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sexta-feira, novembro 26, 2004

Um elogio único ao PCP

Dizem os comentadores que o PCP tem de “mudar”, “adaptar-se”, “modernizar-se” concluindo que a escolha de Jerónimo de Sousa não é suficientemente eleitoralista para assegurar a sobrevivência do partido.

A política é uma actividade cínica. Se o PCP mudasse de linha, seria acusado de ter feito “concessões ao populismo”. Se o PCP tivesse escolhido um secretário-geral mais actual seria acusado de ter “abandonado os seus valores tornando-se num vazio ideológico”.

Tenho para mim que os partidos não são apenas máquinas eleitorais ou instrumentos de exercício de poder. Os partidos são, na sua essência, as ideias e os valores que representam. Nesse sentido para quê mudar? Para quê adaptarem-se? Para ganhar eleições? E depois de ganhas? O que fariam no poder? Governariam sem rumo ou ambição de mudança? Governariam sem ideologia, tornando-se iguais aos outros? Talvez o PCP tenha percebido que ganhar eleições com um partido descaracterizado é substituir o Zé pelo Manel. Talvez os outros partidos é que tenham a aprender com isso.

[Rodrigo Moita de Deus]

PS: Prefiro a clareza, a honestidade e a ortodoxia doutrinária do PCP, ao embuste eleitoralista do Bloco de Esquerda. Prefiro um PCP estalinista, ao marxismo subterrâneo do Bloco de Esquerda. Prefiro a franqueza do PCP ao ardil eleitoralista e ideológico do Bloco de Esquerda. Ao menos sabemos que são contra a economia de mercado, contra a aliança atlântica, contra a livre iniciativa. Ao menos, sabemos com quem estamos a falar.

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