O filho da puta não se lembra de mim
| Não te lembras de mim, mas eu sei bem quem tu és. É a pena que te denuncia. Leio as palavras e a tua imagem ganha vida.
E como podia eu esquecer? Que te sirva de elogio, estás igual! Estás na mesma. O mesmo alcoviteiro, escondido entre saias da professora. O mesmo manhoso, com fama e proveito de delator. O mesmo cábula com mais talento para a citação que para a escrita. A ti, há muito que não te encontro, mas tenho visto os teus irmãos. O canalha, o infame e o embusteiro. Estão todos bem e de boa saúde. Pululam alegremente por aí. E agora? Ainda não te lembras de mim? Não me recordarás nas tuas aventuras no parque ou no jardim, nem sequer dos cafés ou das livrarias. Podes até queixar-te da falta que te fez a minha companhia. Mas depois de tantos anos nem te percebo o desprezo. É da mesma escola! Já te lembras agora? O filho da puta e o fascista andaram juntos na mesma aula e até partilharam a carteira. É desses tempos de garoto que me vêm as certezas quanto à tua maternidade e as tuas quanto à minha ideologia. Manda saudades e desculpas à rameira. Um filho da puta assim, só pode ser filho de si próprio. [O Acidental] |


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