"Conversas com Estaline"
| Este é o título do livro de memórias do antigo dissidente comunista jugoslavo, Milovan Djilas. Numa passagem, conta uma conversa em que um colaborador de Estaline, a propósito da tomada do poder na Polónia, avisava o ditador soviético da oposição do Vaticano. “Quantas divisões militares tem o Papa?” - perguntou ironicamente Estaline. A verdade é que a URSS já acabou, mas o Papa continua a ser uma realidade insofismável. Lembrei-me disto a propósito das críticas do politicamente correcto ao candidato a comissário Buttiglione. Não defendo, obviamente, a adesão do Vaticano à União Europeia (longe de mim tal ideia), mas também julgo não ser necessário construir a “Europa” contra os fiéis da Igreja Católica.
Por vezes, ficamos com a ideia que muita gente mostra mais compreensão com o radicalismo de Bin Laden e seus aliados do que com a ortodoxia católica. Além disso, tratou-se de uma posição muito pouco inteligente. Qualquer pessoa que defende um sistema democrático liberal sabe que a pior coisa que se pode fazer é misturar política com religião. Esta fogueira começa a crescer na Europa a um ritmo preocupante. Os deputados socialistas e liberais acabaram de deitar mais lenha para a fogueira. E o sonho europeu ainda se transforma num pesadelo. [PPM] |


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