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quarta-feira, novembro 24, 2004

Sinceramente (II)

No meu limitado vocabulário, comparar o trajecto político de alguém ao de Freitas do Amaral não é chamar-lhe "filho da puta", como parecem pensar o Pedro Mexia ou o Fernando Albino. É, muito prosaicamente, comparar o trajecto político de alguém ao de Freitas do Amaral. Quando eu quero chamar a alguém filho da puta chamo-lhe filho da puta. O que, no caso em apreço, não faria qualquer sentido nem teria qualquer correspondência com a realidade.

Ao contrário do que poderá pensar o Pedro Mexia, ou o Francisco Mendes da Silva, na minha crítica ao artigo do "DN" não se incluíam quaisquer sentimentos pessoais, fossem de desilusão ou de traição. O Pedro Mexia sabe e eu faço questão de repetir que tenho por ele grande estima pessoal e intelectual (eu sei que esta última é uma palavra de merda, como diz o Francisco lá em baixo, mas também é a que está mais à mão). Não fui movido ainda por qualquer tentação ortodoxa de atacar um "desvio de esquerda", como lhe chama o Pedro. Bem pelo contrário, considero até que falta discussão ideológica no CDS. Só que a responsabilidade não é, a meu ver, de Paulo Portas. Bem pelo contrário. Também ao contrário do que escreve Pedro Mexia, abomino ortodoxias e O Acidental é a melhor prova disso mesmo: bastaria ler as opiniões mais diversas dos colaboradores acidentais sobre este episódio para o provar à saciedade.

O problema do artigo do Pedro no "DN" é que constrói a sua tese a partir de mitos comuns da esquerda sobre o CDS e só muito raramente tem alguma coisa a ver com a realidade, passada ou presente (sobre este assunto, basta-me recomendar a leitura do que escreveu o Diogo Belford Henriques).

Se há sentimentos de desilusão ou de traição em toda esta história eles saíram directamente do teclado onde se escreveu "O fantasma do táxi". O que me parece é que - e não leiam isto como uma crítica - o Pedro Mexia está cada vez mais "Fora do Mundo", tanto no que diz respeito ao CDS, como também no que tem escrito mais recentemente sobre a guerra no Iraque, tanto ainda sobre o que estava em jogo nas eleições americanas. Se isso é bom ou mau, positivo ou negativo, já não me compete a mim avaliar. Limito-me a exercer o direito à crítica que me é concedido pela blogosfera. E não posso deixar de acrescentar que tenho saudades de ler o "outro" Pedro Mexia, o combativo blogger que destroçava com argumentos fulminantes as hostes da esquerda gritante.

[PPM]

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