Fundado por Paulo Pinto Mascarenhas


Ana Albergaria
Bernardo Pires de Lima
Diogo Belford Henriques
Eduardo Nogueira Pinto
Francisco Mendes da Silva
Henrique Raposo
Inês Teotónio Pereira
Jacinto Bettencourt
João Marques de Almeida João Vacas
José Bourbon Ribeiro
Leonardo Ralha
Luciano Amaral
Luís Goldschmidt
Manuel Castelo-Branco
Manuel Falcão
Nuno Costa Santos
Paulo Pinto Mascarenhas
Pedro Marques Lopes
Rodrigo Moita de Deus
Tiago Geraldo
Vasco Rato
Vitor Cunha


Logótipo Acidental concebido por Vitriolica. Grafismo gerado por Miss Still.


Acidental Long Play


Direita Liberal


O Acidental


Público

TSF

Lusa

Associated PressReuters


A Causa Foi Modificada
Bomba Inteligente
O Espectro
Educação Sentimental
A Vida em Deli
Futuro Presente
Aos 35
Vitriolica Webb's Ite
A Sexta Coluna
Tristes Tópicos
Some Like It Hot
Xanel 5/Miss Pearls
Crónicas Matinais
Rititi
Mood Swing
19 meses depois
Serendipity
A Propósito de Nada
The world as we know it
Minha Rica Casinha
Da Literatura
Tradução Simultânea
Contra a Corrente
O Estado do Sítio
Geraldo Sem Pavor
Acho Eu
A Arte da Fuga
O Sinédrio
Blue Lounge
Portugal Contemporâneo
A cor das avestruzes modernas
Kapa
Snob Blog

E Depois do Adeus
Margens de Erro
Nortadas
Office Lounging
No Quinto dos Impérios
Teorema de Pitágoras
What do you represent
Esplanar
Quase Famosos
Melancómico
Vício de Forma
João Pereira Coutinho I
João Pereira Coutinho II
Retalhos da Vovó Edith
Blogue dos Marretas
Lóbi do Chá
O Insurgente
A Mão Invisível
A Esquina do Rio
Voz do Deserto
Desesperada Esperança
Homem a Dias
Blasfémias
Origem das Espécies
Babugem
Ma-Schamba
Rua da Judiaria
Fuga para a vitória
Mar Salgado
A Ágora
Miniscente
A vida dos meus dias
Elasticidade
Causa Liberal
O Telescópio
Grande Loja do Queijo Limiano
O Intrometido
Carambas
Mau Tempo no Canil
Lobby de Aveiro
Bar do Moe
Adufe
Bloguítica
Tau-tau
Incontinentes Verbais
Causa Nossa
elba everywhere
O Observador
Super Flumina
Glória Fácil
Metablog
Dolo Eventual
Vista Alegre
Aforismos e Afins
A Cooperativa
Semiramis
Diário da República
Galo Verde
Ilhas
french kissin'
Bicho Carpinteiro
Portugal dos Pequeninos
Foguetabraze
A Invenção de Morel
Aspirina B
O Boato
O Vilacondense
O amigo do povo
O Insubmisso

Aviz
Barnabé
Blog de Esquerda
Fora do Mundo
Jaquinzinhos


Powered by Blogger


Google

Segunda-feira, Maio 31, 2004

A padeirização da política portuguesa (III)


Estes dois não são o Miguel Portas e a Joana Amaral Dias.

A padeirização da política portuguesa (II)


Este não é o Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda.

A padeirização da política portuguesa


Esta não é uma reunião do Comité Central do Bloco de Esquerda.

O país das virgens ofendidas

Vivemos num país de virgens púdicas. E a família Adams do défice excessivo também tem parentes próximos na blogosfera.

Mensagem cifrada

É engraçado ver que alguns dos blogueiros de esquerda mais demagógicos e caluniadores são aqueles que mais depressa se excitam e exaltam com os ataques de que são alvos os seus políticos de eleição. Contradições que se registam.

Contra Todas As Torturas

Como os nossos leitores mais atentos já devem ter percebido, retirámos hoje aqui do Acidental a nossa petição "Contra Todas As Torturas". Em causa estão, obviamente, os insultuosos ataques anónimos. Não queremos misturar o nome de pessoas de bem, que tiveram a coragem de dar a cara, com a cobardia de alguns energúmenos ambulantes. Mas não pensem que ganharam, porque a petição vai continuar, para já apenas através do email do Acidental. Esperamos mais tarde, quando assegurarmos a fiabilidade de um outro sistema que impeça este tipo de ataques, continuá-la "online". Publicamos, para já, o nome dos signatários que nos deram a honra de partilhar este combate connosco. Podem ser poucos, mas são muito bons.
Obrigado a todos.


João Marques de Almeida
Paulo Pinto Mascarenhas
Inês Teotónio Pereira
Vasco Rato
Sérgio Reis
Francisco Mendes da Silva
Vânia Micaela Mariano Pinto da Silva
João Bello
António Aly Silva
Nuno Costa
André Rafael Severino Monteiro
Rossana Ferreira
Rui Carmo
Pedro Lomba
Frederico Marques
Miguel Henriques
Manuel Carreira
José Luís Lencastre
Gonçalo Soares
Maria João Paiva Raposo
Francisco Correia
Hugo José Esteves Pires
Leonardo Ralha
Pedro Pelichos
Rui Oliveira
Luís Bonifácio
Joana Castro
Nuno Bonneville van Uden
João Lecour
Eduardo da Cunha de Avillez Nogueira Pinto
Miguel Noronha
Nuno Amado
João Reis
Nuno Homem e Sousa
Paulo Jorge Oliveira Ferreira
Filipe Carvalho Sim-Sim
Cláudia Reis Duarte
Mario Rui Gonçalves Chainho
Luciano Amaral
Rui Maia Miranda
Sérgio Fialho Lourinho
Miguel Gentil Gomes
Nelson Eloy Alves Buiça
João Titta Maurício
Bernardo Pires de Lima
João Bento
Herminio Veiga da Silva
Paulo Ramos
Antonio Manuel Cavaco Gouveoa
Carlos Filipe Moreira Duarte
Gonçalo Noronha e Andrade
Beatriz Soares Carneiro
Diogo Maria Sacadura Cabral de Sousa e Alvim
Tomás Almeida
Luis Tirapicos Nunes
André Abrantes Amaral
Diogo Belford Henriques
Lara Freitas
Afonso Manuel Pinheiro de Azevedo e Silva Neves
André de Atalaia Samouco
Paulo Jorge Carvalho
José Ribeiro e Castro
João Vacas
João Sousa
Manuel Leal de Oliveira Marçal
Ricardo Dias Pinto
Luís D'Aguiar
Carolina Bettencourt
Jéssica Martins
Paulo Alexandre de Albuquerque Emiliano
José Tavares H. Domingues
Gui Abreu de Lima
Maria Inês Pinto Mascarenhas
Miguel Almeida
Francisco Costal
Carla Costal
João Rodrigues
Leonardo Ribeiro
Nuno Reis
Paulo Martins
João Freire de Andrade
Vítor Duarte
Vítor Cunha
Mário José Almeida Lopes Barreiro
Maria Carlos Ramalho Carrola Gonçalves Antunes Barreiro
Paulo Xardoné
Francisco Silva
Sérgio Almeida Correia
Diogo Cordeiro Ferreira
José João Costa Correia
Cristina Macau Pereira
Tânia Pereira
Gabriel José Azevedo Pinheiro Cardoso
Manuel Castelo Branco
José Carolino Ferreira Gonçalves
Vasco Amaral Cunha
Frederico Macau Pereira
Tiago Manuel Mesquita Tavares
Ana Rita Vilhena
António Sousa
Rita Costa
Vânia Catarina Peça de Sousa Rosa
Ricardo Martins Marcelo
Hélder Ferreira
José Barros
Afonso David Martins
João Moreira Pinto
cláudia rodrigues
Nuno Manuel da Silva Fonseca
Francisco Silva
Luis Ferreira
João Noronha
Miguel de Lucena e Leme Côrte-Real
Hugo Louro Gil Oliveira
Maria Duarte
Luis C. Canavarro de Morais
Miguel Cortez de Lobao
Joaquim Duarte Silva
Marcos Garrido
Fernanda Leitão
Paulo F. G. F. Rodrigues
Mendo Ramires
António Ferreira
André Azevedo Alves
Pedro Guedes
Manuel Azinhal
Bruno Oliveira Santos
Antónia Grilo
Francisco Machado
Miguel Franco e Abreu
Bernardo Mira
António Meirelles Moita
Luís Aguiar Santos (Causa Liberal)
Gonçalo Pimentel
Nuno Cunha
Mariana Mendes Nina
Pedro Pardal Goulão
Vitor Manuel Caldeirinha Cabeça
Filipe Vicente
Fernando Gouveia
José de Magalhães Mexia
Teresa Félix
Marisa Aires
Cristina Macau
Henrique Pereira
António Carvalho
Ricardo Alexandre Teixeira Mendes
Alexandra de Almeida Teté
João Machado
João de Almeida Tété
João Marques Pombinho
Maria Helena Amorim
João Gonçalves Pereira
Sónia Alexandra Ferreira Abrantes
Domingos Garcia Pulido Pereira
Cristina Victória Pires Macau
Maria Gabriela Oliveira dos Reis Soares
Pedro Manuel da Conceicao Lopes
Adolfo Mesquita Nunes
Maria do Carmo Aragão Barros
Filipa Tavares da Matta
Gonçalo Mendes da Maia

Olá, bom dia

À Bomba Inteligente, que ficou a pensar que roubámos mesmo o DBH ao Quinto dos Impérios, esclarecemos que ele só esteve e só estará aqui de empréstimo. Mas que nós gostamos de o ter como colaborador acidental, lá isso gostamos. Aliás, os quintistas podiam vir todos por atacado, a começar no FMS.
Ao Sérgio Bastos, que nos enviou um email muito simpático, esclarecemos que, quando condenamos TODAS AS TORTURAS, são mesmo TODAS AS TORTURAS, incluindo as da PIDE. Mas o que está em causa na nossa petição é precisamente a falta de memória de alguma esquerda blogueira, sempre fulminante a atacar os erros das democracias ocidentais, mas muito esquecida no que diz respeito às práticas inaceitáveis que tiveram lugar durante o PREC.
Ao Esquizóide Raivoso que, afinal, continua bem vivo e recomendável. Obrigado também pela sugestão do Hugo Chávez para o ditador do dia.
A todos os bloguiadores e a todos os leitores.
A Gerência

Sexta-feira, Maio 28, 2004

O espaço do leitor

Proponho o seguinte ícone comunista para a sua rubrica "Dia de": Álvaro Barreirinhas Cunhal. É oportuníssimo e convém esclarecer desde já as personagens ilustres que o elogiaram há dias, a começar por Cavaco Silva e a acabar em Júdice.
Explique-nos como é que ele completou o curso na prisão. Como Salazar o deixou fugir de Peniche. Onde e como viveu até ao 25 de Abril. O que fez até aí. Desvenda-nos as suas relações com a KGB e com o ditador da Bulgária. Relembre-nos o quanto foi "boa" a sua acção para a nossa democracia, nomeadamente no manipular dos governos até ao 25 de Novembro, no achincalhamento das FA e dos nossos valores, na razia da Agricultura e da Indústria. No condicionamento dos meios de comunicação. Nas criaturas que criou, CR, Copcon, etc. Fale-nos dos fundos financeiros do PC, como viveu até aqui. Fale-nos do que ele fez e porque fez o que fez aos ficheiros da PIDE que desapareceram. Fale-nos de como ele chegou ao poder no PC. E da sua relação dúbia com Soares. Enfim, esclareça-nos sobre essa personagem mítica que é o nosso ícone comunista: Cunhal.
Esquizóide Raivoso


NR: O Vasco Rato responde que, felizmente, Álvaro Cunhal nunca chegou a ser propriamente um ditador, porque nunca assumiu de forma total o poder em Portugal. Tentámos estabelecer um link ao blogue do Esquizóide Raivoso mas não conseguimos. Acabou com ele? É pena, porque tinha qualidade e não era insultuoso, ao contrário de grande parte dos blogues anónimos que andam por aí.

Parabéns a ياسر عرفات (Yasser Arafat)



No dia 28 de Maio de 1964, faz hoje 40 anos, nasce a Organização de Libertação da Palestina (OLP), presidida desde 1969 por Yasser Arafat (ياسر عرفات, em árabe). Nos anos 70, a OLP era o guarda-chuva de oito organizações terroristas sediadas em Damasco e Beirute. O Exército de Libertação da Palestina mantinha então 12 mil homens armados, lideradas com mão-de-ferro por Arafat, que tinha ainda tempo para dedicar os seus dias à Fatah, a Frente Popular para a Libertação da Palestina, a Frente Popular de Libertação da Palestina-Comando Geral (FPLP-CG), a Frente Democrática para a Libertação da Palestina, a Frente de Libertação da Palestina, a Frente de Libertação Árabe, a Frente de Luta Popular - e outros grupos minoritários. Em 2003, Yasser Arafat apareceu em sexto lugar na lista dos mais ricos "Reis, Rainhas e Déspotas" da revista de negócios "Forbes", com uma fortuna estimada em "pelo menos, 300 milhões de dólares". [PPM]

Ele estica-se...



[DBH]

Este queijo cheira mal


Quinta-feira, Maio 27, 2004

Os novos amanhãs que cantam

Alguns blogueiros de esquerda têm exibido indignada surpresa com a preocupação da Direita em recordar o passado e preservar a memória histórica. Há quem se tenha admirado com os postes diários em que Vasco Rato revisita um ditador socialista ou comunista. Eu não me espanto, nem me admiro. Num momento em que a vitória da democracia liberal sobre todos os totalitarismos do século passado pode parecer um facto consumado, é indispensável recordar algumas das utopias que serviram de base ideológica à instauração das mais cruéis tiranias. Por detrás dos “amanhãs que cantam” de algumas das esquerdas de hoje –leiam, como paradigma formal, o BE/Barnabé – vislumbram-se projectos de “transformação” e de “aperfeiçoamento” das sociedades ocidentais que, a serem concretizados, poderiam originar novas formas de totalitarismo. Quem esquece, descuida o futuro. [PPM]

Dia de Eric Honecker



Quem viu o filme Goodbye, Lenin percebe com facilidade o absurdo que era a "República Democrática Alemã” de Eric Honecker. Durante décadas, o “socialismo” alemão foi frequentemente apresentado como o mais “eficaz” do bloco comunista. Era o “paraíso dos trabalhadores”, onde a classe operária vivia em conforto e prosperidade. A juventude era feliz, e todos rejeitavam a “decadência” da Alemanha capitalista. Curiosamente, ou talgvez não, os comunistas construíram o Muro de Berlim para impedir a fuga para essa mesma Alemanha do “capitalismo decadente”. Não consta que muitos dos cidadãos “decadentes” tenham ido viver para o paraíso de Honecker.
O ditador acabou mal: morreu no Chile (sim, o de Pinochet), ameaçado com a extradição. Hoje, ninguém recorda Honecker. Excepto Álvaro Cunhal, Carlos Carvalhas e outros que continuam a insistir que o “socialismo alemão” foi uma grande conquista da Humanidade. Pensam assim porque nunca viveram lá.
[Vasco Rato]

Deixem-se de mentiras

Recentemente, alguns blogs de esquerda começaram a caracterizar o Acidental como o “blog oficioso do CDS”; outros insistem em rotular-nos de “extrema-direita”. Enganam-se. Quanto ao CDS, eu não sou e nunca fui militante do CDS. Admito que algumas das minhas posições coincidem com as do CDS, mas outras são abertamente combatidas por esse partido. A minha posição sobre o aborto coincide com a do Bloco de Esquerda, e isso nunca fez nem fará de mim um bloquista. Por outro lado, ideologicamente, não sou conservador nem democrata-cristão. Não vejo, pois, que possa ser um porta voz “oficioso” do CDS. Mas – e que isto fique bem claro – também não sou hostil a um partido democrático que sempre combateu pela liberdade.
Quanto à adjectivação de “extrema-direita”, poupem-me. Trata-se de uma forma de tentar silenciar, ou desvalorizar, os argumentos que apresentamos. Trata-se de tentar colocar o Acidental no mesmo saco dos "Le Pens" que por aí andam. Eu não tenho nada a ver com a extrema-direita autoritária e anti-liberal. Pelo contrario: o Acidental preza, acima de tudo, a liberdade e a democracia. Por isso mesmo, não temos contemplações com partidos políticos portugueses que ainda não se conformaram com a herança da liberdade. É o caso do Bloco de Esquerda e do PCP. Estes – e os blogs que os apoiam directa ou indirectamente – é que são os verdadeiros extremistas. O resto é conversa.
[Vasco Rato]

Viva o FC. Porto, viva Portugal!


[PPM]



Quarta-feira, Maio 26, 2004

Problemas na blogosfera

Se tiverem problemas a entrar no Acidental retirem o www e escrevam apenas http://oacidental.blogspot.com - vi o aviso na Bomba Inteligente e parece que o problema é geral. Na blogosfera há sempre solução para os problemas. [PPM]

O ataque dos turistas-assassinos


[PPM]

Imperialmente (II)

Como puderam ver, o DBH do Quinto dos Impérios é o novo colaborador do Acidental. Roam-se FMS, JV, FA... [PPM]

Imperialmente

Estou a sentir-me um pouco esquizofrénico.
[DBH]

O comunista-plasticina



Esta manhã, na Assembleia da República, Carlos Carvalhas chamou “cobarde” a Durão Barroso. Acusou de “cobardia” um primeiro-ministro que combate o défice, apoia a intervenção militar no Iraque, reforma a Segurança Social, e tenta liberalizar o Estado e a sociedade portuguesas. Um primeiro-ministro que assume estas posições sabendo que as medidas do seu governo são necessárias mas impopulares. Um primeiro-ministro cercado pela demagogia populista do PCP e Bloco de Esquerda, partidos reaccionários que nada querem mudar.
A acusação de “cobardia” seria hilariante se não viesse de um dirigente político que instrumentaliza os sindicatos para frustrar as políticas definidas por um governo legítimo. De um dirigente que usa os sindicatos para fazer avançar um “projecto de sociedade” apoiado por uns escassos 6 por cento do eleitorado. De um burocrata que não tem a coragem para criticar abertamente o estalinismo do seu partido, ou para se erguer contra o sectarismo de Álvaro Cunhal e dos seus delfins. De um fantasma político que nunca teve a coragem de impor a sua liderança, e que mostrou uma cobardia confrangedora na forma como tratou João Amaral. Carvalhas – o comunista-plasticina – nunca teve coragem para nada. Ele é um bom comunista, mas perdeu uma boa oportunidade para estar calado. [Vasco Rato]

Miguel Portas dixit

Em Castelo Branco, o cabeça de lista do Bloco de Esquerda, afirmou que a campanha para as europeias é “o grau zero da política", uma "campanha rasca" que debate assuntos “que nada têm a ver com as questões europeias". Que fez Portas para corrigir o problema? Condenou o eventual encerramento de maternidades no interior do país. Existirá, concerteza, alguma coerência em tudo isto.
De qualquer forma, é estranho que o Bloco venha agora criticar campanhas “rascas”. A curta vida da seita tem sido caracterizada justamente por campanhas rascas. Foram rascas quando organizaram a campanha contra as propinas. Depois, foram rascas ao explorarem o julgamento das mulheres de Aveiro para fazerem avançar a campanha pelo aborto. E, sobretudo, foram rascas quando deturparam e mentiram sobre a guerra do Iraque. [Vasco Rato]

Ameaça cumprida

T. S. Eliot (Burnt Norton)

Time present and time past
Are both perhaps present in time future,
And time future contained in time past.
If all time is eternally present
All time is unredeemable.
What might have been is an abstraction
Remaining a perpetual possibility
Only in a world of speculation.
What might have been and what has been
Point to one end, which is always present.
Footfalls echo in the memory
Down the passage which we did not take
Towards the door we never opened
Into the rose-garden. My words echo
Thus, in your mind


[Vasco Rato]

Vasco dixit

Vasco Graça Moura, no Público de hoje:
Toda a espécie de tortura e toda a espécie de sevícias são actos inqualificáveis contra a dignidade do ser humano. Referir situações vergonhosas de tortura e de sevícias como as ocorridas em Portugal em 1974 e 1975 não branqueia, nem relativiza outros casos mais recentes e ocorridos noutras paragens. Pelo contrário: são esses casos recentes, mais as comemorações que alguma esquerda festiva fez do 25 de Abril, que os trazem quase automaticamente à lembrança.
Em qualquer país civilizado, as sevícias teriam dado lugar a averiguações consistentes e exaustivas das autoridades e da comunicação social. Veja-se o que se passa agora nos Estados Unidos. Só não aconteceu assim em Portugal, apesar de por cá bastar que um sujeito qualquer dê um espirro para haver logo processos e reportagens.
Continua-se à espera de que as esquerdas envolvidas condenem oficialmente os actos de tortura e de sevícia referenciados no relatório de 1976. Decência é isso. O resto é conversa fiada.

[Vasco Rato]

Discussões internas (III)

Muito bem, Paulo. Emendaste o erro. Como sabes, não tenho nada contra a beleza. Não tenho esse preconceito (tenho outros, é claro). Mas a questão não é essa. A minha objecção reside na forma como tu escolheste fazer a representação da beleza. O problema é, portanto, da expressão estética da beleza. Tu enveredaste pela futebolização da estética, eu preferia que não tivesses colocado uma imagem que trata a candidata da Estónia como se ela fosse um objecto sexual de fantasias adolescentes. Não se trata, pois, de preconceitos “politicamente correctos”, de “esquerda” ou “feministas”. Acho muito bem que se faça um esforço para aumentar o número de mulheres na política, e até defendo a implementação de quotas para garantir uma representação mais equilibrada. Mas –please – deixa o bikini para a praia. [Vasco Rato]

Dia de Nicolae Ceaucescu



Nicolae Ceaucescu, o último dos estalinistas (exceptuando, claro, Alvaro Cunhal) substituiu o ditador Gheorghe Gheorghiu Dej em 1965. Tiranizou a Roménia durante 24 anos. Em 1989, depois de ser derrubado através de um levantamento popular, foi executado. Deixou o país endividado, perseguiu minorias étnicas (particularmente os ciganos). Preservou o poder através da sua polícia secreta, construiu “palácios” megalómanos. Para pagar a loucura, depois de 1979, exportou praticamente toda a produção agrícola do país. Resultado: subnutrição e escassez de bens alimentares num país tradicionalmente auto-suficiente. É a herança comunista – os amanhãs que cantam – em todo o seu esplendor. [Vasco Rato]

Discussões internas (II)



OK, Vasco, espero que esta imagem da candidata ao Parlamento Europeu, Carmen Kass, seja mais do teu agrado. Mas essas ideias de sexismo só podem ser reflexo dos teus próprios preconceitos. Desde quando é que a beleza pode ser incompatível com um pensamento político lúcido e determinado? Para mim, bem pelo contrário, pode até ser um factor que reaproxime os cidadãos das instituições europeias. Abraço. [PPM]

Discussões internas

Paulo Pinto Mascarenhas:
Acabas de comprometer a coesão deste blogue. Ontem, ao colocares a imagem de Carmen Kass, conseguiste dar uma machadada nos valores que pautam a escolha de postes colocados aqui no Acidental. Passo a explicar: não tenho nada contra a menina em questão, e até votaria nela se vivesse na Estónia. Admito que é gira. Mas votaria nela por opção político-ideológica, não porque é uma supermodel num bikini. Por outras palavras, Paulo, ao colocares aquela imagem, sucumbiste ao sexismo puro. Fugiu-te o pé para o chinelo. Racismo, anti-semitismo e sexismo não têm lugar neste espaço; apenas o anticomunismo militante. Não voltes a infringir as regras....
Como castigo, vou colocar mais uns poemas. [Vasco Rato]

Terça-feira, Maio 25, 2004

Força Estónia



Carmen Kass é uma supermodel da Estónia que agora é candidata ao Parlamento Europeu pelo PPE, o grupo onde está inserido o PSD português, aliado do CDS na Força Portugal. Digam lá se não há razões de sobra para votar nas próximas eleições?
[PPM]

Problemas do foro psicológico

O BE/Barnabé não conseguiu resistir: deu-nos a “interpretação correcta” da proposta de George Bush para demolir a prisão de Abu Ghraib. Os barnabés dizem que Bush anunciou que iria “encerrar” a prisão. Mentira. Afirmou que iria “demolir” a prisão porque esta se havia transformado num “symbol of disgraceful conduct by a few American troops who dishonored our country and disregarded our values”. Convenhamos que George Bush não diz exactamente a mesma coisa que os barnabés lhe atribuem. Mas qual é o verdadeiro motivo de Bush? No universo paranóico-conspirativo do BE/Barnabé, Bush está a “empurrar para debaixo do tapete” os acontecimentos recentes. Trata-se de uma tentativa de “apagar o passado” que – fino raciocínio dos meninos – equivale a “uma confissão” de que “as coisas não correm bem”. À imagem do guru Louçã, estes rapazes distorcem deliberadamente a verdade. É caso para dizer que já se trata de um problema de foro psicológico...
[Vasco Rato]

Estranho

Há já dois dias que Paulo Gorjão não escreve sobre o seu assunto preferido: Paulo Portas, é claro. [PPM]

Contra Todas As Torturas

Há ataques que dizem tudo sobre a natureza dos seus autores. Continua a crescer o número de subscritores da petição "Contra Todas as Torturas", mas também vão surgindo os habituais insultos, sempre cobardemente anónimos. Um deles, em particular, é o retrato de alguma esquerda, que gosta de se afirmar democrática, mas continua a ser profundamente totalitária. "É pena não estares lá preso na altura", escreveu um qualquer infeliz, decerto saudosista dos tempos em que era a esquerda radical que mandava em Portugal. Parece que, para estes ditadores de trazer por casa, as torturas também são mais ou menos aceitáveis, dependendo de quais sejam os seus alvos ou os seus autores. Obrigado por ser tão esclarecedor, caro anónimo. [PPM]

Chega de poesia

Não sei o que se está a passar hoje aqui no Acidental, mas isto já parece um blogue de poesias. Está tudo doido, ou quê? [PPM]

Mudança da guarda

Sixteen years,
Sixteen banners united over the field
Where the good shepherd grieves.
Desperate men, desperate women divided,
Spreading their wings 'neath the falling leaves.
Fortune calls.
I stepped forth from the shadows, to the marketplace,
Merchants and thieves, hungry for power, my last deal gone down.
She's smelling sweet like the meadows where she was born,
On midsummer's eve, near the tower.
The cold-blooded moon.
The captain waits above the celebration
Sending his thoughts to a beloved maid
Whose ebony face is beyond communication.
The captain is down but still believing that his love will be repaid.
They shaved her head.
She was torn between Jupiter and Apollo.
A messenger arrived with a black nightingale.
I seen her o n the stairs and I couldn't help but follow,
Follow her down past the fountain where they lifted her veil.
I stumbled to my feet.
I rode past destruction in the ditches
With the stitches still mending 'neath a heart-shaped tattoo.
Renegade priests and treacherous young witches
Were handing out the flowers that I'd given to you.
The palace of mirrors
Where dog soldiers are reflected,
The endless road and the wailing of chimes,
The empty rooms where her memory is protected,
Where the angels' voices whisper to the souls of previous times.
She wakes him up
Forty-eight hours later, the sun is breaking
Near broken chains, mountain laurel and rolling rocks.
She's begging to know what measures he now will be taking.
He's pulling her down and she's clutching on to his long golden locks.
Gentlemen, he said,
I don't need your organization, I've shined your shoes,
I've moved your mountains and marked your cards
But Eden is burn ing, either brace yourself for elimination
Or else your hearts must have the courage for the changing of the guards.
Peace will come
With tranquillity and splendour on the wheels of fire
But will bring us no reward when her false idols fall
And cruel death surrenders with its pale ghost retreating
Between the King and the Queen of Swords.

[Vasco Rato]

Sobre a guerra das vontades

Exclusivo: Rodrigo Moita de Deus, do Segundo Sentido, escreveu-nos um poste. E nós publicamos com muito gosto.

Quer queira, quer não queira, o Ocidente está em guerra. A declaração de guerra não é processo legítimo, ordeiro e democrático. Não padece de autorizações e basta-lhe a concordância de apenas uma das partes. Não há convites, nem autorizações. Começam e ponto final (como se fosse possível qualquer outra maneira).
Tenho-me pasmado com as teses que por aí andam, afirmando o apoio a uma guerra contra o terrorismo e criticando ao mesmo tempo intervenções militares. Pode-se apoiar uma guerra criticando as batalhas? Ou partem eles do princípio que defendermo-nos do terrorismo é exactamente a mesma coisa que declarar-lhe guerra? Não percebem eles que a guerra não desaparece pela sua negação? A guerra não se vai embora, nem acaba sozinha. A guerra só termina quando uma das partes vencer.
A guerra dura há dois anos e mesmo assim o Ocidente inibe-se. Não deseja o combate, procura terceiras e quartas vias e nem sequer reconhece a existência de um inimigo. O ocidente divide-se, critica-se e atrapalha-se. Quer ganhar uma guerra sem ter inimigos, sem ter batalhas e sem ter baixas.
Retirar do Iraque, criticar a intervenção, condicionar demagogicamente a acção dos soldados constitui uma demonstração de pouca vontade. Na prática é a assumpção de fraqueza que os inimigos esperam, que os inimigos precisam para vencer a guerra. Porque as guerras se vencem apenas pela vontade, o ocidente pode ter mísseis, aviões e tanques e mesmo assim sair derrotado. Porque não há arma tecnologicamente mais avançada que a vontade humana, o ocidente pode sair derrotado. Porque não há limites nem condições numa guerra que é combatida em nome de Deus e da vingança, não há valor que o Ocidente possa pagar para evitar a derrota.
Vontade não tem sinónimo nem há outro vocabulário que lhe ocupe o lugar. Perseverança. Tenacidade. Capacidade de sacrifício. Entrega. Crença. Todas também são vontade e vontade não é nenhuma delas. Vontade é, no caso extremo da análise do iletrado, o querer. Tem sempre razão o sacana do iletrado! Vejamos pois como assenta a palavra ao pensamento: é preciso querer ganhar para vencer. Redutor, básico, iletrado, mas perfeito. Ninguém o faria melhor. Feitos os dois pontos, os rodopios à semântica, e o bailarico ao vocabulário, fica então a nota sincera – e sem segundos sentidos – para todos quantos pensam que a luta contra o terrorismo faz-se sem batalhas: se as guerras se vencem pela vontade, então o Ocidente arrisca-se a perder esta.
É isso que querem? [Rodrigo Moita de Deus]

Precisam que eu traduza?

"I sent American troops to Iraq to defend our security, not to stay as an occupying power. I sent American troops to Iraq to make its people free, not to make them American. Iraqis will write their own history, and find their own way."
George Bush, citado pelo Washington Post de hoje

Concordamos com o Bloco de Esquerda



O anteprojecto da declaração “Começar de Novo”, que estabeleceu o Bloco de Esquerda, faz a seguinte avaliação do PCP:

As dificuldades do PCP devem-se em boa medida aos seus próprios limites. Muitos portugueses têm legítimas dúvidas sobre a natureza do seu projecto para o país e sobre o seu conceito de democracia, quando vêem um partido com diferentes sensibilidades internas ser incapaz de assumir essa realidade, bem como de proceder a uma crítica aprofundada dos regimes que existiam a Leste. Muitos outros não entendem a insistência com que o PCP continua a reclamar um governo com o PS, quando se sabe que mesmo em tal caso e no plano das políticas económicas e sociais, predominaria a continuidade da actual política governamental do PS. Por outro lado, este partido continua a manifestar uma tendência evidente para o sectarismo e a autosuficiência, traduzida na ideia de que a sua frente, a CDU, representa toda a esquerda, quando na realidade integra exclusivamente a que o PCP foi inventando por sua conveniência. Mas o principal limite dos comunistas portugueses respeita a uma persistente dificuldade de articular a sua tradição com a emergência de novos problemas sociais e culturais que exigem respostas corajosas, capazes de contrariar a cultura conservadora dominante na sociedade.
[Vasco Rato]

Poesia emprestada do JPC

João Pereira Coutinho fez o favor de reproduzir um poema inédito de Kingsley Amis, recentemente publicado no Times Literary Supplement. É magnífico; por isso nós também o reproduzimos. Com a devida vénia, é claro.

Things tell less and less:
The news impersonal
And from afar, no book
Worth wrenching off the shelf.
Liquor brings dizziness
And food discomfort; all
Music sounds thin and tired,
And what picture could earn a look?
The self drowses in the self
Beyond hope of a visitor.
Desire and those desired
Fade, and no matter:
Memories in decay
Annihilate the day.
There once was an answer:
Up at the stroke of seven,
A turn round the garden
(Breathing deep and slow),
Then work, never mind what,
How small, provided that
It serves another's good
But once is long ago
And, tell me, how could
Such an answer be less than wrong,
Be right all along?
Vain echoes, desist

Dia de Robert Mugabe



Fundador do ZANU, “movimento de libertação” marxista que o levou ao poder em 1980, o presidente do Zimbabué tem cometido fraudes em todas as “eleições” realizadas desde então. Persegue dissidentes, minorias étnicas e os homossexuais. A comunidade internacional assiste a tudo isto em silêncio porque, afinal de contas, Mugabe lidera um “movimento de libertação nacional”. Nada disto impediu o lúcido bispo sul-africano, Desmond Tutu, de o caracterizar como “uma caricatura do ditador africano”. Ontem, numa entrevista à SKY News, Robert Mugabe disse que não pretendia liderar o Zimbabué “eternamente”. Aparentemente, reconhece que o seu poder é insuficiente para alterar as leis da vida. [Vasco Rato]

Segunda-feira, Maio 24, 2004

A diferença está na democracia

Texto defende permanência de tropas estrangeiras
EUA e Reino Unido propõem à ONU projecto que dá plena soberania ao Iraque
[PPM]



Mensagem subliminar


(Tirada do Von Freud)

Quem se sentir atingido por este cartoon, a intenção era mesmo essa. [PPM]

Mr. Edward Iron’s Submarine



A campanha “europeia” do Partido Socialista: cartão amarelo, apito amarelo, sorriso amarelo... só lá faltava este submarino amarelo. É uma verdadeira campanha de “cartoons”, de “Looney Tunes”. [Vasco Rato]

O farol deles



O BE/Barnabé rendeu-se, finalmente, à honestidade. Mesmo assim... a bandeira que reproduzem só foi adoptada após o colapso do regime comunista. A bandeira comunista de Enver Hoxha – o farol dos barnabés – tinha uma estrela amarela em cima da águia. Vá lá meninos, façam a mea culpa. [Vasco Rato]

E assim vai a campanha deles



Muito Original



Isto é que é ser original. Muito original. Originalíssimo. Mesmo muito original. [Vasco Rato]

Dia de Fidel Castro



O “caudillo” cubano tomou o poder em Janeiro de 1959. Já lá vão 45 anos sem eleições, sem liberdade. Arruinou a economia do país com as nacionalizações e a reforma agrária. O desastre económico é, segundo Fidel Castro, o resultado do embargo comercial imposto pelos Estados Unidos. Esquece o essencial: Cuba tem relações económicas com o resto do mundo. Resistiu - e resiste - à democratização que tem varrido a América Latina desde os anos 80. Todavia, o tirano é uma “referência” para grande parte da esquerda portuguesa. Pelo menos, José Saramago já teve o bom senso de reconhecer que nem tudo corre bem no “paraíso" de Castro. [Vasco Rato]

Sexta-feira, Maio 21, 2004

Da indignação e da democracia (III)

Retomando e concluindo, para já, a discussão que pretendi civilizada com o JMF do Terras do Nunca: a razão porque os abusos cometidos em ditaduras são mais graves do que os que têm lugar em democracia, é que nesta o poder é permanentemente escrutinado e os abusos são inevitavelmente revelados. O império da lei e a separação de poderes nas democracias liberais, sobretudo anglo-saxónicas, conduz ao julgamento dos autores materiais e morais. Quando existe responsabilidade política, ela costuma ser devidamente apurada e não há lugar a impunidades. A existência de uma imprensa livre permite, inclusivé, que pessoas como o JMF se possam indignar como bem entendem.
Não estabelecer esta diferença essencial, é colaborar com todos aqueles que, muitas vezes disfarçados de amigos da democracia, são os seus piores inimigos. [PPM]

Quem está vivo sempre aparece (II)


(Washinton Post)

Para que o líder do blogue-sombra do Bloco de Esquerda não tenha dúvidas, aqui fica uma das horrendas fotografias dos abusos cometidos por militares norte-americanos, acompanhada da nossa total condenação. Apesar de tudo, como os EUA são um país democrático, estas práticas inaceitáveis estão a ser investigadas pelas autoridades norte-americanas. Os responsáveis por tais aberrações estão a ser chamados a prestar contas perante a justiça. Lembre-se ainda que todas estas situações foram denunciados por outros militares norte-americanos e reveladas pela imprensa livre dos próprios EUA.
O mesmo, diga-se, não aconteceu e não acontece em Portugal, onde a esquerda prefere o silêncio. Como o sempre justicialista Daniel Oliveira gosta de dar lições de moral aos outros, é bom que o exemplo comece em casa: diga-nos, se fizer o favor, qual a sua opinião sobre os abusos e as torturas praticadas em Portugal durante o PREC. Condena ou continua calado?
[PPM]

Quem está vivo sempre aparece


(Clique na fotografia)

Ainda Joy Division (II)



Colony

A cry for help, a hint of anaesthesia
The sound from broken homes,
we used to meet always here
As he lays asleep she takes him in her arms
Some things I have to do
but I don't mean you harm

I wore a careless glance
and kissed her last goodbye
Hands in the bag she packed a tear
she tries to hide
Cruel wind that howls down
to our lunacy
And leaves him standing cold
here in this colony

I can't see why
all these confrontations
I can't see why
all these dislocations
No, family life just makes me feel
uneasy
Stood alone here in this colony
In this colony
Yeah, God in his wisdom
took you by the hand,
God in his wisdom made you understand
In this colony


[Vasco Rato]

A indignação e a democracia (II)

Proponho, para começar, um exercício meramente académico ao JMF do Terras do Nunca. Mais precisamente uma viagem no tempo. Digamos que, por artes improváveis, aterrávamos ambos em Londres no ano de 1944, em plena II Guerra Mundial. O jornalista JMF conseguia provar então, numa investigação exclusiva para a BBC, que os EUA e a Grã-Bretanha mantinham campos de concentração altamente vigiados, onde estavam detidos várias centenas de militares e de altas autoridades alemãs, verificando-se a existência de alguns abusos e “até” de violentos interrogatórios, com a provável utilização de tortura. Ao mesmo tempo, descobria também, através de “fontes privilegiadas”, que a Alemanha de Hitler conduzia o processo de extermínio dos judeus, a chamada “solução final”, através de sofisticados campos de concentração. Pela lógica exposta no Terras do Nunca, JMF condenaria ambas as práticas. Mas, consequência lógica da sua indignação selectiva, ficaria muito mais chocado com os abusos das democracias anglo-saxónicas do que com os métodos da tirania nazi. Como o próprio explicaria a um jornal da época, “há coisas que me indignam mais que outras. Porque gostava que o nosso lado, o lado da democracia, não tivesse tantos telhados de vidro." [PPM]

Confusões bloguíticas

Agradeço o gesto, Paulo Gorjão. Mas, garanto-lhe, era desnecessário. Sei que Franco e outros que tais não eram rapazes “bem comportados”. A questão é outra: nenhum dos partidos de “direita” em Portugal têm ditadores como referência ideológica. Repito: nenhum. Em contrapartida, o Bloco de Esquerda e o PCP invocam Trotsky, Mao e Lenine como referências ideológicas. E também é verdade que estes partidos defenderam Milosevic, invocando o princípio da “soberania”. O ponto fundamental é este: quando é que esta esquerda irá deixar de ter assassinos como referências? Não acha que se trata de uma pergunta legítima? E, já agora, não acha que as insinuações de António Costa a propósito do CDS são um disparate? [Vasco Rato]

Contra Todas As Torturas

“O Acidental” lançou um abaixo-assinado para se saber toda a verdade sobre as torturas de 1975. Porque nenhuma tortura pode ficar impune, está na altura de se fazer a justiça que sempre foi negada. Assine também.

You are not alone

Da indignação e da democracia

João Morgado Fernandes do Terras do Nunca conseguiu surpreender-me. Em primeiro lugar, afirma condenar a prisão de presos políticos em Cuba, as mulheres sem direitos no mundo árabe, os ataques terroristas seja onde for (seja lá isto o que quer dizer), “a tortura seja onde (e quando for)”. Condena “até” – e este “até” tem muito que se lhe diga – as famosas sevícias do “nosso” PREC. A sua condenação, e respectiva indignação, têm porém diferentes graduações consoante estes actos sejam praticados por democracias ou por ditaduras – e é aqui que começa a minha surpresa.
Ou seja, JMF condena, “com muito mais veemência, a tortura feita pelos americanos do que a que era feita por Saddam”. Incomoda-se mais com “a morte de inocentes às mãos do governo democrático de Israel do que às mãos dos terroristas palestinianos”. “É por isso que, em suma” – continua – “há coisas que me indignam mais que outras. Porque gostava que o nosso lado, o lado da democracia, não tivesse tantos telhados de vidro.”
Compreendendo e partilhando naturalmente a sua preocupação com a democracia, irei tentar explicar-lhe em próximos postes porque penso exactamente o contrário. [PPM]

Por isso é que ele anda sempre tão tenso



"Não sei o que é uma sarapitola"
Francisco Louçã em entrevista ao Independente

Dia de Slobodan Milosevic



Antigo líder do partido comunista jugoslavo, Milosevic converteu-se ao nacionalismo xenófobo. Iniciou guerras contra a Croácia e a Bósnia, arquitectando uma política de limpeza étnica no Kosovo. Em Abril de 2001, foi preso e, agora, está a ser julgado por crimes de guerra. Foi este “carniceiro dos Balcãs” que o PCP e o Bloco de Esquerda defenderam contra a “agressão” da NATO aquando da guerra do Kosovo. Lembram-se? [Vasco Rato]

Quinta-feira, Maio 20, 2004

Schmitt calling Gorjão

You, dear Paulo (not Portas, the other one), are not with us. You, therefore, must be against us. Carl Schmitt thanks you and suggests that you come again soon.

Onde é que já vimos jornalistas assim?

Hoping for the worst
Toby Harnden talks to an anti-war journalist who wants to see more Iraqis die — so that Bush will be thrown out in November


É preciso subscrever a versão electrónica da Spectator, o que não custa nada. O artigo do correspondente do Daily Telegraph no Médio Oriente é fantástico. Parece que está a falar de alguns jornalistas e blogueiros de esquerda que todos nós conhecemos.
A conclusão é fatal. Ora leia só numa tradução apressada:

Seja qual tiver sido a nossa opinião sobre a guerra antes de esta ter sido lançada, é imperioso que sejam derrotadas as forças do nacionalismo árabe e do Islamismo que agora ameaçam destruir o Iraque. Se a América falhar no Iraque seremos nós todos ocidentais, e não somente Bush, que iremos sofrer. Mas aqueles que estarão em maior perigo, obviamente, serão os iraquianos, que merecem mais do que ver o seu país tratado como um campo de jogos eleitorais pela esquerda ou pela direita americana. Desejar outra coisa é tão doentio como os sorrisos nas caras dos torturadores de Abu Ghraib. [PPM]

Ainda Joy Division (I)


New Dawn Fades

Change of speed, a change of style
A change of scene, with no regrets
A chance to watch
admire the distance
Still occupied - though you forget
Different colours, different shades
Over each mistakes were made
I took the blame
Directionless, so plain to see
A loaded gun won't set you free
So you say

We'll share a drink and step outside
An angry voice and one who cried
We'll give you everything and more
The strain's too much,
can't take much more
Oh I've walked on water,
run through fire
Can't seem to feel it anymore
It was me - waiting for me
Hoping for something more
Me - see me in this time -
Hoping for something else


[Vasco Rato]

A selecção do Adufe Scolari

O Mister Adufe Scolari teve a bela ideia de criar uma selecção da blogosfera e convocou aqui O Acidental para extremo-direito. Foi uma honra, Mister Adufe Scolari, sermos convocados e logo para o lugar do polivalente e brilhante Miguel. Mas, Mister, se puder fazer mais um favor, nas conferências de imprensa chame-nos antes defesa-direito, que é mais acertado. Nós não gostamos de extremos - eles costumam tocar-se - e queremos ficar bem longe do extremo-esquerdo Barnabé. Obrigado. [PPM]

O chefe recomenda

Não sei se este é o mesmo João Sousa que há uns tempos tinha um belo sítio, mas o Sem Emenda merece ser visitado. O Acidental recomenda.

Hoje é dia de Enver Hoxha



O tirano aterrorizou a Albânia entre 1944 e 1985. Durante estes 41 anos, isolou o país do mundo e tranformou-o no mais pobre da Europa. Declarou a Albânia um país ateu, o primeiro do mundo, reprimindo todas as expressões de liberdade religiosa. Matou centenas de milhares e transformou um país num gigantesco campo de concentração. Hoxha foi a inspiração da UDP, partido de Luís Fazenda e do “Major” Tomé, hoje uma das forças políticas que integram o Bloco de Esquerda. [Vasco Rato]

Obviamente, condenamos



Nós não somos iguais a alguma esquerda blogueira e mediática, que só vê e só condena aquilo que lhe interessa ideologicamente.
Vê e condena como nós os abusos verificados no Iraque, mas fica cega, surda e muda perante os abusos verificados em Portugal durante o PREC - e ainda nos acusa de relativismo por os condenarmos.
Vê e condena o que aconteceu ontem em Gaza, como nós, mas desvaloriza ou simplesmente esquece o acto assassino premeditado de snipers palestinianos que liquidaram a sangue-frio uma mãe grávida e as suas quatro filhas (esta é para o Terras do Nunca).
Nós vemos e condenamos sem qualquer preconceito ideológico o que ontem se passou em Gaza.O ataque do exército israelita a uma manifestação palestiniana que matou 10 manifestantes e feriu dezenas de palestinianos, incluindo crianças, só pode ser condenado. Como também o foi pelas "tenebrosas" lideranças das forças da coligação, desde logo por Washington e Londres. [PPM]

Contra Todas As Torturas

A petição do Acidental contra todas as torturas continua a crescer, mas continua também a precisar das vossas assinaturas. Como esperávamos, já foi manchada por um insulto cobarde, obviamente anónimo, o que só demonstra o baixíssimo nível da esquerda a que temos direito e a importância de continuarmos a lutar pelas nossas causas.
Não queria deixar de agradecer a todos os signatários que até agora tiveram a coragem de assumir, com o nome verdadeiro, esta iniciativa. Não desvalorizando outros subscritores, bem pelo contrário, tenho aqui particularmente de manifestar a minha enorme consideração por um político no activo, que dá sempre a cara ao manifesto por todas as causas que considera justas.
Neste mesmo sentido desenvolveu inúmeras iniciativas e apresentou outras tantas propostas em defesa dos direitos humanos como eurodeputado no Parlamento Europeu. Ele chama-se José Ribeiro e Castro, é meu director num outro blogue onde me orgulho de colaborar, o blog do Caldas, e a sua forma empenhada e solidária de estar na política só pode merecer o respeito de todos. É por existirem pessoas como ele, que vale a pena continuar a acreditar na importância dos partidos. Eu voto em si, Ribeiro e Castro. [PPM]

Isto está a começar a melhorar

Europeias
PSD/CDS-PP e PS empatados nas intenções de voto - sondagem Visão
2004-05-20, 10h14

Lisboa, 20 mai (Lusa) -A coligação PSD/CDS-PP e o Partido Socialista estão empatados nas intenções de voto para as eleições europeias de 13 de Junho, com 34 por cento, segundo uma sondagem TNS Euroteste -Visão divulgada hoje.
A coligação "Força Portugal", liderada por João de Deus Pinheiro, e a lista do PS, encabeçada por António Sousa Franco, registam ambos 34 por cento de intenções de voto nas eleições ao Parlamento Europeu, segundo a sondagem da Visão, que indica ainda a CDU como o terceiro mais votado, com 4 por cento.
A coligação comunista liderada por Ilda Figueiredo está um ponto percentual acima da lista do Bloco de Esquerda, liderada por Miguel Portas, que na sondagem da Visão regista 3 por cento das intenções de voto.

Quarta-feira, Maio 19, 2004

Em Terras do Nunca lemos os textos do princípio ao fim

O Terras do Nunca chamar-se-á assim porque o JMF Nunca lê os textos do princípio ao fim? Parece que sim, porque de outra forma, pensava mais um bocadinho e procurava justificar melhor as suas opiniões, de preferência com factos e não com gargalhadas. Depois da primeira mini-polémica que mantivemos, esperava mais do JMF. Nunca me passou pela cabeça que os seus argumentos se resumissem a tão pouco. [PPM]

Porque O Acidental não é neutro


Ferro: o papagaio de Zapatero



Ferro Rodrigues tem aproximado significativamente o seu discurso das posições assumidas por José Luís Zapatero, o socialista que governa os espanhóis, sobretudo no que respeita à intervenção no Iraque e a um crescente e descabelado anti-americanismo.
O que Ferro não parece compreender é que esta atitude põe em causa uma das linhas permanentes da política externa portuguesa, que sempre distinguiu e continua a distinguir internacionalmente o nosso País: a preservação empenhada do vínculo transatlântico, marca de água da nossa diferença essencial em relação a Espanha, tradicionalmente mais inclinada para as relações com a América do Sul. É certo que, com Aznar e Durão Barroso, se esbateu essa mesma diferença das duas diplomacias, mas foi o ex-presidente do Conselho espanhol quem alterou a habitual distância política de Madrid em relação a Washington.
O que Ferro Rodrigues propõe agora é algo de completamente diferente e que, levado à prática, significará o alinhamento seguidista e naturalmente nivelado por baixo de Portugal com a política externa espanhola. Em suma, será a resignação nacional a uma posição secundária nas Relações Internacionais perante a Espanha. [PPM]

Contra Todas As Torturas

“O Acidental” lançou um abaixo-assinado para se saber toda a verdade sobre as bárbaras torturas de 1975. Porque nenhuma tortura pode ficar impune, está na altura de se fazer a justiça que sempre foi negada. O número de subscritores continua a crescer, e já ultrapassou a primeira centena. Assine também. [PPM]

O eterno retorno do fascismo (II)




Parece que António Costa está empenhado em elevar a retórica da campanha eleitoral para as Europeias. Disse o candidato socialista que “os candidatos do PP na lista da coligação vão sentar-se na extrema-direita do Parlamento Europeu, onde o antigo partido fascista italiano é o principal parceiro do doutor Paulo Portas". Duas observações.
Primeira, o grupo UEN-"União para a Europa das Nações" a que o CDS/PP pertence inclui o Fianna Fail, partido que governa a Irlanda e que actualmente ocupa a presidência da União Europeia. Significa isto que a Irlanda é governada por um partido de extrema-direita? Será que a Irlanda é fascista? O “antigo partido fascista italiano” referido por Costa faz parte da coligação governamental italiana e o seu líder é vice-primeiro-ministro. Significa isto que a Itália é um país com um regime fascista? Se assim é, porque razão é que Costa não pede sanções europeias contra estes dois governos? Recorde-se que o governo de António Guterres (de que Costa fazia parte) avançou com sanções contra a Áustria quando o partido de extrema-direita de Jorg Haider entrou para o governo.
Segunda observação: e o que dizer das companhias de Costa na bancada parlamentar do PS? Pelo menos dois “antigos” dirigentes do PCP ocupavam as vice-presidências da bancada socialista quando Costa a liderava. E o ex-PCP, Pina Moura, não foi colega de governo de Costa? E que dizer quando o actual líder do PS, segundo o próprio, era em 1975 um leninista? Não esquecer ainda Mário Soares, que, durante o Estado Novo, militou no partido de Cunhal. E não esquecer também o deputado socialista Raimundo Narciso: nos anos 70, liderou a ARA, grupo armado do PCP que se dedicava a colocar bombas para derrubar o fascismo. Finalmente, estou enganado ou não houve um ministro da Defesa de Guterres que foi também ministro da Educação de Marcello Caetano? Más companhias?? [Vasco Rato]

O eterno retorno do fascismo (I)



O Bloco de Esquerda afirma que as Concordatas equivalem à "sobrevivência das relações entre a Igreja e os regimes fascistas". Uma vez que foi renegociada a Concordata entre o Vaticano e o Estado português, pode concluir-se que este é um regime fascista? Que a Igreja portuguesa (incluindo o bispo Januário e os capelistas do Rato) é fascista? Que os católicos são fascistas? Seria caricato, se não saísse da boca de um fascista vermelho que ainda hoje encontra a sua inspiração ideológica no assassino em massa (serial killer) que foi Leon Trotsky. [Vasco Rato]

Dia de Pol Pot



Pol Pot morreu em 1998. Nos anos 50, em França, adopta o marxismo. Em 1962, torna-se secretário-geral do Partido Comunista do Cambodja. No poder entre 1975 e 1979, mata mais de um milhão de pessoas. Objectivo: construir a utopia socialista. [Vasco Rato]

Terça-feira, Maio 18, 2004

A insubstituível


Sylvia Plath

[Vasco Rato]

Contra Todas as Torturas

“O Acidental” lançou um abaixo-assinado para se saber toda a verdade sobre as torturas de 1975. Porque nenhuma tortura pode ficar impune, está na altura de se fazer a justiça que sempre foi negada. O número de subscritores continua a crescer, aproximando-se agora da primeira centena. Assine também.

Ferro: o papagaio de Chirac


Em política externa, o dr. Ferro Rodrigues não resiste ao disparate. Primeiro, nomeou Ana Gomes como rosto do partido para as questões internacionais. Depois, durante a guerra do Iraque, rompeu um consenso interpartidário de 30 anos que privilegiou a relação transatlântica. Agora, segundo o "Diário de Notícias", brinda-nos com esta pérola: «Não admitimos que haja uma Europa europeia e uma Europa pró-senhor Bush».
Ferro não admite que haja governos europeus que possam pensar de forma diferente? Se Ferro não admite que “os outros” possam ter “posições diferentes”, é evidente que “os outros” não podem admitir que Portugal tenha "posições diferentes". Isto é, Ferro simplesmente “não admite” que Portugal seja um país soberano. Este “pensamento” deveria ser suficiente para exclui-lo da liderança do PS. Afinal, a Constituição da República afirma que o país é soberano e independente.
Mas a questão que se coloca é a seguinte: quem estabelece quais são “as posições” que uma “Europa europeia” deve assumir? O senhor Jacques Chirac? Recorde-se que a declaração de Ferro é um eco do célebre “aviso” que Chirac fez aos países de Leste quando declarou que “perderam uma boa oportunidade para estarem calados”. Ferro também perdeu uma boa oportunidade para estar calado. A sua afirmação é arrogante e reveladora de uma intolerância inaceitável relativamente aos parceiros europeus (é útil recordar que a esmagadora maioria dos países da União apoiaram a guerra do Iraque; que as posições de Ferro, Chirac e Schroeder é que foram minoritárias).
Ferro, no fundo, quer que seja o eixo franco-alemão a definir o interesse nacional português. Que sejam Schroeder e Chirac a determinar a política externa da Europa. Quer, muito simplesmente, uma Europa dominada por Paris e Berlim.
Uma última dúvida. Se Barroso é seguidista porque apoia os Estados Unidos, não será Ferro seguidista em relação a Chirac? Seguir a França só fica bem a um jacobino. Mas Ferro lidera um partido português que, tanto quanto se sabe, ainda defende o interesse nacional. [Vasco Rato]

A pedagogia da parede (hoje é dia de Che)



Luís Ortega, jornalista cubano que escreveu o livro "Yo Soy El Che!", afirma que Guevara deu ordem para executar 1,897 pessoas. No livro "Che Guevara: A Biography," Daniel James afirma que Che lhe confessou ter aprovado "vários milhares" de execuções. O mesmo Che Guevara que é hoje uma figura de culto para os jovens do PCP e do Bloco de Esquerda (para não falar do Barnabé).
A pedagogia da parede continua a ter adeptos. [Vasco Rato]

Um fait-divers da extrema esquerda ou eles além de perigosos são...



Tentando contribuir para a memória da "gloriosa história" da UDP, recordo o célebre episódio da visita do camarada Major Tomé ao farol da revolução, a Albânia, em 1975 ou 1976. Resumindo a historieta, foi explicado ao camarada Tomé que o uso de suporte capilar por cima do lábio superior não estaria de acordo com os canônes revolucionários e que não lhe seria permitido entrar nesse paraíso terreno com o respectivo adereço. Não havendo tempo para reunir o comité (ou outro orgão qualquer... who cares?) foi forçado o Major a uma profunda reflexão: seria o bigode um entrave à revolução?
Reza a história, que de facto o camarada conseguiu entrar no "paraíso" e logo teve de cortar o dito... (parece no entretanto que o uso do bigode deixou entretanto de constituir um problema para estes revolucionários). [Pedro Marques Lopes]

Retrato-robot do anónimo da blogosfera


Anónimos de toda a blogosfera, uni-vos!

PS. Quero esclarecer que nada tenho contra os anónimos da blogosfera, em geral, desde que não sejam insultuosos e preservem alguma lucidez e elevação no debate. O que não aceito é anónimos que nos insultam com os piores impropérios e, à mais ligeira provocação, desatam a ameaçar-nos com "bengaladas", "AK-47" e até "snipers". Curiosamente, dizem-se democratas de esquerda, mas o verniz democrático parece estalar com a maior das facilidades. As ameaças, só por si, são passíveis de procedimento criminal. E não nos metem medo. Bem pelo contrário. [PPM]

Gás sarin no Iraque

A confirmar-se a notícia de que gás sarin foi encontrado no Iraque, o que fará o Bloco de Esquerda aos cartazes da "mentira"? E o que dirão os nossos estimados barnabés? Bem podem limpar as mãos à parede e confessar finalmente a verdade: toda a gente acreditava, antes da intervenção no Iraque, que Saddam Hussein estava a desenvolver programas para adquirir armas de destruição maciça. Quem eram os mentirosos, quem são? [PPM]

Segunda-feira, Maio 17, 2004

Mon ami Barnabé

A insegurança vivida no Iraque tem sido agravada pela inacção da França e da Alemanha. Se o presidente francês, Jacques Chirac, estivesse genuinamente empenhado em democratizar o Iraque, há muito que teria enviado forças militares para o país.
Enquanto os países da coligação agem para estabilizar o Iraque, a França e outros Estados que tais esperam que a coligação seja “castigada pela sua arrogância”. Por cá, o BE/Barnabé partilha da expectativa de Chirac. No fundo, para marcarem “pontos” políticos, não se importam de abandonar os iraquianos à sua sorte. [Vasco Rato]

Mais uma bomba iraquiana

Dia após dia, as televisões ocidentais mostram soldados americanos mortos e fundamentalistas islâmicos a manifestarem-se contra os “ocupantes”. Os “media”, e a televisão em particular, privilegiam o acontecimento dramático, a “má notícia” e, por isso, desvalorizam o que “corre bem” no Iraque. As imagens não mentem; apenas revelam um fragmento da realidade.
Seria de um descomunal autismo dizer que tudo corre bem. É inteiramente desonesto afirmar que a coligação se encontra num atoleiro tipo Vietname. Mas, à medida em que a transferência de soberania se aproxima, grupos minoritários, sem base de apoio significativo, intensificarão os ataques contra a coligação. Mais ataques terroristas, como os de hoje, irão seguir-se até Junho. [Vasco Rato]



O dia da UDP



Hoje é dia da UDP. Sim, da União Democrática Popular, esse pequeno grupo maoísta que faz parte do Bloco de Esquerda. Cuidado com eles... [Vasco Rato]

A diferença ocidental

Muitos foram os que “condenaram” os terroristas que decapitaram Nick Berg, um civil americano à procura de trabalho no Iraque. Porém, essas mesmas pessoas acrescentaram imediatamente que se tratava de um acto de vingança pelos abusos cometidos contra prisioneiros em Abu Ghraib. Convém não esquecer uma distinção fundamental: quem abusou dos prisioneiros está sujeito a leis que castigam tais comportamentos. Os assassinos de Berg pretendem construir um mundo onde não existem leis para proteger inocentes, onde os infiéis merecem morrer não por aquilo que fizeram, mas por aquilo que são - ocidentais. Essa diferença explica porque estamos em guerra contra o terrorismo. [Vasco Rato]

O amigo da onça

Francisco Sarsfield Cabral, hoje, no "DN", escreve: “Os comissários europeus da agricultura, Franz Fischler, e do comércio internacional, Pascal Lamy (que é francês e foi o braço-direito de Delors), propuseram que a UE suspendesse os subsídios às exportações agrícolas, se os seus parceiros comerciais fizessem o mesmo. Tais subsídios representam apenas 6 por cento das ajudas aos agricultores da UE. Pois logo a França se opôs. O que não impede o Governo francês de se apresentar como o amigo dos países pobres.” [Vasco Rato]

Razões para combater o Bloco de Esquerda

Durante o fim de semana, vários dirigentes do PSD, incluindo Durão Barroso, fizeram duras críticas ao Bloco de Esquerda. Já não era sem tempo. Finalmente, perceberam que o Bloco não é um partido de rapazes simpáticos que dizem umas coisas com graça.
O discurso do Bloco é perigoso porque é profundamente anti-político, visando destruir a credibilidade do regime democrático e dos seus agentes. É esse objectivo que explica as insinuações e as mentiras. É um discurso de terra queimada que tem como intuito a descredibilização das pessoas e das instituições. Surpreendente? Não. Afinal de contas, como os partidos que compõem o BE deixam bem claro, pretende-se nada menos do que a revolução e a destruição do capitalismo.
Convém levá-los a sério. [Vasco Rato]

O silêncio dos culpados

À falta de argumentos, arranjam-se estas desculpas esfarrapadas. Depois de Pacheco Pereira, Vasco Graça Moura e Rui Ramos terem referido e citado o "Relatório da Comissão de Averiguação de Violências sobre Presos sujeitos às Autoridades Militares", onde se revelam algumas das mais tenebrosas torturas praticadas no PREC - eufemisticamente descritas pela esquerda como "sevícias" - tinha de aparecer o argumento do "relativismo". Ou seja, segundo a esquerda mediática, quem cita o Relatório, está implicitamente a justificar as torturas praticadas no Iraque.
Por mais que se repita uma mentira, ela não se torna verdade. Aqui, no Acidental, já várias vezes insistimos na condenação de todos os tipos de tortura. Repetimos que têm de ser encontrados e julgados os culpados pelos inaceitáveis abusos praticados no Iraque. O mesmo, aliás, tem sido repetido por Washington, Londres e Lisboa: apure-se a verdade - mas a verdade toda, não aquela que alguns barnabés e alguma imprensa sensacionalista têm inventado - e julguem-se os culpados. As responsabilidades têm de ser assumidas.
O mesmo já não se pode dizer da esquerda, tão justicialista e veemente, mas só naquilo que lhe interessa. Perante o relatório das extremas violências do PREC, preferiu esconder-se atrás do manto diáfano do silêncio. Alguém leu a condenação do Barnabé aos actos criminosos praticados depois do 25 de Abril? Eu não.

Da democracia no Médio Oriente


"Mais de 150 mil pessoas, segundo os organizadores (fontes policiais referem 100 mil), concentraram-se ontem [sábado] ao fim da tarde na Praça Yitzhak Rabin, em Telavive, para uma manifestação a favor da retirada israelita da Faixa de Gaza e da reabertura das negociações com a Autoridade Palestiniana. Trata-se da mais importante manifestação a favor da paz desde há vários anos" (do jornal Público).

No Médio Oriente, Israel é o único país onde tal seria possível. Nunca vi manifestações destas na Palestina. São os benefícios da democracia.

Retrato-robot do anónimo da blogosfera


Anónimos de toda a blogosfera,uni-vos!

Esta manchete não vos interessa?



Capa do "Daily Mirror" em que a direcção do jornal reconhece ter sido enganada ao publicar falsas imagens de "torturas" de soldados britânicos a iraquianos, prometendo revelar quem foram as fontes.

Contra Todas as Torturas

O “Público” de 13 de Maio de 2004 revela as torturas infligidas a presos políticos no nosso país em 1975. Grande parte delas teve lugar no RALIS e no Regimento da Polícia Militar, ambas na vanguarda da “revolução socialista”. Em 1976, foi criada uma “Comissão de Averiguação de Violências sobre Presos Sujeitos às Autoridades Militares”, a qual publicou um relatório sobre as suas averiguações.
No Prólogo escrito pelo então Presidente da República, Costa Gomes, afirma-se que “Portugal viu-se numa situação de Não-Direito, onde as mais desregradas, sórdidas e desencontradas paixões humanas deram campo ao exercício tumultuário do aviltamento colectivo”.
Acrescenta-se ainda que a esta situação “patenteia a vertigem ou a antecâmara do Estado Totalitário Moderno”. Estas acusações são, politicamente, muito graves. Não vale a pena descrever as torturas e as sevícias infligidas aos presos (estão descritas no “Público” de 13 de Maio de 2004 e no Independente de 14 de Maio de 2004).
Vejam as imagens chocantes que chegam do Iraque e percebem o que se passou em Portugal em 1975. No entanto, nenhum responsável político ou militar foi punido pelo que aconteceu. Quando se comemoram os trinta anos do 25 de Abril, temos o direito de saber o que aconteceu. Queremos saber se houve envolvimento dos responsáveis do MFA e dos dirigentes das forças políticas de extrema-esquerda. Como muitos disseram a propósito do Iraque – e nós concordamos – estas situações não podem acontecer num Estado democrático. Quem foram os responsáveis e onde estão eles hoje?
“O Acidental” lançou um abaixo-assinado para exigir que se saiba toda a verdade sobre as torturas de 1975. Apela igualmente às vítimas das torturas que contem o que aconteceu. Está na altura de se fazer a justiça que sempre lhes foi negada. Assine também.

SLB, SLB, SLB, SLB! Glorioso SLB, SLB, SLB, SLB



Desculpa lá, João, mas hoje é dia de festejar o Benfica. Não é todos os dias que se ganha uma Taça de Portugal a um dos finalistas da Liga dos Campeões Europeus. VIVA O BENFICA! [PPM]

Sexta-feira, Maio 14, 2004

Entourages? Não sei do que é que estás a falar...

Corremos o risco de isto parecer um daqueles chats anónimos, Vasco, mas não, não sei quem é esse tal de Manel. Não é o outro, pois não? Aquele que pede para lhe fazerem perguntas? Olha, estou aqui ligado à SIC/Notícias e, enquanto passavam o trânsito, ouviu-se o som do pivô a bocejar em directo. Foi contagiante. Até segunda.
Bom fim-de-semana para todos. [PPM]

Paulo:

Não vale a pena telefonares. Eu não atendo ninguém, excepto se for o Luciano. Olha, já agora, ó Paulo, conheces o Manel? O tipo que inventou a entourage? O gajo é parvo. Falamos na segunda. [Vasco Rato]

Ó Vasco, Vasco, Ó VASCO, ONDE É QUE FOSTE?

Não me atendes o telefone, não me ligas nenhuma, meu grande salafrário, olha que as audiências estão a descer a pique, onde é que foste, homem? Estou aqui, estou como aos barnabés e ainda te ponho numa fotografia ao lado do Aznar e do Bush no Rossio. Isso era o que tu querias, ponho-te é com o Louçã, o Rosas e o Daniel Oliveira, de punho erguido e cravo na lapela. Acuso-te de andares em lugares mal-frequentados, tipo sede do Bloco de Esquerda ou concerto do Vitorino! Ò Vasco, VASCO, atende o telefone, pá, porque é que ainda não postaste nada hoje, homem? [PPM]

Vão chamar padrinho a outro

Isto vai de mal a pior e não era esta a imagem que vos queria
apresentar desta minha carinhosa pessoa. Mas já que fiz o raio do teste, olhem só o filme que eu sou:

[PPM]

Contra Todas As Torturas (IV)

Afinal, O Independente oferece uma ligação directa para o excelente artigo do historiador Rui Ramos sobre as torturas praticadas em Portugal depois da revolução do 25 de Abril. A não perder. [PPM]

Contra Todas As Torturas (III)

"Foi picado com uma navalha em várias partes do corpo e apertaram-lhe violentamente os testículos com as mãos, duas ou três vezes" *

Iraque, 2004? Não, Portugal, 1975.

* in Relatório da Comissão de Averiguação de Violências sobre Presos sujeitos às Autoridades Militares", Imprensa Nacional, 1976 (citado pelo historiador Rui Ramos no Independente)

Contra Todas As Torturas (II)

"Ameaçaram-no de irem buscar o filho, de oito anos de idade, e de o agredirem na presença dele até confessar os crimes praticados"

Iraque, 2004? Não, Portugal, 1975

* in Relatório da Comissão de Averiguação de Violências sobre Presos sujeitos às Autoridades Militares", Imprensa Nacional, 1976 (citado pelo historiador Rui Ramos no Independente)

Contra Todas As Torturas

"Voltado para a parede, com os braços ao alto, foi espancado com bofetadas, murros e chicotadas com cinturão, pontapés nas pernas e tornozelos, batimentos contra a parede, umas vezes com a cabeça outras com o corpo todo; foi obrigado a rastejar, fizeram-lhe torções de braços atrás das costas e pressões e apertões em pontos dolorosos; por duas ou três vezes simularam estrangulá-lo". *

Iraque, 2004? Não, Portugal, 1975

* in Relatório da Comissão de Averiguação de Violências sobre Presos sujeitos às Autoridades Militares", Imprensa Nacional, 1976 (citado pelo historiador Rui Ramos no Independente)


Aleluia

Há novo texto do João Pereira Coutinho no sítio dele. E é bom, para não variar. Abraço, João. [PPM]

África amiga

O meu amigo Aly continua em grande a desvendar a face escondida de alguns dos partidos que dominam a cena na África que fala português. A ler todos os dias: aqui e ali. Força, António. [PPM]

O elogio inesperado

Queria agradecer o elogio deste blogueiro de esquerda. Diz ele que "há na blogosfera lugares mal frequentados" e depois faz um linque directo aqui para o pessoal do Acidental. "Lugares mal frequentados", na boca deles, só pode ser lido como um elogio, não acham? Ou será que, subitamente, descobrimos o vírus da mais pura intolerância a germinar entre a esquerda politicamente correcta? [PPM]

E continuamos à tua espera, Luciano

E continuo à tua espera, Luciano. Só cá faltas tu, o Rui Ramos e, quem sabe, o Pedro Lomba. Aí, sim, seria o dream team de democratas de direita - não escrevas que somos fachos, que os blogueiros de esquerda ainda acreditam nisso e, depois, chamam-nos nomes feios. [PPM]

Onde é que já vimos este filme?

Contra Todas As Torturas

Olá, bom dia, era só para dizer que a nossa petição "Contra Todas As Torturas" continua a crescer. Para quem possa ter dúvidas sobre a importância desta petição, aconselhamos a leitura do ensaio do historiador Rui Ramos no Independente de hoje. Não há ligação directa e, por isso, corra para as bancas, que vai ver que vale bem o dinheiro que custa.
Porque a democracia precisa de ter memória. [PPM]

Quinta-feira, Maio 13, 2004

A ti que andas lá fora a ganhar a vida

Há um ano nascia um grande blogue, que dá pelo glorioso nome de No Quinto dos Impérios. Tenho, nesta ocasião, de prestar homenagem ao MBF, que só hoje percebi tratar-se do Martim Borges de Freitas. Um bom amigo, grande português e excelente cabeça. Um abraço, grande Martim! E parabéns ao No Quinto dos Impérios, o segundo melhor blogue do Mundo (o melhor é agora O Acidental). [José Bourbon Ribeiro]

PS. Claro que o pessoal todo aqui do Acidental - a começar pelo PPM, que se penitencia pelo esquecimento vergonhoso - aplaude entusiasticamente o primeiro ano de vida dessa lenda viva chamada No Quinto dos Impérios. Aproveitamos também para enviar abraços de parabéns para o grande Diogo Belford Henriques e restantes "quintistas".

Eu nunca estive na sala oval com a Monica

Fiz o teste proposto pela Bomba Inteligente, disparatei um bocado, e agora até tenho vergonha de publicar o resultado. É verdade, saiu-me isto:



[Paulo Pinto Mascarenhas]

O conselho e a oração

Queremos assinalar uma nova ligação, ali do lado direito, ao SG Buiça, um blogue que aconselhamos. A não perder ainda a oração pelos barnabés do bravo Rodrigo do Segundo Sentido, com a inspiração e a ajuda bíblica da sempre combativa Inês Teotónio Pereira. Finalmente, a ler também a opinião do Prémio Nobel Ramos-Horta a favor da manutenção das forças da coligação no Iraque, publicado no "The Wall Street Journal".
O Paulo Gorjão tem o texto na íntegra no segundo blogue dele e, por isso, apenas destaco estas frases: "The new Socialist government in Spain has caved to the terrorist threats and withdrawn its troops from Iraq" e "No matter how the retreating governments try to spin it, every time a country pulls out of Iraq it is al Qaeda and other extremists who win.". Nem mais. [Paulo Pinto Mascarenhas]

Contra Todas As Torturas

O “Público” de hoje traz um “especial” de duas páginas sobre torturas infligidas a presos políticos em 1975 no nosso país. Grande parte das torturas tiveram lugar no RALIS e no Regimento da Polícia Militar, ambas na vanguarda da “revolução socialista”.
Em 1976, foi criada uma “Comissão de Averiguação de Violências sobre Presos Sujeitos às Autoridades Militares”, a qual publicou um relatório sobre as suas averiguações.
No prólogo escrito pelo então Presidente da República, Costa Gomes, afirma-se que “Portugal viu-se numa situação de Não-Direito, onde as mais desregradas, sórdidas e desencontradas paixões humanas deram campo ao exercício tumultuário do aviltamento colectivo”. Acrescenta-se ainda que esta situação “patenteia a vertigem ou a antecâmara do Estado Totalitário Moderno”. Estas acusações são, politicamente, muito graves. Não vale a pena descrever as torturas e as sevícias infligidas aos presos (estão suficientemente descritas no “Público”).
Vejam as imagens chocantes que chegam do Iraque e percebem o que se passou em Portugal em 1975. No entanto, nenhum responsável político ou militar foi punido pelo que aconteceu. Quando se comemoram os trinta anos do 25 de Abril, temos o direito de saber o que aconteceu. Queremos saber se houve envolvimento dos responsáveis do MFA e dos dirigentes das forças políticas de extrema-esquerda. Como muitos disseram a propósito do Iraque – e nós concordamos – estas situações não podem acontecer num Estado democrático. Quem foram os responsáveis e onde estão eles hoje?
“O Acidental” lança um abaixo-assinado para se saber a verdade sobre as torturas de 1975. Apela igualmente às vítimas das torturas que contem o que aconteceu. Está na altura de se fazer a justiça que sempre lhes foi negada. Assine também.
[João Marques de Almeida]

Distracções acidentais



Ontem andei um pouco distraído. Os meus amigos já sabem que tenho dias desses. Por andar distraído, só hoje tive oportunidade de ler o extraordinário artigo publicado por Fernando Rosas no "Público".O texto é um conjunto de deturpações e de meias verdades. Não vou maçar os leitores do Acidental com a “refutação” do artigo. Limito-me ao dois primeiros parágrafos.
Rosas escreve: “Sabemos hoje que o Presidente Bush e os círculos mais extremistas da sua Administração (chefiados pelo secretário da Defesa, Rumsfeld) há muito, desde antes do 11 de Setembro de 2001, planeavam a invasão do Iraque no quadro de um plano estratégico com o duplo propósito de deitar a mão às imensas riquezas petrolíferas daquele país e de obter um reordenamento político-estratégico do Médio Oriente sob a hegemonia dos EUA e do Estado de Israel, seu principal aliado na região”.
Reparem na palavra “sabemos”, como se de uma certeza se tratasse. Rosas não utiliza “eu julgo”, “eu penso”, “eu creio”. Nada que possa apontar para uma avaliação dele, pessoal, subjectiva, política. Arremata com o “sabemos”, o “sabemos” colectivo. Todos “sabem”, e quem não “sabe” aquilo que Rosas “sabe”, nada “sabe”. E quando todos “sabem”, não é necessário provar o que se diz. Basta afirmar. Porque todos já “sabem”.
Mas o que é que Rosas “sabe” que nós “sabemos”? Primeiro, a invasão foi planeada antes de 11 de Setembro. Como é que Rosas “sabe”? Não sei, ele não nos diz. É verdade que, desde a primeira guerra do Golfo, o Pentágono desenvolveu planos para fazer guerra ao Iraque. Mas – e isto é essencial - são planos de contingência, de antecipação. Também existem planos desses relativamente ao Irão, Coreia do Norte e outros países que poderão constituir ameaças. Rússia e China, por exemplo, fazem o mesmo. Países que enfrentam ameaças planeiam para eventualidades. Onde está a novidade?
Mas a existência de planos de contingência não significa que alguma vez serão accionados. No caso do Iraque, a decisão de invadir o Iraque foi tomada depois do 11 de Setembro (como relata Bob Woodward, em The War Plan). Qual a razão que levou à invasão? Rosas “sabe” que nós “sabemos” que as verdadeiras razões foram o saque ao petróleo e a entrega da região aos tenebrosos judeus. Mas como é que ele “sabe” que foram estas as verdadeiras razões. Ninguém sabe porque Rosas não diz quando é que Bush lhe confessou estas intenções. O historiador afirma, mas não produz provas. Curiosa metodologia.
No segundo parágrafo, Rosas escreve: “Sabemos hoje que as "provas" da existência daquelas armas foram deliberadamente forjadas para enganar os parlamentos e as opiniões públicas de todos os países cujos governos alinharam atrás do carro de guerra norte-americano e, por isso, são cúmplices, não só nos EUA e na Inglaterra, mas em Portugal, na Espanha, na Itália, etc... com essa política de mentira e manipulação. Aznar foi a primeira vítima dessa vergonha, após a resposta exemplar que lhe deram os eleitores do Estado espanhol.” “Sabemos” que as provas foram deliberadamente forjadas? Deliberadamente? Como é que Rosas “sabe"? Diz que foram deliberadamente forjadas para enganar “opiniões públicas de todos os países cujos governos alinharam atrás do carro de guerra”? Só poderia ser. Mais uma conspiração de Bush. Mas se Bush é, como afirma Rosas, um unilateralista, porque razão se deu ao trabalho de forjar provas para obter apoios? E se as provas foram deliberadamente forjadas, porque razão é que o célebre cartaz do Bloco Esquerda afirma que “eles mentem”. Se Rosas tem razão, eles não “mentiram”. Foram vítimas da mentira. E se Barroso e Blair foram vítimas da mentira, porque razão é que devem perder? Não entendo a dialéctica do raciocínio. Ou será que as vítimas da mentira são os leitores do professor Rosas? [Vasco Rato]

O neo-estalinismo do BE/Barnabé

As perseguições religiosas são uma velhíssima tradição da esquerda estalinista, pelos vistos seguida pela "nova" esquerda louçã - ou velha trotskista-maoísta-marxista-leninista - do BE/Barnabé.
O Acidental não segue nenhum credo em especial - o Vasco Rato, por exemplo, é agnóstico - mas ambos entendemos que se devem respeitar as manifestações de fé, desde que não ponham em causa os direitos e as liberdades dos outros. Eu, que sou católico, mesmo que não-praticante, fico sempre impressionado com o poder espiritual de Fátima, sobretudo nestes dias que correm. Mas fico sobretudo chocado com a falta de respeito pelas crenças alheias, uma vez mais demonstrada à saciedade pelos barnabés. São vícios que permanecem. Não há nada a fazer. [PPM]

Quarta-feira, Maio 12, 2004

As mentiras do BE/Barnabé

Parece que o Barnabé anda a fazer uma daquelas gracinhas habituais em que o Bloco de Esquerda se especializou e algum engraçadinho anónimo resolveu pôr lá o meu nome duas vezes, com ligação ao e-mail do Acidental. O que, aliás, atesta da falta de credibilidade destas gracinhas dos barnabés: será que os outros subscritores são verdadeiros? Tenham cuidado, porque vi lá pelo menos o nome de um jornalista do "Público". Desta vez, a gracinha de muito mau gosto é uma pseudo-petição com o título "José Manuel Fernandes para o Iraque já", não sei se a expensas dos barnabés ou do próprio BE. Aproveito esta oportunidade para dizer que nunca a assinei e jamais assinaria qualquer petição do BE/Barnabé, nem que fosse para enviar o Daniel Oliveira para a Coreia do Norte ou para uma visita de estudo às prisões de Cuba.
Paulo Pinto Mascarenhas

Quem matou mais? (II)



A qualidade dos viajantes da blogosfera é realmente extraordinária. À pergunta "qual foi o dirigente político responsável pelo maior número de assassinatos de militantes comunistas?", recebemos imediatamente quatro respostas certas. António Aly Silva foi o primeiro: "eu cá aposto no camarada Estaline". Exacto, caro Aly. Afonso Neves, d'A Razão das Coisas, acrescentou: "Estaline, destacadamente, até de Hitler." Muito bem, amigo Afonso. André Amaral d'O Observador adiantou: "a resposta certa é Estaline. A Esquerda tolera-se liquidando-se uma à outra." Não diríamos melhor, estimado André. Finalmente, Manuel Carreira, deu a resposta mais original: "O dirigente que matou mais comunas foi o José! O Zé Staline!!!" Nem mais, excelente Manuel.
A quem necessitar de bibliografia para documentar tal evidência, é só pedir para o nosso endereço. Muito obrigado a todos.

O que é que o Acidental tem diferente dos outros?

O que é que o BE/Barnabé tem diferente dos outros?

Já está bem acordado, Rui?

Longe de mim querer bater no Adufe, mas acordá-lo posso, não posso? Foi mesmo o Lula que mandou expulsar um jornalista, Rui Branco, não era nenhum pesadelo.

A fotografia que nos faltava


(Esta fotografia foi roubada de um dos melhores blogues da praça. Foi No Quinto dos Impérios e deveria estar em cima do poste anterior. Segundo conseguimos apurar, o líquido que está no copo do presidente Lula da Silva não é álcool, mas água).

Bush e Lula: qual é o mais tolerante?

Apesar de ter resolvido o seu problema de alcoolismo, George Bush foi caracterizado como um “bêbado” por vários correspondentes estrangeiros em Washington. Todos continuam a trabalhar na capital americana.
Lula da Silva parece que tem problemas com os copos. Um correspondente do prestigiado New York Times escreveu isso mesmo. Foi expulso do Brasil. Mais uma demonstração da tolerância dessa grande referência da esquerda moderna (palavras de Mário Soares) que é Lula. [Vasco Rato]

Quem matou mais?

Pergunta: qual foi o dirigente político responsável pelo maior número de assassinatos de militantes comunistas?

Opções:
a)Salazar
b)Pinochet
c)Estaline
d)Hitler

Envie já a sua resposta para pmascarenhas@portugalmail.pt. Não prometemos prémios mas daremos a resposta certa alguns postes depois. [Vasco Rato]

Os comunistas do BE (III)



O Bloco de Esquerda é um partido novo, democrático? Nada que se pareça. A UDP, um partido maoísta que integra o Bloco, reconhece que o BE é um partido radical, uma frente para enganar as “massas”. Reproduzimos aqui o que diz a UDP sobre o BE. Pela boca morre o peixe. [Vasco Rato]

O BE fundou-se, e mantém-se, como um partido radical. Essa radicalidade provem de se ter situado face ao fenómeno maior da nossa época económico-social, a globalização capitalista, e daí ter extraído a sua conclusão motriz e directora - a ruptura com essa ordem... As instituições e tratados que regulam directamente o imperialismo global não são reformáveis: têm de ser descartados do caminho da história político-social. Tal conclusão não só guiou a intervenção e a táctica do Bloco face aos governos neo-liberais e pró-imperalistas como lhe conferiu consistência em reivindicações como a saída da NATO e do exército europeu, política de contestação à UE de Amesterdão/Nice, o repúdio das orientações do G8 e seu braço o FMI.

O Bloco de Esquerda deve ser porta-voz e actor em todas as reivindicações sociais anticapitalistas e anti-conservadores.
Por exemplo, a livre orientação sexual também é uma questão de classe tal como foi a liberdade de voto para as mulheres. Lenine já o tinha esclarecido: nenhuma questão social é exclusivamente classista mas em todas há interesses de classe em jogo.
Compreende-se que a evolução política do Bloco pode ter, ao menos, duas leituras. Uma, que a UDP perfilha, de que o Bloco tem uma estratégia de ruptura com o sistema neo-liberal, em escala global e local, e apresenta alternativas imediatas para o pleno emprego, os serviços públicos, a democracia moderna, a força dos povos contra o imperialismo e pela paz, e nesse âmbito, prepara um alinhamento estratégico para um novo tipo de socialismo. É uma atitude que decorre de uma visão marxista e das potencialidades verificadas no Bloco, na esquerda europeia e mundial, na aceleração extraordinária das contradições sociais.
É uma atitude que não cai na falsa polémica dos "modelos", porque não antecipa a história daquilo que há-de ser novo. Não há "andar-modelo" do socialismo. Sabemos é que esse prédio não se constrói sem a emergência da socialização de bens e meios de produção fundamentais, salvaguardados numa democracia plural e num impulso constitucional por força popular.

O Bloco é visto como partido político na sociedade portuguesa e no mapa político europeu. A sua característica de movimento político não é incompatível com a sua forma de partido. Percebemos hoje, sobretudo para as gerações mais novas, que se encaram como partidos modernos, formações de regras mais informais...Simultaneamente, isso não colide com a existência dos partidos que historicamente fundaram o Bloco. Eles assumem-se como partidos ideológicos, que não fazem concorrência ao BE e não sofrem no BE nenhuma discriminação, positiva ou negativa, simplesmente por o serem.

Preservando princípios democráticos de pluralidade e disciplina, sintonia com a base social de apoio, independência e autonomia, os marxistas no início do séc. XXI podem ter a largueza de métodos que Marx teve para si próprio. Os leninistas podem impulsionar a largueza de formas que Lenine teve para si próprio.
O desafio fundamental que o Bloco enfrenta na actualidade é o crescimento da sua influência política nos movimentos sociais e na ajuda ao seu desenvolvimento.

A porta de entrada está na juventude. Na juventude que se mobiliza para exigir uma globalização alternativa. Na juventude que está em associação diversas, nas comissões de trabalhadores, nos sindicatos, na solidariedade com os Imigrantes, nas jovens feministas, nos ambientalistas, nas escolas.

O Bloco de Esquerda é o terceiro partido em voto e simpatia na juventude urbana. Esse é o capital de modernidade que estimula os revolucionários e incomoda o poder dominante.

Lu-lá-lá

Desde ontem que não me saiem da cabeça as múltiplas frases que ouvi, provenientes do politicamente correcto, quando Luís Inácio Lula da Silva ganhou as eleições presidenciais no Brasil.
“Ventos de mudança”, dizia-se. Pois! [José Bourbon Ribeiro]

Afinal, Fernando Rosas é conservador

O dirigente do Bloco de Esquerda diz que, afinal, é "um conservador". Mas só à hora da refeição. Rosas confessa ainda ser "guloso", mas isso nós já sabíamos.

"DN" sempre em cima do acontecimento

O Acidental ainda é um recém-nascido, fez um mês no dia 8, mas já tem direito a notícias nos jornais. E logo no "Diário de Notícias", uma publicação que está na moda há mais de cem anos. Vejam a última página, onde dão conta da nossa humilde existência - infelizmente, não consegui descobrir o "link" directo. Obrigado, "DN".

Terça-feira, Maio 11, 2004

E esta notícia não vos interessa?

Decisão consensual
Ministros das Finanças retiram Portugal da lista de países com défice excessivo


Ó Barnabé, e esta notícia não vos merece um pequeno comentário? Então fiquem também com esta:

Portugal sai da lista de países com défice excessivo
Ferreira Leite: virada página negra da história económica portuguesa

Esta fotografia não vos interessa?



Execução terá sido levada a cabo pelo líder da Al-Qaeda no Iraque
Iraque: sítio islamita divulga vídeo com alegada decapitação de americano


Esta fotografia e a respectiva notícia vêm publicadas no "Público" online de hoje. O que eu gosto mais é do "alegada". Sempre tão ansiosos por exibir fotografias de "alegados" torturados iraquianos, vamos esperar para ver quantos blogueiros de esquerda irão publicá-la. Vai uma aposta?

Anytime, anywhere

Sempre às ordens, Charlotte. E, já agora, parabéns pelo fantástico lifting. A verdade é que não precisava, mas a Bomba Inteligente ainda ficou mais bonita.

Caro Manuel Castelo-Branco,

Eu nunca disse que a coragem e a determinação são propriedade exclusiva da Direita. Mas já que fala nisso, parece-me evidente que são valores muito mais abundantes à Direita que à Esquerda. É isto que faz de Kennedy e Blair as excepções a que se refere na sua resposta.
Aliás, não creio que alguma vez tenha ouvido a expressão “um homem às esquerdas”... já “um homem às direitas” é, como tão bem sabe, o mesmo que dizer “um homem de carácter, determinado, sério, honesto, recto e de confiança”.
Aceite os melhores cumprimentos deste também admirador de Kennedy e da sua determinação e coragem. [José Bourbon Ribeiro]

O espaço do leitor (II)

Respondendo ao comentário do José Bourbon Ribeiro, parece que a determinação é uma propriedade da direita.
Infelizmente a história parece não o comprovar. Lembro-me de Kennedy e da sua coragem e determinação na questão dos mísseis de Cuba e no bloqueio a Berlim. Lembro-me também que foi no decorrer da administração Nixon (é certo que agravada pela presidência de Carter) que a recuperação do poderio militar soviético foi mais evidente. Esta consubstanciou-se também no alargar da influência aos países recentemente independentes (obrigado Mário Soares e restantes participantes no Acordo de Alvor). É certo que parte desse marasmo se deve à paralisia de Nixon face ao escândalo Watergate (tal como descreve Kissinger no “Years of Renewal”), mas mesmo assim a conclusão não é óbvia. Lembro-me também de Moshe Dayen que era um trabalhista.
Mas o exemplo mais recente é Tony Blair. Provavelmente, a sua resposta está influenciada pela personalidade e determinação de Margaret Tatcher e Ronald Reagan, exemplos que infelizmente não se repetirão.
Manuel Castelo-Branco

Os comunistas do Bloco de Esquerda (II)


DECLARAÇÃO DE PRINCÍPIOS
Razões de luta

A UDP, nascida nas jornadas populares de 1974/75, luta pelo socialismo.
Um sistema político de real participação popular só é possível na base de um novo regime económico-social.
Esse regime tem como características essenciais:
a) A socialização da banca, dos principais meios de produção da indústria, da água, dos recursos energéticos e do agro-mar.
c) A justiça social, promovendo a melhoria do nível de vida do povo, especialmente das camadas mais pobres, na realização da perspectiva "a cada um segundo o seu trabalho".
O poder popular edifica-se como democracia integral, como a conquista da democracia pelos trabalhadores e por outras camadas do povo marginalizadas pelo capitalismo.
O poder popular assume como princípios básicos:
a) A eleição de uma Assembleia Constituinte.
b) A votação nacional de uma Constituição que consagre as conquistas económico-sociais do socialismo e as regras de um estado de direito socialista, bem como a eventual delegação de poderes num estado socialista europeu alargado.
c) A Constituição e o estado asseguram e promovem a independência nacional, o abandono dos blocos militares, a denúncia dos tratados desiguais, a solidariedade com todos os povos na luta contra a opressão, a paz e a coexistência internacional.
A conquista do socialismo e do poder popular enfrentará a resistência do imperialismo global e das camadas burguesas dependentes da oligarquia financeira transnacional. É um processo que assenta no movimento popular e no seu desenvolvimento até formas superiores de luta.
A revolução social e política será obra da força do povo. O seu desenvolvimento e a eclosão de vagas de luta popular estão hoje muito interdependentes da luta dos outros povos europeus e das crises políticas no seio da União Europeia, super-estado imperialista que integrou Portugal.
As aspirações dos povos ao pão, paz, liberdade, independência e solidariedade dos explorados e oprimidos serão plena realidade no socialismo, transição para uma sociedade sem classes.
A natureza de uma ideologia
Quando, há um século e meio, o movimento operário tomou a divisa do Manifesto Comunista "Proletários de todos os países: uni-vos!" o alvo de uma sociedade justa deixou de ser um sonho e tornou-se uma perspectiva realizável. Aqueles que nada mais tinham, a não ser a sua força de trabalho, tomavam consciência que a divergência de interesses com o Capital só se resolveria pela revolução social, a apropriação colectiva dos meios de produção fundamentais.

Apetrechado por esta teoria que designou, de acordo com o pensamento de Karl Marx, por materialismo histórico e dialéctico, o proletariado podia dizer então: "temos um mundo ganhar, nada temos a perder senão as nossas cadeias!".
Esta teoria, enriquecida com a análise de Lénine do capitalismo dos monopólios e com o estudo da globalização, fase recente do imperialismo mais agressivo, é uma ideologia de libertação.
A ideologia de classe que defendemos nada tem em comum com o reformismo que procura apenas limitar os efeitos extremos do capitalismo, designadamente a pobreza absoluta e as agressões ambientais, mas sem uma alteração radical da sociedade.
Também nada tem em comum com experiências socialistas que, tendo conquistado formidáveis vitórias para o proletariado e os povos, degeneraram em regimes de estagnação e repressão, com uma nova burguesia burocrática no poder.
A ideologia do socialismo é um guia para a acção e uma atitude de procura científica constante.
O carácter de um partido revolucionário
A UDP é um partido de natureza comunista onde, voluntariamente, actuam homens e mulheres que procuram representar a parte mais avançada dos trabalhadores, da intelectualidade, dos pequenos proprietários dos meios rurais e urbanos, da juventude estudantil.
A UDP é herdeira e continuadora das tradições operárias e populares, no mundo e no país, na luta anticapitalista e no que houve de mais positivo na construção da nova sociedade socialista e configura-se como um partido revolucionário, aberto ao progresso e ao nosso tempo.

Os comunistas do BE (I)



O Bloco de Esquerda insiste que é um “partido novo”. Não é verdade.
O sítio da União Democrática Popular, partido de Luís Fazenda que “apoia” o Bloco de Esquerda, define-se assim:

A UDP é um partido marxista, de natureza comunista, que apoia o Bloco de Esquerda.
A UDP, que nasceu nas jornadas populares de 1974/75, é um partido internacionalista que luta pelo socialismo.
Combate o neoliberalismo, luta pela paz e pugna pela estreita união com organizações e movimentos que lutam contra o capital e o imperialismo.

Todavia, na versão inglesa do mesmo sítio, a UDP acrescenta:
UDP faces the revolution as a necessary way to the social transformation and believes that the class's struggles is the way.

O que é, então, a UDP?
É uma organização marxista-leninista, criada em Dezembro de 1974. É uma frente de comunistas maoístas constituída para participar no "processo eleitoral burguês". Em 1975, 1979 e 1980 concorreu sozinha às eleições. Depois, e até 1991, fez parte das listas do PCP. Hoje está integrada no Bloco de Esquerda. [Vasco Rato]

Regra número 1

Alínea 1 do artigo primeiro do Código do Acidental: não responderemos neste espaço a mensagens de anónimos nem a blogues onde o anonimato é regra. Por mais ofensivas que sejam.

ZZT!

Sobre o Dictatorship vs. Democracy, o Barnabé nem um piu. ZZT!
[José Bourbon Ribeiro]

O espaço do leitor

Venho por esta via pedir que envie da minha parte um abraço a Vasco Rato (sem menosprezo por si, visto que, embora não seja do seu partido, leio também os seus posts com igual atenção), que tem sido DEMOLIDOR na forma como põe os BarnaBEs deste mundo na ordem! Eu também tenho debatido os temas da invasão do Iraque e do anti-americanismo no meu blogue, e também ando algo farto do anti-americanismo delirante das opiniões públicas mundiais, e de alguns blogues.
Um abraço e continuação de bom trabalho.
Pedro Pelichos

Bush, Guterres e Clinton

A maior prova de que o trabalho que a administração Bush está a fazer no Iraque é sério, foi a forma como o Presidente dos EUA tratou a questão da demissão ou não do secretário da Defesa Donald Rumsfeld. Numa altura em que o calculismo eleitoral determinaria o destino de Rumsfeld, George Bush preferiu o caminho dos valores ao do populismo fácil.
Em vez de demitir Donald Rumsfeld, como lhe aconselharia qualquer perito em marketing eleitoral, preferiu manter a confiança no trabalho que Rummy está a desenvolver em prol da democracia e da liberdade no Iraque. Bush sabe bem que a competência, a coragem e a abnegação de milhares de soldados não pode nem deve ser confundida com o deslize, a incompetência ou a imbecilidade de poucos energúmenos mesmo que fardados.
Guterres, Zapatero ou Clinton teriam cedido com facilidade aos ímpetos da chamada “política bonita” e teriam demitido os seus números dois por razões de mera táctica eleitoral. Sem dó nem piedade. [José Bourbon Ribeiro]

Segunda-feira, Maio 10, 2004

Demagogia blogosférica II

A esquerda blogueira gosta muito de criticar indiscriminadamente, mas fica muito sentida e ofendida quando é criticada. Eu gostava, por exemplo, de saber se o Daniel Oliveira do Barnabé – e, já agora, o Francisco Louçã – ainda se identificam com o discurso político de Leon Trotsky, nomeadamente com as frases que o Vasco Rato foi buscar ao livro Dictatorship vs. Democracy. Ou será que o consideram datado? A clarificação ideológica é sempre positiva.

Demagogia blogosférica

Tem alguma graça que a esquerda blogueira seja useira e vezeira em acusar os outros de demagogia e populismo, quando os seus argumentos e os seus “exemplos” são de uma franciscana pobreza louçã, apelando ao pior que existe no ser humano. A repetição à náusea das imagens de iraquianos torturados e maltratados é um caso paradigmático: os horrendos actos, perfeitamente identificáveis e identificados, são condenados todos os dias por todas as autoridades e por todos os governos do Mundo, desde logo e em primeiro lugar por Washington e Londres, mas a esquerda blogueira não fica satisfeita. Só falta dizer que Bush e Blair – e, quem sabe, o Vasco Rato – já sabiam das torturas antes de a guerra começar. Tenham alguma decência, camaradas.

Bombardear o desemprego

A esquerda blogueira - e não só - andou por aí entusiasmada a criticar os cartazes que misturavam as eleições europeias com imagens de futebol, o cartão amarelo do PS e o vermelho da Força Portugal. Gostava era de ouvir agora algum comentário sobre o cartaz profundamente belicista do Bloco de Esquerda. Será que o Miguel Portas pretende resolver o problema do desemprego à metralhadora? Bombardear os desempregados ou os patrões?
A ideia não é muito feliz, pois não?

Morrer na Praia (Ivan e GI Joe)



Ivan Meets GI Joe
The Clash, do CD Sandinista


So you're on the floor, at 54
Think you can last - at the Palace
Does your body go to the to and fro?
But tonight's the night - or didn't you know
That Ivan meets G.I. Joe

He tried his tricks- that Ruskie bear
The United Nations said it's all fair
He did the radiation - the chemical plague
But he could not win - with a cossack spin

The Vostok Bomb - the Stalin strike
He tried every move - he tried to hitch hike
He drilled a hole - like a Russian star
He made every move in his repertoire

When Ivan meet G.I. Joe

Now it was G.I. Joe's turn to blow
He turned it on - cool and slow
He tried a payphone call to the Pentagon
A radar scan - a leviathan

He wiped the Earth - clean as a plate
What does it take to make a Ruskie break?
But the crowd are bored and off they go
Over the road to watch China blow!

When Ivan meets G.I. Joe

O que é o PSR (partido de Francisco Louçã, integrado no Bloco de Esquerda)? II



O PSR é a “secção portuguesa” do trotskismo internacional, “mantendo vivas as lições essenciais da história do movimento dos trabalhadores”. Que lições essenciais deixou o mestre Trotsky? Conheça algumas das frases públicas do guru ideológico de Francisco Louçã (à atenção do Barnabé):

Who aims at the end cannot reject the means. The struggle must be carried on with such intensity as actually to guarantee the supremacy of the proletariat. If the Socialist revolution requires a dictatorship—”the sole form in which the proletariat can achieve control of the State”—it follows that the dictatorship must be guaranteed at all cost.

The Russian White Guards resemble the German and all other White Guards in this respect—that they cannot be convinced or shamed, but only terrorized or crushed.

The man who repudiates terrorism in principle — i.e., repudiates measures of suppression and intimidation towards determined and armed counter-revolution, must reject all idea of the political supremacy of the working class and its revolutionary dictatorship. The man who repudiates the dictatorship of the proletariat repudiates the Socialist revolution, and digs the grave of Socialism.

But the revolution does require of the revolutionary class that it should attain its end by all methods at its disposal—if necessary, by an armed rising: if required, by terrorism.

[Vasco Rato]

O que é o PSR (partido de Francisco Louçã, integrado no Bloco de Esquerda)?



Foi o compromisso internacionalista que levou Trotsky, dirigente da revolução russa perseguido por Estaline, a fundar em 1938 a Quarta Internacional. A Quarta Internacional, de que o PSR é a secção portuguesa, é hoje o lugar de encontro de experiências e análises dos momentos de luta, mantendo vivas as lições essenciais da história do movimento dos trabalhadores (Manifesto Político do PSR).
[Vasco Rato]

Louçã, o Pinóquio do PSR (último capítulo)

Francisco Louçã, no seu livro A Guerra Infinita, página 89, escreve: “A guerra preventiva é simplesmente a guerra de agressão, agora recoberta pela recapitulação do altruísmo colonizador ou, como docemente escreve Robert Kagan, no seu livro Warrior Politics (A Política Guerreira): (É preciso) ‘levar a prosperidade às zonas atrasadas do mundo graças à doce influência imperial da América’”.
Robert Kagan escreveu o livro Of Paradise and Power. Não escreveu Warrior Politics. O autor de Warrior Politics é Robert Kaplan. Kagan é um neoconservador; Kaplan não. A frase citada por Louçã, que visa atribuir uma posição aos neoconservadores, é escrita por Kaplan. Engano? Não. Apenas mais um exemplo da manipulação e da mentira. Ou de desleixo intelectual. Seja como for....
[Vasco Rato]

Sem comentários




Eles são diferentes?

O que é que o BE/Barnabé tem diferente dos outros? Trotskistas, leninistas, maoístas, estalinistas, ex-comunistas, proto-marxistas, neo-comunistas. Todos pouco recomendáveis.
[Vasco Rato]

Domingo, Maio 09, 2004

Miss Vitriolica Webb’s Ite

Cheguei lá através do Espectador Comprometido. E já me tornei leitor assíduo, como se costuma dizer em português. Miss Vitriolica Webb’s Ite, assim se chama o sítio, tem textos e ilustrações que merecem muito mais do que uma visita. A misteriosa autora britânica desdobra-se em duas personagens que vão comentando episódios da vida em Portugal. Há ali alguma coisa que me soa familiar, não sei bem o quê. Eu, se fosse a Zita Seabra, começava logo a pensar em traduzir os textos, pegava nos fabulosos desenhos, e editava tudo num livro.

Subitamente

Dei comigo a pensar nas saudades que tenho do tempo em que só a Bomba Inteligente e o João Pereira Coutinho é que me ligavam. Um mês na blogosfera parece uma eternidade.

Está decidido

A discussões na blogosfera não podem ter mais do que uma semana. As das semana passada estão enterradas. Claro que há sempre umas que voltam sob outras formas e discursos. Não queria terminar estes aguerridos sete dias, porém, sem dizer que respeito profissionalmente tanto o João Pedro Henriques como o João Morgado Fernandes. Posso é ter opiniões e critérios editoriais diferentes, mas cada um por si e Deus por todos.

Parabéns que o Acidental já devia ter dado

Ao Luciano Amaral pelos quatro anos do melhor amigo dele.
A todos os marujos do Mar Salgado e em especial ao formidável Comandante, Nuno Mota Pinto, por um ano de blogosfera, sempre em grande estilo.
À Bomba Inteligente, por ter publicado o primeiro texto do Carlos Quevedo no primeiro Independente. O Quevedo, para mim que só entrei em 1991, era e continua a ser uma das lendas vivas que me tornou primeiro leitor fanático e depois jornalista do Internacional e por aí adiante durante doze anos no jornal. Pelas minhas fracas contas, posso estar enganado, porque é só por cálculo e com a ajuda de um dos meus melhores amigos do Indy, o Vítor Cunha, o número 1 saiu por volta de 20 de Maio de 1988. Mas isso é o menos importante, neste caso.

Sexta-feira, Maio 07, 2004

Esta é que é a verdadeira fotografia



Apresento-vos aqui a verdadeira fotografia que o Barnabé, seguindo outros exemplos conhecidos internacionalmente, resolveu manipular de modo pouco desportista. Como se pode ler, até no Iraque se soube da vitória do Glorioso.
Bom fim-de-semana para todos.

Desatenções imprevistas

Pedro Oliveira, não andas atento. Num poste anterior escrevi que sou um admirador de Henry “Scoop” Jackson, justamente porque este recusava a “coexistência” pacífica inerente à realpolitik de Nixon e Kissinger. E, como historiador, sabes bem que John Lewis Gaddis não pode ser desvalorizado, como fazes quando dizes que refiro “livros estrangeiros”. Hum, parece-me que registo aqui o mesmo tom de “anti-intelectualismo” que os barnabés normalmente “detectam” nos blogues de direita. Mas olha, tenho mais que fazer, vou agora para Montemor-o-Novo. Há lá um pequeno restaurante que eu frequentava muito há uns anos atrás. Tenho saudades...
Até segunda. [Vasco Rato]

Go foward, Rummy, go

Como se pode verificar a direita democrática em que nos revemos é plural e cultiva o debate. Segue-se a mensagem enviada pelo nosso amigo José Bourbon Ribeiro, que não concorda com Vasco Rato e apoia Donald Rumsfeld.

Meu caro Vasco,

Não há grandes empreitadas sem pequenos erros, ainda que no caso em apreço sejam erros muito graves. Mas o pior é quando se fazem pequenas empreitadas com grandes erros. Não concordo contigo quando defendes a saída do secretário Rumsfeld pelo que aconteceu numa prisão no Iraque. Os Estados Unidos e os nossos aliados fizeram, nesta intervenção, milhares de prisioneiros através da acção de milhares de soldados. O deslize, incompetência ou a imbecilidade de alguns não podem, nem devem, ser confundidas com a coragem e a determinação da maioria. Por outro lado, a demissão de Rumsfeld enfraqueceria a moral das tropas na proporção em que fortaleceria os inimigos da intervenção.
Porque apoio a intervenção no Iraque e a luta contra o terrorismo, apoio Rumsfeld.
Porque reconheço a importância do trabalho que os aliados estão a fazer no terreno, apoio Rumsfeld.
Porque as atrocidades de cinco ou seis energúmenos, mesmo que fardados, não se podem confundir com o profissionalismo de milhares de soldados, apoio Rumsfeld.
Porque este lado da barricada não pode abrir brechas, apoio Rumsfeld.
Porque sim, apoio Rumsfeld.


José Bourbon Ribeiro

Esclarecimento

Por vezes até pode parecer pelos meus postes e pelas ligações ali ao lado, mas eu não divido o Mundo em esquerda e direita. Tenho amigos de todas as cores políticas e não os defino pelas suas posições ideológicas. Agora já acredito que o debate de ideias, mesmo aguerrido, só pode ser bom para a saúde da democracia. O cinzento centrão apresenta-se como um espaço mais cómodo e propício para os negócios ou para os diversos lobbies, mas vai afastando as pessoas da política. Se, como diz o Francisco J. Viegas, é discutível que o Paulo Gorjão seja de esquerda, ao contrário do que sempre pensei, ainda vou a tempo de corrigir o tiro, porque nunca o pretendi ofender. Aprecio, entre outras inúmeras qualidades, o excelente gosto de Gorjão na escolha de argumentos para a sua campanha contra a pedofilia. Aproveito aliás o momento para contribuir com uma das minhas morenas preferidas, a espanhola Penélope Cruz.

Go, Rummy, Go


(Foto roubada ao Causa Nossa. Se é deles também pode ser nossa)

Concordo com esta recomendação. Politicamente responsável por aquilo que está a acontecer no Iraque, Rumsfeld terá de cair na espada. Demita-se. [Vasco Rato]

Eles vivem da mentira

Estou a começar a ficar farto do argumento fácil da mentira, que alguns blogueiros de esquerda arremessam sempre que são contrariados. Eu sei que o aprenderam com o Grande Líder Louçã, mas vão chamar mentirosos e desonestos aos vossos camaradas, meus caros. Quanto ao JMF, deveria estar algures em terras do nunca quando leu a notícia do "DN" de segunda-feira passada.
Leia então outra vez, por favor, depois do subtítulo, bem no final do texto, comigo. Pode ser letra a letra, devagarinho: "Israel bombardeou, ontem, a torre 'Palestina' no centro de Gaza - onde funciona uma estação próxima do Hamas - em retaliação pelo atentado que, horas antes, fizera cinco vítimas - quatro crianças e a mãe, grávida de oito meses". Leu tudo? Viu o critério de prioridade dos factos? Reparou que não era cronológico?
Agora leia a notícia do início, outra vez devagarinho e sem um grão de areia ideológico nos olhos: "A maioria dos militantes do Likud (partido do primeiro-ministro israelita, Ariel Sharon) votou contra o plano de separação unilateral dos palestinianos, mais vulgarmente conhecido como 'retirada da Faixa de Gaza'". E, depois, alguns parágrafos mais abaixo, volte a exercitar a interpretação na leitura: "Satisfeitos com os resultados ficaram os colonos que se desdobraram em esforços para que vencesse o 'não'. 'A destruição de parte de Israel foi impedida, pelo menos por agora', afirmou, a propósito, Benzi Liberman, um dos líderes dos colonos".
E não, não venham agora dizer que eu confundo Israel com Sharon, que nem sequer é personagem que me inspire simpatia, ainda que seja apenas o resultado político da reacção da população israelita a sucessivos atentados terroristas palestinianos contra alvos civis indiscriminados. Mas também sei que, pelo menos, foi eleito democraticamente, o único que o pode dizer naquela região. Será que não vêem o óbvio ululante?

PS. Ah, é verdade, a fotografia que ilustrava o texto era de Sharon a receber Schwarzenegger "horas antes de o seu plano ser vetado". Muito mais importante, claro, a derrota do "general".

Pois é, mas…

Ao Rodrigo Moita de Deus aconteceu-lhe uma desgraça no blogue dele e resolveu utilizar e muito bem aqui o Acidental para enviar uma mensagem ao João Pedro Henriques, que se publica com a devida vénia (é devida vénia que se costuma escrever nestes casos, não é? Se calhar, devia ser mais uma expressão a erradicar pela Bomba Inteligente).


Ao João Pedro Henriques:

1. Em 1935 já a Wermacht ultrapassava os ingleses em número e em capacidade tecnológica, como Winston Churchill bem sabia. Pensar numa guerra preventiva num momento em que a Inglaterra nem tinha condições para assegurar a sua sobrevivência seria, no mínimo, ilógico.

2. Mas Churchill defende activamente uma “acção” militar para impedir a invasão da Abissínia e a militarização da Renânia. Opõe-se claramente à ocupação dos Sudetas e à anexação da Áustria. É o próprio governo de Chamberlain que afirma não ter capacidade bélica para contrariar a maior potência armada do mundo de então.

3. Face ao que compreendemos da personalidade e do conhecimento dos factos históricos, e mesmo que tal exercício seja absurdo, é relativamente seguro afirmar que tendo condições para isso, Churchill teria começado a II Guerra Mundial dois ou três anos antes.

4. Uma última nota. Você escolheu de todos o pior argumento para defender a sua causa. É que, para todos os efeitos, foi a Inglaterra que declarou guerra à Alemanha. A Inglaterra “intrometeu-se”num conflito que objectivamente não era seu. Fê-lo em nome dos valores que defendia, em nome da solidariedade para com os seus aliados e em nome da ameaça que o III Reich representava.

PS: Pessoalmente embirro com o termo “guerra preventiva” tal como embirro com algumas comparações históricas, mas numa coisa devemos estar todos de acordo, não se deve invocar o nome do senhor em vão.

Rodrigo Moita de Deus

A doença da cura

Paulo Gorjão desafiou-me para falar desse tenebroso “demagogo do Caldas”. Ou seja, para falar de Paulo Portas. Aqui vai. Gorjão define o “populismo demagógico” como “um discurso simplificador (e simplista) sobre questões complexas e em que se joga com emoções e preconceitos”. Paulo, essa sua definição não distingue o populismo da “política normal”. Sabe muito bem que a mensagem política, em sociedades democráticas, complexas e massificadas, obriga à simplificação. Por duas razões. Primeira, muitos dos problemas técnicos exigem um grau de especialização que raramente está ao alcance dos eleitores. Por exemplo, não vale a pena explicar-me a complexidade da política de transportes. Eu – e o eleitor médio – não temos preparação técnica para avaliar essa política. Precisamos, portanto, que se simplifique e que se vá “à essência do assunto”. Dito de outra forma, de ter informação que me permita fazer uma avaliação política (e eleitoral) – e não técnica – do assunto. A avaliação é baseada em informação imperfeita? É. Sempre. Mas é esse o preço que pagamos pela fiscalização democrática. Regimes não democráticos podem “explicar” a complexidade das políticas porque não necessitam de obter consentimento dos cidadãos. Mas não o fazem porque não estão sujeitos à fiscalização.
Quanto às emoções e os preconceitos, pretende que se retire a emoção e o preconceito da linguagem política? Não vejo como. Nem que seja desejável. Mas muitos tecnocratas já tentaram.
Quanto a Paulo Portas, deu-me dois exemplos da sua pretensa demagogia: a interrupção voluntária da gravidez e Maggiolo Gouveia. Quanto ao aborto, estou particularmente à vontade porque é sabido que não concordo com a posição do CDS. Que sou crítico relativamente às posições “pró-vida”. Mas não nego que, só porque não concordo, se trate de uma posição ilegítima. Dizer que é demagógica é, no essencial, dizer que é ilegítima. A questão do aborto tem sido discutida com grande emoção? Claro, mas é natural que assim seja porque não se reduz a uma questão técnica: Toca com valores e com a nossa forma de ver o mundo. Pretende discutir a questão sem emoção e sem preconceitos? Era bom que assim fosse. Eu tentei contribuir para uma discussão mais “fria”. Sem resultado.
Quanto a Maggiolo Gouveira, refere-se a quê em concreto? Da homenagem, do facto de se tratar de um herói, ou à fotografia de Portas a rezar durante a cerimónia? Desconfio que se refere à fotografia. Se assim for, só lhe posso dizer que é deselegante questionar a fé religiosa das pessoas. Que é feio insinuar que se reza por oportunismo político. Mas, como é sabido, Portas é um católico praticante. Porque razão não deveria rezar? Uma revelação: eu não sou religioso. Se alguma vez me encontrar a rezar em público, então pode dizer que eu estou a ser demagógico. Portas não estava.
Por último, o Paulo diz que “de um ponto de vista político, o PP preocupa-me tanto - repito, tanto - como o BE. E acho que o PP deve ser atacado tão agressivamente como o BE”. Santa paciência. Não me vai dizer que PP=BE. Não saber distinguir entre um partido democrático e um partido revolucionário é preocupante. Ou julga que os objectivos programáticos do PP e do BE são equivalentes? Talvez não seja isto que queira dizer. Talvez queira dizer que acha que ambos são demagógicos. Podia-lhe responder que, por razões várias, ambos comunicam eficazmente num espaço público dominado por sound bytes. Porque é aqui que reside o problema. A comunicação só pode mudar, se, primeiro, mudar a lógica dos veículos da comunicação. Mas eu não estou disposto a condicionar a liberdade da imprensa para pôr fim a um putativo “populismo”.
A cura seria pior do que a doença. [Vasco Rato]

Da importância de uma fotografia, ou da falta dela

A insistência pode parecer obsessão, mas o caso não é para menos. Como já devem ter lido, José Pacheco Pereira escreveu esta semana "que nenhum jornal português traria na capa e com o mesmo destaque do "Daily Telegraph" as fotos da mãe grávida e das quatro meninas, entre os dois e onze anos, que foram mortas em Gaza, à queima-roupa, por dois terroristas palestinianos esta semana". No Barnabé, como sempre, abespinharam-se com a crítica e entraram naquelas explicações neocorporativas a que estamos habituados. Só faltou exigirem um pedido de desculpas ao social-democrata.
A verdade é que Pacheco Pereira pecou apenas por defeito. Quem ler o "DN" ou o "Público" de segunda-feira pode constatar que a fotografia não só não foi publicada na capa, como nem sequer aparece no interior dos dois jornais. No "DN", o editor de fotografia ainda pode atirar com as culpas para cima do editor do Internacional - o assassinato da israelita grávida e das suas filhas só aparece mesmo no final de um texto em que são destacadas diversas malfeitorias israelitas. No "Público" do mesmo dia é que já não têm argumentos possíveis, uma vez que o início da página de abertura do Internacional é dedicada ao acto cobarde dos terroristas palestinianos, com o título "Família israelita assassinada na Faixa de Gaza". E qual é a fotografia escolhida, qual é? A imagem de "um activista palestiniano morto pelas forças israelitas depois do ataque contra os colonos". O homem jaz postrado em primeiro plano, com tanque hebraico ao fundo. Do you get the picture?

Os números dos barnabés

Rui Tavares ficou chocado por eu ter questionado a pouca ou nenhuma sensibilidade do Barnabé perante a tirania reinante em Cuba e todas as torturas que não se passem no Iraque, desde logo nas prisões castristas. Depois de várias acusações e de se mostrar indignado por alguém o ter indicado como “cúmplice de um tirano”, afirma ser tal opinião uma rematada mentira, “mais ainda quando já atacámos aqui várias vezes o mesmo tirano”. Feito este ataque a Fidel Castro - o que já é muito bom de ler, vindo de onde vem - RT acrescenta ter de “rectificar a questão pondo as cartas na mesa”. Ora, segundo ele, “em oito meses de existência, o Barnabé escreveu dezena e meia de posts sobre Cuba”.
Dado que RT colocou repetidamente a questão em termos numéricos – já me tinha aconselhado antes a verificar a veracidade das suas afirmações através do motor de busca do Barnabé – resolvi seguir obediente as preciosas indicações. Em primeiro lugar escrevi “Cuba” e, de facto, lá me apareceram dezassete (17) postes sobre a ilha de Fidel, sendo que dois (2) eram respostas a afirmações minhas e, pelo menos, outros dois (2) comparavam a situação cubana com eventuais atropelos dos Estados Unidos.
Não me fiquei por aqui, procurando saber também quantos postes os barnabés teriam dedicado aos EUA durante os oito meses de existência: foram trinta e oito (38), mais do que o dobro daqueles que tinham sido empregues a descrever o regime de Castro. Claro que não esperava nem encontrei elogios à democracia americana.
Vício de ex-jornalista, fui mais longe e pesquisei, ainda comparativamente, quantos postes teriam sido escritos sobre os dois presidentes dos dois países, George W. Bush e Fidel Castro. Sempre numa perspectiva quantitativa, porque a apreciação qualitativa ficará reservada para mais tarde.
Pois bem, sentem-se nas vossas cadeiras e apreciem o espectáculo de invulgar imparcialidade. Sobre George Bush ou assuntos relacionados, os nossos objectivos barnabés escreveram cento e vinte (120) textos – e aviso desde já que em nenhum deles lhe chamaram democrata. Já sobre Fidel Castro, o interesse e a dedicação à justa causa dos direitos humanos não resultou em mais de dez (10) postes. Quase dez por cento, estão de parabéns.
Parafraseando RT, “é desagradável ter de fazer isto, mas é a única forma de as coisas ficarem claras. E devo dizer desde já que isto nada tem a ver com esquerda ou direita, mas com rigor e honestidade – da intelectual e da outra”. Sobre a coerência que os barnabés tanto apreciam, seguirá outro texto numa ocasião mais apropriada.

Quinta-feira, Maio 06, 2004

A glória é fácil mas efémera

1. JPH escreve que está cansado "dos argumentos que defendem a guerra no Iraque recorrendo sistematicamente ao truque de encostar os que se lhe opõem à condição de terrorist lovers". Tem razão. Eu nunca “encostei” todos. Só alguns. Porque a cegueira do anti-americanismo leva muitos a não saberem distinguir entre Bush e Bin Laden. Todos vimos os cartazes Bush=Hitler, comuns nas manifestações “anti-guerra”. Se o JPH não é um “terrorist lover", eu não sou um “Hitler lover”. De qualquer forma, a esquerda radical usa este tipo de asserção.

2. JPH diz estar “do lado dos que acham que esta guerra não resolve coisa nenhuma, só agrava todos os problemas do Médio Oriente”. Está no seu pleno direito de “achar” o que entende. Mas a verdade é que não “sabe”, que não consegue prever o futuro. Eu “acho” que a democratização do Iraque é possível, e “acho” que o derrube do regime, um dos mais sanguinários do planeta, é moralmente defensável. A verdade é que (sejamos humildes) nenhum de nós “sabe”. Estamos longe do fim do processo em curso. Em 1975, em Portugal, muitos “achavam” que estávamos a caminho da ditadura do proletariado. Mais interessante é perguntar o que nos leva a chegar a conclusões tão diferentes. Mas esse é outro debate. Todavia, fica uma pergunta: se critica a estratégia “neocon” de transformar o Médio Oriente, qual é a sua alternativa? A menos que “ache” também que tudo está - ou estava - óptimo na região.

3. JPH diz que a "entourage" intelectual de Bush é a principal responsável pela situação actual... e não "os que, no plano do debate de ideias, se opuseram à invasão”. É evidente que sim. Mas convém ter alguma paciência. As responsabilidades políticas serão atribuídas quando a ocupação e a transição chegarem ao seu fim. Até lá, não faz sentido atribuir responsabilidades. Imediatamente após o final da Segunda Guerra Mundial, muitos também vaticinavam o fracasso da democratização do Japão. Já agora, de acordo com a sua lógica, quem é intelectualmente responsável pelo gulag de Estaline, as atrocidades de Trotski, ou os genocídios de Mao e Pol Pot? Não sou eu nem os "bushistas".

4. JPH escreve que “é bom que os "neo-cons" e os seus admiradores (mesmo aqueles "avant la lettre", como VR parece afirmar-se) tenham consciência da sua culpa”. Pergunto: culpa de quê? De derrubar um regime totalitário? De ter contribuído para abrir o Iraque ao pluralismo (olhe para o número de jornais e de organizações políticas hoje existentes no país). De ter acabado com a repressão dos curdos? De ter convencido Kadhafi que teria de abandonar as suas armas? De estar a reconstruir o país depois da pilhagem feita por Saddam? O processo de democratização pode falhar, mas não sinto a “culpa”.

5. E, afinal, o que quer dizer JPH com “neocon”? Presumo que não se refere à “cabala”, que apenas existe na cabeça de Louçã e nas páginas dos seus livros. É uma “tese” tão disparatada que nem vale a pena discuti-la. Mas, se por "neocon" se refere aos herdeiros de Henry Scoop Jackson (era isso que eu queria dizer quando escrevi que tinha estas posições antes de Bush chegar à Casa Branca), não tenho problemas em lhe dizer que me enquadro nessa tradição intelectual. Se bem que nunca me caracterizei como “neocon”. Scoop Jackson não é uma figura muito conhecida entre nós (aconselho a biografia Henry M. Jackson: A Life in Politics de Robert Gordon Kaufman). Ele foi, nos anos 70, um senador Democrata (sim, de esquerda) do Estado de Washington que se opôs à abordagem de Kissinger, Nixon e Carter relativamente à ex-URSS. Argumentou que não se poderia chegar a um “entendimento” com Moscovo porque isso significaria colaborar com a monstruosidade que era o regime comunista. Tratava-se de alguém que queria abandonar a realpolitik pura, e introduzir critérios morais na política externa. Foi um dos primeiros a salientar a importância de usar o poderio militar para fazer avançar os direitos humanos. Sim, identifico-me com essa tradição. Até porque, com o fim da guerra fria, a razão "avant la lettre" de Jackson está a vista. "Neocons" como Kristol, Kagan, Krauthamer, Eliot Cohen ou Wolfowitz também se enquadram nessa tradição de Scoop Jackson, mas nem todos os herdeiros intelectuais de Jackson são "neocons". Qual é, então, a crítica substantiva que o JPH faz aos "neocons"? [Vasco Rato]

A imagem que a imprensa portuguesa não publicou...



Esta é a fotografia do funeral da mulher israelita grávida, de 38 anos, e das quatro meninas assassinadas no domingo passado por dois snipers terroristas palestinianos, a que se referia Pacheco Pereira no artigo de hoje do "Público". No sítio da BBC, contam a história, destacando uma frase do marido e pai, David Hatuel: "Estou completamente sozinho, não sobrou ninguém".

Saudades de Aznar

Durante a guerra fria, Portugal foi o interlocutor privilegiado de Washington na Península Ibérica. A opção atlanticista de José Maria Aznar ameaçava esse estatuto. Nessa óptica, a derrota de Aznar serviu os interesses da diplomacia portuguesa. Mesmo assim, já tenho saudades dele. [Vasco Rato]

A Guerra Preventiva de Churchill

Não sou admirador incondicional de Winston Churchill e, portanto, sou pouco familiar com a sua carreira política pré-1945. Não posso, por isso, afirmar com a certeza absoluta de JPH que Churchill nunca tivesse pedido um ataque preventivo contra a Alemanha nazi. Mas sei que Churchill (e pessoas como Bertrand Russell) exigiam, em 1948, uma guerra preventiva contra a União Soviética (ver a discussão do grande historiador John Lewis Gaddis, We Now Know: Rethinking Cold War History, p. 91). [Vasco Rato]

Vaidades

O Vasco Rato agradece as simpáticas mensagens do Pedro Lomba e do Luciano Amaral e faz questão de enviar abraços para os dois. Eu também. Pedro, a comparação que fazes parece-nos excessiva, mas deixou-nos muito orgulhosos. Já agora, quando quiseres escrever sobre política - ou sobre outra coisa qualquer - e não estiveres com paciência ou com tempo para criar um novo blogue, tens aqui o Acidental à tua espera. O Luciano e, quem sabe, o Rui Ramos ou o João Marques de Almeida também se podiam juntar ao pessoal. Seria uma honra.

PS. Agradecimentos também pelas correcções gramaticais e ortográficas do leitor Pedro Manuel, às pacíficas recomendações enviadas por João Leitão, e à simpatia do Afonso Neves da Razão das Coisas. O Nuno Ramos de Almeida terá de esperar um tempinho pela resposta à "chamada de atenção".

JPH ao espelho II

Sim, é verdade, JPH, o Vasco Rato é bastante mais elevado nas respostas do que eu. Mas, compreenda, eu limitei-me a virar do avesso os seus argumentos iniciais, aplicando-os contra o feiticeiro. Quando eu escrevi JPH ao espelho, pretendia isso mesmo: pô-lo em frente ao espelho para que pudesse ver as suas palavras reflectidas. Ficámos ao mesmo nível de elevação, está a ver?

O cão e o osso

O dia não me corre nada bem. Estou em casa com febre, e a televisão é insuportável. Queria responder aos postes de Paulo Gorjão e João Pedro Henriques. Ambos – também sem ironia – se distinguem do Barnabé pela elevação da resposta. Aliás, o Daniel Oliveira nem sequer se dá ao trabalho de responder. Ainda estou à espera de saber quando é que Louçã irá pedir desculpa pelas mentiras que disse sobre o massacre de Jenin, quando tenciona condenar o regime comunista do Vietname, quando irá apresentar as provas que viu sobre a Carlyle. Daniel, a dog never lets go of the bone. [Vasco Rato]

A não perder

A opinião de José Pacheco Pereira no "Público" sobre as diferentes perspectivas com que os jornalistas portuguesas e a esquerda em geral tratam os factos internacionais, consoante sejam favoráveis ou não aos seus pontos de vista anti-americanos e anti-israelitas. A não publicação das fotografias da "mulher grávida e das quatro meninas, entre os dois e onze anos, que foram mortas em Gaza, à queima-roupa por dois terroristas palestinianos, esta semana", ao contrário do que fez o "Daily Telegraph", é um caso típico. As fotos dos soldados torturados por militares norte-americanos no Iraque são muito mais convenientes, não são? Esperam-se comentários também da esquerda blogosférica, a começar pelo sempre tão frenético Barnabé. Talvez lendo o Pacheco Pereira, o Rui Tavares compreenda o que eu queria dizer com os "comentários laterais e bastante suaves à repressão do regime de Fidel", pelos barnabés deste mundo, quando comparados com a forma como tratam a situação no Iraque e atacam democracias liberais como os Estados Unidos ou a Grã-Bretanha. Onde é que está a má-fé? Esteja descansado, Rui, que uma explicação mais completa irá seguir dentro de momentos.

Quarta-feira, Maio 05, 2004

Por e-mail

Yasser Arafat adopta o hino da Juve Leo.
Depois da morte dos dois lideres do Hamas, Arafat passa o dia a cantar "Só eu seeeeeeeei, porque não fico em Gazaaaaaaa!"

Boçal, eu? II

Sim, João Pedro Henriques, acho mesmo que os barnabés “sucumbem à lógica do quanto pior melhor". A evidência está no tom da argumentação, na selectividade das questões colocadas. Mas, João Pedro, também acho natural que assim seja. O Barnabé – e o Acidental – é um blogue político, de debate político. Não se trata de um espaço de reflexão analítica, não é um seminário universitário. E o debate político é – por definição – propício a uma prática discursiva de simplificação e de clarificação. Como jornalista, sabe que assim é. No fundo, você quer que eu faça “análise” académica no Acidental. Eu não quero. Prefiro participar num debate político.
Caro João Pedro, eu sei “que ser contra esta guerra não implica ser pelo terrorismo”. Nunca disse o contrário. Mas, em alguns casos, ser contra a guerra é, de facto, ser apologista do terrorismo. Deixe-me explicitar. Recorda-se da última manifestação contra a guerra, no Chiado? Pessoas que gritavam contra a “guerra imperialista” tinham, à volta da cintura, imitações das bombas usadas pelos terroristas suicidas. Não se recorda? O “Expresso”, na “Única”, publicou uma dessas fotografias. Louçã, e os outros apoiantes da manifestação, criticaram estas pessoas? Você levantou a sua voz? Disseram que se tratava de um gesto inaceitável? Não creio.
Depois de me criticar por fazer processos de intenção relativamente aos barnabés, João Pedro escreve que “o debate não é encarado como debate, é só mais um campo de batalha.” Ou seja, faz um processo de intenção relativamente ao meu poste. Foi – recorrendo à sua própria adjectivação - boçal comigo. E acrescentou: “ é também próprio de pensadores profundamente sectários ou mesmo totalitários. Com a diferença não se coabita; a diferença elimina-se, expulsa-se, apaga-se, seja por que meio for – porque aqui os fins justificam os meios”. Outra boçalidade. Até porque eu não tenho nada de totalitário – nunca militei no PCP, no BE, no MIRN ou no PNR. Julgo mesmo que a democracia é a diferença, é o debate sobre a diferença. E, apesar de estar à direita, tenho posições (sobre o aborto, a homossexualidade etc.) que são minoritárias na minha área política. Julga que sou um totalitário encapotado? Gosto do debate político, e não me coíbo de ser duro nesse debate. Julgo que ajuda a clarificar a diferença. Parece-me que o Barnabé partilha desta perspectiva.
A boçalidade final: João Pedro escreve que a responsabilidade pela situação a decorrer no Iraque “é certamente dos vascos ratos norte-americanos que constituem a “entourage” intelectual do sr. Bush. E que inspiram o nosso pensador”. Como é que sabe que é a “entourage” de Bush que me inspira? Tenho novidades para si: já tinha estas posições antes de Bush chegar à Casa Branca. Não me inspiro neles, convirjo com eles. Pelo menos, com alguns deles. Mas isso é outra conversa. [Vasco Rato]

O Pinóquio do PSR III

Os barnabés andam muito divertidos com o eventual "strip tease" deste humilde escriba. Ontem prometi que iria esclarecer o assunto. O prometido é devido. No seu novo livro (?), A Globalização Armada, página 12, o Pinóquio do PSR escreve o seguinte: “Num colóquio organizado pela revista História a 20 de Março de 2003, na noite em que as bombas começaram a cair em Bagdade, o comentador Vasco Rato esteve à altura do momento. Perante o auditório do Museu República e Resistência, prometeu que, se os militares norte-americanos não encontrassem as armas de destruição maciça iraquianas, poderiam os portugueses contar com ele passeando nú pelo Rossio”. Louçã repetiu a graçola no lançamento do livro (?), na FNAC. No Barnabé, a moda pegou.
A explicação: primeiro, o colóquio não se realizou no Museu República e Resistência, mas sim na Hemeroteca Municipal. Irrelevante? Não, porque mostra que Louçã nem sequer se dá ao trabalho de confirmar os factos. Como também não confirmou os factos do “massacre de Jenin” (o Daniel ainda não se pronunciou sobre este assunto). Ou oculta-os. Segundo, não discuto a afirmação; mas ela não faz sentido fora do contexto em que foi dita. Isto é, Louçã não mente descaradamente sobre o que eu disse, mas, ao retirar a frase do seu contexto, deturpa o significado.
Um hábito. Louçã frequentemente deturpa, frequentemente diz meias verdades. Para todos os efeitos, mente. Qual foi, então, o contexto? Alguém na assistência perguntou qual era o grau de certeza que eu tinha que as armas existiam? Respondi que “todos os dados existentes – os relatórios dos serviços de informação, de Blix, as resoluções da ONU, as declarações do regime iraquiano, a opinião de praticamente todos os especialistas – apontam nesse sentido. Atrever-me-ia a dizer que se elas não existirem até poderia andar nú no Rossio”. Foi isto que disse. É evidente que se tratava de uma figura de retórica, do tipo “ponho as mãos no fogo”. Foi dita num contexto informal, perante pessoas, maioritariamente do Bloco de Esquerda, que entenderam que se tratava de uma expressão “coloquial”. Repetiria a expressão? Não. Não repetiria. Mas, no seu livro, ao reproduzir a frase fora do seu contexto, Louçã visava ridicularizar alguém que discorda dele. É um acto de má-fé, de desonestidade intelectual. Louçã poderia ter escrito que eu – e muitos outros – estávamos equivocados. Mas não teria tanta graça, pois não? E o cartaz do Bloco não poderia incluir a frase “eles mentem, eles perdem”. De qualquer forma, a existência da armas era, como o Daniel sabe, apenas um dos argumentos a favor da intervenção militar. E nem sequer era o mais importante. [Vasco Rato]

A contratação do século

Como a fantástica subida das audiências não foi manifestamente provocada por mim, mas pela contratação milionária do avançado-centro Vasco Rato, posso anunciar que O Acidental bateu ontem todos os recordes, com 1297 "page views", 346 novos leitores, 483 "uniques" e 137 "returning". A tendência de subida mantém-se hoje em clara demonstração de que valeu o convite à nova estrela internacional. Força, força, camarada Vasco!

Boçal, eu?

Eu, que consigo distinguir um garfo de salada de um garfo de sobremesa? Eu, que fui ensinado a nunca usar sapatos castanhos com fatos azuis? Eu, que digo “presente” e não “prenda”. Boçal, eu?
Mas o João Pedro Henriques levanta alguns pontos substantivos sobre a natureza da política e o papel dos blogues no debate político.
Voltarei ao assunto. [Vasco Rato]

Sou um aliado objectivo do CDS?

Noutro poste, o meu amigo Paulo pergunta: “nem uma palavrinha de incómodo sobre o populismo demagógico de Paulo Portas”? Uma pergunta interessante, mas que exige alguma clarificação. Que quer o Paulo Gorjão dizer por “populismo demagógico”. Julgo que sei, mas convém que o Paulo nos dê uma definição – e alguns exemplos – para que estejamos a debater o mesmo assunto. Sem equívocos conceptuais. Agora, uma interrogação minha: qual é a razão da pergunta, Paulo? Como sabe, não sou do CDS e não sou amigo pessoal de Portas. Se bem que seja verdade que tenho alguns bons amigos no CDS (e no PS e no PSD). É verdade que já participei em iniciativas políticas do CDS, um partido democrático com uma tradição de luta pela liberdade. Como também já participei em iniciativas do PS e do PSD. O PCP e o BE nunca me convidaram. Presumo, portanto, que o Paulo fez uma interrogação política, e não uma insinuação sobre a minha “proximidade” ao CDS. De qualquer forma, aproveito para esclarecer. Não estou próximo do CDS, mas concordo com algumas das suas propostas e concordo com alguns dos seus elementos ideológicos. Mas - e isto é público - não concordo de uma forma geral com a sua “agenda social”, porque não sou conservador nem democrata-cristão. Feitas as clarificações, podemos trocar algumas impressões sobre o “populismo”. [Vasco Rato]

Sou um aliado objectivo do Bloco?

Paulo Gorjão afirma que eu senti a obrigação de lhe "explicar as razões do incómodo que Francisco Louçã causa na Direita". E acrescenta: "cada vez que a Direita ataca o Bloco de Esquerda, o PS perde espaço de manobra para se demarcar de Francisco Louçã. O combate ideológico ao BE terá de partir do PS e não do PSD ou do PP. É o PS quem tem a chave na mão. Enquanto a Direita não perceber isto será um aliado informal - importante - do BE".
Vamos por partes. Primeiro, limitei-me a responder a uma pergunta que o Paulo colocou à direita. Sendo de direita, expliquei por que razões Louçã me incomoda. Segundo, é-me indiferente que os meus “ataques” ao Bloco prejudiquem o PS. Não é problema meu; é um problema do PS. Mais. Se há a necessidade de a direita combater ideologicamente o BE, isso é porque o PS não consegue fazê-lo adequadamente. Paulo, uma sugestão: dê o exemplo. Faça a crítica ideológica ao Bloco. Se o fizer, se o PS o fizer, calo-me. Mas não tenhamos ilusões: o BE é o partido mais interessante à esquerda, o que melhor sabe fazer política à esquerda, o mais “profissional”, o partido de esquerda com maior probabilidade de crescimento. Se “ataco” o BE, é porque o levo a sério. Se “ataco” o BE “agressivamente”, é porque o combate político actual exige clarificação. Se não “ataco” o PS é porque penso que o PS é inócuo. Mas esse já é um problema dos militantes e dos simpatizantes do PS.
[Vasco Rato]

O Aly tem um blogue

Agora, o António Aly Silva, director do "Lusófono", também tem um blogue, a merecer uma visita prolongada. Ali, para já, não há nada de política. Se os portugueses são todos poetas, os guineenses também. Força, amigo.

Viva o FC.Porto, carago!

Mesmo um lisboeta benfiquista como eu tem de reconhecer: o FC.Porto é o maior do mundo, carago!

Terça-feira, Maio 04, 2004

JPH ao espelho

O João Pedro Henriques até nem parece boçal ao vivo, passa mesmo por uma pessoa aparentemente civilizada. Mas quando faz um esforço para escrever, saem-lhes estas tristes boçalidades e não diz coisa com coisa. Por vezes a bota não bate mesmo com a perdigota e os argumentos esbarram em si mesmos, confundidos pelo insulto fácil mas frágil. É com gente desta estirpe que o terrorismo vai conseguindo algumas vitórias, esporádicas é certo, ainda que não seja essa a sua verdadeira intenção. O sectarismo e o totalitarismo acabam até por ser involuntários, mas compreende-se a necessidade frenética de afirmação pessoal. Peço-lhe apenas para que tente pensar duas ou três vezes antes de debitar fórmulas velhas e gastas que há muito já foram depositadas no caixote de lixo da História. Leia mais do que o seu próprio jornal e depois venha debater com O Acidental. [PPM]

PS. Alguém poderá dizer que este recado me foi encomendado pelo meu amigo Vasco Rato mas, para além do próprio não precisar de ajudas para se defender, esse argumento também roça a boçalidade, afinal tão característica de certa esquerda mediática.

O porta-voz do Pinóquio

O Daniel não tem emenda. Vamos por partes. Primeiro, Louçã, preto no branco, escreve que existiam armas de destruição maciça no Iraque porque foram vendidas pelos americanos. Preciso de citar a página outra vez? Daniel, eu e o Louçã, se bem que por razões distintas, estávamos convencidos da existência dessas armas (explicarei porque pensava isso noutra ocasião). Ao contrário do que o Daniel diz, o problema não é que Louçã tivesse “dúvidas” sobre as ADM. Ele não tinha dúvidas. Ele disse que existiam!
Sendo assim, Louçã não pode agora dizer que o argumento das armas foi um “pretexto”, que “eles mentem, eles perdem”. Se “eles” mentiram, Louçã também mentiu. E se Louçã agora diz que sabia que as armas não existiam – e dizer que “o argumento das armas” era um pretexto para a guerra equivale a isso mesmo – ele está a mentir. Lógico.
Admito que o Pinóquio do PSR queira, agora, “rectificar” o que então disse. Que confesse que acusou os americanos de terem vendido ADM a Saddam porque era do seu interesse político fazê-lo. Que mentiu por razões políticas. Aceito essa explicação. Faz parte do padrão.
Daniel, já quanto à sua obsessão de me ver a “tirar a roupinha”, é que não me parece nada saudável. [Vasco Rato]

Casa Oliveira e Companhia Lda

Pelo jeito que levam para a coisa, os barnabés estão aqui, estão a ser convidados pelo Grande Líder Louçã para organizar festas ao domicílio com strip colectivo e espectáculo sado-masoquista. Daniel e sus muchachos num show em que tudo é permitido. Uma vocação tardia, é certo, mas que se tem revelado de modo exuberante nos últimos tempos.

Incomoda, Gorjão, incomoda

Paulo Gorjão revelou uma dúvida existencial. Pergunta o nosso Paulo: “porque será que Francisco Louçã incomoda tanto a Direita? Talvez por ele ser o verdadeiro líder da Oposição?”. Não, Paulo, não. Louçã incomoda porque continua a ser o que sempre foi: um admirador de Trotsky, um dos maiores psicopatas do séc. XX (aconselho a biografia de Dmitri Volkogonov - Trotsky: The Eternal Revolutionary - e não as fantasias propagandistas de Isaac Deutscher, lidas pelo Bloco de Esquerda). Incomoda porque é um moralista self-righteous. Incomoda por julgar-se iluminado, o único detentor da “verdade”. Incomoda porque, muito simplesmente, é um totalitário desprovido de cultura política democrática. Incomoda porque mente, mas acusa os seus adversários de desonestidade. Incomoda porque se diz moderno, mas continua preso aos dogmas mais reaccionários da esquerda paleolítica. Incomoda porque apesar de valer 5 por cento dos votos, é um lobo disfarçado de cordeiro. Incomoda porque, parafraseando Nietzsche, as ideias velhas nunca morrem, apenas regressam mais venenosas. Incomoda porque Louçã é a encarnação de velhas ideias que voltam a levantar a cabeça. Incomoda-me porque tenho 42 anos e não sou parvo. Incomoda-me porque já vi este filme, e não gostei da primeira vez. Incomoda-me politicamente. Compreenda, Paulo, não tenho nada de pessoal contra o senhor. [Vasco Rato]

Os barnabés deste mundo IV

O Daniel Oliveira – pessoa que não conheço, mas gosto sempre de ler – deu-me as boas-vindas à blogosfera. Obrigado, Daniel. Um dia destes teremos de nos juntar para beber um copo. Convido eu.
É claro que o Daniel aproveitou logo para dizer que “prometi andar nú no Rossio” se não fossem encontradas armas de destruição maciça no Iraque. É a voz do dono a ladrar. Louçã, quando apresentou o seu mais recente livro (estou a ser generoso ao chamar-lhe livro), fez a mesma afirmação. Até agora, nunca me dei ao trabalho de “clarificar” essa “promessa”. Aceitei, estoicamente, as piadas. Pensei que o Louçã tinha jogado para a plateia, para essa intelectualidade de esquerda que se diverte com as bocas pacóvias do Pinóquio do PSR.
Mas, sinceramente, ganhe juízo Daniel. Eu conheço a táctica da “descredibilização” do adversário. Vocês, os esquerdóides, são uns peritos nesse tipo de actuação. Perante argumentos, recorrem à piada fácil, ao insulto gratuito. Enchem a boca com o “debate de ideias”, mas fogem delas como o Diabo da Cruz (peço desculpa pela metáfora religiosa). Tudo bem. Mas não esperem é que eu me deixe intimidar. Por isso, Daniel, prometo que amanhã irei “esclarecer” a tal “promessa”. Irei atender ao seu pedido. Satisfeito?
Até lá, se não se importa, pergunte ao Louçã quando é que ele mentiu sobre as armas de destruição maciça. No livro “A Guerra Infinita”, ou agora quando diz que sempre soube que não existiam. Pergunte-lhe se o BE se prepara para divulgar as “provas” sobre o favorecimento da Carlyle. Pergunte-lhe se está disposto a abandonar a imunidade parlamentar e fazer essa mesma acusação em tribunal. Pergunte-lhe se, na Assembleia da República, o BE vai condenar o regime comunista do Vietname pelas suas atrocidades. Eu sei, o Daniel está mais preocupado com a minha suposta “promessa” de andar nú pelo Rossio. Paciência. Prometo – again - que amanhã escreverei um post sobre o assunto. Aguente. E enquanto espera, esclareça as mentiras do Pinóquio trotskista. [Vasco Rato]

Os barnabés deste mundo (III)

O Paulo Pinto Mascarenhas não me encomendou o sermão, mas confesso que enfiei a carapuça estendida pelo Barnabé. Cada vez que surgem más notícias sobre o Iraque, o Barnabé excita-se. Sucumbe à lógica do quanto pior melhor. Morrem soldados americanos e os barnabés rejubilam porque se trata de mais uma “prova” de que tinham “razão” em opor-se à guerra. Morrem civis iraquianos e logo deitam foguetes, porque é mais uma “prova” das “acções criminosas” dos ocupantes. Presos são torturados, os barnabés não se contêm, porque eis mais uma “prova” da “barbaridade” do bushismo. Quanto às vítimas, choram lágrimas de crocodilo, porque o mais importante é marcar pontos políticos. O mais importante é repetir que tinham razão.
Desde que possam, demonstram a sua superioridade moral, a sua razão, estão-se nas tinhas para quem morre. Querem um comentário sobre as torturas? Se as acusações forem verdadeiras, os culpados devem ser exemplarmente castigados. Ponto final. Soldados da coligação não se podem comportar como a polícia secreta de Saddam (ou de Fidel Castro). Dois pontos adicionais. Primeiro, as torturas violam as regras militares (e da civilização ocidental) e, portanto, são casos isolados e não uma prática corrente. Insinuar que se trata de uma prática generalizada, como fazem os barnabés, não passa de mais um exemplo do tipo de inverdade que hoje marca o discurso do BE.
Segundo, digo “se se provarem as acusações”, porque ainda estão a ser investigadas. A esquerda bloquista tem o hábito de fazer acusações sem fundamento. Dou um exemplo. Recordam-se do célebre “massacre de Jenin”, de Abril de 2002? Louçã passou dias a condenar a “matança” de centenas de palestinianos às mãos do Exército israelita. Chegou a dizer que os israelitas tinham assassinado mais de 500 pessoas. Pouco tempo depois, Peter Bouckaert, do Human Rights Watch (julgo que não será uma organização da CIA), disse que não havia “qualquer indicação de um massacre” (ver Jerusalem Post, 28 de Abril de 2002). Meses depois, em Agosto de 2002, a ONU publicou um relatório que concluía que morreram 23 soldados israelitas e 52 palestinianos (http://www.un.org/peace/jenin/).
Um massacre? Pois é. O que houve foi um combate entre o Exército israelita e as milícias palestinianas. Mais nada. Todavia, Louçã nunca se deu ao trabalho de se corrigir. Não admitiu que (involuntariamente?) mentiu. Nunca reconheceu que o que havia dito era falso. Detectamos aqui um padrão, barnabés? Talvez o síndroma de Pinóquio?
Mas vamos ao essencial. Por que razão é que o Barnabé, sempre disponível para criticar as democracias, mantém um silêncio revelador quanto às ditaduras dos “povos amigos” do Terceiro Mundo? Basta um exemplo. Passo a citar um relatório da Amnistia Internacional (penso que o BE não a considera uma organização "da CIA"), de 29 de Abril:
“On 10 and 11 April 2004 thousands of ethnic minority people known as Montagnards engaged in protests against government policies in three provinces of the Central Highlands region of the country. These events come some three years after an unprecedented series of protests by members of ethnic minority groups in the same area, which led to a harsh crackdown by the Vietnamese authorities. Once again the Vietnamese government reaction has been immediate brutal suppression, and to blame the unrest on US-based Montagnard opposition groups. Immediately following the protests the Central Highlands region was effectively cut off from the outside world and the existing considerable security presence further reinforced (http://www.amnestyusa.org/countries/vietnam/document.do?id=BD5C293896E5661C80256E8200631117).
Como são rapazes actualizadíssimos, os barnabés deste mundo certamente conhecem este relatório. A menos que andem distraídos, ou que julguem que os contra-revolucionários vietnamitas, que obviamente são pagos pela CIA, merecem ser reprimidos. Para quem insiste na moralidade e na coerência, o silêncio do Barnabé (e do Louçã) é deveras suspeito. [Vasco Rato]

Os barnabés deste mundo II

Rui Tavares, do Barnabé, irritou-se com o meu poste anterior e, com a habitual sobranceria que caracteriza a esquerda, pretende logo que eu lhe peça desculpa. De facto, apesar de escreverem as maiores barbaridades sem qualquer pudor, os barnabés deste mundo estão sempre à espera de pedidos de desculpa dos outros, quando não se limitam a mandar calar quem tem opiniões diferentes. Mas o bom do Rui Tavares queria não só um pedido de desculpas como uma rectificação. Isto porque, alega, "quem tem mãozinhas para escrever acusações destas, também tem mãozinhas para escrever a palavra 'Cuba' no motor de pesquisa do Barnabé" e ler as dezenas de "postas" que escreveram sobre a ditadura castrista. Pois eu dei esse trabalho às minhas mãozinhas e o que encontrei foi alguns comentários laterais e bastante suaves à repressão do regime de Fidel. O que não encontrei certamente foi o tom permanentemente indignado e justicialista com que tratam algumas das mais livres democracias do Mundo, desde logo os Estados Unidos e a Grã-Bretanha. Aliás, como não podia deixar de ser, no poste que me indica - "Sem liberdade, esquece" - lá tinha de vir a comparação explícita entre a ditadura impiedosa de Castro e Guantanamo. Como se fosse comparável uma prisão para terroristas e guerrilheiros armados com uma ilha inteira que é uma prisão para padres, estudantes, escritores e jornalistas. Não se tratam de pessoas que erguem armas ou põem bombas em edifícios civis, são homens e mulheres que estão presos apenas porque um dia levantaram a voz contra as arbitrariedades e a prepotência de Fidel Castro.

Louçã, o Pinóquio do PSR (II)

Francisco Louçã, seguido pela totalidade da camarilha bloquista, não se cansa de dizer que “sabia que não existiam Armas de Destruição Maciça no Iraque”. Argumenta, por isso, que quem defendeu a intervenção militar mentiu. Propositadamente. Mas, no seu livro (?), A Guerra Infinita, de 2003, mais precisamente nas páginas 93 e 94, o mesmo Louçã acusa Washington de ter fornecido as ADM aos iraquianos. E concluiu que “os Estados Unidos não precisavam de inspectores para saberem imediatamente quais são os arsenais de Saddam: bastava terem guardado as facturas”. Onde ficamos? Louçã mentia quando acusava os EUA de terem vendido as armas ao Iraque, ou Louçã mente agora quando diz que Blair, Barroso e Bush sabiam da inexistência das armas? [Vasco Rato]

A verdade dos barnabés deste mundo

Os barnabés deste mundo andam obcecados com as imagens de torturas de soldados da coligação a prisioneiros iraquianos. Para além de já se ter afirmado que parte delas foram deliberadamente falseadas, nomeadamente na imprensa britânica, o que para os barnabés deste mundo não interessa nada, a verdade é que nunca vi os barnabés deste mundo tão preocupados com outras horríveis torturas praticadas em países tão solarengos e lá de casa deles como Cuba. O que os barnabés deste mundo não dizem é que só num país democrático e livre como os Estados Unidos é que seria possível investigar e tornar públicos casos bárbaros como os que estão em causa - aliás, perfeitamente identificáveis, individualizados e não confundíveis com políticas de regime, como aconteceu e acontece noutros países mais próximos ideologicamente dos barnabés deste mundo. O que também não dizem os barnabés deste mundo é que só num país democrático e livre como os Estados Unidos militares responsáveis por actos hediondos como os que foram descobertos são detidos e entregues à justiça. Mas, meus caros amigos, não duvidem: a verdade dos factos não interessa mesmo nada aos barnabés deste mundo. O folclore mediático é quem mais ordena.

Segunda-feira, Maio 03, 2004

Mais uma razão para votar Força Portugal

Desculpa lá, Luciano Amaral, mas o argumento que deste no Comprometido Espectador é realmente muito importante: a abstenção pode favorecer a esquerda e provocar outras doenças incuráveis. Não podes deixar que tal desgraça venha a acontecer.

Sem segundos sentidos

Que o Rodrigo Moita de Deus é um poeta, mesmo quando escreve em prosa, já eu o sabia de ginjeira. Este texto no Segundo Sentido apenas pode servir de prova a quem ainda o não conheceu. Ou leu.

Louçã, o Pinóquio do PSR (I)

Francisco Louçã tem uma forma peculiar de estar na política. Reclama o monopólio da verdade e da virtude: só ele fala verdade. Os adversários não discordam, mentem. Mentem deliberadamente. O problema é que este Pinóquio do PSR faz política através da meia verdade, da deturpação e da calúnia. Por exemplo, afirmou que o Governo “deu instruções” à Caixa Geral de Depósitos para favorecer a Carlyle, mas não apresenta “provas”. Recusa-se a fornecer “provas”, mas insiste que o que diz é “verdade”. Mais. Insiste que o Governo é que terá de “provar” que não existe favorecimento. Convenhamos que se trata de um raciocínio mirabolante. O acusador pede ao acusado que demonstre a falsidade de uma afirmação que carece de qualquer dado objectivo. Durão Barroso tem toda a razão quando se interroga sobre os motivos de Louçã.
Será que Louçã trabalha para alguém que tem interesse em levantar suspeitas sobre o concurso? Se não apresentar as suas “provas”, Louçã torna-se vunerável a esta suspeita. Ou então confirma que estava a mentir por razões de oportunismo político. Seja como for, morre a ilusão (de alguns) de que Louçã é um impoluto. [VR]

Descubra as diferenças

Comunicado do Partido Nacional Renovador, um partido de extrema-direita português. 4 de Março de 2003. http://www.partidonacional.org/comunicados/2003/mar04.html

"O Partido Nacional Renovador (PNR) recusa qualquer intervenção portuguesa, seja a que nível for, na nova guerra patrocinada pelos Estados Unidos contra o Iraque. Esta nova agressão ao Iraque é mais um exemplo da política externa norte-americana tendente a controlar as reservas petrolíferas no Golfo Pérsico e marca, também, um passo mais na convergência entre os americanos e os regimes despóticos muçulmanos da Arábia Saudita e do Kuwait para se apoderarem dos recursos naturais do único país laico que existe na zona.
Consideramos, igualmente, que o primeiro-ministro Durão Barroso se tem comportado nesta matéria como um lacaio de George W. Bush, pondo-se ao nível de um qualquer ridículo monarca do Golfo, ao mesmo tempo que coloca em perigo vidas e interesses portugueses sem motivo algum."

Refundar a Europa, Mudar Portugal, manifesto do Bloco de Esquerda nas eleições europeias de 2004, p. 2.
http://www.bloco.org/pdf/manifestoeuropeias.pdf

"A invasão e a ocupação do Iraque foram justificadas sobre uma imensa pirâmide de mentiras, como a pretensa relação do ditador de Bagdade com Bin Laden ou a alegação de que possuía armas de destruição maciça. Hoje é claro que as causas da guerra se encontram do lado do agressor: na sua ambição imperial e na sede insaciável de petróleo."

Boa, MacGuffin

O Bloco de Esquerda é um partido extremamente intolerante, maniqueísta e reaccionário, diz o Carlos do Contra a Corrente e eu só posso concordar e aplaudir. Um bom texto, salvo na possível comparação inicial da personagem Louçã com o ministro Paulo Portas.

Adenda: Graças a um e-mail do Carlos do Contra a Corrente, corrigimos alguns erros imperdoáveis neste texto. Agradeço a gentileza no pedido de rectificação e o Vasco Rato agradece as suas boas-vindas, em nome do fortalecimento comum da direita blogosferiana.

Vasco Rato ao vivo e em directo no Acidental

Grande aquisição do Acidental. Depois de um longo período de negociações, com discussão acesa sobre os honorários e outras ajudas de custo a ter em conta, temos a honra e o prazer de anunciar que, a partir deste preciso momento, contamos com a colaboração ilustre de Vasco Rato. Pode ser esporádica ou acidental, mas o certo é que o homem foi aliciado. Segue-se a aceitação do convite. Para já.

O meu amigo Paulo teve a gentileza de me convidar para passar a ser um “colaborador acidental” deste blogue. Presumo que queria dizer que passarei a escrever irregularmente. Faço-o com todo o gosto por duas razões. Primeira, o Paulo é um dos meus melhores amigos, de longa data. Segunda, apesar de não estar inscrito em qualquer partido politico, não deixo de ser um militante da direita, e, por isso, existe uma grande sintonia entre as minhas posições e as do Paulo. Para ser mais claro: colaborar neste blogue é uma opção política. [VR]

Testemunho sobre Isabel do Carmo

O Acidental recebeu este e-mail de Manuel Castelo Branco, um testemunho de vida que vale mais do que mil opiniões sobre a recém-condecorada com a Ordem da Liberdade, Isabel do Carmo. Para meditar.

Caro Paulo Pinto Mascarenhas:

Acerca da condecoração à dra. Isabel do Carmo queria só relatar-lhe um breve facto. Tudo se passou no ano de 1995 ou 1996 (peço desculpa por não me lembrar com exactidão, mas deveria andar, na altura, pelos meus 14 ou 15 anos). Por altura das comemorações do 25 de Abril, a SIC exibiu um programa cujo objectivo era debater os supostos crimes atribuídos à FUP/FP-25. Nesse debate, estavam presentes ilustres cidadãos que, presumivelmente, haviam pertencido à organização terrorista.
Eram eles, entre outros, Otelo Saraiva de Carvalho, Carlos Antunes, um corajoso disfarçado com um "passa-montanhas" e, está claro, a dra. Isabel do Carmo. A determinada altura começou a ser debatido o assassinato de Gaspar Castelo Branco (meu tio Avô). Este era, em 14 de Fevereiro de 1986 (data do seu assassinato), director-geral dos Serviços Prisionais. Dispenso-me de relatar os pormenores horríveis da matança.
Ora, quando nesse programa perguntaram à dra. Isabel do Carmo se estava envolvida neste atentado, a resposta foi a seguinte: "a morte do dr. Gaspar Castelo Branco é algo que eu não lamento nem tão pouco repudio." E é de acentuar que a ilustre recém-condecorada repetiu esta frase por duas vezes. Ou seja, não respondeu directamente à questão, mas, desta forma, disse muito mais do que o jornalista queria saber.
Como já disse, na altura era novo, mas nunca mais esta frase me saiu da memória. Por isto mesmo, queria agradecer ao sr. Presidente da República o excelente serviço que prestou a Portugal. E, já agora, se fosse possível, gostava também de lhe fazer um pedido: é que, para terminar em beleza, só falta nomear Otelo Saraiva de Carvalho Chefe do Estado Maior das Forças Armadas.

Um abraço,
Manuel Castelo Branco

Agora que o dia da Mãe passou

Já posso dizer que as mulheres são o sexo forte em Portugal. Eu sempre vivi num perfeito matriarcado, em que os homens são seres secundários e fazem por passar despercebidos. Com três irmãs, três filhas e três cunhadas, compreenderão facilmente quem é que sempre ordenou a minha vida. A minha Mãe, primeiro e sempre. As minhas irmãs, logo a seguir. A minha mulher, há quase 10 anos. E eu não me queixo, claro.

Para que não restem dúvidas

Sempre atencioso, Paulo Gorjão enviou-me um sucinto e-mail que, não fosse eu conhecê-lo, poderia passar por uma ameaça velada. Diz-me o Paulo ter sabido que sou “assessor do Paulo Portas” e que pensou até meter-se comigo por causa disso. Só que, depois, sempre educado, resolveu voltar atrás para me “perguntar primeiro”, talvez eu preferisse que não se soubesse. “De qualquer modo, mais tarde ou mais cedo, aposto que alguém acabará por fazer referência ao facto”, acrescenta Gorjão. Não seja por isso, Paulo, fica aqui desde já escrito por mim – e repetido. Eu pensava que a “Gracinha de Sousa Botelho” do “24Horas” fosse também lida na blogosfera, ou pelo menos a revista "Tempo", mas parece que não são tanto assim. Por isso, aproveito para rectificar tanto a "Gracinha" como o Paulo Gorjão – já o fiz entretanto em resposta ao e-mail dele. De facto, não sou assessor do dr. Paulo Portas, mas adjunto – e com muita honra, enquanto ele assim o entender. Faço também parte da equipa que colabora no blog do Caldas, a quem aproveito para fazer aqui a merecida publicidade. Não sei é o que isso interessa para o caso: os meus argumentos são só meus, apenas me responsabilizam a mim, e a mais ninguém. Felizmente, sou militante de um partido de grande tradição democrática, onde cada um pode pensar pela sua cabeça e é livre de ter e expressar livremente as suas opiniões. Mas agradeço o aviso, Paulo. E tu, o que andas a fazer?

Domingo, Maio 02, 2004

Também para ti, Luciano