Ortodoxias e outros erros que dão jeito (I)
| Falar de ortodoxia no espaço “não socialista” da política portuguesa é uma tentação fácil para os fracos de espírito. E o termo “não socialista” aplica-se com exactidão doutrinária, pois esse é o único ponto em comum entre tanta gente, tão diferente, a que normalmente se chama de “direita”.
Mas esta "direita" é uma mescla riquíssima de liberais, sociais-democratas, conservadores, neo-conservadores, democratas cristãos e outros que vai de Manuel Monteiro a Marcelo Rebelo de Sousa, passando por Paulo Portas. O “não socialismo” está cada vez mais abundante, mas seria um erro tentar catalogá-lo simplesmente como “direita” e outro erro ainda maior falar de ortodoxia. Discordamos sobre a intervenção no Iraque, sobre o alargamento da União Europeia, sobre a política orçamental e mesmo sobre este governo. Em linguagem blogosférica esta pérfida matriz até implica colocar no mesmo saco o Paulo Mascarenhas e o Pacheco Pereira na companhia do Carlos Abreu Amorim. Quem, dentro do espaço centro-direita, se queixa da ortodoxia também é fraco de argumentos. Mais ainda quando recorre à triste comparação com o Partido Comunista Português. É não querer entender que a distinção entre o PCP e todos os outros partidos é ausência de uma vida interna plural e democrática. É não querer entender que o debate “interno” já existe. Mas nem o Partido Comunista, nos seus piores dias, deixou que os fatos às riscas de João Amaral se tornassem em crítica ideológica. Estas generalizações foram um daqueles precedentes que o discurso do Bloco de Esquerda criou e que a “direita” aceitou com candura. E, pasme-se, acabou por assimilar. Foi ingénua a “direita”. [Rodrigo Moita de Deus] |


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