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quinta-feira, novembro 25, 2004

Uma pequena teimosia

Preparei uma longa lista de “católicos profissionais” para agradar ao Carlos Abreu Amorim, mas entendo agora que refutará com veemência cada um deles. Seja porque não são bem “católicos”, porque não são bem “profissionais”, seja porque foram à missa num domingo a meio do mandato.

Recorreu o Carlos às críticas pessoais. Não precisava de o fazer. Sabe Deus que estou distante ideologicamente dos nomes que lhe apontei. O facto é que Sousa Franco foi plenipotenciário do Vaticano, quando já não tinha cargos públicos. Também foi ministro e não lhe conheço caso algum onde possa ser acusado de não ter distinguido a religião do Estado. Guterres é uma alforreca? Com certeza. No entanto, é católico profissional. No entanto, permitiu que o seu próprio partido apresentasse uma proposta de lei sobre o aborto. E Guilherme Oliveira Martins? Obrigou os alunos do secundário a rezarem o terço no princípio de cada aula? E Mota Amaral? Obriga os deputados a penitenciarem-se com ele?

O argumento que nos apresentou é demasiado débil para que insista em defendê-lo. Para além do mais, penso que percebo muito bem onde queria chegar. Na realidade, o ilustre Blasfemo queria queixar-se da nefasta influência da Igreja na política portuguesa. A mesma influência que mandou Guterres para o PS e Marcelo para o PSD. A mesma que vai sabotando a educação sexual nas escolas ou a aprovação da lei do aborto na Assembleia da República. Um verdadeiro grupo de pressão e de interferência.

Mas as ideias são um mercado livre e quase sempre auto regulável. A inspiração cristã tem tanto direito a existir como o marxismo, o esoterismo ou mesmo o seu anticlericalismo. Posto isto, voltamos ao princípio de toda esta discussão: proibir a difusão política de ideais cristãos e excluir do exercício de cargos públicos todos quantos os professem, é no mínimo antidemocrático, no máximo um exercício de fanatismo.

[Rodrigo Moita de Deus]

PS: Depois de tanto poste sobre o assunto, arrisco-me a ser beato.

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