Um bom exemplo
| O Rui Tavares, no melhor estilo do Barnabé, resolveu bater na política de imigração do governo. Segundo ele, o sistema de quotas não serve porque as quotas ficaram por preencher, porque continua a existir imigração ilegal. À primeira vista até parece que a lógica da batata faz sentido. Fiquei com a ideia que a discussão sobre o sistema de quotas fazia-se à volta do número, com a esquerda a protestar por ser insuficiente. No fim de contas, sobraram vagas. Porquê?
Convém não esquecer que, ao mesmo tempo que o sistema de quotas era aplicado, decorria o processo de regularização dos imigrantes que já residiam em Portugal. Convém também não esquecer que não houve deportações durante este período de implementação da nova lei. Assim sendo, o sistema de quotas aplica-se apenas a novas entradas. O facto de a maior parte dos imigrantes preferir a ilegalidade não prova, por si só, a ineficácia do sistema. Mais do que redigir a lei é preciso aplicá-la, mudar mentalidades, mudar dez anos de política de laxismo em matéria de imigração que afecta o Estado e os próprios imigrantes que assim se privam dos seus direitos. Mas depois daquele texto no Barnabé há imensas dúvidas que me atormentam a cabecinha: Qual é a ideia do Rui Tavares para resolver o problema da imigração? Entrada indiscriminada? Se a entrada for indiscriminada para que serve a legalização de imigrantes? Em bom rigor, será mesmo necessário legalizarem-se? Porque não deixá-los sem acesso à segurança social e à saúde? Caro Rui, somos todos pela resolução do problema da imigração ilegal. O sistema de quotas, até prova em contrário, é a solução mais justa, quer para os imigrantes, quer para os países receptores. Repito: até prova em contrário. Se alguém tiver uma ideia melhor, serei o primeiro a defendê-la. É que, para ser campeão das causas justas, não basta brincar com os assuntos. [Rodrigo Moita de Deus] |


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