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Quinta-feira, Julho 15, 2004

Perguntas ao Barnabé

A propósito de polémicas sobre a história política moderna, o Rui Tavares afirma que a Democracia na América é “uma obra menor”, “cheia de patetices” (juro que não inventei, está escrito). Caro Rui, tem toda a legitimidade para discordar dos argumentos do livro, para considerar mesmo que a tese é irrelevante. Agora afirmar que se trata de “uma obra menor” é verdadeiramente espantoso, principalmente vindo de um historiador. Não pretendo entrar em grandes discussões sobre o pensamento político moderno (penso que este não é o espaço adequado), mas como é que justifica a sua afirmação? Ou foi apenas um desabafo patético, fruto de irritação, sem qualquer fundamento? Confessa ainda que é um “fã de Strauss” (isto sim, é linguagem à Blitz), afirmando contudo, com um tom crítico, que o antigo professor de Chicago foi “o professor dos neo-conservadores mais importantes”. Mais uma vez, e visto que isto se está a tornar um ponto adquirido entre alguma esquerda nacional, onde é que se fundamenta para fazer tal afirmação? Já agora, se não for pedir muito, quais são os tais “neo-conservadores mais importantes”? E qual é natureza da influência que receberam de Strauss?
[João Marques de Almeida]

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