Espaço do leitor II (Conversas em família)
| Devemos entender a tragédia do Professor Marcelo Rebelo de Sousa. Ele aprendeu em casa e com o padrinho Marcello Caetano que, para se ser primeiro-ministro em Portugal, bastava ser muito inteligente e ter o doutoramento em Direito. Fez o percurso universitário, como estava previsto, e toda a gente lhe elogiou a inteligência desde a mais tenra idade. É óbvio que acreditou que o seu destino passaria irremediavelmente por S. Bento.
Os planos começaram a mudar com o 25 de Abril. Com o tempo e com alguns desaires políticos começou a perceber que em democracia não chega ser inteligente e Professor de Direito. É preciso mais, mas ele não sabe bem o quê. O mundo em que ele cresceu, em que sempre acreditou, desabou completamente no dia em que viu Santana Lopes tomar posse como PM. E pensou para os seus botões: “Como é possível que um cábula, um rapaz que gostava mais de gozar os prazeres da vida, que até foi meu aluno na Universidade, tivesse lá chegado e eu não”. Marcelo entendia e entendia-se bem com o mundo do Estado Novo, quando os melhores professores de Direito iam parar a S. Bento, mas não compreende o mundo da democracia. Quem sempre acreditou que um dia seria PM, acabou afinal como um comentador de política de Domingo à noite, falando para o mesmo público que lê a “Nova Gente” e vê a “Quinta das Vaidades”. É trágico e, a partir de agora, já se tornou patético. Cícero |


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