O PCP está para a Igreja Católica como o Bloco de Esquerda está para a IURD
| Não percebo quando se anuncia a morte do PCP por causa dos seus desaires eleitorais, do envelhecimento dos seus militantes e do decréscimo do número de filiados.
Da mesma maneira que não percebo quando se diz que a Igreja Católica está pela hora da morte porque há cada vez menos padres e militantes católicos e porque não adapta o seu discurso aos "tempos modernos". O PCP copiou o modo de funcionamento da Igreja e adoptou um modelo estrutural idêntico, com um cariz fundamentalmente doutrinário. Não há campanhas eleitorais internas, há nomeações e sucessões naturais. Os dirigentes são escolhidos conforme a conveniência do "colectivo" que se dilui numa rede bem organizada e não porque consegue mais votos ou arrecadar mais simpatias. O secretário-geral do PCP é a representação física, na verdade, daquelas dezenas de pessoas que estão sentadas no estrado do Pavilhão Municipal de Almada. Da mesma forma que os dirigentes da Igreja Católica portuguesa são as dezenas de bispos que constituem a Conferência Episcopal. Carvalhas ou Jerónimo de Sousa, tal como José Policarpo, são apenas um entre iguais. Podia ser outro. Por isso é que, democraticamente, o PCP nunca chegará ao poder. Já o Bloco de Esquerda é fundamentalmente comercial, uma espécie de IURD – neste caso, os padres casam e as mulheres podem ser padres. [Inês Teotónio Pereira] |


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