido para a presidência da comissão europeia, Marcelo [Rebelo de Sousa] lembra que, nas audições dos diversos países, os Governos socialistas "deixaram cair de forma pornográfica" o nome daquele ex-ministro de António Guterres e actual comissário português.
Público de hoje

Ok, reconheço



Ok, Pedro Sá, reconheço, fui excessivamente generalista neste poste. Tem toda a razão. É mais a esquerda caviar tipo Barnabé ou Blog de Esquerda que detesta ver as bandeiras nacionais por aí hasteadas. O complexo é só deles, que nem gostam "muito" de Portugal nem dos mecânicos portugueses de Newark (?!?). [PPM]

O Acidental recomenda



Um livro brilhante... [Vasco Rato]

A propósito do livro de Bill Clinton, encontrei isto

Está tudo a dormir?

É por estas e por outras que não somos convidados para as festas do sistema blogosférico. Ninguém escreve hoje? Está tudo a dormir? Como diria o Carlos Queirós nos tempos em que ainda não sonhava sequer em fracassar no Real Madrid, trabalhem rapazes! [PPM]

Ainda Lamego



Nada tenho que ver com a corrida à liderança do PS. Num poste anterior, limitei-me a apontar o que me parece ser óbvio. Primeiro, a “esquerdização” do PS de Ferro Rodrigues (muito elogiado pelo BE/Barnabé), afasta o eleitorado do centro, o eleitorado “flutuante” que dá as vitórias aos partidos englobantes (PS e PSD). Segundo, o candidato que melhor pode fazer esta conquista do centro é José Lamego. Terceiro, ao “recentrar” o PS, Lamego punha fim ao sonho do Bloco de Esquerda: chegar ao governo através de uma coligação de Frente Popular. Quarto, Lamego encarna o consenso sobre política externa que existiu desde 1976 entre os partidos democráticos (desta designação estou, obviamente, a excluir o Bloco e o PCP). Esse consenso mantinha que Portugal é, simultaneamente, um país europeu e atlantista, e que a União Europeia e o elo transatlântico se reforçam mutuamente. Quinto, as políticas económicas de Lamego rejeitam o estatismo e o despesismo crónico que reinaram durante o guterrismo, e que Ferro continua a advogar. Por isso, a eleição de Lamego como secretário-geral do PS seria a maior ameaça eleitoral à direita. Nada disto faz de mim um “apoiante” de Lamego. Mas que o país estaria melhor servido com um governo chefiado por José Lamego do que por Ferro não há qualquer dúvida. [Vasco Rato]

terça-feira, junho 22, 2004

Espaço para O Observador

Vasco Rato, defendeu no Acidental, no dia 21 de Junho (já o tinha feito anteriormente), que o CDS liberalize as suas políticas, caminhando “para um discurso mais liberal”.
Relativamente a este texto, gostaria de dar a minha opinião.
Com a sugestão de liberalização das políticas defendidas pelo CDS, ter-se-ia de esclarecer uma questão: a que género de liberalização se refere Vasco Rato? A uma liberalização da política económica? Se assim for, à partida, concordo com esta opinião, mas julgo que nunca se deverá deixar de ter certos cuidados, no sentido de não se perderem alguns ensinamentos oriundos do neo-conservadorismo americano e que são fruto das desilusões do liberalismo entendido como sendo só e apenas liberalismo. Corríamos o risco de cometer certos erros que iriam agravar ainda mais o sentimento anti-liberal que existe em Portugal. Refere-se Vasco Rato a uma liberalização da política social? Da liberalização de prática do aborto, por exemplo? Neste caso, não se esqueça da base de apoio do CDS - ainda muito conservadora nesta matéria - e o feitiço poder-se-ia virar contra o feiticeiro. E relativamente aos assuntos militares, à Defesa, ao papel do Estado nesta matéria? A liberalização do discurso do CDS tenderia para considerar os investimentos na defesa como supérfluos ou manter-se-ia a ideia da sua necessidade, pelas razões que nós, que somos de direita, conhecemos?
Que tipo de liberalização pretende Vasco Rato que o CDS defenda? São questões que se colocam ao CDS. Como se colocam a todos os que consideram essencial o surgimento de um partido que defenda políticas de direita modernas, plurais e liberais, capazes de convencer uma margem considerável da população portuguesa. Só com uma discussão profunda da direita sobre estas matérias seria possível moldar um projecto profundamente inovador e modernizador da sociedade portuguesa.
André Abrantes Amaral (O Observador)

Extrema-direita na Comissão?

Ahern poderá suceder a Prodi
Título do Correio da Manhã

NR: O primeiro-ministro irlandês, Bertie Ahern, é líder do partido Fianna Fail, que faz parte da União para a Europa das Nações no Parlamento Europeu, o mesmo grupo onde está o CDS e que foi diversas vezes classificado de extrema-direita durante a última campanha eleitoral. [PPM]

Deve ser por isso que o Daniel anda tão querido com o Ferro

"Nenhuma coligação pode deixar de fora o Bloco de Esquerda"
Miguel Coelho, presidente da Concelhia de Lisboa do PS

segunda-feira, junho 21, 2004

A bandeira nacional na janela do Acidental



Aqui está um dos traumas mais complexos e inexplicáveis da esquerda blogueira: eles não gostam da bandeira nacional, abominam a bandeira nacional, fogem da bandeira nacional, têm problemas com a bandeira nacional, acham kitsh a bandeira nacional, não gostam do verde e do vermelho da bandeira nacional, ficam nervosos com a bandeira nacional, estão furiosos com a quantidade de bandeiras nacionais que vêem por esse país afora. Pois, tomem: na minha varanda já lá está bem desfraldada, mas faltava aqui uma bandeira nacional na janela do Acidental. [PPM]

Interrogações sobre o CDS

Talvez não devesse meter foice em seara alheia, mas a discussão entre o Paulo Pinto Mascarenhas (PPM) e o Eduardo Nogueira Pinto (ENP), em volta da Europa e do CDS, suscitou-me algumas interrogações. ENP escreve que o CDS deveria adoptar uma postura mais “eurocéptica”, sendo este regresso ao passado uma forma de preservar a identidade e a autonomia do CDS face ao PSD. Refere, também, que parte do eleitorado do CDS não votou nas europeias justamente porque o partido alinhou excessivamente com as teses europeias do PSD. Duvido desta conclusão, mas, na ausência de dados empíricos, aceito que assim seja.
Vamos por partes. Como lembra PPM, se é verdade que o CDS abandonou o seu anti-europeísmo, essa transformação deve-se a um conjunto de novas realidades. Especificamente, o euro, o alargamento e o fim do sonho federalista. A questão do federalismo – que marcou o debate do início da década de 90 - já não se coloca porque a construção europeia evoluiu no sentido do reforço do poder dos Estados, particularmente dos grandes países. Claro que a eventualidade da criação de uma “Europa dos grandes” suscita-nos alguma relutância relativamente ao processo de integração, particularmente quanto ao novo “Tratado constitucional”. Mas, na medida em que a Europa é cada vez mais uma construção de nações, é natural que o CDS esteja menos céptico, apesar de estar ciente dos perigos no horizonte.
Mas o problema não se esgota aqui. A bom rigor, a Europa enquadra as nossas opções de política interna. Não é, portanto, possível (pelo menos, não seria politicamente coerente) assumir uma postura mais eurocéptica sem, ao mesmo tempo, alterar o discurso em relação às grandes opções de política interna. Por exemplo, a questão do défice. Dito de outra forma, pedir um discurso mais eurocéptico equivale a questionar muitas das políticas sectoriais defendidas pelo Governo. Se o CDS enveredasse por tal caminho, a coligação deixaria de fazer sentido. A “eurocalma” é, portanto, o preço a pagar pela preservação do governo.
Tal como o ENP, julgo que o problema da autonomia política do CDS terá, rapidamente, de ser resolvido. Também penso que a participação no governo impede o partido de se distanciar do PSD. Pode, nas próximas eleições legislativas, repetir o slogan da campanha de 2002: o CDS está no governo para “melhorar” a governação do PSD. Porém, não tenho a certeza que esse discurso – que pode sempre conduzir à lógica do voto útil - irá trazer um pay off eleitoral daqui a dois anos, particularmente se o governo permanecer impopular. É certo que o CDS seria indispensável ao PSD se conseguisse 8 a 10 por cento do voto. Se assim é, a questão que se coloca é como poderá o CDS chegar a essa percentagem?
Na minha óptica, terá de caminhar para um discurso mais liberal, um discurso que possa atrair novas faixas da população, nomeadamente o eleitorado urbano e jovem. Mas isto significa que o conservadorismo social do partido terá de ser atenuado. O CDS deve abrir-se aos elementos mais inovadores da sociedade portuguesa, e deixar de estar acantonado em nichos eleitorais e sociológicos. Não significa isto que o CDS deva abandonar a sua matriz conservadora; significa apenas que o partido não se pode limitar a essa matriz centrista e democrata-cristã. Que fazer? Federar conservadores e liberais para construir um partido de direita plural, modernizador, socialmente tolerante e dedicado ao alargamento da liberdade individual em todas as esferas públicas.
Tenho muitas dúvidas que o CDS opte por este caminho.
[Vasco Rato]

O FMS já cá canta...

...ou melhor, escreve. Como podem ler ali mais abaixo. É a contratação do século, tendo em apreço o elevado potencial de crescimento técnico-táctico, para não falar do extraordinário poder de drible (leiam-no também No Quinto dos Impérios). Pode ser considerado como o "nosso" Cristiano Ronaldo.
Fora de brincadeiras, sê bem-vindo, Francisco. [PPM]

Bom-dia, comunidade (V)



Eurocopa 2004 | PORTUGAL
España, eliminada de la Eurocopa
tras sua derrota con Portugal

SANTIAGO SEGUROLA

Ya hay nueva fecha y escenario para la traumática historia de la selección española en los grandes torneos. En el estadio Alvalade fue eliminada de la Eurocopa. En la primera ronda, sin esperar a la tradicional decepción de cuartos de final, como si quisiera ahorrarse el trago de toda la vida. Se impuso Portugal sin demasiado juego, pero con la determinación que le faltó a España, que no dejó ninguna seña de identidad en la primera parte.

EL País de hoje

A não perder



Esta imagem ainda é do número 1, mas publica-se hoje o n.º 2 da indispensável revista "Relações Internacionais", do Instituto Português de Relações Internacionais (IPRI) da Universidade Nova de Lisboa. A sessão de lançamento (uma expressão que me lembra sempre o lançamento do disco nas Olimpíadas) terá lugar às 18h00 no Espaço Mediateca do Centro Jacques Delors, no interior do Centro Cultural de Belém. A entrada é livre mas sujeita a inscrição (linha azul 808201354, telefone 213652500, fax 213652513 ou pelo email cijd@cijdelors.pt). Serão oradores Nuno Severiano Teixeira (director da revista), Teresa de Sousa (Público) e Pedro Magalhães (Instituto de Ciências Sociais). Vá lá e compre a revista. [PPM]

Bom-dia, comunidade (IV)

Sabem porque é que a Espanha perdeu? Ordens do Zapatero: queria a equipa de volta antes de 30 de Junho.

Lamego



Tal como o PPM, fiquei muito satisfeito com a candidatura de José Lamego à liderança do Partido Socialista. É evidente que Lamego seria um pesadelo para o PSD/CDS e que Ferro é um opositor menos ameaçador. Lamego visa pôr termo à deriva esquerdista de Ferro, e, assim, conquistar o eleitorado do centro. Trata-se de retomar uma estratégia eleitoral que deu frutos durante o guterrismo, a única que pode fazer do PS uma partido vencedor, sem ter de recorrer a alianças com o PCP ou o Bloco de Esquerda. Infelizmente, a lucidez não abunda no interior do PS. Por isso, a candidatura de Lamego apenas servirá para nos recordar que ainda existe um PS responsável e credível. Mas esse PS é minoritário.
[Vasco Rato]

Bom-dia, comunidade (III)


Fugas (IV)

Perto de Vila Viçosa há uma pequena terra chamada Pardais. Garanto, Diogo, que eles podem ser encontrados por essas paragens. Também vi cegonhas e rolas. Procurar nos aeroportos é que não resulta. Keep searching. [Vasco Rato]

Reality check

Não quero fazer papel de Velho do Restelo, particularmente depois dos postes eufóricos colocados no Acidental. Mas não nos esqueçamos que o futebol é apenas um jogo, um divertimento momentâneo. Depois das vitórias, continuaremos a viver num país relativamente pobre e a precisar de reformas estruturais. A auto-estima – agora tão elogiada – não resolve os nossos problemas socio-económicos. Os golos nada alteram. As coisas são o que são... mesmo se Portugal ganhar o Euro. [Vasco Rato]

Bom-dia, comunidade (II)

O silêncio dos inocentes

Eu gosto de sociólogos, principalmente os ocupados, que são mais inofensivos. E, nesta quadra festiva de eleições europeias, os adeptos da causa - os profissionais e os muitos leigos que praticam o ofício em papel de jornal - têm andado particularmente entretidos, afocinhando nos números de estatísticas várias à procura das razões escondidas da abstenção e da solução mágica para o fenómeno (um "cancro da democracia", como se diz).
Ora, eu preocupo-me tanto com a abstenção como com - digamos - a sucessão do trono no Nepal. Mas não desgosto de observar os esforços da tribo, que são sempre profícuos e entusiasmantes. Em todo o período eleitoral, há sempre um ou dois dignos representantes que saem de dentro da tenda de circo e gritam pela obrigatoriedade do voto, que deixaria de ser um dever cívico para ser um dever jurídico. Nestas últimas eleições, gente houve que propôs a abertura das urnas até horas menos católicas. São ambas teses que não têm discussão por criarem elas próprias o muro do ridículo onde esbarram logo de seguida a serem enunciadas, mesmo antes de qualquer argumento em contrário ser proferido. Nascem e escorregam logo na casca da banana.
Ao contrário de uma outra, que, pelos vistos, é doutrina dominante. Segundo leio, o povo não votou porque não se discutiram "os temas europeus". Esta é a minha favorita, porque nela estão todos os preconceitos da esquerda. O povo quer discutir "os temas europeus", o povo percebe "os temas europeus" e só a trupe iluminada sabe quais são "os temas europeus". Há, como sempre na esquerda, uma inocência enternecedora quanto à bondade dos motivos que levam os homens ao voto misturada com a tentação da orientação ideológica da plebe rude e inculta.
Eu, com a devida vénia, discordo. Duvido que haja muita gente a desenterrar os pés da areia e a enrolar a toalha para ir votar nos "temas europeus". Se não o fizeram para contestar um governo alegadamente incompetente, alegadamente refém de um partido alegadamente radical, racista e xenófobo, não vejo porque o fariam para mostrar a sua vontade quanto à Constituição Europeia, à harmonização fiscal, à reforma das instituições, à amplitude do direito à greve na Carta dos Direitos Fundamentais, à integração das políticas de Defesa ou ao diâmetro do Queijo da Serra. Pior: pelo que leio e ouço, também não parece que a nossa intelligentsia saiba do que fala. Mas se calhar a culpa é minha, que sou igualzinho a eles e espero demasiado das pessoas.
[Francisco Mendes da Silva]

Bom-dia, comunidade

sábado, junho 19, 2004

Fugas (III)

No aeroporto, onde faço escala, parece-me que não há pardais. Mas, em compensação, há umas meninas da Heiniken, vestidas apertadamente de cor de laranja a dar brindes publicitários para o Euro2004.

Não estou, pelos vistos, ainda suficientemente longe. Mais para Leste, se faz favor.
[DBH]
(já está devidamente acentuado, DBH)

sexta-feira, junho 18, 2004

Um herói português



Hoje à noite, o segundo canal transmite uma biografia de Aristides de Sousa Mendes. Em 1940, quando a Alemanha nazi ocupou a França, Sousa Mendes era cônsul em Bordéus. Contrariando as ordens de Salazar, emitiu vistos a milhares de judeus que lhes permitiu fugir para Espanha e Portugal - e, depois, para o mundo livre, escapando assim ao Holocausto. A recompensa desta atitude heróica foi a marginalização e o afastamento da vida diplomática. Sousa Mendes morreu na miséria há cinquenta anos, o que diz muito sobre o Estado Novo. Na minha opinião, ainda hoje não se reconhece em Portugal a dimensão do que ele fez. Desconfio que há poucos casos de humanismo e de decência, no século XX português, que se aproximem do exemplo de Sousa Mendes.
Presto aqui a minha homenagem, a que todo O Acidental se associa.
[João Marques de Almeida]

Inocência e Utilidade III

Paulo,
Oxalá tenhas razão. A mim, que estou fora dos bastidores partidários, parece-me que, em termos práticos, o CDS está a alienar essa postura, sem dúvida, mais céptica ou realista, que num passado recente (mais recente do que o tempo em que, na Assembleia, se exibiam palmetas tiradas da manga) assumiu quanto à Europa. Para o meu descontentamento relativamente à postura europeia do PP contribui, sobretudo, um facto, o qual, por acaso, se refere ao aspecto que neste momento é mais importante para a Europa. Falo, está claro, da constituição europeia. O CDS não só se esqueceu do referendo que tanto pediu (e prometeu), como até aprovou, de forma efectivamente acrítica, uma revisão constitucional para adaptar o nosso já longo texto ao não menos longo projecto de constituição europeia, com o qual, paradoxalmente, nenhum dos eleitores ou filiados do PP (dirigentes incluídos) que conheço está de acordo. Ora, se não foi a convicção nesta constituição europeia que levou o CDS a preparar o terreno para a sua subscrição, então o que é que foi?
[Eduardo Nogueira Pinto]

quinta-feira, junho 17, 2004

Claro que não foi o Reagan

Alguns blogues de esquerda aproveitaram a morte de Ronald Reagan para criticarem a sua herança. Era de esperar. No entanto, num ponto têm toda a razão: claro que não foi Reagan o único responsável pelo fim da União Soviética. Os responsáveis foram Lenine, Trotsky, Estaline e todos os que se seguiram. Tudo aquilo esteve errado desde o início. Gorbachev percebeu o óbvio: era preciso reformar. Mas não percebeu o essencial: era impossível reformar a União Soviética. Aconteceu o que Tocqueville um dia disse: “o pior momento de um mau governo é quando se procura reformar”. O grave é que muitos desses blogues continuam a não perceber nada disto. [João Marques de Almeida]

Saudações ao Luciano

Quando descobri o mundo dos blogues, o Comprometido Espectador foi um dos que passei a ler com regularidade. O nome chamou-me desde logo à atenção, evocava Raymond Aron, possivelmente a melhor cabeça francesa do século XX. Para além das suas contribuições intelectuais, a sua atitude independente, honesta e pluralista foi uma das melhores heranças de Aron. Devo dizer que na maioria das vezes concordo com o Luciano, por vezes discordo (e ainda bem), mas admirei sempre a atitude que ele teve no blogue, como um verdadeiro discípulo de Aron. No nosso país, são raras as pessoas verdadeiramente liberais e com um espírito livre. O Luciano é um deles. Um grande abraço. [João Marques de Almeida]

Para a Terra Nova



O pintor é Alex Colville. [VR]

Inocência e utilidade (II)

Caro Eduardo,
Nada do que escreveste põe em causa o poste a que te referes. A coligação pode, como tu dizes, ter prejudicado a votação eleitoral dos dois partidos que a constituem nas Europeias – a verdade é que ninguém o poderá afirmar com absoluta certeza – mas calcula o que seriam os argumentos da esquerda se PSD e CDS tivessem resolvido concorrer separados. Desde logo, à cabeça, diriam que a coligação governamental é tão frágil que nem no que respeita à Europa se consegue entender. Mas, adiante, que não é o que a esquerda diz, contando para o efeito com uma comunicação social que cada vez mais lhe serve de megafone acrítico, que nos interessa nesta nossa conversa à direita.
Afirmas tu, em suma, que o CDS-PP, à força de tentar provar que não é extremista nem anti-europeu, corre o risco de se transformar numa espécie de PSD-B, perdendo as suas características próprias (eurocépticas, na tua opinião) e não se distinguindo do parceiro de coligação. É curioso que digas isso, uma vez que o PSD é muitas vezes acusado de ter assumido o discurso e a agenda política do CDS, nomeadamente no que à Europa diz respeito.
Neste caso, não é só a esquerda que o diz, são grande parte dos comentadores, oscilando entre o argumento de que o CDS está a desaparecer, diluindo-se ideologicamente no PSD, e o argumento contrário de que o PSD está a tornar-se um partido cada vez mais de direita, exactamente por causa da influência perniciosa do CDS. Não é à toa que se ouve tantas vezes afirmar ser este o Governo mais à direita desde o 25 de Abril – como se, ser de Direita, fosse uma qualquer doença perigosa.
Não, Eduardo, não foi o CDS que deixou de ser eurocéptico – foram os principais partidos do centro europeu e as principais nações europeias que deixaram de ser euro-optimistas; foram as realidades europeias que se alteraram radicalmente.
O discurso do CDS-PP desde, pelo menos, 1998, é o do chamado euro-realismo: é naturalmente europeísta mas não aceita “uma Europa governada por um qualquer directório de “grandes” que imponha aos restantes Estados as suas regras e orientações” (esta última frase está entre aspas porque figurava entre os argumentos da coligação Força Portugal).
A adaptação à realidade do euro, bem como a aceitação dos Tratados de Amesterdão e Nice, enquanto tratados moderados e realistas, e por isso tão criticados pelos adeptos da visão federal, colocaram o CDS no “arco europeu”, “representando, aí, a posição mais nacional e a atitude mais prudente” (isto está também escrito em vários documentos programáticos do partido desde o último congresso).
À excepção de algumas relíquias políticas do passado – entre as quais se destaca o Dr. Soares – ninguém acredita realmente no projecto utópico de uma Europa federalista. Mesmo que muitos agora afirmem o contrário, o CDS defende uma “Europa das Nações” e uma “Europa dos povos europeus” – defesa que hoje é assumida consensualmente por grande parte das principais forças partidárias europeias, ao centro e à direita. Posto isto, concordo contigo num ponto final: o CDS-PP só tem a ganhar em afirmar-se claramente como um partido de direita – obviamente democrática e, na minha opinião, liberal. Com respeito pela sua matriz democrata-cristã, mas sem complexos “centristas” que só o prejudicam. [PPM]

Bombeiros e piromaníacos

Na Assembleia da República, a maioria apresentou um voto de pesar pela morte de Ronald Reagan. PCP e Bloco de Esquerda votaram contra. Grande novidade. Seria como pedir aos piromaníacos para chamar os bombeiros. Mas fica a interrogação: irá Luís Fazenda apresentar um voto de pesar pela morte de Fidel Castro? E Bernardino Soares pela morte de Kim Jong Il? Diz-me com quem andas... [Vasco Rato]

Rebéubéu, pardais ao ninho



Diogo: welcome back. Não havia pardais? Terá sido uma fuga urbana? [Vasco Rato]

Inocência e utilidade

Meu caro PPM
Sem enfiar a carapuça dos “inocentes úteis de direita”, discordo parcialmente do poste que escreveste intitulado “As mentiras que vêm da esquerda”. Não é que da esquerda não venham algumas mentiras, nem é que a coligação para o governo interno não seja, neste momento, necessária, mas parece-me, sem ter provas beyond a reasonable doubt, que o facto de os partidos da coligação terem concorrido coligados NESTAS eleições europeias, contribui também para perderem parte da sua força eleitoral.
Vejamos o caso do PP, que é o que me interessa agora. O constrangimento programático que resultou do facto de ter que alinhar com a posição do PSD relativamente à Europa – a qual, tirando o facto de querer continuar na UE (óbvio e comum a quase todos), não se percebe bem em que consiste – levou muito do seu eleitorado a abster-se, retirando-lhe, para já, um deputado. O PP, para valer a pena, deverá ter uma postura mais eurocéptica, no bom sentido desta expressão (o único, aliás, que conheço), que parece ter-se perdido em Portugal. De outra forma, passa a ser um PSD–B, com ainda menos quadros e pior organização.
A construção europeia (expressão a abater) não é um dogma dos federalistas. Pode e deve ser discutida no que respeita aos âmbitos económico e políticos que deve ter, às velocidades a que deve avançar, à maior ou menor soberania de que, em nome dela, se deve abdicar; sendo que, em todas estes campos de discussão, como é óbvio, existem posições e vontades diferentes. Pode ser-se simultaneamente europeísta e eurocéptico. Mas, numas eleições europeias, para se poder ser eurocéptico, tinha que concorrer-se em listas separadas do PSD. Facto que, já por várias vezes disse, em nada poria em causa a coligação interna de Governo.
Posto isto, acho que quem tem sido inocente é o PP, ao cair nas armadilhas de pessoas como Mário Soares que, empurrando-o constantemente para os extremos, estão a conseguir fazer com que progressivamente perca a sua originalidade, numa tentativa (admito que subconsciente) de se “credibilizar” perante aquelas (como se fosse muito importante que Mário Soares passasse a considerar o PP). É que, se no dia seguinte a Mário Soares dizer que o PP é extremista, Paulo Portas energicamente lhe responde com umas bocas engraçadas, uns dias depois, com o seu subconsciente cheio das acusações de extremismo feitas por Soares e companhia, abstém-se de tomar uma boa medida porque (pensa ele que) a mesma é susceptível de provocar nova enxurrada de protestos da esquerda saudosista. O mesmo se passa relativamente à questão europeia: depois de tantas vezes ser acusado de anti-europeu (o que é normal, pois o papel dos que politicamente não gostam do PP é atacá-lo com o que acham poder provocar maior dano), e julgando que tinha de provar a esses que o atacavam que não era contra a Europa (quando tinha é que ligar aos seus potenciais eleitores), o PP deixou de ser eurocéptico e foi-se tornando europassivo, até para – e aqui entra o problema da coligação – não encavacar o PSD, que os detractores do PP, subtilmente, cuidavam de elogiar nesta matéria, para concluírem como podia estar aliado, nela, ao PP.
O PP, ao continuar a cair de forma ingénua na armadilha da esquerda (e de um certo PSD) que, empurrando-o para os extremos, o faz chegar demasiado ao centro, vai acabar por delapidar a parte da sua identidade. E, se isso acontecer, ninguém lhe vai agradecer. Nem o PSD (que, a meu ver, também não ganha nada com isso), nem os Soares, nem as pessoas que votam ou votaram no PP. Isto sim é inocência útil. Para a esquerda, claro.
[Eduardo Nogueira Pinto]

Buáááá, eles só querem o Durão!!!!!



PPE volta a apontar Durão Barroso como possibilidade para a Comissão

quarta-feira, junho 16, 2004

Luciano, isto não pode ficar assim

Essa de fechares o teu nobre estabelecimento é que não me parece nada bem, Luciano. O Comprometido Espectador vai fazer muita falta, mas há sempre uma solução: como deverias saber, O Acidental está a transformar-se no Abramovich da blogosfera e tem aqui um espaço à tua espera, sempre que te apetecer. Não custa nada, é só escrever. [PPM]

Eu agora sou um dos "artíficies"...

...da derrota da Força Portugal. Isto, pelo menos, segundo o muito subjectivo João Pedro Henriques, que, como toda a gente sabe, tem sempre uma piada fácil guardada nos confins do cerebelo. Tudo indica que o senhor, com a sua larga disponibilidade de fontes e poder único de investigação, descobriu numa revista que por acaso lê uma fotografia em que apareço na sede de campanha da Força Portugal. Vai daí, rigoroso como é seu timbre, conclui todo cheio de si que eu sou "um dos artíficies da "banhada" (Marcelo dixit) de domingo passado". Mais. O PS e o BE andam a fazer figas para que continue a ser um dos "artíficies" (escreve-se artífices, JPH, veja lá esse português apressado). Se é assim que chega às habituais conclusões definitivas nos seus outros artigos, está tudo explicado. Inteligência e sobriedade são qualidades dispensáveis por aquelas bandas, mas de "marketing" - reconheço - percebe ele. [PPM]

Não tenhas medo Dani


Não há razões para ciúmes, continuamos a rir muito com o teu diário.
[DBH]

As mentiras que vêm da esquerda

Como se pode perceber pelas palavras de alguns políticos - ver, por exemplo, no JN o que disse Mário Soares ao programa "Sociedade Aberta" na SIC - o principal objectivo da esquerda continua a ser tentar dividir a coligação no Governo.
O novo mito urbano-depressivo - sustentado também por alguns inocentes úteis de direita - é o de que o PSD só perdeu dois deputados por estar aliado ao CDS na Força Portugal. Mas em que se baseiam estes senhores para dizer tal abrupto absurdo?
Eu sei que há quem se julgue oráculo do povo português - à esquerda e à direita - mas peço-lhes que apresentem um prova minimamente credível que seja, para a podermos todos avaliar. A derrota assumida por ambos os partidos da Força Portugal foi a consequência natural de dois anos de Governo em que a coligação se viu obrigada a adoptar políticas impopulares mas absolutamente necessárias depois de seis anos do mais desesperante descalabro socialista (lembram-se?). O que, aliás, aconteceu - como costuma acontecer - em toda Europa.
Até às legislativas faltam ainda dois anos em que os portugueses irão começar a sentir cada vez mais os benefícios de uma política de rigor financeiro e de contenção orçamental, considerada obrigatória por todos os analistas económicos independentes, europeus e internacionais.
Para além do mais, a coligação Força Portugal foi um acto de vontade livremente expresso pelos dois partidos que a constituíram. Ninguém impôs nada a ninguém. Tudo o resto são mentiras baseadas em pressupostos demagógicos que procuram, precisamente, fragilizar uma aliança constituída em nome da estabilidade e do interesse nacional. Defender outra coisa é entrar no jogo que interessa à esquerda. [PPM]

Convocados

Paulo Pinto Mascarenhas, Vasco Rato, João Marques de Almeida, Rodrigo Moita de Deus e, mal me afasto dois dias, entra o Eduardo? Francisco, anda cá ter, isto é uma dream team e nós somos os "técnicos de equipamento"!
[DBH]

Fugas

Estive dois dias de férias. Mas não havia pardais.
[DBH]

E depois a direita é que insulta

Governo "deveria ir tomar banho"
Carlos Carvalhas, JN de hoje

Obrigado, João...

...do Duo Dinâmico, pelos sábios conselhos contra os ataques informáticos que vou tentar aplicar ao meu computador. [PPM]

Obrigado, Inês...

...do My Moleskine por ter respondido às minhas perguntas inocentes de ontem. Eram perguntas de retórica, obviamente, e tiveram resposta consonante.Apesar de estar nos meus antípodas políticos, gosto muito de a ler. [PPM]

Sem cinismos...



...eu, se fosse do PS, votava no José Lamego. O que quer dizer que ele jamais será eleito secretário-geral do partido. [PPM]

terça-feira, junho 15, 2004

Não sei o que se passa...

...com o meu computador, mas tinha escrito um poste a vangloriar-me da política agressiva de aquisições de novos colaboradores do Acidental, a propósito do poste do Eduardo - dono do magnífico What do you represent - mas não saiu nada. Népias. Ao mesmo tempo, aparecem-me uns avisos muito esquisitos de "spywares" a dizerem que estou a ser vigiado 24 horas por dia, be carefull out there, etc. e tal. Isto para não falar dos anúncios do penis enlargement e dos novos contactos que poderia "estabelecer". Daqui a um bocado, ainda começo mesmo a acreditar nas cabalas e nas teorias da conspiração (esta é para um leitor que se queixava dos meus postes das perguntas inocentes. Aquilo era uma brincadeira, nada mais do que isso, esteja sossegado). [PPM]

Francisco, estás convocado

Depois do Eduardo, só falta agora o Francisco Mendes da Silva do No Quinto dos Impérios deixar de fazer-se caro e escrever aqui para o pessoal. Francisco, estás convocado!
[PPM]

Como explicar aos nossos filhos?

A minha filha Maria, com oito anos, perguntou-me durante o jogo com a Grécia: “Pai se o Vítor Baía é o melhor guarda-redes português, por que joga um guarda-redes chamado Ricardo?” O meu filho Gonçalo, de cinco anos, perguntou-me: “Pai, por que é que o Deco não joga na equipa de Portugal?” No fim do jogo, a Maria voltou à carga: “Pai, se o Porto é campeão da Europa, como é que Portugal não é capaz de ganhar à Grécia?”
[João Marques de Almeida]

Cuidado, porque o povo nem sempre é sereno

É muito perigosa a ideia de que o resultado das europeias trouxe, ao menos, uma coisa boa, sendo essa a mais que provável manutenção de Ferro Rodrigues à frente do PS até às legislativas e o consequente aumento da possibilidade de vitória da coligação ou do PSD. É perigosa porque parte de um pressuposto optimista, mas (ou por isso mesmo) falso, de que o povo ‘vota sempre ‘bem’, sendo que votar 'bem’, aqui, é não votar em Ferro Rodrigues.
O povo, em determinadas situações – que poderá bem ser a que iremos ter nas próximas legislativas – vota, bem ou mal, contra. Contra quem está no governo, sem ter tanto a noção de que esse voto contra é, ainda, um voto a favor do partido ou da pessoa em quem vota para votar contra. A democracia nem sempre premeia o mérito, até porque, às vezes, prefere castigar o demérito (ou aquilo que na óptica da maioria eleitoral merece ser castigado, ainda que em certas outras ópticas, não maioritárias, seja muito meritório).
Independentemente das virtudes (menos) e dos defeitos (mais) de Ferro Rodrigues enquanto líder, arriscamo-nos a que ele, por estar no sítio certo, na altura certa, venha a ser o próximo Primeiro-Ministro. E esse cenário, ainda que hipotético, assusta-me. Assim, não confiando na bondade do povo e como me interessa bem mais o País do que os partidos, sentir-me-ia muito mais descansado se Ferro fosse substituído por outro no PS: um Jaime Gama, um António Vitorino, alguém que, apesar de ser um mais forte candidato, não tornasse a vitória do PS numa verdadeira desgraça.
Tenho para mim que à frente dos partidos de onde é possível saírem primeiros-ministros (PSD e PS) é sempre melhor estarem bons políticos. E, no caso do PS, os mais competentes para governar são, por sinal, os menos à esquerda.
[Eduardo Nogueira Pinto]

Sobre o julgamento de Setúbal e todos os outros

Vi as imagens do julgamento de Setúbal e lá estavam os cartazes do PCP e do Bloco de Esquerda. O Dr. Miguel Portas pregando moral política como bom jesuíta. Faltam ainda as figuras do costume. A Jamila, a Ilda, talvez o Carvalhas, mas não devem ter sido avisados do directo nas televisões. Ouvem-se as palavras do costume - “a culpa é do governo e do primeiro-ministro”, “a luta continua” e tudo o resto que costumamos ouvir nestas ocasiões. Como se fosse o governo a fazer despachos de acusação, a conduzir julgamentos, e a ler as sentenças. Mas o Miguel, a Jamila, a Ilda e o Carlos, que tanto gostam de pleitear a causa da separação de poderes, preferem esquecer o que é óbvio. Também não percebem que ganhar votos à conta do aborto, já nem pode ser considerado oportunismo, é simplesmente repugnante.
[Rodrigo Moita de Deus]

A vitória de Ferro 'Pirro' Rodrigues

Ferro Rodrigues está a ser criticado no interior do PS pelo anúncio de recandidatura a secretário-geral que fez na noite das eleições. As críticas não são inocentes - vêem de militantes próximos de José Sócrates, cuja eventual candidatura a secretário-geral no próximo congresso (em Novembro) é cada vez mais comentada no interior do partido.

Em declarações ao PÚBLICO, um dos principais apoiantes de Sócrates, o deputado José Lello, considerou que a noite eleitoral "não era o momento para introduzir a questão interna" do PS. No seu entender, "o momento era para usufruir a vitória". E acrescentou: "A questão interna veio diminuir o impacto da vitória."

Público de hoje

Pergunta inocente do dia (II)

Porque é que os tribunais condenaram o autarca Ferreira Torres - que, no meu ponto de vista, não tem obviamente qualquer desculpa - poucos dias antes das eleições? E porque é que o recurso dos defensores das vítimas da Casa Pia à decisão relativa ao socialista Paulo Pedroso foi conhecida apenas um dia depois das eleições? [PPM]

Pergunta inocente do dia

Porque é que só um dia depois das eleições é que a comunicação social começou a confrontar os responsáveis socialistas pelos desacatos em Matosinhos? Para não influenciar os resultados? Mas não seria legítimo que os eleitores conhecessem todos os dados em jogo antes do momento da decisão? [PPM]

segunda-feira, junho 14, 2004

Mas afinal quem é que ganhou as eleições europeias? Foi a direita ou foi a esquerda?


(Resultados provisórios das eleições europeias)

PPE (EPP-ED)- Grupo Parlamentar em que está incluído o PSD.
UEN - Grupo Parlamentar em que está incluído o CDS e também, entre outros, o Fianna Fail, partido do primeiro-ministro irlandês, Bertie Ahern, actual presidente da União Europeia em exercício (o tal grupo que os socialistas diziam ser composto por perigosos extremistas de direita).
PSE (PES) - Grupo Parlamentar em que está incluído o PS.
GUE/NGL - Grupo Parlamentar em que está incluído o PCP.
Outros - Todos os deputados que não têm grupo parlamentar. Como foi o caso de Le Pen e é o caso do novo eurodeputado Miguel Portas, do BE.

A vitória na Europa, meus caros, foi difícil mas é nossa (de quem é do centro e da direita). É só somar. [PPM]

Será que o BE ganhou mesmo?

Sei que todos atribuíram uma grande vitória ao Bloco. Também sei que os seus dirigentes e militantes festejaram como se tivessem obtido uma grande vitória (aparentemente, diz-nos o DN, com a ajuda de vários tipos de estimulantes. Força camaradas, de Bruxelas a Amesterdão é só um pulo). Sei, por fim, que tiveram mais cem mil votos. No entanto, não sei se a vitória foi assim tão grande. Um amigo meu, defensor dos pequenos partidos, disse-me um dia o seguinte: “eu voto Portas ou Portas”, acrescentando: “detesto o bloco central”. Reconheço que não há muitas figuras tão excêntricas com este meu amigo, mas vale a pena pensar um pouco no que ele diz. O CDS já alcançou o objectivo de chegar ao poder. O problema agora coloca-se ao BE: conseguirá chegar ao poder? Um outro amigo meu, diz-me que a única diferença entre Ferro Rodrigues e Francisco Louçã é que o segundo descobriu dez anos depois do primeiro que quer ser ministro. Para isto acontecer, é preciso que aconteçam várias coisas. Antes de mais que o PS ganhe as eleições com uma direcção que não se importe de fazer coligações à esquerda, como a actual. Precisa contudo de um PS relativamente fraco (sem ter maioria absoluta ou mesmo longe desse objectivo) e precisa de conquistar eleitorado ao PC, tornando-se na segunda força de esquerda. O BE sabe muito bem que o seu principal adversário na política portuguesa é o PC, não são os partidos de direita. Ora, apesar da “vitória” de ontem, não consegue apanhar os comunistas. Na minha opinião, o PC teve uma “vitória” bem maior que o BE.
Para 2006, o Bloco enfrenta um dilema complicado. Como se viu nestas eleições, a radicalização da vida política portuguesa e a colagem do governo à “extrema direita” não são suficientes para ultrapassar o PC. Por outras palavras, no melhor contexto de todos para o BE (radicalização ideológica), o “movimento da esquerda moderna” não conseguiu ultrapassar o partido comunista mais ortodoxo do mundo ocidental. Será isto uma “grande vitória”? Se quiser ir para o governo em 2006, a partir de agora o BE vai ter que atacar o PS e o PC, esperando que o primeiro ganhe e tentando ultrapassar o segundo. Não vai ser fácil. [João Marques de Almeida]